Arquivo do mês: setembro 2010

O mundo invisível da PM!

O Universo é maravilhoso. Existe um mundo visível e outro invísivel. Na PMDF não é diferente.

Ontem participei de uma reunião de “futuros” instrutores do CFP. Poucos apareceram nessa reunião, menos ainda continuarão como voluntários. Talvez continuemos “obrigados”, mas não como voluntários.

No mundo visível está tudo perfeito. No invisível não!

No mundo visível a Escola de Formação de Praças está perfeita, no invisível é um canteiro de obras…

No mundo visível as aulas serão iniciadas segunda-feira. No invisível nós temos que nos virar para prepará-las dentro do prazo…

No mundo visível tudo é possível. No invisível também, pois “missão dada é missão cumprida”, mesmo que seja “nas coxas”!

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Quem, no Brasil, tem o dever legal de matar? Por Anderson Nakamura

Seguindo o debate sobre a mudança de paradigma dentro das Corporações policiais, apresento o texto do SD Nakumura. Um irmão que tive a oportunidade de conhecer em um Congresso. Debatemos sem saber que pertencíamos a mesma polícia. Venceu a amizade!

Vi uma discussão entre ele e um major sobre o tema: Gerenciamento de Crises no Estado Democrático de Direito. Como não é minha “praia” o estimulei a escrever sobre o assunto…

O POLICIAMENTO INTELIGENTE ESTÁ DEIXANDO DE SER UM BLOG PARA SE TORNAR UM GRANDE MOVIMENTO EM DEFESA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA REESTRUTURAÇÃO DO MODELO DE POLÍCIA!

CADA DIA TEMOS NOVOS  PARCEIROS!

Precisamos sair do ESTADO POLICIAL e entrarmos definitivamente no ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO!!

Espero que gostem!

Recentemente em discussão acalorada pude notar certa discrepância no pensamento jurídico de alguns de nossos policiais. Apesar de não possuir nenhuma especialização na área de gerenciamento de riscos, percebi que todos os policiais que já experimentaram esses ensinamentos têm um discurso único a respeito do tiro de comprometimento, o tiro realizado pelo SNIPER.

Esses profissionais acreditam que ao tirar a vida do seqüestrador utilizando o tiro de comprometimento, se age em estrito cumprimento do dever legal.

Nesse ponto, não pretendo expor um extenso estudo jurídico a respeito do tema, mas gostaria de propor que façamos uma reflexão. Vivemos em um Estado Democrático de Direito, e não podemos nos afastar das conquistas que os que vieram antes de nós tão duramente conquistaram. Por essas e outras razões pergunto: Quem, no Brasil, tem o dever legal de matar? Se aceitarmos o argumento do estrito cumprimento do dever legal, estamos igualando o atirador ao carrasco, pois esse sim age em estrito cumprimento do dever legal, tal qual o policial que aperta o botão que injeta o líquido letal ou que liga a cadeira elétrica. Desde muito cedo na vida militar ouço uma frase que se tornou jargão: “Ordem absurda não se cumpre”. O que seria mais absurdo que a determinação de tirar a vida de alguém?

Particularmente não concebo a idéia de que uma vida possa ser tirada sem que seja sob o manto da legítima defesa, própria, ou no caso em discussão, de terceiros. Em uma situação de crise, o que o gerente faz é informar que a negociação não surtiu efeito e que todos os meios necessários para a preservação da vida foram utilizados, portanto, para a defesa da vida de terceiros, o SNIPER é autorizado a desferir o disparo. Percebam que autorização é algo bastante diferente de determinação.

Existem vários estudos a respeito do tema, e um me pareceu de extremo bom gosto. É um trabalho final apresentado na faculdade de Feira de Santana, na Bahia, em uma especialização em Ciências Criminais.

Pode ser lido na íntegra no site:

http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=1235

Existe também opinião contrária e acredito que a discussão deve existir até que o assunto seja tratado de forma madura. Não somos papagaios para repetir inadvertidamente idéias ultrapassadas que ainda são, segundo minha opinião, reflexo de um governo e organização militares.

Vamos à discussão!!!

Anderson Nakamura é  Bacharel em direito, Especialista em análise criminal, direito internacional e conflitos armados, Cursando Tecnologia em ordem e segurança pública.

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Recepção aos alunos do CFP!

Recepção aos alunos do CFP/2010 28/9/2010 12:13:00

Comunicação Social

Na manhã de hoje, 28 de setembro, ocorreu no Pátio da Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB) a solenidade de Recepção aos Alunos do Curso de Formação de Praças (CFP/2010). O Comandante-geral, coronel Renato, o Subcomandante-geral, coronel Daier, e o Chefe do Departamento Operacional (DOP), coronel Alberto, foram algumas das autoridades da Polícia Militar presentes à solenidade. O Subsecretário de Segurança, coronel Adauto, também compareceu ao evento. Entre os civis, destacou-se a presença do Secretário de Segurança Pública, João Monteiro Neto. O tenente coronel Schweitzer, comandante da Escola de Formação de Praças (EFP), pediu permissão ao comando para dar início à solenidade. Os cerca de 600 alunos permaneceram atentos as palavras de comandante durante o evento e, como ocorrido na aula inaugural de ontem (27) na Academia de Tênis, os familiares do novos integrantes da família policial militar acompanharam o evento. A emoção era visível no rosto de todos. O Curso de Formação de Praças durará cerca de dez meses, entre aulas teóricas e práticas fundamentadas no Policiamento Comunitário. A partir daí, os novos policiais reforçarão o efetivo da Polícia Militar, que trabalha nas ruas junto à sociedade.

Fonte: http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=6311

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Curso de Formação de Praças…

Diariamente tenho conversado com alguns amigos que ingressaram recentemente em nossa Corporação. Eles estão em um misto de “semana zero” no curso de formação. Como já escrevi uma vez sobre o tema, estão na fase do: “aluno, no pátio é correndo.”

No primeiro dia foram aproximadamente 4 (quatro) desistências, até ontem umas 9 (nove). Um amigo estava me relatando o “choque cultural” ao ouvir certos termos. Percebi que a formação é a mesma que tive. Também estranhava os gritos próximo ao rosto, as “pagações” e outras peculiaridades do ADESTRAMENTO MILITAR.

Sempre afirmei que somos formados para ver o cidadão como o INIMIGO. São palavras que penetram o nosso subconsciente, formando um “imaginário coletivo” sobre o “perfil do paisano folgado”.

Achei muito interessante quando ele comentou a frase proferida por uma tenente:

“Vamos ralar alunos, vamos tirar esse “cheiro” de paisano “imundo”!…”

É a nossa realidade…

Quando eu estava no curso, muitos afirmaram perceber a mudança pela qual eu passei. Meus familiares volta e meia reclamavam da “minha agressividade” e “vibração” excessiva. Para a polícia era “energia” para outros “força”. Afinal, o que é mais “impactante”: energia ou força?

Esses termos: “adestramento”, “tropa”, “paisano”, “força”, “energia”, “elemento de execução”, dentre outros da “caserna” possuem um “encantamento cultural” sobre nós, que a maioria não faz idéia de seus efeitos práticos!

O Estado possui o MONOPÓLIO DO USO DA FORÇA, não da ENERGIA!

Precisamos de um modelo de polícia brasileiro, reestruturar o existente!!

A construção é diária!

Saiba mais:

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/06/17/semana-zero-no-curso-de-formacao/

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/09/17/inclusao-de-novos-policiais/

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Podemos nos tornar uma POLÍCIA LEGAL?

A vida é uma surpresa a cada dia. Após a criação do Blog Policiamento Inteligente a frequência aumentou, acredito que seja a cada minuto. Tenho conhecido pessoas maravilhosas por meio desse espaço e me aproximado de outras que estavam distantes.

Ontem tive a grata satisfação de receber um convite diferente. Foi de dois amigos que muito respeito e admiro. O convite foi surpreendente porque é a primeira vez que alguém me convida, para sua casa, para “debater” segurança pública. Uma tentativa de operacionalizar o que temos teorizado. Só poderia vir de duas pessoas apaixonadas pela polícia. Uma delas é leitora do Blog e “ativista” na área policial, socióloga, policial de rua, que gosta da operacionalidade. A outra, é um “maluco”, que conheci quando ainda éramos jovens recém saídos do segundo grau, trabalhando nas Lojas Americanas. Ele gosta da polícia mais “tradicional”, granadas, barulho, dirigir perigosamente pelas ruas da cidade… Duas figuras fantásticas que vale a pena conhecer e conversar. Estou falando da Soldado Daniela Lana e do Soldado César Cabral.

A conversa foi muito boa, uma verdadeira sabatina sobre essa “tal” de “polícia comunitária”. A Lana é fascinada por conceito, já o César é mais prático. Conversamos sobre aquela história toda que já venho falando há tempos: FILOSOFIA + MÉTODO + AÇÃO = A EFICIÊNCIA DO SISTEMA.

O ponto mais interessante foi a questão da legalidade como base de nossas ações e a “evolução” para um possível conceito de POLÍCIA LEGAL, algo além do já “batido” “policiamento comunitário”. Para mim, não importa o nome, importa a mudança de pensamento para atingir alguns objetivos:

– DESCENTRALIZAÇÃO DO COMANDO;

– EMPODERAMENTO DA BASE (CADA POLICIAL É UM LÍDER EM POTENCIAL);

– ATUAR EM PARCERIA COM A COMUNIDADE;

REDUZIR A ÁREA DE ATUAÇÃO DOS CRIMINOSOS POR MEIO DE AÇÕES EFETIVAS NO COMBATE AO CRIME, ou seja, UMA REORIENTAÇÃO DO SERVIÇO EMERGENCIAL DA POLÍCIA– CUMPRIR NOSSA MISSÃO CONSTITUCIONAL E PARAR DE QUERER ABRAÇAR O MUNDO!

Vendo que a Daniela gosta de conceitos, apresentarei alguns:

É importante ter em mente que polícia comunitária não tem o sentido de assistencialismo policial, mas sim, de participação social, por isso divido o método em: MOBILIZAÇÃO INTERNA E EXTERNA, PLANEJAMENTO E SOLUÇÃO DO PROBLEMA.

Como discutimos ontem (na verdade hoje, foi até a madrugada) precisamos “sair” da cultura do estado policial e nos adaptarmos ao Estado democrático de direito, ou seja, nos tornarmos uma POLÍCIA LEGAL (termo dado pela Daniela após minhas explicações).

Vale lembrar que a Constituição Federal no seu artigo 144, diz que a Segurança Pública é direito e responsabilidade de todos, o que nos leva a inferir que além dos policiais, cabe a qualquer cidadão uma parcela de responsabilidade pela segurança. Não é a toa que no direito penal, no estado de flagrante, QUALQUER UM DO POVO PODE PRENDER, JÁ A POLÍCIA DEVE PRENDER!

“O cidadão na medida de sua capacidade, competência e da natureza de seu trabalho, bem como em função das solicitações da própria comunidade, deve colaborar, no que puder, na segurança e no bem estar coletivo.” Nesse sentido, Murphy (1993) argumenta que “numa sociedade democrática, a responsabilidade pela manutenção da paz e a observância da lei e da comunidade, não é somente da polícia. É necessária uma polícia bem treinada, mas o seu papel é o de complementar e ajudar os esforços da comunidade, não de sustituí-los.”

É interessante frisar também que a prática faz com que tenhamos uma divisão “conceitual” entre polícia comunitária e policiamento comuntário, isso faz com surjam várias dúvidas na cabeça do policial. Na prática, a “Polícia Comunitária” é vista como uma “filosofia de trabalho”, enquanto o “Policiamento Comunitário” é visto como uma “ação de policiar junto a comunidade.” Polícia comunitária pode ser entendida como:

Filosofia organizacional, indistinta a todos os órgãos de polícia, pertinente às ações efetivas com a comunidade.

O objetivo desse tipo de polícia é criar condições para que a polícia possa ser vista não apenas como um número de telefone ou uma instalação física referencial. Para isto é necessário um amplo trabalho sistemático, planejado e detalhado.

Resumindo tudo isso prefiro dizer que a POLÍCIA COMUNITÁRIA tem por objetivo APROXIMAR A POLÍCIA DA COMUNIDADE, isso será atingido por meio do RESPEITO A LEGALIDADE, ou seja,  a adequação ao ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Obedecer as “regras” do estado nos LEGITIMA  a atuar junto as comunidades, por isso gostei do termo utilizado pela Daniela Lana, tudo o que falei pode ser resumido em: PRECISAMOS NOS TORNAR UMA POLÍCIA LEGAL!!!

Ps: Quem tiver interesse estamos criando um grupo para debater segurança pública, assim, poderemos aprender juntos sobre segurança e nossa corporação. Foi uma experiência maravilhosa. Um bate papo em volta de uma mesa,  regado a suco e muito biscoito..rsrs! Vale a pena!

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A nova estrutura da Polícia Militar do DF. Problema ou solução?

Hoje quero discorrer sobre um tema ainda novo, difícil de ser analisado. A reestruturação da PMDF, inciada em dezembro do ano passado com a Lei 12.086/09, depois dela tenho me sentido em outra polícia.

A idéia é muito boa, apesar de ter sido invertida a ordem dos fatores. Primeiro cria-se a estrutura para depois criar-se as vagas. Aqui pensou-se primeiro nas vagas e só depois na estrutura. Pensou-se no presente sem fazer uma projeção futura. Um risco, pois poderemos pagar um preço muito alto. Se observarmos bem a lei, não tivemos um aumento real de efetivo. Tivemos apenas uma reedistribuição das vagas existentes, basta observar que nosso efetivo atual é de no máximo 18.673 (dezoito mil e seiscentos e setenta e três) policiais nos diversos quadros existentes. De certa forma, um aumento “insignificante” nos últimos vinte anos, pois a lei 11.134/05 também incorreu no mesmo erro.

Além disso, está ocorrendo um “inchaço” na máquina administrativa, pois antes tínhamos 13 (treze) coronéis distribuídos entre o comando-geral, as diretorias e chefias. Lembrando que a estrutura anterior, de maneira resumida, era composta por:

– Diretorias e Chefias (Coronéis);

– Comandos “regionais” (Coronéis);

– Unidades policiais (Tenente Coronéis e Majores).

Atualmente tivemos um “salto” de 13 (treze) para 39 (trinta e nove) coronéis, distribuídos na seguinte estrutura:

I – Comando-Geral;

II – O Subcomandante-Geral;

III – O Estado-Maior, órgãos de planejamento estratégico;

IV – Os departamentos, órgãos de direção-geral.

O restante da “estrutura” está dividida entre os 78 (setenta e oito) Tenente-Coronéis e os 199 (cento e noventa e nove) Majores previstos no Quadro de Oficiais Policiais Militares, sem falar nos oficiais de outros quadros. São elas:

V – as diretorias, órgãos de direção setorial;

VI – as comissões; e

VII – as assessorias.

Em uma estrutura altamente burocratizada como a nossa,  essa reestruturação, baseada também na gestão por competência, pode gerar grandes  “choques” de ordem cultural, como já está ocorrendo. Vemos “antigos” incomodados com um “novinho” no comando operacional.

Internamente estamos vivendo um grande conflito por causa da burocratização excessiva que está existindo. É preciso que o Comando-Geral fique atento e amenize os prejuízos. Posso dar como exemplo um documento que precisa ser enviado de um comando para uma unidade operacional, com urgência,  e que por ordem “superior” deva passar pelo diretor, para que ele encaminhe para o chefe do Departamento, de forma que esse se comunique com o outro chefe de Departamento que por sua vez mandará o documento para o “seu” diretor, que comunicará ao “seu” comandante, que encaminhará para o “chefe de setor”, que por último entrará em contato com o subordinado. Esse “trâmite” está levando em média duas semanas, o que faz com o sistema pare, gerando prejuízos gravíssimos a Instituição.

Em outra oportunidade falarei sobre a  falta de tenentes e a sobrecarga dos existentes, pois os capitães (261 – duzentos e sessenta e um), maioria do quadro de oficiais, não “podem” tirar serviço de oficial-de-dia. Também abordarei a mudança de nossa base de praças que passa a ter mais “graduados” do que soldadoS, temos atualmente uma previsão de:

5.564 (cinco mil, quinhentos e sessenta e quatro) SOLDADOS combatentes;

3.354 (três mil, trezentos e cinquenta e quatro) CABOS combatentes; e

7.072 (sete mil e setenta e dois) SARGENTOS  combatentes.

Somando-se o quantitativo de subtenentes (560), sargentos e cabos chegaremos a 10.986 (dez mil, novecentos e oitenta e seis) “GRADUADOS”!

É PRECISO REVER AS COMPETÊNCIAS E FUNÇÕES DE CADA UM DENTRO DA NOVA ESTRUTURA, CASO CONTRÁRIO HAVERÁ SOBRECARGA DENTRO DO SISTEMA! 

Uma dúvida surgiu: de onde virão os policiais para preencher a nova estrutura interna?

Se cada coronel (39) comandar 100 (cem) homens no expediente iremos necessitar de 3.900 (três mil e novecentos) policiais administrativos…

QUANTOS POLICIAIS SÃO COMANDADOS POR UM CORONEL?

Saiba mais:

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/02/02/lei-12-08609-prognostico/

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/08/11/consequencias-da-reestruturacao-da-pmdf/

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/01/30/temos-vagas-para-contratar-novos-policiais-ate-2014/

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/01/29/promocoes-de-abril-como-serao/

A POLÍCIA ESTÁ MUDANDO…

A CONSTRUÇÃO É DIÁRIA!

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É preciso capacitar nossa tropa!!

Minha experiência na área de ensino estava limitada a preparação e ministração de aulas para o proerd e alunos de alguns cursos da polícia, onde ministrei palestras sobre o tema polícia comunitária.

Agora no Centro de Treinamento e Especialização da PMDF (CTEsp) percebo as dificuldades para capacitar uma tropa. A primeira delas é escolher os melhores instrutores, nessa fase, esbarramos na liberação dos chefes. Em outro momento nosso trabalho é limitado pela “falta de efetivo”. Alguns comandantes preferem ter em  sua unidade policiais “desqualificados”, mas que cumprem sua carga horária, a ter que abrir mão do policial por uma ou duas semanas para que ele se “qualifique”.

Mais um desafio a ser vencido, se o objetivo do Comando-Geral é a educação continuada…

Sobre o tema vejam o vídeo e visitem o site:

Ps: (como sempre o Blog Abordagem Policial está de parabéns!) – Cuidado cenas fortes!

“O policial fardado, nas ruas, é o Estado materializado prestando serviço junto à sociedade; investir nele é investir na sociedade e no próprio Estado” – Giraldi

Fonte: http://abordagempolicial.com/2010/09/o-treino-policial-ideal/#more-5746

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“A experiência faz a vocação…”

A Polícia Militar do DF possui uma diversidade de profissionais fantástica. Tive a honra de conviver com os melhores durante minha carreira. O “Thiago” é um deles. Eu já era policial militar e o via nos corredores da UNB durante as aulas de administração, mais tarde tive o prazer de estudar com o Tenente Gomes Nascimento, uma pessoa com grandes qualidades e um curriculum supreendente para sua idade. Atualmente, concluiu o mestrado e já vislumbra o doutorado, além da publicação de um livro em breve! Sem falar que também é blogueiro…

Compartilho com os leitores uma entrevista, onde ele fala sobre seu último trabalho. Ainda não li seu trabalho do mestrado, mas um dia ele me mandará o arquivo. Tenho fé…(Tá me devendo..rsrs)

tenThiagoGomes.jpg

Marina Lemle 15/09/2010 – 03:00.

Quanto maior o posto, a graduação e a idade do policial militar, melhor o seu ambiente de trabalho. E quanto mais tempo na PM e mais dependentes ele têm, maior a vocação e menores os conflitos. Policiais em cargos de administração são os que têm mais conflitos. Estas são algumas das conclusões da pesquisa “Polícia – uma identidade em discussão: construção, validação e aplicação de um instrumento”, feita pelo tenente Thiago Gomes Nascimento (foto), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), para o mestrado em Psicologia Social pela Universidade de Brasília (UnB).

O tenente criou um instrumento de pesquisa – a Escala de Identidade Profissional Policial Militar (EIPPM) – para avaliar fatores subjetivos como o ambiente institucional e profissional, o relacionamento conflituoso e a abertura no trabalho, a vocação policial e o respeito profissional e social do policial. Para testar a metodologia, aplicou-a em profissionais da sua corporação.

Numa pesquisa qualitativa, ele realizou entrevistas com policiais militares do Distrito Federal e, a partir da análise do discurso, obteve 461 atributos de identidade, que foram condensados e então validados por oito policiais, resultando em 72 itens. Estes itens foram então organizados num formulário junto a 11 questões sóciodemográficas, para a pesquisa quantitativa. Foram aplicados 800 questionários, e o retorno foi expressivo: 600 – ou 75%.

O tenente comprovou cientificamente o que empiricamente já se sabia: os soldados sentem menos abertura e um ambiente menos favorável no trabalho. Isso se explicaria pela estrutura hierárquica das corporações militares, cujo modelo rígido de autoridade se baseia em ordens, comandos e disciplina. A falta de uma organização informal, segundo Nascimento, com mecanismos de cooperação e de trocas constituídas no reconhecimento mútuo de uma interdependência funcional, acabaria gerando o efeito inverso, de descumprimento do modelo.

“As tarefas consideradas mais complexas, arriscadas e autônomas, e, portanto, mais valorizadas, são atribuídas aos policiais de graduações e postos superiores, que consequentemente têm um tempo maior na Polícia Militar e mais idade. Resulta, daí, uma maior rotatividade das tarefas mais simples, menos valorizadas, dadas a policiais menos experientes, com menos tempo na PM e menos idade, que ficam impedidos de adquirir esse conhecimento e de inovar, questionar e decidir”, explica.

A correlação da idade e do tempo na Polícia Militar com uma ocorrência menor de conflitos se explica pela internalização de regras, valores e da cultura da corporação, além do reconhecimento do trabalho pelos colegas da corporação e da identidade profissional. “É notório que com o passar dos anos os conflitos entre policiais mais velhos de caserna tendem a diminuir, bem como os problemas oriundos de suas relações policiais em confronto com a família e com a sociedade”, diz Gomes Nascimento.

Nessa mesma linha de raciocínio, completa Nascimento, os policiais que ficam muito tempo no mesmo posto ou graduação sentem-se frustrados pela impossibilidade de progressão funcional e ficando acomodados por perceber uma menor abertura para assumir funções ou atividades exclusivas a postos ou graduações mais elevados.

Mais dependentes, menos conflitos

Um resultado que merece reflexão é o fato de que quanto mais dependentes o policial tem, menos conflitos em seu ambiente de trabalho. “É um dado de difícil interpretação. É necessário entender o indivíduo dentro de uma relação, e não mais isolado. O policial deixa de dar ênfase exacerbada à sua identidade profissional de policial, pois necessita desenvolver seus outros papéis – pai e esposo, cuidador da educação e formação de seus dependentes, integrado na comunidade em que reside”, interpreta o tenente, que é professor da disciplina de Gestão de Pessoas na Academia de Polícia Militar de Brasília.

De acordo com Nascimento, como estes outros papéis consomem tempo e dedicação e se sobrepõem ao que o policial desempenha profissionalmente, não sobra espaço para problemas oriundos de suas relações sociais no trabalho, ficando a sua identidade profissional restrita àquele ambiente.

Por outro lado, policiais com um número menor de dependentes, justamente por permanecerem no papel de policial, tendem a colocar a identidade profissional em primeiro plano, criando espaço para conflitos, seja com superiores, pares ou subordinados.

A pesquisa também identificou que quanto maior o número de dependentes, tempo de PM e idade do policial, maior a sua vocação. Um número maior de dependentes obriga o policial a ter mais responsabilidades. “Como é a profissão que lhe garante o sustento da família e a estabilidade, ele sente-se mais vocacionado, mais realizado com a profissão”, explica. 

Historicamente, segundo Nascimento, o quadro de pessoal da Polícia Militar é procedente de duas camadas sociais distintas: os oficiais são oriundos de estratos sociais mais privilegiados, onde tiveram acesso a uma boa formação e por isso, puderam enfrentar, com melhores chances de sucesso, o processo de ingresso na Academia de Polícia Militar. Já os praças seriam oriundos de estratos sociais mais baixos.

Entretanto, a polícia garante a seu profissional a possibilidade de ascensão funcional. Pelo menos em teoria, os policiais podem construir uma carreira. A vocação, portanto, vem sendo construída com o decorrer dos anos. Além disso, com mais tempo na Polícia Militar e mais idade, aumenta a sua percepção da própria vocação profissional.

Parâmetros para melhorar a formação profissional

De acordo com o tenente, o conhecimento sobre a identidade profissional dos policiais é muito limitado, o que o motivou a buscar uma forma confiável de se medir e avaliar esse fator. “A Escala de Identidade do Profissional Policial Militar é um parâmetro que permitirá às polícias brasileiras acompanhar e conhecer mais profundamente seu profissional. De posse desses dados, cada organização policial estará abastecida de informações suficientes e necessárias para implementar soluções ou programas que busquem o aperfeiçoamento do policial militar”, avalia.

Segundo Nascimento, o método será expandido a outros estados sendo utilizado para verificar a identidade profissional de tropas especiais, como os Batalhões de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais (Gate) e Espírito Santo. A pesquisa será realizada em conjunto por ele, representando à PMDF e a UnB, e a pesquisadora Rosânia da Fundação João Pinheiro de Minas Gerais.

O tentente, que é coordenador do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), e está pesquisando valores e atitudes de jovens e adolescentes frente ao uso de drogas, acredita que o esforço acadêmico faz do policial melhor profissional.

“Ao buscar o aperfeiçoamento acadêmico, o policial tem acesso a uma gama de conhecimentos que contribuem para melhorar sua percepção acerca da atividade que desempenha. Tive a oportunidade de conhecer diversos teóricos que estudam a polícia e passei a contribuir com o conhecimento sobre polícia, uma instituição que foi deixada de lado pelas ciências sociais”, afirma.

Para Nascimento, a presença de policiais na realização de pesquisas pode mudar esse panorama de desinteresse, aproximando polícia e a Academia e favorecendo a troca de conhecimento, a quebra de paradigmas e a desconstrução de preconceitos. “Este intercâmbio possibilita a melhoria do serviço prestado pela polícia à comunidade e contribui para que a universidade desempenhe seu papel social de propor e ajudar a construir uma polícia melhor”, conclui.

Em outros sites:

Ciência e Polícia – Blog do tenente Thiago Gomes Nascimento

Fonte: http://www.comunidadesegura.org/pt-br/MATERIA-policiais-militares-a-experiencia-faz-a-vocacao

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Inclusão de novos policiais…

Tenho acompanhado de longe a incorporação dos novos policiais, mas já percebo algo interessante.

Primeiro, chama-me a atenção a quantidade de pessoas que desistiram do ingresso. Até ontem, aproximadamente sessenta desistências. Segundo, a grande quantidade de bacharéis em direito que irão ingressar, mas que são “concurseiros” e estão estudando para outros concursos. Quantos permanecerão?

Sobre a PM, é interessante visitar a Escola de Formação de Praças, antigo primeiro Batalhão,  que era para ser o “Colégio Tiradentes”, ainda em construção, atual canteiro de obras. 

Sem  alojamentos, pois não poderão ser utilizados antes da entrega da obra e da vistoria exigida, prevista para daqui sessenta dias, sem guarita de entrada, pois conforme informei em fevereiro desse ano o aditivo não foi aceito pela secretaria de segurança pública. Sem água, porque foi cortada essa semana…Dois pavilhões para os alunos e um para o comando isso é tudo que temos! Pelo menos os móveis estão sendo montados…

Muitos são os desafios e os problemas para a realização de um curso de formação de soldados (praças) que era esperado “somente” para o  ano que vem, mas ordem do “comandante supremo” da polícia é para ser cumprida, sem questionamentos ou discussão…

É melhor formar “nas coxas” do que não dar uma satisfação aos eleitores…Viva o Brasil, viva a Polícia Militar do Distrito Federal, viva o Governo do Distrito Federal…

Somos como folhas levadas pelo vento…

Como sempre digo há mais de um ano: sem “lugar” para formar (improvisado), sem instrutores, sem comandantes de pelotão,  nas coxas…

Pelo menos estarão inseridos na folha de pagamento, mais gente para fingir que trabalha…

Apesar de tudo, aula inaugural dia 27 de setembro. Missão dada é missão cumprida!!

Foto: Comunicação social da PMDF

Saiba mais sobre a inauguração da Escola de Formação de Praças:

http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=6249

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Do inferno ao céu…

Hoje é mais um daqueles textos que não merecem ser lidos, é minha catarse…

Nós policiais não somos seres melhores nem piores que outros, somos iguais, pois somos seres humanos. Amamos, sofremos, sorrimos, alegramos, odiamos, vivemos a cada dia na esperança de dias melhores.

Hoje é um dia especial. Há exatamente dois anos passei pela maior crise de minha vida. O blog viveu um luto de mais de quatro meses. Perdi a vontade de viver, de escrever, de lutar…

Muita coisa mudou em minha vida durante esse período. Fiz novas amizades, li muitos livros, viajei muito, aprendi a nadar, a escalar, aprendi a viver, a valorizar as pequenas coisas da vida…O blog cresceu, um livro surgiu…

Não poderia deixar de agradecer algumas pessoas especiais em minha vida que deram o apoio necessário, mesmo sabendo de minhas falhas e limitações. Amigos de dentro e de fora da polícia que me acolheram e me deram força por meio de palavras e oração.

Agradeço meus pais e meus irmãos, em especial a Cristina, minha irmã do coração. Meus filhos pela demostração de maturidade, a Gabriel pela amizade e respeito, a Giuliana pelo carinho em todas as horas. Agradeço a minha amiga Akilla, que me acolheu em sua casa em um momento de muita dor. A Maíra, com seu sorriso encantador e seu cuidado de menina, minha enfermeira prefirada. Ao Eurípedes, meu amigo de tanto tempo, de todas as horas. Ao Euller irmão de Farda que me suportou. A Marcela, pessoa linda que até hoje cuida de mim. A Aline, com sua força e beleza. A Michelle, pessoa que vi criança e que se tornou uma grande mulher, uma grande amiga e companheira, que me acompanhou em minhas aulas de natação e me cobrava para andar de cabeça erguida. Meu amigo Marcelo de Jesus, companheiro de infância que me ensina e me motiva a cada dia. A Glauciete, minha eterna professora do segundo grau que nunca envelhece, que mesmo morando na Itália, ao passar em Brasília, arrumou tempo para nos encontrarmos. Ao Virgu pela alegria e cobrança quando necessário. Ao irmão, amigo e conselheiro Geraldo Eustáquio, sem palavras para agradecê-lo até o dia de hoje sua presença e amizade em minha vida, espero nos encontrarmos na PF, antes que se aposente!! Ao Pastor Luciano pelas palavras de fé…A Vivian de Ribeirão Preto, que conheci em Natal, e que até hoje faz parte de minha vida…Ao amigo e mestre, e hoje quase doutor, Jean Camargo, por acreditar em meu potencial e sempre cobrar o melhor de mim!

Aos amigos da Polícia Militar: SGT Marcos Garcia, meu grande pastor. SGT Fernando Lima, meu grande líder. Meu amigo e conselheiro SD Marcelo Santos. SGT Alexandre, obrigado por suas palavras diárias até hoje por meio do blog. SD Ana Carolina, minha eterna gratidão (vc sabe porque), sou seu fã número um. Capitão Adriana Deodato e Major BM Cristiane, obrigado por todo apoio e incetivo no curso que eu já havia desistido. Capitão Souza Júnior, sem palavras para agradecer nossa amizade. Tenente Bruna, obrigado por me acolher em sua casa, por suas palavras…nunca as esquecerei (parabéns pelo casamento).  Coronel Telir, obrigado pelas conversas no trabalho e fora dele, pelas caminhadas no Parque da Cidade. Capitão Aguiar, obrigado por oferecer sua ajuda e pelo convite que nos fora feito, obrigado por suas palavras, sua oração. Obrigado meu amigo, meu irmão, Publio Pastrolin, tenente, obrigado por suas palavras, por demonstrar cuidado e atenção. Por me dar a honra de fazer parte de sua família, que agora também é minha. A SD Marlene, pelas orações, pela força, pelas palavras… A SD Vânia pelos conselhos. Ao SGT Pedro pela preocupação. Ao Coronel Pinho pela força. A SD Patrícia por me escutar quando eu precisava desabafar.  Ao Capitão Maximiliano pela amizade, por compartilhar do meu sofrimento. A SD Alessandra, minha psicóloga, amiga e confidente. A Tenente, do quadro de saúde, Andrea Gama, pela amizade, pela preocupação, pela atenção e pelas ligações diárias até hoje… A SD soldado Carina que não está mais entre nós…

Muitos outros me ajudaram, mas lembrei-me daqueles que estavam ao meu lado nas primeiras horas, nos primeiros dias…em 2008!

Obrigado a Deus que sempre fez com que o universo conspirasse ao meu favor!!!

Seu é o poder, o reino e a glória para todo o sempre!

Obrigado a todos por me ajudar a não desistir da jornada da vida…

“O segredo da vida consiste em: fazer o bem, agradecer as dávidas da vida e respeitar (temer) a Deus!” (Salomão)

Precisamos aprender a valorizar as pessoas enquanto estão vivas. É a melhor homenagem que podemos fazer a elas!

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