Arquivo do mês: novembro 2010

O Rio de Janeiro e a sua polícia – A guerra continua…

Essa semana senti orgulho de ser brasileiro. Tive orgulho de ser policial. Senti orgulho da polícia do Rio de Janeiro. É bom ver a vaidade sendo deixada de lado e as forças de segurança se unindo em prol de algo maior. Como é bom ver o Estado utilizando o MONOPÓLIO DO USO DA FORÇA de maneira LEGÍTIMA. É maravilhoso ver a população agradecendo a ação da polícia. Dessa vez a imprensa fez a diferença. Não defendeu bandido, pelo contrário, exigiu uma ação eficaz do Estado. Os policiais do Rio de Janeiro deram uma lição aos demais do Brasil. Agora precisam ser respeitados e valorizados. Não dá mais para um policial ganhar tão pouco em uma cidade tão perigosa. A polícia precisa mudar, mas a população precisa entender que essa mudança é reflexo de uma maior valorização por parte da sociedade. A cidade do Rio de Janeiro pede socorro, mas seus policiais também. É hora de darem valor aos seus “guerreiros”, seus “guardiões”, seus “policiais”! A valorização passa por aumento salarial!

A polícia precisa mudar!

A polícia está mudando!

A polícia vai mudar!!

Não valorizar o policial é jogar dinheiro no lixo:

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Guerra no Rio de Janeiro – Ainda levará tempo para resolver o problema!

Ao observar os meios de comunicação percebe-se que a maioria do tempo está sendo dedicado as notícias sobre a “guerra” no Rio de Janeiro.  A união das forças de segurança está sendo fundamental para o avanço das “tropas” no Complexo do Alemão.

Para falar sobre esse tema é preciso voltarmos ao início do século XX. A libertação dos Escravos em 1888 os expulsou para os morros, pois o ócio era sinônimo de liberdade para eles, vagavam pelas ruas tomando cachaça e jogando capoeira. Em nome da “ordem pública” foram criadas “normas” para “obrigar” os pobres a ficarem longe dos “grandes centros”. Uma nova dinâmica foi criada na cidade do Rio de Janeiro e o “governo paralelo” nas favelas começou a surgir. A revolta da vacina é o primeiro reflexo desse novo “governo” e da “limpeza urbana” que estava sendo realizada em nome da “ordem governamental”. O Estado se ausentou das favelas e o jogo do bicho (“bicheiros”) começou a dar as “cartas”. As forças de segurança são desmoralizadas nas favelas e sucateadas pelos governos do Rio. Uma grande ação financiada pelo crime. Estamos falando em verdadeiras guerrilhas organizadas e apoiadas por “marginais”, muitos deles infiltrados como agentes do Estado.

Com o enfraquecimento dos “bicheiros” o tráfico é fortalecido. A ausência e omissão governamental potencializam os problemas. Não há dúvida de que o que ocorre hoje no Rio de Janeiro é algo preocupante e está relacionado a SEGURANÇA NACIONAL. O terreno é atípico e os criminosos também. É hora de unirmos forças para retomarmos o poder outrora perdido para os criminosos. É hora de devolvermos as comunidades aos cidadãos de bem de nossa “cidade maravilhosa”.

É maravilhoso ver policiais sendo aplaudidos e a opinião pública a favor das ocupações. Só não podemos extrapolar, pois colocará tudo isso a perder. Se for preciso o Estado pode matar e pode prender. Devemos lembrar que é uma exceção e não devemos perder a legitimidade de nossas ações.

Não é simples mudar uma cultura bicentenária no Rio de Janeiro. Chegamos ao limite. Várias ações estão sendo coordenadas no intuito de devolver ao Estado o monopólio do uso da força. A população deu a maior demonstração de que quando as forças do Estado estão agindo de forma LEGITIMA não há o que questionar.

Saiba mais sobre o jogo do bicho:

O jogo do bicho é uma bolsa de apostas ilegal em animais e foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel.[1]

A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da República imprimiu grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim é que, tencionado em aumentar o frequência do zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro e sortear uma placa a cada dia. Em cada placa figurava um dos 25 animais de sua propriedade. A partir daí, as placas foram associadas a séries numéricas e o jogo passou a ser praticado largamente, a ponto de transformar a capital da República (desde 1889) na “capital do jogo do bicho”. Assim, nasceu um dos jogos mais democráticos da história do Brasil.

Saiba mais sobre a Revolta da Vacina:

No inicio do século XX, a cidade do Rio de Janeiro, como capital da República, apesar de possuir belos palacetes e casarões, tinha graves problemas urbanos: rede insuficiente de água e esgoto, coleta de resíduos precária e cortiços super povoados. Nesse ambiente proliferavam muitas doenças, como a tuberculose, o sarampo, o tifo e a hanseníase. Alastravam-se, sobretudo, grandes epidemias de febre amarela, varíola e peste bubônica.

Decidido a sanear e modernizar a cidade, o então presidente da República Rodrigues Alves (19021906) deu plenos poderes ao prefeito Pereira Passos e ao médico Dr. Osvaldo Cruz para executarem um grande projeto sanitário. O prefeito pôs em prática uma ampla reforma urbana, que ficou conhecida como bota abaixo, em razão das demolições dos velhos prédios e cortiços, que deram lugar a grandes avenidas, edifícios e jardins. Milhares de pessoas pobres foram desalojadas à força, sendo obrigadas a morar nos morros e na periferia.

Oswaldo Cruz, convidado a assumir a Direção Geral da Saúde Pública, criou as Brigadas Mata Mosquitos, grupos de funcionários do Serviço Sanitário que invadiam as casas para desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela. Iniciou também a campanha de extermínio de ratos considerados os principais transmissores da peste bubônica, espalhando raticidas pela cidade e mandando o povo recolher os resíduos.

 Fonte: Wikipédia

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A política dos bastidores e o nosso amadurecimento político!

Durante vários anos fomos “enganados” com o DISCURSO SALARIAL, nos tornamos “massa de manobra política”, deixamos de aprender a ARTICULAR POLITICAMENTE nossas prioridades. Sempre depositamos nossas esperanças somente em uma ou duas pessoas e sempre nos decepcionamos.

A Câmara Legislativa pouco pode nos ajudar nesse quesito (salário), mas é de fundamental importância no que tange a outros quesitos, pois nela estão os responsáveis por votar nosso ORÇAMENTO.

Reformas de quartéis, investimentos em projetos diversos, material de escritório, dentre outros que não sejam de responsabilidade da União, passam pelas votações da Câmara. Precisamos abrir nossos olhos. Buscar parceiros de outras áreas para melhorar nossa Corporação. A instituição SOMOS NÓS!

FAZER LOBBY E AJUDAR QUEM NOS AJUDA. ESSE É O CAMINHO – VIVA A POLÍTICA DOS BASTIDORES! É HORA DE APRENDERMOS COM OS IRMÃOS DA POLÍCIA CIVIL!

É hora de amadurecermos politicamente!

Colégio Tiradentes da PMDF presta homenagem a Eliana

Publicado em: 19 de novembro de 2010 por silvana

Diretores e professores do Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Distrito Federal ofereceram nesta sexta-feira (19) um café da manhã em homenagem à deputada Eliana Pedrosa (DEM). A honraria foi motivada pelo esforço da parlamentar para que a unidade escolar começasse suas atividades em fevereiro de 2011.

De acordo com a diretora – comandante da escola, cel. Priscila Riederer Seabra, sem a atuação de Eliana seria impossível o início das aulas no próximo ano. “Não sabíamos se daria certo. A deputada abraçou nossa causa e intermediou um encontro com a Secretaria de Educação, que vai nos disponibilizar um espaço até nossas instalações ficarem prontas”, resumiu, lembrando que a sede da nova escola militar do DF só ficará pronta em 2012.

Eliana, que está responsável por analisar o orçamento da PMDF na Lei Orçamentária Anual, se preocupou em saber se havia rubrica para o Colégio Tiradentes. Ao receber a resposta negativa, a parlamentar já pediu para que sua equipe incluísse a previsão de gasto no Orçamento de 2011. “Se não estivesse responsável pelo orçamento da PMDF poderíamos fazer tudo e depois faltar dinheiro. Agora temos certeza de que essa nova escola funcionará, formando bons cidadãos para Brasília”, afirmou. Eliana recebeu de presente um peixe em um aquário lilás, duas de suas preferências.

Nesse primeiro ano de instalação, o Tiradentes vai receber alunos para o 6º e 7º anos, correspondentes às 5ª e 6ª séries do ensino fundamental. O Colégio Militar Tiradentes vai atender dependentes de militares e civis que serão selecionados por meio de concurso com provas de matemática e português. O edital para ingresso deverá ser publicado nas próximas semanas.

 A diretora cel. Priscila Seabra e o corpo docente e administrativo do Colégio Militar Tiradentes

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Prisão sem muros – Somos livres ou escravos?

A cada dia chego a conclusão de que ser policial militar é viver em uma prisão sem muros. A frase é forte, mas é isso mesmo.

Somos culpados por nossas próprias mazelas. Quando digo nós, estou me referindo aos nossos antepassados na Corporação. Alguns podem me lembrar das boas conquistas, também devemos agradecer a eles, mas ainda temos mais mazelas que conquistas, pois essas se iniciaram nos últimos dez anos.

Tenho discutido bastante sobre o tema mobilização social e a importância de ocuparmos cargos importantes no governo, mas “criamos” uma estrutura “escravagista” que nos impede de fazermos isso. Enquanto fomos enganados com o discurso SALARIAL deixamos de lado a ARTICULAÇÃO POLÍTICA  e nos tornamos ESCRAVOS DO SISTEMA.

Não será fácil rompermos com esse pensamento. No imaginário coletivo é melhor termos um soldado com a mão para trás na esquina do que ele em órgãos do executivo pensando segurança pública! Reflexo do nosso modelo arcaico de polícia! Precisamos avançar nesse sentido!

As requisições em nossa Corporação somente são facilitadas para a nobreza interna. Nós “vassalos” somos encurralados em nossas “senzalas” não podendo expandir nossos horizontes…O mais interessante é que fomos nós (antepassados) quem definiu as regras.

LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS!

A POLÍCIA PRECISA MUDAR!

A POLÍCIA VAI MUDAR!!!

Detalhe na foto: Um negro (capitão do mato) CASTIGA outro negro (escravo). O capitão do mato era livre? Nós somos livres?

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A quem interessa a mudança de uniforme na PM? Quais são os critérios e parâmetros utilizados?

Existem certos assuntos na Corporação que evito debater, devido minha ignorância, procuro falar somente sobre as áreas que tenho mais afinidade. Recentemente recebi uma mensagem sugerindo um tema para discussão no Blog. Para isso, li alguns textos sobre o assunto e tirei minhas conclusões. Eu poderia “elucubrar” sobre a “beleza” da farda ou sua funcionalidade, tentarei ser coerente. Desde quando a polícia foi criada ela usa farda, isso é fato. Minha dúvida é saber desde quando iniciou a “máfia” de uniformes dentro da Corporação. Quando se pensa em uma mudança de uniforme três questões devem ser analisadas: Qual o objetivo dela? Quem será beneficiado com ela? Quais os problemas dos atuais uniformes? (em minha opinião somente os metais – já fui vítima de acidente com viatura onde o metal da boina feriu gravemente minha cabeça). Por um longo período a própria instituição comprou as fardas e “redistribuiu” aos policiais. Nunca pensaram na qualidade ou funcionalidade, continuam não pensando… Há pouco tempo (um pouco mais de uma década) passamos a receber um tal de “auxílio fardamento”. De lá para cá, várias mudanças foram implementadas em nossa farda, possivelmente para “oxigenar” o mercado. Em tais mudanças a funcionalidade e qualidade não foram observadas. Uma “roupa operacional” deveria ser criada por quem entende do assunto. Ela dever ser confortável, segura e ter bom “caimento”, por que não?. Algumas perguntas devem ser feitas: Qual a função específica do boné? (cobertura) – É realmente necessário ou tem que ser colocado porque está previsto em regulamento? O sapato atende as nossas necessidades ou o coturno é mais prático? Qual a representação do “Brevê” para o policial que o usa e para o cidadão que o vê? Ele “empodera” o policial que o utiliza? A corrupção se alastrou em todas as áreas e se aperfeiçoou ao longo do tempo. Até quando administramos nosso dinheiro arrumam um jeito de “desviá-lo”. Existem mais mistérios entre os céus e a terra do que a vã filosofia pode explicar… É importante ressaltar que os uniformes custam bem mais do que o nosso auxílio fardamento de um soldado…haverá ressarcimento da diferença? Muitas vezes criamos problemas para nós mesmos! Somos nossos próprios carrascos!!

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Um policial que assimilou o paradigma da segurança cidadã!

PCS 042 realiza parceria com Posto de Saúde

17/11/2010 16:10:00

 Comunicação Social

É a expressão que define bem a união entre o PCS 042 (Posto Comunitário de Segurança) junto ao Centro de Saúde nº. 04, localizado na quadra QR 512 em Samambaia Sul. Gerido pelo soldado Silas, o PCS 042 localiza-se na quadra QR 112, próximo a estação do Metrô, e somente neste ano tem promovido diversos eventos em prol da comunidade. Com mais de 2000 atendimentos, já foram realizadas aferição de pressão arterial, campanha de vacinação, medidas de combate à dengue, além de comemorações ao Dia das Mães e ao Dia das Crianças, propondo à comunidade mais do que segurança: informação e saúde.

Fonte: http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=6765

Observação: Jamais deve-se confundir POLICIAMENTO COMUNITÁRIO com COMUNICAÇÃO SOCIAL. São completamente diferentes. O policiamento comunitário visa uma interação entre a polícia e a comunidade. Vai além do sentido de comunicação social…

O termo Segurança Cidadã começa a ser aplicado na Colômbia, em 1995 (Cf. Freire 2009) e, seguindo o êxito alcançado naquela localidade na prevenção e controle da criminalidade, este passa a ser adotado então por outros países da região. O conceito parte da natureza multicausal da violência, pois várias são as sua influências, não sendo apenas algo de responsabilidade da polícia, mas de toda comunidade, nesse sentido defende-se a atuação tanto no espectro do controle como na esfera da prevenção, por meio de políticas públicas integradas no âmbito local. Dessa forma, uma política pública de Segurança Cidadã envolve várias dimensões, reconhecendo a multicausalidade da violência e a heterogeneidade de suas manifestações. É importante ressaltar que uma intervenção baseada nesse conceito tem necessariamente de envolver as várias instituições públicas e a sociedade civil, na implementação de ações planejadas a partir dos problemas identificados como prioritários para a diminuição dos índices de violência e delinqüência em um território, englobando iniciativas em diversas áreas, tais como educação, saúde, lazer, esporte, cultura, cidadania, dentre outras.

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O sonho de Darcy Ribeiro e a segurança pública!

Há quinze anos um homem sonhou com a LDB – Lei de diretrizes e bases da educação. Hoje nosso país é reflexo desse sonho. Espero ver em breve a Lei de diretrizes e bases da segurança pública, é possível que o SUSP possa ser o embrião. As maiores obras foram resultado de homens sonhadores que foram a luta. O modelo de polícia atual está falido, precisamos reestruturá-lo. Nem que para isso seja preciso implodí-lo…para depois reconstruí-lo…

A polícia precisa mudar…
A polícia está mudando…
A polícia vai mudar!!!

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A formação do policial do futuro – Mudou alguma coisa nos últimos cinquenta anos?

Em breve falarei de três paradigmas: o da Segurança Nacional, o da Segurança Pública e o da Segurança Cidadã. Os três  formam a base de nossa cultura interna nos últimos cinquenta anos.

O que seremos daqui a vinte anos será o resultado do paradigma pregado hoje. Como estão sendo formados nossos “policiais do futuro”?

Uma mentira contada cem vezes para o “novinho” torna-se uma verdade, mas uma “verdade” contada cem vezes pode tornar-se um paradigma. A repetição leva a perfeição!

Quais desses paradigmas forjam nossos policiais?

Vejam o vídeo, reflitam e aguardem!

Saiba mais:

https://aderivaldo23.wordpress.com/2010/10/29/a-escola-de-monges-e-a-formacao-policial/

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Precisamos avançar do paradigma da segurança pública para o paradigma da segurança cidadã! É possível!

“Bom dia!”, “Posso ajudá-lo cidadão?” – Deveriam ser as nossas palavras de ORDEM!

O título é: “Precisamos avançar do paradigma da segurança pública para o paradigma da segurança cidadã! É possível!”, mas saímos do PARADIGMA DA SEGURANÇA NACIONAL PREGADO EM NOSSOS CURSOS DE FORMAÇÃO?

Em breve responderei essa pergunta.

Correio acompanha trabalho da polícia nas UPPs, principal bandeira de Dilma

 Baixos salários, ação restrita a fronteiras com áreas nobres e falta de avaliações são as armadilhas

Alana Rizzo – Enviada Especial

 Publicação: 14/11/2010 08:47 Atualização: 14/11/2010 09:37

Rio de Janeiro — Nos próximos quatro anos, o pilar da política nacional de segurança pública poderá ser resumido a uma sigla quase desconhecida fora do território fluminense e ainda pouco testada. Vedete do governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram a principal bandeira da presidente eleita, Dilma Rousseff, para solucionar conflitos urbanos. O modelo, implantado em 2008, será exportado a outros estados com a ajuda federal. Por trás do marketing promovido por Cabral e reforçado por Dilma, a experiência que mistura policiamento ostensivo e segurança comunitária está longe de se consolidar no próprio Rio como solução definitiva para a criminalidade. O símbolo da gestão de Sérgio Cabral transformou-se em “marca de sucesso” durante o pleito de outubro, mas não cobre nem um décimo das favelas cariocas. De pouco mais de mil conglomerados urbanos, 35 receberam UPPs. A maioria em favelas próximas a bairros nobres e considerados de média periculosidade. Ainda faltam avaliações a longo prazo da eficiência dessas unidades e os próprios policiais, mal remunerados, relutam em aceitar o modelo — que os afasta do dízimo pago ilegalmente pelo tráfico. De olho nas Olimpíadas e nas avaliações negativas da área, o governo petista resolveu, em 2007, tomar para si parte da responsabilidade de estados e municípios. O setor era o de pior avaliação em todo o governo Lula, que decidiu agir criando o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). Com a falta de resultados, a campanha petista investiu as cartas na política propagandeada por Cabral. Dilma, além de elogiar as UPPs, assumiu o compromisso de construir 2 mil postos de polícia comunitária. No Rio, o modelo é acusado por moradores de proteger “o asfalto” e cerca 200 mil pessoas em 13 UPPs. Mais de 1 milhão de cariocas vivem em favelas. A reportagem do Correio acompanhou durante 12 horas a rotina da UPP do Morro Babilônia/Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio. A área, conhecida pelo baile funk e pelo lucrativo mercado de drogas, foi “ocupada” no ano passado. Recebe a desconfiança dos policiais, insatisfeitos por conta dos baixos salários e ávidos pela aprovação da PEC 300, que estabeleceria um piso salarial nacional para policiais e bombeiros, engavetada no Congresso por conta da ordem emitida pelo governo de não aprovar qualquer projeto que signifique novas despesas para 2011. “A sociedade espera um comportamento novo da polícia, focado nos direitos humanos e em uma relação mais pacífica. Mas será que essa sociedade já está preparada para esta nova polícia?”, questiona o subcomandante da UPP, Hugo Coque, 24 anos. Controle Com a chuva forte, as ruas do Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estão vazias. O tempo diminui a visibilidade às 6h. A subida para o Morro Babilônia/Chapéu Mangueira fica a uma quadra da praia. O primeiro sinal da presença da polícia está logo na entrada: uma viatura com luzes acesas. Os dois policiais — um tirava um cochilo — estavam há 12 horas naquele local. O ponto é estratégico. A dupla tem a responsabilidade de “controlar” a entrada e a saída do morro. No fim da ladeira Ary Barroso, que divide as duas comunidades, outro ponto de presença policial. Um trailer — danificado pelo tempo e pela violência — funciona como base de apoio para outros dois PMs. A janela está quebrada. Fica presa por um pedaço de madeira, que, vez ou outra, cai. Marcas de tiro foram “escondidas” com uma mão extra de tinta. O atentado mais recente ao posto aconteceu nos primeiros meses da ocupação policial. Pelo menos oito balas atingiram a unidade. Uma delas atravessou a boina de um PM, guardada no armário. O soldado agora anda com ela no bolso. O acessório faz parte do uniforme dos policiais da UPP, assim como calça social, camisa de botão, colete à prova de balas, cartucheira com uma pistola .40 e, no mínimo, três carregadores de munição. Vestígios A subida até a sede da UPP é penosa. As ruas são estreitas, íngremes e a água da chuva forma uma camada de barro escorregadia. Moradores fazem o percurso contrário ao dos policiais para ir trabalhar. Cerca de 6 mil pessoas vivem no Morro Babilônia/Chapéu Mangueira. Durante anos, as comunidades enfrentaram rivalidades que deixaram vestígios. Duas facções criminosas — Comando Vermelho e Terceiro Comando — disputavam o mercado das drogas na Zona Sul. A invasão pela polícia ocorreu em junho de 2009. Seguiu o ritual de outras UPPs. Primeiro, os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entram e acabam com a resistência. Na maioria das vezes, os bandidos fogem antes. Quem continua corre o risco de morrer ou ser preso. Na sequência, policiais recém-formados e o comando da UPP assumem o morro. Dali em diante, a estratégia não foge ao modelo de polícia comunitária, reforçado por patrulhas constantes. Além da sede da unidade, no alto dos morros, a vigilância tem pontos fixos e carros de polícia. Placas e grades azuis indicam o caminho até o prédio de três andares erguido após a ocupação. Na administração, a TV distrai os policiais. Naquela manhã, o comentário era a morte de um colega durante treinamento do Bope e atentados aos veículos nas ruas do Rio. Até ontem, nove carros tinham sido incendiados em menos de uma semana. Ausência O sargento Ivan puxa a ronda. A patrulha móvel é formada por quatro soldados. Dois estão atrasados. O soldado Tostes, 29 anos, mora na divisa do Rio com Minas. Saiu de casa à 0h30. Estava preso em um congestionamento na Avenida Brasil. O outro ausente, Adonias, não conseguiu acordar. Tinha tomado uma dose extra de remédios para dormir na noite anterior. Completava-se um ano que seu irmão, o soldado Diogo, morreu em conflito com traficantes. Dezessete meses depois da instalação da UPP, o grupo caminha com tranquilidade, porém armado. Passam por pontos onde funcionavam bocas de fumo e rotas de fuga. Igrejas evangélicas e biroscas agora ocupam esses espaços. O percurso segue até um ponto fixo da UPP, onde dois policiais fazem vigília. Seguem pela Rua do Rosário, passam pela Birosca da Marli, onde foram filmados trechos de Tropa de Elite. A relação com a comunidade resume-se a “bom-dia” e a ouvir reclamações. “Olha, os meninos estão usando drogas aqui atrás de casa.” A polícia não nega. “É claro que ainda tem droga circulando, até porque tem usuário no morro”, diz um soldado. Só não é mais, segundo ele, tão comum. No fim de semana passado, a PM apreendeu cocaína. No dia anterior, uma granada. O que ocupa mesmo o tempo são brigas de vizinho, de família, inquilinos. Aos poucos, os policiais se tornam mediadores de conflitos. Proximidade A parada para o almoço é no restaurante do David. O ponto está virando atração turística. Funcionários de empresas do Leme e turistas estrangeiros sobem a ladeira para comer um prato-feito que custa, em média, R$ 10. “Vou ampliar o espaço, colocar mesas e devo até participar do festival Comida de Boteco”, comenta David Bispo, dono do estabelecimento, depois de servir um filé com fritas. A relação da polícia com os comerciantes é ainda mais próxima. Dona Nazinha, 81 anos, 49 de morro, trata os “meninos” como filhos. Serve água, café, biscoito e não poupa elogios: “Agora a gente vive com mais tranquilidade. Não tem aquela confusão”. Os moradores ainda não falam com clareza do período em que viveram sob a tutela do tráfico. “Era complicado. Tinha hora para voltar para casa e as crianças não ficavam na rua”, conta a professora da creche, Silvana Augusta. A sensação de segurança valorizou o comércio e os imóveis. Um albergue foi inaugurado. Moradores descobriram uma forma de ganhar dinheiro com passeios turísticos até a Pedra do Urubu e o aluguel de lajes. Equipes do Saúde da Família começaram a subir o morro. A Light está trocando postes e instalando relógios individuais. Caminhões de lixo recolhem as caçambas. Há obras na rede de saneamento. Ruas ganharam nomes e cursos técnicos, aulas de violão e caratê começaram a funcionar. Resistência A equipe móvel — agora completa, com os quatro homens — segue pelas ruas do Chapéu Mangueira. Atravessa a escadaria, local de patrulha fixa da UPP e que, no passado, foi importante ponto de venda de drogas. Os 106 degraus terminam no asfalto. Do alto, traficantes vigiavam o movimento da polícia. Os clientes não precisavam subir o morro. Os muros protegiam a venda feita às claras. Tiroteios eram comuns. As marcas estão nas paredes e registradas em vídeos postados no YouTube. A comunidade do Chapéu ainda é um pouco resistente à presença da polícia. Nos últimos dias, os soldados têm reforçado a atuação em uma área onde uma boca de fumo estava sendo montada. Dois homens cruzam nosso caminho. Os policiais não falam nada. Só o olhar e o movimento com as armas são suficientes para eles pararem e levantarem a camisa. Começa a revista. Sacodem a bermuda, passam a mão pelo corpo e fazem perguntas. “Como estamos aqui há algum tempo, conhecemos os moradores e esses não são daqui.” Não eram mesmo. Estavam, segundo eles, trabalhando numa obra. Com a valorização dos terrenos, casas e puxadinhos não param de surgir. Mas as abordagens continuam sendo feitas com vícios da rotina de uma polícia habituada à violência. Práticas distantes do novo modelo, como forjar flagrantes, continuam sendo adotadas, admitem alguns PMs. Camuflagem O percurso mais difícil na ronda é atravessar a mata que encobre o morro. A área era usada como esconderijo de traficantes. De lá se tem a melhor imagem da Praia de Copacabana. Do outro lado, a Urca. Durante a “invasão pacificadora”, armas foram encontradas enterradas no local. “O maior desafio é controlar a chegada do armamento no Brasil. Não é a droga”, comenta um soldado. Na quinta, alguns estavam indignados com a possibilidade de retirarem o fuzil do “uniforme” da UPP. “Paro de trabalhar. Não vou andar pelo morro só com uma pistola”, diz outro. O fato é que o fuzil é mesmo intimidador para uma polícia dita pacificadora. Mas para policiais, que ainda não acreditam 100% no sucesso do projeto, é a única forma de se proteger. “Imagina se os caras invadem isso aqui e nós só com pistolas. Não dá.” Depois de 20 minutos de caminhada, o assunto continua rendendo. Tinham acabado de chegar à sede da UPP os primeiros armamentos não letais: pistolas taser, que provocam a paralisação total e imediata, e sprays de pimenta. O descanso na sede é animado com a visita de quatro agentes comunitárias, que trazem bolo e refrigerante. Na sala de operações, o subcomandante da UPP, tenente Hugo Coque, preenche folhas sobre o comportamento dos policiais, demandas da comunidade e ainda concede autorizações para eventos. Adrenalina A ronda continua pelo Babilônia. O encontro com os outros soldados retoma um assunto financeiro: a gratificação. Todos reclamam do extra de R$ 500 que ainda não saiu. Os baixos salários, a falta de estrutura e de uma formação adequada e continuada prometem atrapalhar o sucesso do projeto das UPPs. Todos os policiais com quem a reportagem conversou disseram querer abandonar, por vários motivos, o programa que é a “menina dos olhos” do Poder Público. “Não era isso que imaginei fazer quando entrei na polícia. Entrei em busca da adrenalina”, reclama um soldado. Reforçado por outro que diz: “Isso aqui é descanso. Trabalho é na minha folga. Subo morro, ganho dinheiro, mato bandido.” Nos pontos fixos, o tempo demora ainda mais a passar. “Não tem uma cobertura para a chuva, um banheiro. Ficamos muito vulneráveis.” Não adianta somente “ocupar o território do bandido”, como repete insistentemente o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. É necessário criar condições de manter o programa de forma permanente. A demanda é da própria comunidade. “Não dá para fazer tudo isso, depois afrouxar e deixar os policiais irem embora. Se no asfalto é sempre assim, aqui no morro também tem que ser”, diz a professora Gisele da Cruz. Transposição exige adaptações As secretarias estaduais de Segurança Pública preparam uma corrida em massa ao Rio de Janeiro em busca de inspiração no modelo das UPPs. No Centro-Oeste, DF e Goiás estudam a implantação de unidades em áreas consideradas críticas, especialmente na região do Entorno. Os políticos miram o modelo apontado como o feitiço de Cabral, responsável por reelegê-lo com 5.217.972 votos, ou 66,08% do total válido. Distante do marketing, delegados e especialistas em segurança defendem que é necessário cautela. Ainda que o programa apresente — a curto prazo — resultados positivos em uma área, as UPPs, por exemplo, não acabam com a venda de drogas. O que interrompe-se é o controle do território de forma ostensiva e armada por criminosos, sejam traficantes ou milicianos. “O modelo da UPP é fácil de implementar em outras regiões. A questão é que esse modelo faz sentido e produz resultados na situação específica do Rio”, explica o sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Artur Trindade. “O diferencial desse programa é fazer o policiamento onde a polícia não conseguia estar.” O projeto carioca começou a ser desenhado pela Secretaria de Segurança do Rio a partir de experiências de outros estados e países, como Japão e Colômbia. Durante quase dois anos, uma equipe planejou, com base em índices de criminalidade, a logística necessária. Foram avaliados quantidade de armas, alcance de tiros, equipamentos públicos na favela e invasões policiais. A estimativa é de que das mais de mil comunidades sob controle de quadrilhas armadas no Rio, 165 devam sofrer algum tipo de intervenção nos próximos quatro anos por 40 UPPs. Debruçados sobre o modelo a ser implementado no Rio, os comandantes chegaram a passar um tempo em São Paulo. Fizeram cursos e conheceram o modelo testado no estado, que prevê laços mais estreitos entre polícia e sociedade. “Em São Paulo, a polícia vigia bairros. No Rio, são comunidades”, diz o subcomandante da UPP, tenente Hugo Coque. O governo calcula que para a pacificação dar certo é preciso, no mínimo, um policial para cada 80 habitantes. O efetivo ainda está sendo formado. Essa é, inclusive, a justificativa para as ocupações ainda não terem sido feitas em áreas mais populosas e consideradas de maior risco, como a Rocinha e o Complexo do Alemão. Defensores do modelo acreditam que o maior benefício das UPPs é reduzir abusos por parte da polícia. “Acompanhamos mais de perto a atuação desses policiais e estamos trabalhando uma formação mais voltada para direitos humanos, cidadania e políticas de pacificação”, diz Coque. Três anos depois de passar pela academia, o tenente agora se depara com um cenário imprevisível e insólito. Caminha pelos morros cariocas sem arma, organiza festas para a comunidade e orienta moradores a cobrarem do Poder Público seus direitos. (Alana Rizzo, enviada especial)

Fonte: Correio Braziliense

O “espalhamento” de “bases” é uma estratégia importante para a ocupação territorial dos espaços dominados pela criminalidade no Rio de Janeiro. É um pouco diferente do DF, pois aqui foi de maneira PREVENTIVA. No Distrito Federal Esbarrou em várias dificuldades. No Rio não será diferente.

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Mobilização interna – É preciso mudar!

Mais uma vez retorno ao tema MOBILIZAÇÃO SOCIAL, conforme já expliquei, por dois anos detive-me as questões “filosóficas” do policiamento inteligente, ou seja, buscamos quebrar pré-conceitos por meio de conceitos existentes, com o objetivo de gerar um novo conhecimento no campo da segurança pública. Nessa área nos deparamos com a “mobilização interna” e a “mobilização externa”.

A mobilização interna refere-se ao processo de empoderamento individual por meio de agendas de crescimento de cada policial, mudando o micro, mudaremos o macro. É o segundo passo rumo à redemocratização dentro da Corporação. Precisamos nos fortalecer para fortalecermos nossa Instituição. Precisamos ocupar cargos estratégicos na estrutura do governo para empoderar-nos. Cargos que realmente façam a diferença em nossa cidade. Precisamos valorizar a competência!

Mobilizar, aqui, significa: movimentar (se), mover (se), pôr (se) em ação, movimentar-se para deflagrar uma ação.

Não é possível precisar como o termo “mobilizar” começou a se destacar e a ampliar um significado mais estrito ao qual estava tradicionalmente associado, o de “movimentar tropas”. No dicionário Aurélio significa:

“Por (se) em ação (tropa) para a guerra ou ante perigo de guerra.”

A idéia de um movimento para a luta social está ligado ao objetivo dos movimentos sociais de massa e, em sentido bélico, está de acordo com as lutas “revolucionárias”, nossa “revolução” deve ser CULTURAL. Para os revolucionários “mobilizar” sempre foi uma prática essencial. Aqui precisamos do outro conceito de MOBILIZAR para difundirmos essa idéia.

Mobilizar significa: Arregimentar, sensibilizar ou comover, conclamar, chamar à ação (pessoas, grupos, instituições…)

Nesse sentido, precisamos arregimentar pessoas para RENOVAR NOSSAS ASSOCIAÇÕES. Precisamos sensibilizar ou comover a sociedade para que ela entenda que o policial está se especializando. Precisamos conclamar todos a MUDAR DE POSTURA na instituição. Precisamos AGIR (ação). Afinal, a polícia precisar mudar, a polícia somos nós!

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