Arquivo do mês: fevereiro 2010

Reajuste salarial 2010. É preciso quebrar paradigmas! Parte II

Observei um grande interesse dos leitores sobre esse tema. O debate não fluiu no blog (apesar da quantidade de leitores do post), mas está quente nas comunidades do Orkut e no site dos aprovados.

Sendo assim, resolvi postar a resposta que dei a um leitor que fez um comentário.

Ele me perguntou:

A equiparação com a PCDF é realmente possível?

Quais seriam os meios necessários para tornar essa equiparação uma realidade?

Quais são os procedimentos a serem adotados?

O que falta para que essa equiparação aconteça?

Dei a seguinte resposta, com base em uma simples análise de cenário:

É possível a longo prazo (nos próximos dez anos)…

Primeiro, temos que nos equiparar “culturalmente”, o primeiro passo foi o nível superior. Agora temos que aguardar as consequências dessa mudança.

Segundo, temos que focar na população, tendo o aumento salarial como consequência do trabalho realizado a cada dia, e não como objetivo principal!
O policiamento comunitário seria a estratégia para essa aproximação (por meio da mobilização social) e da conquista da confiança do cidadão.
A população confia na polícia civil, mas não confia na pM, precisamos mudar esse paradigma!
Antes da equiparação externa, temos que pensar em uma “equiparação interna”, diminuindo as diferenças entre o coronel e o soldado. Esse processo foi iniciado nos últimos anos, mas precisa ser aperfeiçoado. Nesse caso poderíamos usar os percentuais de diferenças salariais entre os próprios irmãos da PCDF. Esse é o primeiro passo para uma equiparação.
O segundo seria equiparar oficiais a delegados e praças aos agentes!
Se não arrumarmos nossa casa não teremos condições de “falar da casa dos outros”.
A polícia civil está a mais de quinze anos (nível superior, início da “revolução cultural” na instituição) na nossa frente. Não devemos competir com eles, mas sim aprender com eles.
Essa é minha opinião e minha bandeira!
Esta aberto o debate!

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Reajuste salarial 2010. É preciso quebrar paradigmas!

Gosto dos comentários do Fireman, pois sempre são muito coerentes. Sendo assim, resolvi postar um deles, sobre nossa campanha salarial 2010, e fazer um pequeno comentário sobre o tema.

Gostaria muito de ser otimista quanto ao nosso aumento, mas o cenário não está nos ajudando. A proposta não é a ideal, mas “aparentemente” melhora os salários da base e “amplia” ainda mais os do topo.

Li uma nota do SINPOL falando de nossos problemas internos e concordo em muitos pontos com ela. Primeiro temos que resolvê-los para depois buscar uma equiparação com a Polícia Civil. Diminuindo as diferenças internas nos aproximaremos cada vez mais de nossa irmã civil. É importante entendermos isso!

Para isso certas verdades devem ser ditas várias vezes e aprendidas, criando novos paradigmas. Para criá-los precisamos abrir mão dos velhos. É um nova visão para nossas lutas!

Mas eu te pergunto, caro leitor: Por que uma verdade repetida várias vezes se torna um paradigma?

Um paradigma é um modelo. Um exemplo a ser seguido. Um conceito, ou seja, é um padrão, uma rotina. (abordei essa assunto com dois amigos essa semana)

Nossa vida é um conjunto de paradigmas, mas não devemos confundí-los com verdades absolutas, pois elas geram radicalismos!

Paradigmas podem ser mudados, na verdade devem ser mudados de tempos em tempos, só assim amadurecemos!

Quais são nossos paradigmas institucionais?
Quais precisamos mudar?
Em que área precisamos amadurecer?
Quais são nossos maiores problemas?
Estão ligados a nossas verdades e conceitos?
Precisamos amadurecer!

“Nesses últimos 2 dias vimos o novo governador anunciar reajuste salarial para duas categorias importantes – professores e policiais civis.

Para os primeiros, 10% de reajuste, referente ao cumprimento do plano de carreira.

Para os civis, algo em torno de 29%, dividido até 2012, por conta de uma reestruturação.

E nós?

Vi uma nota da Asof, do dia 26, dizendo que nossa proposta se encontra na secretaria de fazenda, e que somente semana que vem o governador deve nos receber.

Muitas vezes dormimos no ponto. Sempre ficamos para segundo plano. E isso porque temos umas 5.000.000 de associações…Lamentável.

Espero que dessa vez elas realmente corram atrás de nossos interesses. Chega de comer mosca.

(Sem contar que essa proposta atual, onde já temos uma tabela dos reajustes circulando por ai, não é ideal, tendo em vista que aumenta ainda mais a diferenças salarial entre a base e o topo da pirâmide). ”
FiremanDF

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Como estava distribuído nosso efetivo em 2008? Como está hoje?

Em 2008 postei aqui no Blog sobre a dificuldade em se obter informações sobre a distribuição do efetivo na PMDF. Como Arquivista não consigo vislumbrar um controle tão exagerado em cima de informações que deveriam ser de domínio público. Falta um conhecimento sobre como fazer uma boa gestão da informação em nossas polícias, o que é justificável em nosso país, pois nunca olhamos para a informação como algo estratégico.

Pesquisei sobre o assunto e fiz um relatório sobre a distribuição do efetivo da nossa polícia.

Aproveito e disponibilizo também o “rascunho” desse trabalho, pois perdi o original, conforme prometido no post sobre meus trabalhos acadêmicos!

Relatório sobre o efetivo da PMDFatualizado

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O livro de ouro da liderança!

Hoje passeando pela internet tive a oportunidade de encontrar um link que disponibiliza o livro de ouro da liderança. Sempre faço algumas citações do autor aqui no blog, pois esse livro acrescentou e acrescenta muita a minha.

Como gosto de compartilhar tudo com os leitores, principalmente o que me ajudou e me ajuda no crescimento pessoal diário, deixo a dica para os senhores…

Vale a pena sua leitura, principalmente dos capítulos 2,15,22, 23 e 24.

Mesmo que não tenha interesse em sua leitura, passe os olhos pelos capítulos e leia alguns trechos, com certeza acrescentará algo para sua vida profissional e pessoal. Experiência própria!

Creio que cada um de nós é um líder, mas se você não consegue se ver nessa posição, veja-se pelo menos como líder de si mesmo!

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A política suja no Distrito Federal!

Para quem acompanha meus comentários na seção política do blog, talvez não seja nenhuma surpresa alguns acontecimentos. Muita coisa ainda virá. Março, possívelmente, será o mês em que todos os “corruptos” serão arrastados para o mesmo buraco. O objetivo é nivelar por baixo. Isso ficou claro, após algumas declarações de políticos influentes em nossa cidade.

Deixo para nossa reflexão o texto retirado do blog da Samanta:

“Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
E OS DISTRITAIS CONTINUAM TRAMANDO …

O jogo nos bastidores da Câmara Legislativa ontem foi duro. Os distritais definiram dois placares para o relatório do corregedor Raimundo Ribeiro. Ou três deputados renunciam ou nove vão para a degola. Incluindo o recém-empossado presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT).

Em princípio, o relatório a ser apresentado pelo corregedor Raimundo Ribeiro (PSDB) seria pela abertura de processo de quebra de decoro parlamentar contra os oito deputados distritais envolvidos nas denúncias da Caixa de Pandora. E apontando culpabilidade de três: Eurídes Brito (PMDB), Leonardo Prudente e Júnior Brunelli (PSC).

Os três se rebelaram. Prudente, que anda desaparecido, esteve na Câmara ontem só visto a portas fechadas. Eurídes Brito chegou a chorar durante a reunião com os deputados distritais em que se discutia o futuro deles. Foi pressionada como os outros dois a renunciar. Bateu pé. Os três conseguiram reverter o cenário e convencer os demais de que não vão para a forca sozinhos. Entre os argumentos, a lembrança de que 19 deputados distritais aprovaram o PDOT e que, segundo depoimento de Durval Barbosa, cada um teria recebido R$ 420 mil de emissários de Arruda.

Enfim, a maioria dos deputados da antiga base aliada de Arruda “sugeriu” então a Raimundo Ribeiro que colocasse não somente os oito deputados no relatório, mas também Cabo Patrício (PT) no corredor da cassação. Patrício não está nas denúncias da Caixa de Pandora, mas é acusado de “carteirada” e de ter beneficiado na aprovação de projeto de lei interesses de empresas da família de Prudente.

No final das contas, a trama é pela salvação completa ou pelo suicidio coletivo. Para o PT seria desconfortável a situação de ter um nome no relatório. Tudo para Raimundo Ribeiro receber outro tipo de pressão, a do alívia geral.

Foi nesse clima que a Câmara adentrou a noite de ontem. Resta saber como a novela se desdobrará hoje. Raimundo Ribeiro se viu em meio ao tiroteio entre a pressão dos colegas para a renúncia de Eurides, Prudente e Brunelli, depois da base para incluir um petista no relatório e, por fim, dos petistas para retirar Cabo Patrício da confusão.

A solução seria um parecer apenas relatando os fatos sem juízo de culpabilidade algum. Wilson Lima, o governador agora em exercício, participou das conversas.”

Fonte:

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Que polícia nós temos? Que polícia nós queremos?

Hoje havia resolvido tirar uma “folga”, mas quando se tem uma paixão, não se consegue ficar longe dela. Esse espaço é minha paixão. Um filho que vejo crescer e amadurecer a cada dia.

Aqui não há espaço para verdades absolutas, até porque acredito que elas geram radicalismos. Esse blog tem o objetivo de debater e democratizar a informação entre policiais e membros de nossa sociedade que gostam do tema. O maior objetivo é deixá-los livres para tirarem suas próprias conclusões.

Hoje passei a admirar um leitor desse espaço virtual. Não o conheço, mas o admiro. Admiro aqueles que tem coragem e sabedoria para falar o que pensa e defender aquilo que acredita.

Li uma frase que faz parte de minha vida:

“Eu temo mais a um exército de cem ovelhas comandadas por um leão, do que um exército de cem leões comandados por uma ovelha.”

O nome do leitor é “Dias Pereira”, simplesmente. Sem posto ou graduação, mas um excelente debatedor. Suas argumentações merecem ser analisadas não como um comentário, mas como uma postagem, um artigo. Disponibilizo para os senhores sua explanação:

“Como diria o filosofo Nitzche “eu não morreria por uma opinião, mas morreria pelo direito de mudar de opinião”.
Caro Pensador, este espaço (blog) que vc abriu é realmente extraordinário, pois abre espaço para uma boa e leal polêmica e com certeza engrandecerá nossa Corporação tornando-a, Deus queira, mais inteligente.

A respeito do assunto Unificacao/desmilitarização já refleti bastante, apesar de jamais ter tido sua coragem de realmente pesquisar e realizar um trabalho a respeito.

Sou a favor de ambas, mas se um dia tais mudanças ocorrerem gostaria que fosse pelos motivos certos.
Diariamente nossa Corporação e sua peculiar organização (militar) é atacada. Ouvem-se os maiores absurdos, que de tanto serem repetidos começam a se tornar verdade (vide o exemplo do Nazifacismo), os próprios integrantes (em especial os praças, sempre responsáveis pelas tarefas mais árduas) introjetam uma série de preconceitos.

Uma Polícia Militar e atual modelo Constitucional Brasileiro (sui geniris) possui uma série de vantangens e desvantagens. Uma discussão séria do tema deve enumerá-los.
Os prenconceitos e mentiras também deve ser levantados para que o racionalismo prevaleça.
Longe de querer esgotar o tema, gostaria de citar os que costumo ponderar.

I – Preconceitos/mentiras:
a) “O militar não pensa”- muitos articulistas dizem que o militar é um ser autômato, ou seja, não raciocina, sendo incapaz de refletir sobre o seu ambiente. A ele só caberia obedecer ordens. Puro preconceito, os que aqui servem sabem que todos os policiais, não importa seu grau hierárquico deve diariamente tomar sérias decisões, que implicam na vida, saúde e liberdade da população.

b) “militar só serve para a guerra” outro preconceito monstruoso, a organização militar é flexível, podendo atuar em tanto em um cenário de paz (vide ONU) quanto em casos de conflagração. Nada impede que o militar (cidadão como outro qualquer, apenas um pouco mais disciplinado e dedicado ao dever) possa conviver junto a sociedade civil, como demonstra toda a experiência histórica do Brasil e do mundo. As qualidades do militar é um plus, tornando-o hábil em vários cenários.

c) “militar vive no quartel/caserna”. A característica principal da Policias Militares é a mobilidade, estando grande parte de seu efetivo ficam nas ruas diuturnamente. Na verdade muitos dos civis passam a vida em pseudo casernas que são as repartições públicas.

d) “O militar é violento/treinado para matar”. Este preconceito é corolário dos demais. Todos que fizeram os Cursos de ingresso na Corporação sabem que não foram instruídos para matar, torturar ou agredir pessoas. Na verdade durante a formação é ensinado justamente o contrario, ou seja, o respeito aos DH, as Leis e tudo o mais que tanto preza a sociedade. Por obvio que o PM também aprende a atirar (inclusive efetuando menos disparos que as corporações civis) e defesa pessoal. Apreende também ordem unida e o cerimonial militar. A violência policial esta ligada a outros fatores, como o meio social, a Correição (corregedoria, MP), controle e etc. Corporações civis são tão ou mais violentas do que as militares.

e) “Só há policia militar no 3° mundo”. Pura mentira, não vou aqui citar, mas muitas das grandes civilizações européias possuem policias militares (com outros nomes) que realizam um excelente trabalho, tanto ostensivo quanto de investigação. Na America do Sul, Ásia e África também existem inúmeras policias militares. Outro ponto é que em muitos países em que a policia é civil, elas são fortemente hierarquizadas e disciplinadas, quem sabem muito mais que a polícia militar brasileira (vide EUA).

f) “Na Polícia Militar o praça é humilhado”. Preconceito. De fato humilhações ocorrem não só na PM, mas em todos os órgãos públicos, ou onde quer que um homem tenha poder sobre outro homem. Muitos também jogam pedra, mas não avaliam o próprio comportamento. Por minha experiência própria percebo que, ao menos na PMDF, o tratamento entre praças e oficiais e respeitoso e pautado pela cordialidade. Por obvio, que quando há a necessidade de correição ocorrem atritos, que são pontuais e aconteceriam qualquer que fosse o modelo adotado. Cabe aqueles que são ou foram humilhados denunciarem o abuso e fazer valerem os seus direitos.

g) “graus hierárquicos atrapalham a convivência”. Preconceito. A hierarquia é apenas um método, utilizado desde tempos remotos, para se manter a disciplina. A hierarquia e disciplina existem em todoS os órgãos públicos, todas as polícias são hierarquizadas e fortemente disciplinadas (já que a sociedade não pode permitir que uma organização armada cause distúrbios). Na verdade a cadeia hierárquica, 11 retirando os graus de formação, como 2° classe, cadete e aspirante, é bastante enxuta, ainda mais quando comparada com alguns organizações militares estrangeiras, que chegam a ter até 23 graus. É similar inclusive as organizações civis, que possuem uma média de 08 graus. Em geral uma boa convivência depende mais de fatores sócio culturais.

h) “militar é burocrático”. Preconceito. O burocratismo existe na PM, mas não porque ela é militar. O burocratismo atinge todo o setor público. Modelos de gestão ágeis e avançados podem ser implementados mesmo em organizações militares, vide exemplo das forças armadas americanas, que administram enormes recursos de forma célere e com o auxilio de tecnologia.

II – vantagens do modelo de polícia adotado no Brasil:

A nível estadual/distrital o modelo da polícia é dicotômico, sendo que a manutenção/preservação da ordem e o policiamento ostensivo ficam a cargo da polícia militar e a investigação criminal a cargo da polícia civil. Além disto as polícias militares são forças auxiliares e reservas do exercito e podem ser convocadas em caso de guerra. As vantagens deste modelo são:

a) Contrapesos e balanços I: duas policias em âmbito estadual fiscalizam-se e complementam mutuamente e evitam que uma possa comprometer a paz social, seja através da paralisação de suas atividades, seja acumulando excessivo poder.

b) Contrapesos e balanços II: o fato de um policial ter que encaminhar um indivíduo preso por determinada infração para outra polícia funciona com freio para eventuais abusos, já que será outra autoridade/corporação que analisará os fatos levados a seu conhecimento.

c) Facilitação de encaminhamento de ocorrência. As polícias civis se especializaram na confecção de ocorrências e lavratura de flagrantes, tal fato apesar de gerar por vezes atritos, pode facilitar a vida dos policiais militares, pois os poupa de redigir uma série de documentos, de realizar oitivas, manter prisões e xadrez, comunicar ao juízo as prisões, etc. Tal tarefa se fosse realizada pelos próprios policias militares exigiria um aporte significativo de efetivos, especialização do pessoal para uma perfeita redação, além de uma completa reengenharia de estruturas físicas para a recepção do público, lavratura e efetivação de prisões, absorvendo os já minguados recursos desta Corporação.

A natureza Militar da Polícia facilita, ao menos em tese, a operacionalidade do serviço pelos seguintes motivos:

c) pronta resposta – a disciplina e hierarquia facilita uma rápida mobilização de efetivos, seja geral, seja apenas de parcelas ou de grupos.

d) Controle – o caráter militar facilita o controle e eventuais correições prevenindo desvios de conduta.

c) Manutenção/preservação da ordem – em atividade de controle de distúrbios e tumultos há o emprego do efetivo em formações. A ordem unida própria das organizações militares facilita operações desta natureza.

e) prontidão constante: o caráter militar exige que o militar permaneça em condições de acionamento sempre, seja qual for a circunstâncias. Governos em crise na maioria das vezes só conseguem contar com suas polícias militares.

Mesmo o Brasil sendo um país pacífico, sem disputas de fronteiras e inimigos evidentes, uma nação não pode se inebriar a tal ponto de afirmar que jamais entrará em guerra. Ainda mais com a extensão e riquezas naturais aqui existentes, bem como, a escassez destes mesmos recursos pelo mundo. O fato de ser força auxiliar e reserva do exército concede as polícias militares um importante papel na Defesa Nacional, sendo as seguintes vantagens deste modelo:

f) na hipótese de erupção de um conflito a Nação e suas forças terrestres poderiam contar com um efetivo de meio milhão de homens e mulheres praticamente prontos para entrar em ação. Bastariam que o esforço de guerra provesse os meios, como armamento leve, mísseis portáteis, carros de combate etc, para que uma tenaz resistência fosse oferecida a qualquer invasor. Sabe-se ainda que a mobilização, treinamento e formação de recursos humanos são mais difíceis e demorados que a de recurso materiais (conseguido com a inversão de indústrias). Em tempos de paz, como hoje, tais militares estaduais são empregados normalmente em atividades civis, tal versatilidade deve ser visto como uma qualidade a mais destes homens e mulheres a serviço do Brasil.

g)Manutenção do Pacto federativo. O Brasil é uma federação, desta forma todos os entes federativos devem ter forças iguais, ou ao menos compatíveis, para que na hipótese (remota) de afronta a este principio, seja por outro ente federado, ou mesmo pelo governo central, ele possa se opor.

h) Estabilidade pelo controle do Exercito. A fiscalização e normatização das polícias militares pela IGPM do EB garante a estabilidade das Corporações, bem como uma doutrina comum e a escuda da intervenção da política dos governos estaduais em sua organização, sem isto as polícias já estariam completamente descaracterizadas (como vem ocorrendo paulatinamente nos últimos tempos com o enfraquecimento da IGPM).

f) Este controle é também essencial para a manutenção do pacto federativo, pois evita que determinada polícia militar torne-se força desmesurada, o que poderia ameaçar a unidade federativa.

g) A Doutrina Militar, ao contrario do preconceito de que ensina apenas matar e combater o inimigo, enaltece no coração de seus membros o amor a pátria, o respeito as leis, o sentimento de cumprimento do dever e demais características de pessoas com retidão de caráter. É preciso saber que tais homens não são idiotas, sendo totalmente capazes de abstrair as situações em que lidam com a sociedade civil de outras em que de fato poderiam entrar em combate.

Desvantagens do Sistema atual:

Por obvio que a solução empregada na segurança pela Constituição federal também possui falhas (tratadas aqui no âmbito estadual), passiveis de sérias criticas. São elas:

a) Duplicação de esforços. A existência de duas forças policiais, longe de ser orgânica e integrada, faz que as duas organizações lutem pelos minguados recursos disponíveis para Segurança Pública. Para tanto é mister que apareçam e se apresentem como as mais importantes. Daí a duplicação de esforços notadamente nas áreas mais chamativas por assim dizer, como, por exemplo, grupos especiais, antibomba, combate a seqüestro, negociadores, etc. em contrapartida, serviços pouco apreciados tornam-se quase abandonados, como a polícia de trânsito.

b) Duplicação de estruturas. Com duas polícias é necessária a duplicação de estruturas similares, como, por exemplo, Comando/Direção, órgãos de apoio, centros de manutenção, escolas, etc, fato que aumenta os gastos do Estado.

c) Falta de informação. Os polícias militares não possuem sequer acesso a simples bancos de dados como, por exemplo, os nomes de foragidos de justiça (tal situação começa a mudar com o infoseg). Para ter tais informações e necessário solicitar a central, que por sua vez solicita a Civil. Caso as relações não estejam boas o acesso é simplesmente negado. Da mesma forma não há acesso (facilitado ou direto) ao banco de dados de veículos e muitos outros necessários a um serviço policial eficiente. Por incrível que pareça o banco de dados destes órgãos são substancialmente abastecidos pelas polícias militares.

d) Falta de credibilidade. O Sistema adotado não permite sequer que o policial militar constate que ocorreu um crime em determinado local, sendo necessária que um agente da PC compareça ao local e só então a perícia é acionada.

e) Separação artificial entre investigação e prevenção. Não há essencialmente diferença nestas funções que necessitem de duas polícias completamente diferentes. Na verdade elas são complementares e se entrelaçam. Policiais ostensivos se soubessem quais pessoas estão sendo procuradas por investigadores em sua área de ação poderiam auxiliá-los na captura. Poderiam também informar a estes mesmos investigadores as suspeitas que decorrem de suas observações, tornando tal atividade mais produtiva. Policiais ostensivos poderiam inclusive se responsáveis por investigação de pequenas infrações, como crimes de pouca monta contra o patrimônio (simplesmente não investigado pela PC) e uso de drogas. Todavia, a dicotomia do sistema não permite tal nível de interação, por máximo que haja esforços neste sentido.

f) Atritos entre corporações. As relações entre as duas polícias definitivamente não são nada boas, diariamente surge noticias de conflitos em todos os rincões da federação, já que são muitas as zonas de confronto (ver tópico sobre duplicação de esforços), além do que a natureza oposta, faz com que haja duas linguagens e culturas que não se combinam. Soma-se a isto a vantagem que vem obtendo o seguimento civil, particularmente por ter direito a greve, conseguindo com isto melhoras salariais que não são repassadas para a Militar.

SOLUÇÕES:
São muitas as soluções que poderiam melhorar sobremaneira a situação atual, muitos das saídas abaixo fazem parte de projetos em tramitação no congresso:

a) uma saída conservadora seria a manutenção do sistema tal qual existe hoje, todavia, com aporte de recursos principalmente para a melhoria salarial, nos moldes da PEC 300, além de maiores recursos para a compra de equipamento/viaturas/aeronaves (tais recursos poderiam vir de fundos, ou reservas legais de impostos estaduais e federais); investimento em gestão; criação de carreiras administrativas para não-policiais; ampliação e acesso ao infoseg (com obrigação de adesão das polícias); mudança na legislação processual para permitir ao militar acionamento de perícias, além da possibilidade de realizar o TC, notadamente onde a presença da PC seja deficiente.

b) Ciclo completo. Outra modificação seria a permissão constitucional para o ciclo completo para a Polícia Militar. Desta forma os Policiais Militares poderiam realizar toda a atividade policial no interior (como já acontece) dos Estados. Nas capitais ficariam com o ostensivo e investigação de pequenos crimes, como os de drogas e contra o patrimônio. A PC permaneceria como uma polícia puramente investigativa, fazendo o registro de ocorrências e apurando casos mais complexos e de difícil elucidação.

c) Desconstitucionalização das polícias (ver PEC 21) permitindo que cada Estado organize sua polícia, mantendo uma, ou duas ou mais, tendo elas caráter militar ou civil. Esta não me parece uma boa saída pois tornaria as polícias extremamente fragilizada nas mãos dos governos estaduais, além de não garantir direitos.

d) Unificação moderada (vide projeto Zulaie Cobra). Uma única Polícia Estadual civil. Todavia, mantendo duas divisões, uma ostensiva e outra de investigação, que não se misturariam em hipótese alguma (com os atuais integrantes da PC e PM), sendo que a Divisão ostensiva seria organizada em graus e postos e a civil em agentes e delegados. Seria uma unificação superficial, mas ao menos haveria estrutura única (principalmente o Comando e apoio).

e) Unificação completa (vide PEC RUSSOMANO). Nesta hipótese as duas atuais polícias seriam extintas e recriadas, tendo caráter civil. Poderiam haver permutas dos seguimentos ostensivos, exigindo apenas qualificação. Seria organizada com os quadros de policial (fardado), agentes/investigadores (civis) e delegados (fardados ou civis).

Obs.: Em todos estes projetos não se fala de direitos previdenciários, nem os direitos a Sindicalização e greve. Creio que para este último deve haver algum tipo de restrição sob pena de ser ameaçada a própria estabilidade do Estado.”

Obrigado companheiro, sua presença é sempre bem vinda!
O debate está aberto! Sintam-se a vontade!

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A polícia e a sociedade bandida!

Em 2007 fiz um trabalho e pensei em transformá-lo em livro. Foi meu primeiro sonho e a base de tudo em minha vida acadêmica. Foi um trabalho sugerido pelo professor Sérgio Della Sávia da Universidade Católica de Brasília, na disciplina de Metodologia Científica. Já publiquei algo no blog sobre isso, pois dei o título: DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS: UMA MUDANÇA CULTURAL OU UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA.

Desse trabalho tive o sonho de escrever o livro: A POLÍCIA E A SOCIEDADE BANDIDA. Seria um duplo sentido, onde afirmo que tanto a polícia quanto a sociedade eram bandidas, pois ambas eram culpadas no sistema. Não falo isso diretamente no trabalho, mas o título tinha esse objetivo.

A primeira decepção como autor. Acharam o trabalho um “lixo”, hoje também acho, mas não desisti. Sem nenhuma revisão e apesar de não ser um bom trabalho quero compartilhar com os amigos leitores, pois foi a base de tudo que aprendi.

Os capítulos, devido minha imaturidade intelectual à época e desconhecimento sobre autores clássicos na área de segurança no Brasil, parecem bobos, mas nas entrelinhas podem acrescentar muito, devido a linguagem simples. Peço que não olhem os erros, mas o “espírito” e o objetivo do texto…

É mais uma brincadeira de criança (intelectualmente falando), mas que pode dar um norte aqueles que estão iniciando o estudo nessa área. E principalmente aqueles que desejam fazer a PÓS-GRADUAÇÃO na UNB, que iniciará no próximo mês (março). Como não temos muito sobre o tema, esse trabalho simples ( e ruim, volto a afirmar) pode ser um norteador! Podem usar a bibliografia no final dele, pois é a base utilizada para a pós…

Para completar a Monografia fiz um pequeno relatório sobre a situação do efetivo no ano de 2008. O relatório foi baseado em informações do GEPES (Programa de Gerenciamento de Pessoal da PMDF) e informações da Seção de Pessoal. Tentei transformá-lo em um trabalho mais elaborado, mas a falta de tempo impediu. Falta uma revisão ortográfica, mas o conteúdo pode dar uma boa noção sobre como está nosso efetivo. Posteriormente irei disponibilizá-lo.

Espero que possa acrescentar algo na vida de cada leitor.

Livro A polícia e a Sociedade Bandida

Aproveito e disponibilizo a Monografia da Pós em Segurança Pública e Cidadania, realizada na Universidade de Brasília. Com certeza poderão ver algumas semelhanças entre os dois trabalhos. Como disse, ele foi a base de tudo em minha vida. Para baixar basta clicar nos links…

Monografia Aderivaldo final (Revisada)

Livro Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários de Segurança Pública no DF

Obs: Os dois trabalhos podem ser de grande valia para os novos policiais. Pois eles resumem no mínimo quatro disciplinas do CFP. Sintam-se a vontade em estudá-los e divulgá-los. Quem quiser divulgar meu trabalho pode criar “correntes” de divulgação nos emails de policiais que se interessam pelo assunto.

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Obrigado, Deus, por esse blog!

Resolvi fazer essa postagem somente para agradecer a Deus pelo Blog Policiamento Inteligente ter acabado de atingir mais de 12.000 (doze mil) acessos somente esse mês!
Obrigado a cada leitor pelo carinho e respeito!
Comecei escrevendo para uma pessoa, depois para dez, depois para cem, depois para mil, hoje, mais de doze mil leitores…
Só Deus para olhar para um ser tão pequeno como eu e me recompesar dessa forma!
Obrigado de coração, a cada um daqueles que riram e choraram comigo nesse período…
Obrigado por cada crítica, pois elas me fizeram e me fazem crescer. Obrigado por cada incentivo, cada palavra de apoio.
Obrigado a cada amigo que manda emails (diários) me auxiliando nesse trabalho. Esse blog também pertence a vocês!
Se chorei ( e choro nesse momento) ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi…
Desculpem os erros de português, os textos melancólicos em algum momento, mas aqui também é o “meu querido diário”…Nesses dias não me incomodo em ficar só..(rsrsrs)
Deus é fiel, podem acreditar nisso!
abraço

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O serviço secreto brasileiro!

Recentemente tenho recebido várias perguntas sobre o “serviço secreto brasileiro e da polícia militar”. Para os interessados no assunto, a livraria Leitura está com uma excelente promoção. O livro Ministério do Silêncio – A história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula – 1927-2005 – está sendo vendido por aproximadamente dez reais (R$ 9,90).

“Durante sete anos, o jornalista Lucas Figueiredo (autor de Morcegos negros) investigou o submundo do serviço secreto brasileiro, compondo um retrato impressionante desse órgão público federal que age nas sombras e não obedece às leis. Para contar a história do Serviço desde o surgimento de seu embrião, em 1927, até 2005 no governo Lula, o autor reuniu 26 quilos de documentos confidenciais e mais de 120 horas de entrevistas com agentes e ex-agentes secretos. O resultado é um quadro inédito dos crimes cometidos pelo serviço secreto nesses 78 anos, que incluem chantagem, perseguição, estelionato e cumplicidade em tortura, assassinato e ocultação de cadáveres. Ministério do Silêncio revela ainda que a vocação do serviço secreto para sabotar a democracia surgiu antes da ditadura militar (1964-1985) e continua a se manifestar nos dias de hoje. Mostra também como o governo gasta anualmente mais de 40 milhões de dólores para manter esse órgão público obcecado com um único “inimigo”: VOCÊ.”

Um livro que vale a pena ser lido pelos amantes da inteligência, seja para criticar, ou simplesmente para fazer uma análise histórica dos fatos.
Farei para estimulá-los um pequeno resumo da “nota do autor” ao introduzir o livro.

Ele inicia o trabalho alegando que “o serviço secreto brasileiro – ou o Serviço, como é conhecido internamente – teve, durante décadas um patrono. Como não poderia deixar de ser, tratava-se de um espião. Seu nome era Argus, e além de espião ele era também um semideus.” O autor afirma que o mito era cultivado entre os agentes secretos como uma espécie de alerta: mantenha os olhos sempre atentos, desconfie de tudo e, se possível, não morra. Foi justamente a morte de Argus – a segunda e definitiva morte – que fez dele um modelo para o serviço secreto no Brasil.

A história de Argus:

” A tragédia do semideus espião era contada aos agentes do Serviço ainda na fase de treinamento, por intermédio de publicações reservadas. Diziam esses textos que Argus vivera na península do Peloponeso, onde fundara uma cidade com seu nome. Graças a uma engenhosa rede de espiões que concebera e comandara, havia conseguido expandir seus domínios e mantê-los a salvo de invasores. Sua criatividade para a espionagem era infinita. Certa vez, tendo de enviar uma mensagem secreta a um príncipe cujas terras ficavam numa rota controlada por inimigos, mandou raspar a cabeça de um de seus espiões para gravar nela o recado, com ferro em brasa. Depois que os cabelos do agente cresceram, ele foi enviado ao encontro do príncipe e cumpriu a sua missão sem despertar suspeitas.”

Gostou?
Tem mais um pouco…

“Os ardis utilizados por Argus no controle de seu território eram tão espetaculares que acabaram por chamar a atenção de Júpiter, que do alto do Olimpo assistia a tudo o que acontecia na terra. Tendo separado a luz das trevas para acabar com o caos, e assim criar o Universo, Júpiter apreciava a ordem. Daí a admiração por Argus.”

Como Salomão diz: “O homem diligente sobre reis será colocado”, assim aconteceu com Argus…

“Durante muito tempo, Júpiter apreciou os feitos de Argus, até que um dia o às da espionagem morreu. Júpiter então o convocou a prestar no Olimpo os valiosos serviços que desenvolvera na Terra. Para que Argus pudesse cumprir sua nova missão, Júpiter o transformou num semideus, com uma forma tão eficiente quanto monstruosa: sua cabeça foi coberta por cem olhos, o que permitia que ele visse e tudo soubesse. Assim, Argus nunca mais dormia, pois enquanto cinquenta de seus olhos descansavam os outros cinquenta mantinham a mais cerrada vigilância sobre tudo o que acontecia ou não acontecia no Olimpo. Era feio, mas funcionava. No Olimpo, com sua nova forma, Argus passou a controlar o movimento dos deuses. E estes, tal qual os homens, não eram perfeitos”.

Para saber mais basta ler o livro!
Boa sorte!

PS: Segundo alguns companheiros, acabou a promoção na Livraria Leitura, mas o Submarino está vendendo a esse preço (R$ 9,90)

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Arquivado em Diversa, polícia militar, Política, Reflexão

CFO – Nível superior em qualquer área – Um desafio para o Comandante-geral!

Recentemente conversando com alguns amigos, percebemos que em breve não teremos 2º Tenentes na PMDF. O 3º ano que está atualmente na Academia possui apenas 11 cadetes. Sendo assim, no ano de 2011, teremos 11 promovidos a 2º Tenente, após os seis meses de estágio obrigatório como aspirante.

Mas por que estou falando sobre isso?

Porque necessitamos de uma posição com relação ao concurso para oficial, suspenso pelo Trinunal de Contas do DF. Está claro, pela lei 12.086/09 a ilegalidade de se reservar vagas para bacharéis em direito. Nossa lei deixa claro quais são os cursos específicos admitidos na Corporação.

Sem falar que é um retrocesso, conquistar o fim do limite de idade para os praças da Corporação poderem prestar o concurso para oficial, e ter uma maior perspectiva dentro da carreira policial, e isso servir apenas aos bacharéis em direito.

A polícia militar precisa da diversidade de pensamento. Toda unânimidade é burra. Precisamos de pensadores que possam divergir do positivismo (limitante) que impera nas faculdades de direito!

Precisamos de perspectiva de crescimento dentro da Corporação. É passada a hora de se resolver esse impasse! Mais um desafio para o nosso Comandante-geral!

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Arquivado em Concurso, polícia militar, reestruturação das polícias