Arquivo do mês: junho 2010

Tiro defensivo para a preservação da vida!

O método Giraldi torna-se cada dia mais difundido no meio policial. Ontem conversando com o futuro soldado Rander, amigo e blogueiro, ele me brindou com uma entrevista com o criador do método. Muitos leitores podem desconhecê-lo, sendo assim, vi como uma boa opção apresentá-lo.

Devido a falta de tempo esse mês estarei postando entrevistas e reportagens sobre polícia. Não sei se atende as expectativas dos leitores, mas é uma alternativa para não  ficar sem escrever. Em breve, após terminar um curso que estou fazendo, sobre direitos humanos nas forças militares, focarei nesse tema.

Criador do Método “Giraldi” fala sobre a importância do chamado “Tiro defensivo para a preservação da vida”

Com metodologia e apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e obedecendo as Sete Normas Internacionais de Direitos Humanos Aplicáveis à Função Policial Armada, o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Nilson Giraldi, criou o Método “Giraldi” para treinamento dos agentes da Segurança Pública brasileira na área que ele chama de “Tiro Defensivo para Preservação da Vida”.

Segue a entrevista que o coronel Giraldi concedeu, em São Paulo, no Centro de Aperfeiçoamento e Especialização (CAES) da polícia paulista ao tenente Ramon Quemel, integrante da  Assessoria de Comunicação Social da PMPA.

ASCOM: qual o objetivo da criação do Método “Giraldi”?

Cel Giraldi: a polícia brasileira trabalha dentro do quadro de maior violência do mundo. Isso obriga o policial a usar arma de fogo para se defender e defender a sociedade. O Método Giraldi veio para ensinar o policial a preservar a sua vida e a sua liberdade, a usar a arma de fogo para servir e proteger a sociedade e a si próprio, a preservar a vida, a liberdade e a segurança do cidadão e a evitar tragédias.

ASCOM: para a criação do Método “Giraldi”, foi feita uma pesquisa sobre o que sente o policial no momento em que ele participa de um confronto armado, o que ela demonstra?

Cel Giraldi: a pesquisa mostra que no policial a pressão arterial dobra, os batimentos cardíacos triplicam, a emoção e a reação, obedecendo ao instinto de preservação da vida, são tão intensas que, normalmente, antecedem o raciocínio, e a capacidade de raciocínio fica drasticamente reduzida.

ASCOM: o que pode provocar o uso incorreto da arma de fogo por um policial?

Cel Giraldi: o uso da arma de fogo de forma incorreta, por parte do policial, pode provocar cinco tragédias distintas, sendo: crises na polícia, desmoralização do Estado, desrespeito aos direitos humanos, morte do policial ou a perda da liberdade do policial.

ASCOM: existe uma base técnica para o Método “Giraldi”?  

Cel Giraldi: a base técnica é o treinamento. Este deve ser correto, deve ser considerado não como gasto mas como investimento e deve-se primar pela qualidade dos instrutores. Para mim, a matéria mais importante para uma instituição policial é a instrução de tiro e o instrutor de tiro tem a função de maior responsabilidade entre todas as funções.

ASCOM: por que o local de treinamento do Método “Giraldi” não é chamado de Estande de Tiro?

Cel Giraldi: por que Estande de Tiro é o local de treinamento das Forças Armadas que, até mesmo constitucionalmente, têm função diferente das polícias estaduais. O local onde há o treinamento do Método “Giraldi” deve chamar-se “Centro de Treinamento Para Preservação da Vida”

ASCOM: como funciona, na prática, o treinamento do Método “Giraldi”? 

Cel Giraldi: a instrução é toda prática, não há instrução em salas de aula. O treinamento deve ser o mais próximo da realidade enfrentada pelo policial, inclusive, criando-se um teatro com simulacros de arma de fogo pintados de amarelo ou azul, revólver munição e pistola sem carregador, o instrutor deve orientar o policial-aluno a estar sempre com o dedo fora do gatilho da arma. É proibido usar munição real, de festim, cera, sabão, entre outros materiais.

ASCOM: como devem ser as ações do instrutor de Método “Giraldi”? 

Cel Giraldi: antes de iniciar o “teatro”, ele deve examinar todas as armas dos alunos para ver se não estão carregadas. Nunca se deve começar a instrução exigindo realização de flexões de braços, rolamento, ou coisa parecida. Lugar de educação física é na instrução de educação física com um técnico em educação física. O máximo que se pode criar é uma série de barulhos para retratar um quadro de tensão. O instrutor não deve perder tempo ensinando o que o policial não usará nas ruas, como montar e desmontar arma, isso é função do armeiro da unidade. O instrutor deve ter em mente ensinar o que interessa: saber usar a arma para servir e proteger a sociedade e a si próprio, saber aplicar as normas de segurança e solucionar incidentes de tiro em curto espaço de tempo. Ser instrutor do Método “Giraldi” requer paciência, insistência, persistência e respeito pelo aluno.

ASCOM: como funciona a técnica de usar a arma de fogo e não expor a vida e a integridade física de pessoas inocentes? 

Cel Giraldi: não disparar em agressor que estiver no meio do povo, não disparar se na mesma direção estiver pessoas inocentes, não disparar contra agressor que estiver usando sua vítima como escudo, inclusive no interior de veículos, não disparar se o projétil (bala) tiver chances de se tornar uma “bala perdida”, não efetuar disparo de advertência, não disparar contra ocupantes, pneus, de veículos em fuga ou que tenha rompido o bloqueio policial. Podem existir pessoas inocentes no seu interior, inclusive no porta-malas. O policial deve pedir apoio, fazer o acompanhamento, o cerco, a abordagem e a prisão. Se houver troca de tiros, evite atirar a esmo, uma hora a munição dos acusados vai acabar e o policial vai ficar em superioridade numérica e de fogo. Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos e a precipitação está matando os policiais ou fazendo com que percam a liberdade.

 ASCOM: Quais são outras técnicas ensinadas ao policial no Método “Giraldi”?

Cel Giraldi: a primeira é a verbalização que deve ser clara, objetiva e educada. A segunda é a negociação. Nela, o policial deve colocar em prática a inteligência e a sabedoria contra as artimanhas do agressor. E a terceira é a abordagem, que deve ser feita com a cobertura de um outro policial e sempre preparado para uma possível reação por parte das pessoas abordadas. Sempre com o dedo fora do gatilho da arma.

ASCOM: uma mensagem aos policiais militares do Pará?

Cel Giraldi: policial, o disparo para estar dentro da legalidade, precisa preencher as condições da “necessidade”, “oportunidade”, “proporcionalidade” e “qualidade”. Um disparo dentro dessas condições jamais levará o policial a ser condenado nos tribunais. Por isso, tenha em mente que a segurança no disparo de arma de fogo precede tudo, algo simples pode-se fazer para evitar tragédias, como: cano da arma voltado sempre para uma direção segura, jamais direcione sua arma para pessoas inocentes, só aponte para algum lugar se for realmente atirar e em uma ação mantenha sempre o dedo fora do gatilho da arma. Sucesso a todos!

Fonte: http://www.pm.pa.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=625&Itemid=61

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Vestibular para Tecnólogo em Segurança Pública!

Vestibular para “Tecsop”

24/6/2010 19:26:00

 A partir das 18h do dia 25 de junho estarão abertas as inscrições do processo seletivo para preenchimento de 200 vagas do “Curso Superior de Tecnologia em Segurança e Ordem Pública (Tecsop)”. Dessas, 150 serão bolsas de estudos gratuitas para policiais. As inscrições vão até o dia dois de julho, e deverão ser feitas somente pela internet pelo site http://www.catolicavirtual.br// . No mesmo site há também mais informações sobre processo seletivo, bem como sobre os detalhes e critérios do curso.

Fonte: Site PMDF

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Construindo uma nova polícia!!

Dando continuidade ao projeto Policiamento Inteligente, que é a busca da eficiência e eficácia da polícia tendo como base a comunidade, utilizando-me do proselitismo costumeiro, como diria meu amigo e sociólogo Jean Camargo, hoje falarei de construção.

Adoro observar a arquitetura dos monumentos espalhados pelo mundo (ainda conheço poucos, mas conhecerei muitos). As igrejas de Minas Gerais me deixaram fascinado. Uma que vi em João Pessoa e outra em Natal não foi diferente. Os monumentos de Brasília, principalmente os do Arquiteto Oscar Niemeyer deixam qualquer um de queixo caído, seja no DF, em Minas Gerais, Ponta do Seixas ou em outros lugares que não tive a oportunidade de conhecer. O estilo gótico é maravilhoso, conheci uma igreja linda na cidade de Tigres na Argentina. Fico imaginando cada traço, cada tijolo sendo colocado, cada mestre de obra, cada pedreiro…

Imagino a vida como uma grande construção…

Isso me faz lembrar uma história de um repórter que conversou com três trabalhadores que estavam colocando concreto numa das vigas de um edifício em construção.

– O que você está fazendo? – perguntou o repórter a um deles.

– Estou ganhando meu salário – resmungou o trabalhador.

O repórter fez a mesma pergunta ao segundo operário, que respondeu olhando por sobre o ombro do repórter:

– O que eu estou fazendo? Ora bolas, não está vendo que estou colocando concreto na viga?

Então, o repórter notou a presença de outro operário, que estava sorrindo e assobiando enquanto trabalhava.

– O que está fazendo? – perguntou novamente o repórter. O operário parou o que estava fazendo, virou-se para o repórter e, bastante alegre, disse:

– Estou construindo um abrigo para pessoas carentes – disse. Limpou as mãos com um pano e apontou:

– Olha, ali vai ser a cozinha. Naquele outro lado, será o dormitório feminino. Este aqui vai ser o outro quarto….

Os homens estavam desempenhando a mesma tarefa, mas somente o terceiro estava motivado por uma visão maior. O trabalho que ele fazia realizava um sonho, e isso valorizou seus esforços. O sonho é capaz de nos dar a perspectiva que torna possível este tipo de esforço diário!

Quantos policiais não estão somente recebendo seus salários, enquanto outros acham que estão andando apenas de um lado para o outro com as mãos para trás?

E você? O que está fazendo?

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Alunos do Curso de Formação de Soldados torturados no Ceará! Até quando?

 As cenas abaixo nos remetem a campos de concentração da 2ª Guerra ou aos anos de ditadura militar no Brasil. Não consigo entender uma força policial que forma seus policiais dessa maneira.
 A profissionalização das polícias pelo mundo foi iniciada há duzentos anos, mas ainda vemos fatos como esse. O pior é saber que cenas como essas não são isoladas. Elas fazem parte da regra em nosso país e não da exceção. Mataram o discurso da polícia cidadã!! Mataram o discurso dos direitos humanos (que serve para coibir os excessos do Estado, por meio de seus agentes)!
Fico imaginando como esses policiais irão tratar o cidadão (na linguagem policial o paisano folgado)!! O ser humano reproduz o que aprendeu. Não é atoa que esse tipo de curso é chamado de ADESTRAMENTO!!
 

 O CETV desta quarta-feira (23) mostrou imagens feitas durante a instrução de alunos que vão se tornar policiais militares do Ronda do Quarteirão. Nas imagens, denúncia de situações constrangedoras e até desumanas. Durante o curso, os alunos são obrigados a beber água em vasilhas usadas por cachorros da Polícia Militar, e recebem choques durante a demonstração de uma arma utilizada pela polícia. Os jovens eram obrigados a ficar ajoelhados no chão enquanto recebiam a sessão de tortura. Concurso Os alunos que aparecem nas imagens foram aprovados na primeira fase do concurso para policiais militares realizado pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. O curso de formação é a última etapa do processo de seleção e ainda pode eliminar o candidato. Agora, diante da denúncia, a comissão organizadora do concurso vai avaliar as imagens, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública para então tomar as devidas providências. Os instrutores do curso são todos militares e nas imagens aparecem fardados.

Fonte:  http://tvverdesmares.com.br/cetv2aedicao/policiais-torturados-em-treinamento/

Textos complementares:

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/05/13/armas-nao-letais-taser-m26/

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/06/17/semana-zero-no-curso-de-formacao/

monografia-aderivaldo-final-revisada

 
O despreparo de agentes policiais, devido à formação deficitária proporcionada pelo Estado, transforma aqueles que deveriam ser protetores da população em “vilões fardados”. Ou seja, que se utilizam da força contra aqueles que não têm como se defender, gerando insatisfação da população e uma disputa de poder entre policiais e bandidos que se reflete na sociedade que deveria ser protegida.
Os policiais que atuam em nosso país tiveram sua formação no auge da ditadura militar, principalmente os agentes militares. A maioria desses policiais hoje ocupa cargos de chefia e comando, o que faz com que o pensamento da época seja disseminando e perpetuado nas polícias. A experiência policial nos mostra que o uso da força excessiva e a indução por meio de provas ilícitas ainda são uma realidade. A inteligência policial insiste em controlar os movimentos sociais infiltrando agentes nesse meio, como faziam nos tempos de ditadura, e a falta de controle externo das polícias aumenta a impunidade. Vários são os conflitos existentes nas corporações. (CARDOSO, 2009:5) 
 
 * Utilizou-se o termo “vilões fardados” apenas utilizando uma forma do senso comum de ver e identificar os policiais sejam militares ou civis (estes, ainda que não fardados).
 
A segurança pública tem sido dominada pelos militares do exército desde seus primórdios. Os limites impostos de modo exacerbado aos praças, que muitas vezes são tratados como jovens recrutas do exército, obrigados a servir a pátria, e não como profissionais de segurança pública, concursados, geram um estresse que será refletido na sociedade de várias maneiras. Os mais visíveis são: a violência policial, a falta de estímulo profissional e a formação deficitária. Eles refletem um militarismo arraigado, que limita cabos e soldados à condição de meros elementos de execução, o que faz com que muitos policiais não busquem o aperfeiçoamento necessário à carreira, gerando graves problemas na execução dos serviços de segurança pública.(CARDOSO, 2009:14)

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Departamento Operacional da PMDF tem novo chefe!

 Desejo toda a sorte do mundo ao Coronel Alberto em sua nova missão. É um antigo comandante que tem todo meu respeito e admiração! Ele gosta do trabalho de rua, por diversas vezes andamos a pé fazendo abordagens durante as madrugadas no Varjão. Tive o prazer de reencontrá-lo recentemente na festa junina da Academia. Espero ver em breve os frutos dessa conversa, se necessário for, estarei sempre a ordem para serví-lo!

 

Departamento Operacional da PMDF tem novo chefe

24/6/2010 02:05:00

Foi realizada na tarde de hoje (23), no pátio da Academia de Polícia Militar de Brasília, a solenidade de transmissão da chefia do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal (DOp), antigo comando de policiamento.

O coronel Luiz Henrique Fonseca Teixeira que estava no comando da parte operacional e social da corporação desde junho de 2008, passou o comando do departamento ao então chefe da comunicação social, coronel Carlos Alberto Teixeira Pinto.

De acordo com o coronel Alberto os objetivos principais do seu trabalho à frente do Dop são aproximar a polícia da comunidade e realizar operações policiais pontuais direcionadas para o problema. “A participação da comunidade nos Conselhos Comunitários de Segurança é muito importante para nos mostrar onde está o problema” comentou.

A solenidade presidida pelo comandante geral da corporação, coronel Ricardo da Fonseca Martins, contou com a presença de várias autoridades, integrantes da PMDF, alunos do Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (PROERD) e grupo de escoteiros coronel Abenante.

Confira outras fotos da solenidade:

 

Saiba mais:

Fonte: http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=5525

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