Arquivo do mês: março 2016

Audiências públicas funcionam apenas como palco político, tudo teatro.

O jornal Correio Braziliense de hoje trouxe uma notícia interessante: PM confirma compra de 150 carros; audiência discutirá destino das Pajeros. Hoje (30 de março) ocorrerá uma audiência pública que vai discutir possíveis soluções e o impacto dos carros no serviço de policiamento externo.

Mais de vinte acidentes, com uma morte e uma amputação já ocorreram nos últimos anos. O saldo é resultado das capotagens e colisões envolvendo as Mitsubishi Pajero Dakar utilizadas pela Polícia Militar. Atualmente trabalho com uma na Cidade Estrutural. São até confortáveis, mas muito perigosas. Falo isso por que no meu segundo de dia serviço já observei detalhes que do gabinete onde eu trabalhava jamais observaria. Por três vezes as rodas traseiras travaram em baixa velocidade.

No último sábado, enquanto voltamos de uma delegacia e iniciava uma chuva ainda fraca, em baixa velocidade (40 a 50Km), próximo ao balão da corregedoria da PM, no SIA, as rodas traseiras vieram a travar no meio do balão, fazendo a viatura derrapar de lado, graças a Deus transitavam apenas mais dois carros no local e nada mais grave aconteceu, pois o motorista da viatura conseguiu segurar. É como se o freio de mão tivesse sido acionado de repente e a viatura tivesse dado um “cavalo de pau”. Ficamos preocupados e assustados. Isso não é normal.

Esse tipo de informação não será divulgada  em Audiências Públicas. Até porque os policiais tem medo de represálias. Quem conhece o sistema sabe como funciona, quem fala demais, responde e paga caro. Eu mesmo muitas vezes pago caro, pois em minha folga sempre estou respondendo alguma coisa. E não adianta dizer que “neste governo tem diálogo”, “que não existe perseguição”, não existe para quem se cala, tem diálogo com quem se submete. Tenho certeza que nesta audiência pública aqueles que sofrem diariamente com os problemas das viaturas e correm os riscos não estarão por lá, nem tampouco terão voz, caso estejam.

Segundo o jornal, a Corporação comprou 387 veículos em 2012. Militares reclamam da falta de manutenção nos carros, pneus carecas e ausência de equipamentos de segurança. Estas reclamações são antigas, talvez a morte de um colega expôs algo que era escondido “debaixo do tapete”.  Tomara que a audiência de hoje não seja apenas “teatro” político. Infelizmente “audiências públicas” funcionam apenas como palco político para alguns, no final não resolvem nada.

O que deveria ser visto lá hoje é quem foi o responsável pela compra, quais critérios foram utilizados, quais os valores, se houve indícios de superfaturamento, por que as pajeros ainda estão rodando, se os veículos que querem comprar atendem as necessidades do trabalho policial, qual o custo, se terão manutenção, pois não adianta comprar um carro importado e depois não ter as peças e as manutenções necessárias, entende? Se não forem objetivos nesta audiência, será apenas “firula” política para fazer políticos e futuros políticos aparecerem. Estou casando dessa enganação toda. Precisamos falar em “responsabilização de comando”, em punição dos culpados por jogar o dinheiro do contribuinte no lixo. É preciso discutir a profissionalização de fato das polícias.

Viatura PM

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O plano de Deus em nossas vidas é dar-nos poder para servir

Há sete anos atrás escrevi o que chamo de “livro dos sonhos”, nele planejei o que eu gostaria de ser nos “próximos cinco anos”. Pedi a Deus “poder, autoridade e legitimidade” para atuar na PM e na sociedade do DF.

Particularmente, acredito que todo policial já tem “poder, autoridade e legitimidade” para atuar, precisa apenas conquistar a “confiança” das comunidades para potencializar tudo isso. Acredito que “o poder não pode ser um fim em si mesmo”, sendo assim, meu desejo fora dividido em outros grupos:

  1. Tornar-me uma liderança na PM e fora dela, ou seja, influenciar pessoas a compreenderem que a polícia pode ser diferente, pode ser uma polícia inteligente, respeitada e cidadã;

  2. Tornar-me uma referência em segurança pública e cidadania, um multiplicador da filosofia de polícia comunitária;

  3. Tornar-me um grande comunicador, um grande orador.

De lá para cá, desde que iniciei este desafio, já fui testado de várias formas, dentro e fora da PM:

  1. Fiz uma especialização em Segurança Pública e Cidadania;
  2. Criei um blog (Policiamento Inteligente) e ajudei a criar outros;
  3. Publiquei um livro (Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários do DF);
  4. Dei aula de Chefia e Liderança (instrutor) para mais de 10 (dez) mil policiais;
  5. Estive na Força Nacional;
  6. Fui instrutor de Polícia Comunitária no TOR;
  7. Dei palestras no COESP;
  8. Fui Assessor Parlamentar;
  9. Dei palestras para mais de 03 (três) mil jovens sobre drogas e violência nas Escolas;
  10. Perdi um filho;
  11. Ajudei a montar o Centro de Treinamento e Especialização da Polícia Militar, juntamente com o TC Pontes e TC Paim;
  12. Fui orientador de dois capitães no CAO;
  13. Participei da elaboração de um plano de governo na área de Segurança Pública;
  14. Tive um programa de rádio com uma amiga, participei de vários programas e entrevistas;
  15. Fui candidato a deputado distrital;
  16. Abriram um Conselho de Disciplina, 04 IPM´s, fui julgado na Auditoria Militar e respondi várias sindicâncias por causas de meus posicionamentos sobre corrupção e abusos diversos dentro das instituições policiais;
  17. Fui Assessor Especial de Gabinete e Assessor Especial de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social;
  18. Tive uma filha maravilhosa;
  19. Hoje comando uma viatura na Cidade Estrutural, uma das mais perigosas e carentes do DF.

O plano de Deus em nossas vidas é dar-nos poder para servir. Temos apenas dois caminhos: podemos “ter poder para servir” ou “servir para ter poder”. O poder não pode ser um fim em si mesmo. Se isso acontecer, ele apodrecerá qualquer indivíduo ou sistema. O poder apenas tem sentido quando é regido pela paixão que atravessa os corações e nos faz sentir  a pequenez e fragilidade humana.

Às vezes consideramos alguém poderoso, forte, conhecido, autossuficiente em seu próprio poder, mas aos olhos de Deus ele continua frágil, débil e imaturo. O drama da sociedade, em especial dentro da PM, é a questão de saber administrar o poder, o sucesso e a honra que Deus no dá.

O grande risco do poder é que ele embriaga. O homem que se embriaga pelo poder é a pessoa menos indicada para possuí-lo. Contudo, o que corrompe não é o poder, mas o coração do homem. O poder tem que estar nas mãos das pessoas certas, de caráter, comprometidas com valores que não podem ser esquecidos. Uma pessoa que não crê em Deus, por exemplo, possui compromisso só com os homens. Não acredita que existem olhos sobrenaturais vendo tudo que ela faz. Então, corrompe-se, porque acha que ninguém “maior” a está observando.

Aprendi com um Bispo de uma igreja que frequentei durante muito que “terminar bem é melhor do que começar bem”. Nunca me esqueci disso.  Não acredito em lideranças que não passaram pelo “fogo”.  A formação do caráter do líder leva tempo. A sua confiança como líder é conquistada e mantida pela consistência que você exibe ao passar por vários testes com o passar do tempo. Pense nisso e torne-se um líder de sucesso. Não se esqueça: Liderar é influenciar pessoas para um objetivo comum: o crescimento!

Frase para o facebook

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Praças da Juventude na Ceilândia

Na manhã desta terça (15), ocorreu o ato de assinatura, pelo governador Rodrigo Rollemberg, da Ordem de Serviço para início das obras de construção da Praça da Juventude na Ceilândia. A obra será custeada via emenda parlamentar do deputado federal Ronaldo Fonseca que, preocupado com o aumento da cracolândia naquele lugar, destinou 2.5 milhões em recursos para construção da Praça.

O projeto Praça da Juventude foi criado com o objetivo de levar um equipamento esportivo público e qualificado para a população que pudesse, ao mesmo tempo, tornar-se ponto de encontro e referência para a juventude. Mais do que um espaço físico para a prática de esportes, a Praça da Juventude é uma área de convivência comunitária onde são realizadas também atividades culturais, de inclusão digital e de lazer para a população de todas as faixas etárias.

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Crise nos Conselhos Tutelares de Brasília, secretário em saia justa…

O Secretário da Criança e do Adolescente, Aurélio Araújo, do Governo de Brasília, passou por uma saia justa em uma Audiência Pública na Câmara Legislativa do DF, na última quinta-feira, por causa de exonerações de auxiliares administrativos dos Conselhos. Os espaços no governo são utilizados como “cabide de emprego”, esta foi a acusação feita pelos conselheiros tutelares. Foram várias as denúncias de apadrinhados políticos que não cumprem horário no expediente no órgão e trocas para beneficiar apadrinhados que prejudicam o andamento dos trabalhos nos conselhos.

Vários Conselheiros Tutelares chegaram a protestar, inclusive com trio elétrico, em frente a Secretaria da Criança e do Adolescente. Mesmo com o protesto, os conselheiros não foram atendidos. A ideia dos Conselheiros era fechar os conselhos, caso o problema não fosse solucionado. Eles foram atendidos somente no dia seguinte. Segundo um conselheiro, havia um acordo com a Secretária anterior, Dra Jane, de que os apadrinhados políticos seriam apenas os chefes de núcleo, os “técnicos” iriam permanecer, pois são eles que fazem o conselho “andar”.  A confusão continua na próxima semana…

Veja a fala de um conselheiro no Facebook (Clique aqui)

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Encontro com o Chefe da Casa Militar

Ontem recebi um convite e fiz uma visita inusitada. Uma boa surpresa para mim. Após minha saída do governo e retorno para PM, só tenho tido excelentes demonstrações de respeito e amadurecimento dentro da Corporação, muito diferente do que ocorreu durante o governo do PT. A primeira foi o convite do Comandante-Geral para uma conversa após nosso retorno da SSP, a outra foi o convite do Chefe da Casa Militar, Cel Ribas, para uma conversa em seu gabinete, ontem as 16h. Isso me fez lembrar e valorizar mais uma vez a coisa mais importante da nossa filosofia militar: o respeito. Para quem não sabe, a base dos dois pilares do militarismo: Hierarquia e disciplina é o respeito, em nosso meio, o que falta em nossa sociedade.

Em nossa conversa de ontem, durante duas horas pudemos abordar diversos temas, dentre eles: redução de interstício, as dificuldades de uma reestruturação, como anda a política de segurança pública no DF, entrada única, CHOAEM, concurso para soldado e para CFO, cenário para a PM nos próximos meses e anos e reestruturação interna (choque de gestão), dentre vários outros pontos importantes. Sai  de lá duplamente satisfeito.

Agradeço ao Secretário, Chefe da Casa Militar, pela consideração, carinho e respeito demonstrado a minha pessoa, em especial, pela sinceridade em nossas análises. Ele é uma pessoa que tem meu respeito e admiração. Mesmo eu estando afastado da política atual, sem dúvidas, ele poderá contar comigo e minha experiência no que for melhor para a nossa corporação.

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Relatório avaliando nossos problemas. (Clique para ter acesso)

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Quando os corruptos irão para a cadeia de fato?

Sou a favor de todas as prisões de corruptos, de qualquer partido, desde que estejam dentro dos ritos do processo legal. Ninguém está acima da lei, ninguém está acima da democracia, por muito menos, policias militares foram presos no DF para proteger a “ordem pública”, por muito menos policiais militares foram expulsos e presos para manter a “ordem pública” no Rio de Janeiro, por muito menos o Soldado Prisco foi preso na Bahia, durante uma greve de policiais militares, por muito menos vários outros cidadãos foram presos diariamente.
 
Quando aqueles que roubaram milhões da Petrobrás e de outros cofres públicos irão para a prisão? Quando veremos mais ladrões de colarinho branco presos? Quando veremos os crimes de colarinho branco tornarem-se inafiançáveis? Até quando veremos autoridades, confiando na impunidade, desafiando os poderes constituídos?
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É preciso “quebrar ovos” para se mexer em estruturas conversadoras e ultrapassadas.

No “Pacto pela Vida” no DF existe um “colegiado”, chamado de “Comitê Gestor do Pacto Pela Vida”. Ele é presidido pelo governador do DF e coordenado pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social. A ideia é interessante, pois existem esferas anteriores que “filtram” os problemas deixando apenas os não “solúveis” para que seja resolvido pelo colegiado, por ordem do governador.

Após a apresentação dos índices de criminalidade, onde foi verificado o aumento de alguns crimes, estiveram reunidos os integrantes do colegiado. Nele ficou definido que combater os roubos a residências, ao comércio e a pedestres — que tiveram aumento no acumulado do ano em relação a 2015 — deverá ser prioridade. “Precisamos atuar nessas três frentes, esse é o desafio que está colocado para a segurança pública”, desta o governador. A ordem é focar em áreas mapeadas de acordo com os índices criminais e a sensação de insegurança da população. Se formos ter como referência o último “indicador” faltará policiais para proteger os locais onde a população se sente insegura, o medo está presente de norte a sul, de leste a oeste.

O mapeamento dessas áreas foi delineado com informações obtidas por meio da Pesquisa Distrital de Segurança, iniciada no ano passado e que faz parte das ações do Pacto pela Vida. Ao registrar os dados coletados em cada região, os pesquisadores usaram a técnica de georreferenciamento para associar as informações ao local das ocorrências.

A iniciativa é louvável, e se implementada poderá trazer grandes resultados. O problema é a “ordem” do governador ser cumprida e os crimes reduzirem. São vários os fatores externos que contribuem para o aumento da criminalidade. No ano passado ordens semelhantes já foram dadas para reduzir os roubos em transporte coletivo, já publicamos aqui no Blog Policiamento Inteligente diversos artigos sobre o tema, mas os resultados foram muito pequenos. Os problemas de segurança pública no DF vão muito além dos “problemas sociais” e da “sazonalidade” dos crimes. É preciso coragem para mudar certas estruturas, é preciso coragem para reestruturar o sistema de segurança pública no Brasil e no DF, é preciso “quebrar ovos” para se fazer uma boa omelete, assim como é preciso “quebrar ovos” para se mexer em estruturas conversadoras e ultrapassadas.

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Aderivaldo Cardoso –  Especialista em Segurança Pública e Cidadania, Autor do Livro Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários no DF, ex-Assessor Especial de Gabinete da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social.

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Capotamento de viatura agora a pouco no Recanto das Emas. E o Seguro?

Mais uma viatura Pajero capotou no Recanto da Emas, agora a pouco. Alguns colegas ficaram feridos e foram atendidos no local. Qual será o problema destas viaturas? Não é normal tanto capotamento.

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Que Deus abençoe os companheiros do GTOP 47. A sociedade precisa saber o quanto corremos riscos. Ser policial é correr riscos de várias formas. Precisamos do seguro de viaturas, uma das promessas do Governador, e de viaturas mais seguras apropriadas para nosso serviço. 

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Opinião: A ilusão da disputa – Por RÔMULO NEVES

Ontem agradeci o ex-chefe de gabinete do Governador Rodrigo Rollemberg, pelo apoio dado a mim durante meu período na Secretaria de Segurança, hoje gostaria de apresentá-los, um artigo publicado na Folha de São Paulo escrito por ele, Rômulo Neves, intitulado:  “A ilusão da disputa”, uma excelente análise do cenário nacional atual:

O Brasil corre sério risco de testemunhar embates violentos nas manifestações de rua marcadas para o próximo domingo (13). A oitiva de Lula na Lava Jato fortaleceu a polarização dos grupos pró e contra o governo Dilma Rousseff.

Os ânimos estão exaltados, inclusive como estratégia política de ambos os lados. A quem interessa, no entanto, o recrudescimento do ambiente? Certamente não ao conjunto da população, pois os modelos de gestão de poder em disputa são idênticos. Trata-se de um embate tradicional, ancorado em esquemas táticos de marqueteiros e políticos.

Além de possíveis casos de enfrentamento físico, o momento é propício para o recrudescimento de movimentos independentes e, por isso mesmo, imprevisíveis. Em Brasília, por exemplo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e a FNL (Frente Nacional de Luta) invadiram na última terça (8) alguns órgãos públicos.

Prometem ir às ruas contra o governo, mas também devem hostilizar os apoiadores do impeachment da presidente. É grande a chance de a situação sair do controle, o que deve se repetir em outras cidades.

Seja qual for o resultado de domingo, nada indica que será iniciado um debate sobre as formas de relação entre os governantes e a população. Não há ninguém nas cúpulas, seja do PT, seja do PSDB, interessado nessas questões neste momento. A falência do modelo baseado em “propaganda e algumas obras para mostrar na propaganda” é o pano de fundo da crise, mas está fora do radar dos políticos.

As lideranças compreendem que o Estado não é capaz de seguir funcionando à base do clientelismo e de peças de marketing disfarçadas de políticas estruturantes, mas não sabem o que oferecer como opção.

Tivemos pontos positivos nas gestões FHC e Lula, 16 anos de relativa evolução política. Nesse período, entretanto, perdemos a chance de aprovar as reformas essenciais para o desenvolvimento do país (previdenciária, trabalhista, tributária, política).

Sem as reformas estruturais, garantir o acesso das classes C e D a bens de consumo é apenas enxugar gelo. É possível retirar essas pessoas da miséria econômica com uma bolsa qualquer do governo, mas é impossível tirá-las da miséria política sem oferecer informação, educação e demais serviços básicos de qualidade.

Somente uma solução que aponte caminhos concretos para a universalização das oportunidades e dos serviços públicos devolveria a necessária confiança ao governo, a qualquer governo. Seria preciso rever as prioridades e assumi-las não como ações de propaganda, mas sim ações de Estado.

Para isso, é necessário tocar nos interesses de grupos privilegiados na distribuição dos recursos nacionais –políticos, empresas subsidiadas, bancos, empreiteiras e sindicatos, especialmente os de funcionários públicos. Quem arriscaria seu mandato para mexer nesse vespeiro? Ninguém.

Seguiremos, seja qual for o resultado das manifestações de domingo, em um modelo político no qual o marqueteiro é mais importante que o ministro da Educação.

Os eleitores participarão das passeatas convencidos de que defendem uma causa. Ledo engano. Cada grupo estará defendendo apenas a parte da propaganda em que acredita. As lideranças do PSDB são tão antiquadas e preocupadas com seus projetos de poder quanto as do PT.

Resta-nos apontar a irracionalidade da disputa e torcer para que não tenhamos de aprender na marra, com novas crises institucionais, que o atual modelo está falido.

Não existe herói nacional –seja o ex-presidente Lula ou o juiz federal Sergio Moro. Participar da política é muito mais do que votar numa peça de propaganda, ir às ruas gritar palavras de ordem ou, ainda, hostilizar alguém que apenas foi enganado por outro marqueteiro, que não o de seu partido.

RÔMULO NEVES, 38, é diplomata. Foi Chefe do Gabinete do governo do Distrito Federal (2015-2016). Filiou-se ao partido Rede Sustentabilidade em janeiro

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Governos passam, as polícias permanecem!

A partir de hoje, estou de volta a PM. Agradeço a forma respeitosa e amigável que fomos recebidos pelo comandante geral da PM, Cel Nunes. A minha ausência da PM por um ano me fez valorizar algo da filosofia militar: o respeito. Não existe lugar melhor do que a nossa casa.

aderivaldo fardado

Hoje deixo a Secretaria de Segurança Pública e o governo do DF. Retorno a PMDF, minha casa, com o coração leve e a sensação de dever cumprido. Aprendi muito em um ano sobre os problemas que afetam a segurança pública do DF. Torço para que as políticas de segurança pública que ajudamos a pensar sejam colocadas em prática, o que acho muito difícil neste momento, agradeço a confiança em mim depositada pelo meu eterno professor e mestre, doutor Arthur Trindade, ex-secretário de segurança pública do DF, agradeço ao governador Rodrigo Rollemberg, ao ex-chefe de gabinete do governo, Rômulo Neves por ter agilizado todo o trâmite e honrado os compromissos assumidos, ao presidente do PHS, Cristian Viana por todo o apoio e companheirismo destinado a mim e a todos os colegas que me ajudaram no período que lá estive. Que Deus nos abençoe hoje e sempre. Sorte ao governo e a todos nós do sistema de segurança pública. Governos passam, as polícias permanecem!

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