Arquivo do mês: novembro 2009

Situação da política no DF!!

Após a omissão do maior jornal do DF por alguns dias, e a pressão de leitores por informação e não manipulação, hoje o Correio decidiu “informar” os leitores divulgando detalhes da política local.
Gostaria que divulgassem de forma mais detalhada, mas já é um bom começo.
Gostei dos posts do Noblat em seu blog, quando criticou a omissão de nossos meios de comunicação.

Brasília, uma cidade sem imprensa

Seria possível cometer o prodígio de noticiar o mensalão do governo do Distrito Federal livrando a cara do governador José Roberto Arruda?

O Correio Braziliense, o principal e mais antigo jornal da cidade, provou que sim na sua primeira página.

Manchete da edição de hoje, sábado:

GDF e distritais são alvo de investigação

Sub-manchete:

PF e Justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentares

Texto abaixo da sub-manchete:

“A Polícia Federal apreendeu ontem computadores e documentos nas casas e nos escritórios de 16 pessoas suspeitas de envolvimento num esquema de pagamento de propinas a deputados distritais da base de apoio ao Governo do Distrito Federal. Entre os investigados estão secretários de estado, empresários e distritais. Denominada Caixa de Pandora, a operação da PF foi desencadeada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após uma série de denúncias e escutas ambientais feitas pelo delegado Durval Barbosa, exonerado ontem do cargo de secretário de Relações Institucionais do GDF.

Barbosa também estaria envolvido no esquema e aceitou a proposta de delação premiada oferecida pelo Ministério Público para revelá-lo. Segundo o inquérito, o ex-policial, que ocupou cargos públicos no governo Joaquim Roriz e responde a processos por corrupção, teria gravado uma conversa com o governador Arruda em 21 de outubro. Ontem, todos os secretários e servidores do GDF citados na operação foram afastados dos cargos.”

———–

* “Entre os investigados…” – esqueceram Arruda.

* “Barbosa também estaria envolvido no esquema…” – e Arruda? Não?

* “o ex-policial (…) teria gravado uma conversa com o governador Arruda” – teria? Ele gravou. A transcrição da conversa está nos autos do inquérito – e nos mais importantes jornais do país.

Manchete da edição de hoje do Jornal de Brasília:

“Arruda exonera secretários”

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=brasilia-uma-cidade-sem-imprensa&cod_Post=245446&a=111

É vergonhosa a política no DF e merece um comentário aqui nesse blog. Passei o final de semana lendo os blogs, sites e ouvindo comentários de pessoas do governo sobre a situação atual dos governistas e a coisa é pior do que se imagina.
É interessante analisar o vídeo em que o governador Arruda, então deputado federal, recebe dinheiro de Durval Barbosa, delegado aposentado da polícia civil e dirigente de uma empresa estatal do governo anterior. Ao ver tal vídeo tirei algumas conclusões, que espero não ser levianas. A primeira delas é que o atual governo foi financiado por seu antecessor. A segunda é que o governador vinha sendo chantegeado por esse grupo.
Quem anda há alguns anos pelos bastidores da política conhece os atuais envolvidos de velhas datas. Fábio Simão por exemplo foi assessor do ex-senador (cassado) Luiz Estevão e braço forte do governo Roriz. Durval Barbosa é irmão do atual deputado distrital e também ex-delegado da polícia civil e ex-secretário do governo Roriz, Milton Barbosa.
Era estranho ver nomes como Júnior Brunelli, Eurides Brito, Odilon Aíres, Benício Tavares, Roney Nemer, Maciel (ex-secretário de saúde), dentre outros que sempre estiveram do lado do governo passado, apoiando e influenciando o governo atual.
Nunca entendi a força de Salvador Bispo, que sempre foi do PSD e aliado de Roriz, no governo atual. Era estranho ver material de campanha do candidato ao senado Roriz nos comitês do candidato ao governo Arruda. Mas tudo tem uma explicação…creio que ela chegou…
As escolas agradecem a melhoria da segurança com as empresas privadas de segurança…de quem elas são? Alguns funcionários afirmam que é do Dep. Leonardo Prudente…
E os contratos que eram da Fiança e passaram para as empresas de outra forte aliada que pertence ao DEM e comanda a área social no DF hoje?
São tantas coisas que deixa qualquer eleitor enojado…

Ana Maria Campos

Lilian Tahan

Publicação: 30/11/2009 08:14

Pelo menos oito dos 24 deputados distritais eleitos em 2006, além de dois suplentes, são citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), como beneficiários de um suposto esquema de pagamento de propina em troca de apoio político ao Executivo. Essas citações constam de depoimentos, gravações de conversas do governador José Roberto Arruda (DEM) e do chefe da Casa Civil afastado José Geraldo Maciel, de depoimentos ou de vídeos gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa e entregues à Polícia Federal (PF). No Executivo, também há muita gente sob suspeita de ter recebido dinheiro desviado de contratos firmados pelo governo com empresas privadas.

Entre os citados no inquérito, além do próprio Arruda, que aparece em fita recebendo recursos de Durval, há ainda o vice-governador Paulo Octávio, apontado por Durval como beneficiário de dinheiro. O presidente das Organizações Paulo Octávio, Marcelo Carvalho, é citado como um dos operadores e beneficiários do suposto esquema e aparece em vídeo recebendo dinheiro no gabinete de Durval, no anexo do Palácio do Buriti. Na imagem, aparece a foto oficial de Arruda pendurada em uma parede, além de uma bandeira do GDF, o que indicaria que a entrega do dinheiro ocorreu durante a atual gestão.

Além de Carvalho, segundo depoimento de Durval no inquérito, o secretário de Obras, Márcio Machado; o ex-chefe de gabinete e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Domingos Lamoglia; o secretário de Governo, José Humberto Pires; e o ex-assessor de imprensa, Omézio Pontes; captavam recursos provenientes dos contratos de prestação de serviços, mudança de destinação de imóveis e venda de terrenos. De acordo com Durval, também participavam desse suposto esquema Renato Malcotti e Paulo Roxo, apontados como lobistas, além do chefe do escritório político de Arruda, José Eustáquio.

Distritais
De acordo com referências no inquérito, os distritais Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (PSB), Eurides Brito (PMDB), Aylton Gomes (PMN), Rôney Nemer (PMDB), Benício Tavares (PMDB), Júnior Brunelli (PP, corregedor da Câmara Legislativa) e Leonardo Prudente (DEM, presidente da Casa) recebiam dinheiro do esquema. Dois suplentes também são citados: Berinaldo Pontes (PP) e Pedro do Ovo (PRP). Prudente aparece em vídeo guardando dinheiro na meia e em todos os bolsos do terno — na ocasião, ele teria recebido R$ 50 mil. Brunelli e Eurides também têm imagens registradas, além do gerente do Na Hora, Luiz França.
Entre os integrantes do GDF, estão relacionados no inquérito do STJ o presidente do Instituto de Previdência, Odilon Aires, o chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, e o secretário de Educação, José Luiz Valente — os dois últimos foram afastados da função. Também são citados como supostos beneficiários de dinheiro o corregedor do DF, Roberto Giffoni, e o secretário de Planejamento, Ricardo Penna.

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Brasília sangra

Ana Dubeux

As denúncias de um suposto esquema de propina para financiamento de campanha do então deputado José Roberto Arruda e do envolvimento de integrantes da cúpula do Governo do Distrito Federal, de deputados distritais e de um integrante do Tribunal de Contas do Distrito Federal estremece os três poderes da capital federal, escandaliza os brasilienses e deixa a cidade numa situação dramática. O vídeo com imagens de Arruda recebendo um maço de notas que lhe foi entregue pelo então presidente da Codeplan, Durval Barbosa, abre as veias de Brasília. É um dos momentos mais graves da história da cidade que ainda não fez 50 anos.

Apesar de tão jovem, Brasília já enfrentou tremores de terra em sua vida política. Nascida da vontade brasileira de fortalecer o sentido de Nação, foi construída sob pressão contínua da UDN, o partido de oposição a Juscelino. A capital da arquitetura e do urbanismo modernos quase virou ruína por força da má-vontade de Jânio Quadros. Brasília serviu aos propósitos do regime de exceção, o mesmo que decidiu consolidar a nova capital no Centro-Oeste.

Consolidada, a cidade participou ativamente da campanha das Diretas Já, pelo retorno ao Estado democrático e de Direito e alguns anos depois ocupou a Esplanada, com suas jovens caras pintadas, para forçar a saída de Fernando Collor de Mello. Brasília se dividiu ao meio entre o eleitorado de Joaquim Roriz e de Cristovam Buarque
Neste novembro negro, a menos de cinco meses de completar meio século, Brasília está sangrando. A cidade reage às denúncias, indigna-se com as imagens do então candidato ao governo supostamente recebendo propina. Há outros vídeos, nos quais Durval Barbosa entrega maços de dinheiro ao presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente (DEM), aos deputados Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Odilon Aires (PMDB) e Benício Tavares (PMDB).

À Polícia Federal cabe investigar todos os males que sairão de dentro da Caixa de Pandora. À Justiça, punir os culpados. À cidade, estancar o sangue e reorganizar as forças para que possamos dar aos nossos filhos, nos 50 anos da capital, uma perspectiva de vida mais comprometida com os reais valores da cidadania e com o exercício de uma política decente.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
Políticos inelegíveis
“Os políticos que forem expulsos de seus partidos neste momento ficam impossibilitados de concorrer às eleições de 2010.Quem for expulso agora ficará sem legenda e não há mais prazo para fazer a filiação, já estamos a menos de um ano das eleições. Embora permaneçam com o direito político, já estão inelegíveis”,

Luís Carlos Alcoforado, advogado especialista em legislação eleitoral, se referindo ao Artigo 9, da Lei nº 9.504, de 1997, que define que, para concorrer às eleições, o candidato deve estar com a filiação deferida pelo partido pelo menos um ano antes do pleito eleitoral.

Pior do que ver toda essa corrupção é ver o nome de Deus envolvido nisso, o descaramente de alguns extrapola minha compreensão. É triste ver pessoas que se julgam “separadas” se deixar levar pela ganância. Como Cristão sinto-me envergonhado ao ver três “evangélicos” nessa situação: Brunelli, Eurides Brito e Leonardo Prudente!!Sem falar em Benedito Domingos que não aparece até o momento nas filmagens, mas é citado!

Presidente do PSC condena “oração da propina” de Brunelli

Publicação: 30/11/2009 12:18 Atualização: 30/11/2009 12:58

Recém-empossado presidente do Partido Social Cristão (PSC), o senador Mão Santa (PI) recebeu com indignação as informações sobre as imagens do deputado distrital de seu partido, Rubens César Brunelli, recebendo dinheiro de um suposto esquema de

“Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas o seu sangue nos purifica”, diz o distrital. A oração dura cerca de dois minutos. Nela, Brunelli pede ainda “cobertura contra as investidas de homens malígnos contra a vida de Durval”. O vídeo foi divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo.

O senador Mão Santa regiu: “Ele está onde não deveria estar. Nosso partido é de Cristo. Ele conhece a bíblia. Não sabe que o oitavo mandamento de Deus é não roubar?”. O presidente do partido diz que vai cobrar punição não só no PSC, mas também aos integrantes de outras legendas citadas no esquema, caso haja comprovação.

A assessoria do deputado Rubens Brunelli disse que ele estava de licença médica, só retornou hoje para Brasília e espera tomar conhecimento de todo o processo para se pronunciar.

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Arquivado em Política

Se na paz a missão que nós temos…

Recebi um comentário de um blogueiro, ex-policial e professor que conheci a pouco tempo, mas que já respeitava há muito, e gostaria de compartilhar com os leitores desse blog. O curriculum desse professor me impressiona e conhecê-lo na situação que conheci me deixa super feliz, pois ele orientava um trabalho, que utilizava meu livro como base.
Ser reconhecido por ele (como blogueiro, pesquisador e escritor) e debater alguns temas, voltados para segurança pública, dentro da Academia de Polícia, com ele, mesmo em um pequeno espaço de tempo foi muito enriquecedor para mim! Saber que ele é um leitor do blog aumenta minha responsabilidade (quando eu voltar a escrever sobre segurança pública…rss).

Agora falando sério, percebe-se nesse texto como nós brasileiros não valorizamos aqueles que sacrificam suas vidas para proteger uma sociedade alienada e omissa nas questões voltadas para segurança pública…

Traduzido e adaptado por George Felipe de Lima Dantas, em preito de gratidão aos milhares de policiais brasileiros, tombados em serviço, e que ao contrário do restante do mundo, permanecem não contados e esquecidos pela Nação Brasileira por que deram a vida.

Últimas Notícias da Polícia Metropolitana da Londred/ Bulletin 0000001547/Boletim 0000001547/26 — November 2009

Serviço Memorial Anual do Serviço da Polícia Metropolitana de Londres

O Sétimo Serviço Memorial Anual do Serviço de Polícia Metropolitana de Londres aconteceu cedo no dia de hoje (26 de Novembro) no Jardim memorial situado nas cercanias do Herndon Training College.
O serviço oferece uma oportunidade às famílias, amigos e colegas de celebrarem as vidas de mais de 650 policiais e funcionários civis que morreram em serviço desde que o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres foi fundado mais de 180 anos atrás.
O Comissário “Sir” Paul Stephenson e o Prefeito de Londres Boris Johnson estavam entre os presentes e que reunidos “pagaram seus respeitos”.
O serviço foi constituindo essencialmente por pronunciamentos feitos pelo Comissário e por Boris Johnson, seguido de palavras do Capelão Sênior da instituição, Reverendo Barry Wright.
O Comissário e o Prefeito depositaram coroas de flores no memorial, foi soado o toque de silencio e observado um minuto de silencio.
Famílias, amigos e colegas dos que foram relembrados também foram convidados a depositar flores sobre o memorial.
O Comissário “Sir” Paul Stephenson declarou: “Hoje somos lembrados dos perigos que policiais enfrentam todo dia e a coragem e desprendimento que demonstram em escolher servir sua comunidade a despeito desses mesmos perigos. Não podemos nunca esquecer esses homens e mulheres que tombaram com suas vidas em serviço desprendido ao povo de Londres. Ouvir suas histórias e considerar o sacrifício que eles e suas famílias fizeram nos faz sentir incrivelmente humildes diante deles. Londres permanece uma grande e segura cidade graças e eles”.
O Prefeito de Londres, Boris Johnson declarou: “Esta é verdadeiramente uma ocasião para expressar nossa humildade e uma oportunidade para declarar o maior respeito e admiração que mantemos por esses policiais da Polícia Metropolitana que fizeram o maior de todos os sacrifícios no cumprimento do dever. Existem apenas poucas outras profissões em que tanto seja demandado de seus praticantes. Existem milhares de homens e mulheres no serviço policial que enfrentam deliberadamente o perigo, enquanto outros fugiriam dele. Dedicação como essa, e demonstrada diuturnamente, é algo verdadeiramente inspirador, sem a qual esta cidade esta cidade seria um lugar pobre”.
Um Livro de Lembranças assinado e dedicado por Sua Majestade a Rainha, em 2001, ficou exposto para que parentes vissem os registros constantes em nome de seus entes queridos.
Bulletin 0000001547/Boletim 0000001547 26 November 2009

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Arquivado em polícia militar

Norma de conduta: Já pensou se virar moda?

Mais uma vez usarei reportagem do Correio Braziliense para uma pequena reflexão no blog…

Nós militares seguimos normas de condutas criadas há séculos. Nossas leis seguem modelos criados no império. Às vezes fico imaginando se elas fossem inventadas nos dias de hoje…
Não sou contra regras, sou contra regras absurdas, atemporais, que não acrescentam nada a adminstração…

Acho que eu sei de onde copiaram as normas de conduta abaixo… Poderiam chamá-las de regulamento disciplinar do Metrô…

Metrô decide cancelar código de conduta

Publicação: 25/11/2009 11:55 Atualização: 25/11/2009 12:33

A Companhia Metropolitana do Distrito Federal (Metrô-DF) cancelou, na manhã desta quarta-feira (25/11), o código de conduta que tem gerado polêmica desde a última sexta-feira (20/11), quando foi publicado. De acordo com a Assessoria de Imprensa do órgão, a decisão foi motivada pela repercussão errada que as normas tomaram.

De acordo com o Metrô-DF, a intenção não era agredir a liberdade dos funcionários. A preocupação, ao contrário, ia além da boa aparência para atendimento ao público. Relacionava-se com a segurança dos empregados.

Os funcionários recebem, hoje, a decisão por meio do site interno do órgão. Além disso, o cancelamento será divulgado em todos os departamentos da Companhia.

Saiba mais…

No documento, havia uma série de procedimentos operacionais a serem adotados pelos empregados. Os trabalhadores não poderiam pintar o cabelo em tom diferente do natural. Usar piercings, brincos grandes, pulseiras, alargadores na orelha e unhas muito longas, nem pensar.

Os homens estariam proibidos, caso o documento continuasse valendo, de ter cabelos longos e as mulheres de usá-los soltos. Além disso, a barba deveria estar sempre feita. Exibir bijuterias ou joias “extravagantes” também estaria proibido. Caso não respeitasse as medidas, o funcionário público poderia ser alvo de um processo administrativo.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/

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Arquivado em Perfil profissiográfico, polícia comunitária

A droga do Crack!!

Normalmente critico a mídia, principalmente o Correio Braziliense, mas hoje irei fazer algo diferente. Vou parabenizá-los pela reportagem sobre o Crack no Brasil.
Há uns dois posts atrás, quando discorri sobre um congresso de juventude, falei sobre a conversa que tive com o Blogueiro André Dutra (aluno de Relações Internacionais) referente ao avanço dessa droga no Brasil.
Lembro-me que há uns cinco anos atrás (meio redundante..rsrs), quando eu dava aulas sobre o tema no Proerd, sempre discorria sobre o “acordo informal” entre os traficantes do DF para evitar o crescimento do Crack em Brasília, já que o mercado era dominado pela Merla produzida nas cidades satélites. Creio que esse acordo acabou. Ele tinha o objetivo de “prorrogar a morte” dos usuários, já que a vida útil do usuário de Crack, naquela época era de aproximadamente dois anos!
Gostei da reportagem e recomendo…quem tiver assinatura do jornal poderá se aprofundar um pouco mais…

A droga que descobriu o Brasil

Antes restrito aos grandes centros urbanos, o crack chega às pequenas cidades. Série de reportagens mostra como a “pedra da morte” se tornou a mais recente tragédia nacional

Publicação: 25/11/2009 08:55 Atualização: 25/11/2009 09:45

O vaivém de pessoas pelas ruas confunde quem chega a Guayaramerín, na fronteira do Brasil com a Bolívia. No porto, às margens do Rio Mamoré, o movimento de passageiros é intenso. Filas são formadas à espera de uma vaga para voltar a Guajará-Mirim, em Rondônia, onde outro tanto de pessoas aguarda a vez de embarcar para o país vizinho. Os barcos lotados, o calor intenso e o perigo na travessia não impedem que mais de mil brasileiros cruzem diariamente a divisa para ir às compras. A muamba é o comércio que pode ser visto. Mas ali há outro, oculto e ainda mais lucrativo. A região Norte é uma das rotas de entrada da pasta de cocaína, a substância que, refinada no Centro-Oeste e no Sudeste, dá origem ao crack. A droga, antes vista apenas nos centros urbanos, invade o interior do país. Chega de Norte a Sul, onde as autoridades já tratam o tema como epidemia, um problema grave de saúde pública. A mais recente tragédia brasileira é uma pedra comprada por R$ 5 e consumida por ricos e pobres. Para revelar as histórias que envolvem o crack — a pedra da morte — desde a entrada no país até o vício devastador, 10 repórteres do Correio, do Estado de Minas e do Diario de Pernambuco percorreram 6.792km. Equipes de jornalistas estiveram no Plano Piloto, nas regiões administrativas do Distrito Federal, nos municípios das fronteiras do Norte e do Centro-Oeste, e nas capitais e nos interiores gaúchos, paulistas, mineiros e pernambucanos.

A invasão nos municípios do interior
Renata Mariz

Pradópolis (SP) — Tudo no crack vem carregado de uma velocidade vertiginosa. O efeito no cérebro, a fissura por mais um cachimbo, a transformação de corpos saudáveis em figuras esqueléticas, o despudor de roubar para aquietar o vício. No mesmo ritmo acelerado com que fabrica indigentes e criminosos, esfacela famílias e mata, a pedra elaborada dos restos da cocaína chega aos grotões do país. Difícil imaginar, há 20 anos, época dos primeiros relatos de uso do crack entre meninos de rua no centro de São Paulo, que a droga ganharia cidades minúsculas, atingiria aldeias indígenas, escravizaria trabalhadores de zonas rurais. Ao embarcar no pau de arara saindo do Maranhão, com a roupa do corpo e esperança de uma vida melhor, Saulo* também desconhecia a existência do que ele chama de “demônio”.

O homem pardo, com um rascunho de tatuagem no braço esquerdo e dentes deteriorados chegou a Barrinha, distante cerca de 35km de Ribeirão Preto (SP), com o intuito de trabalhar na lavoura de cana, há cinco anos. Faz três anos que ele foi apresentado ao crack por um amigo, também migrante. Com ganhos proporcionais à produtividade, variando entre R$ 0,20 e R$ 0,32 por metro de cana cortada, Saulo conta que a pedra o ajuda a ter mais disposição. “Mas nem todo mundo gosta de fumar na hora do serviço. Depois de voltar do trabalho é que o pessoal usa mais”, explica o maranhense de 28 anos que consegue receber mensalmente entre R$ 500 e R$ 700, dos quais metade serve para comprar a droga. “É um demônio, uma coisa sem explicação.”

Para Marcelo*, também de 28 anos, o crack se mistura com a própria vida. Ex-cortador de cana em Sertãozinho, outra cidade que gira em torno das usinas de açúcar e álcool no interior paulista, o jovem passou da maconha e cocaína para o crack. Começou a roubar bicicletas e carros para comprar a droga, chegou a ser preso. Hoje, perambula pela cidade de Pradópolis, cuja população estimada fica em torno de 15 mil habitantes, à espera de uma oportunidade de fumar. “Faço um corre pra um aqui, pra outro ali. Muita gente chega na praça sem saber onde comprar, sem ter o esquema, aí eu levo na boca ou vou buscar pro sujeito. Conseguindo 10 reais, eu já garanto uma pedra”, conta o rapaz de olhos azuis.

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Mais um companheiro assassinado!!

É, amigos leitores não se trata de um post antigo. Semana passada utilizei esse título para discorrer sobre o colega assassinado a mando da própria esposa. Hoje retorno ao tema…, mas antes quero fazer um breve discurso…
Sempre falo em meus textos sobre aprender a lidar com nossos vazios, medos e frustrações, mas até hoje não aprendi a lidar com isso…
Pela manhã estive no Campo da Esperança (cemitério de Brasília) onde enterramos um amigo de infância. Crescemos juntos, mas trilhamos caminhos diferentes. Ele se entregou a bebida, desistiu de viver…Por diversas vezes o busquei, tentando se matar. Ontem morreu atropelado, o motorista fugiu…
Estou contando essa história para falar de um de meus medos. Todas as vezes que saio para o atendimento de uma ocorrência envolvendo vítimas, fico preocupado em chegar no local e encontrar um amigo. Sei que esse é o medo de muitos e foi o que aconteceu, não comigo, mas com outro policial amigo meu que também era amigo do Maurício. Chegando no local ele teve que agir como em uma ocorrência normal. Ligou para a família e deu a notícia.
Hoje pela manhã esse mesmo policial, no enterro de nosso amigo, me deu a notícia do falecimento de um companheiro de farda: o soldado Gildésio.
O amigo de cima, o Maurício, desistiu de viver, já o Gildésio era pura alegria. Vivia rindo, brincava com tudo…
Assim como o Vinícius, que também era do 3º BPM e faleceu em situação semelhante, era pura felicidade…
Hoje vi muito choro, muita tristeza, mas aprendi muita coisa. O caminho entre a capela e o túmulo me fez refletir bastante sobre minhas escolhas e daqueles que estão a minha volta. Fez-me reconhecer minhas fraquezas e limitações, pois iremos todos para o mesmo lugar…
Percebi o que Salomão queria dizer ao afirmar que é melhor ir a um velório que a um banquete. Lá vemos o fim de todos nesse mundo!!

NOTA DE FALECIMENTO
23/11/2009 11:55:00

É com pesar que a Polícia Militar do Distrito Federal informa o falecimento do soldado Gildesio José dos Santos, matrícula 20593/1, lotado no 9º BPM (Gama).

O policial militar foi vítima de latrocínio na noite deste domingo (22/11) quando assistia a um jogo de futebol num bar na Qd. 05 do Setor Sul do Gama.

Segundo informações preliminares dois homens entraram no bar e um deles sacou uma arma de fogo e efetuou cerca de 11 disparos contra o soldado que ainda teve a arma roubada. Ele foi socorrido ao Hospital Regional do Gama mas não resistiu aos ferimentos.

O policial militar tinha 35 anos e deixa esposa e dois filhos. Informações sobre o sepultamento serão divulgadas posteriormente.

Posteriormente mais informações.

Para reflexão:

Houve uma vez dois amigos

Eles eram inseparáveis, eram uma só alma. Por alguma razão seus caminhos tomaram dois rumos distintos e se separaram.
E ISTO INICIOU ASSIM:
Eu nunca voltei a saber do meu amigo até o dia de ontem, depois de 10 anos, que caminhando pela rua me encontrei com a mãe dele.. A comprimentei e perguntei por meu amigo. Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas e me olhou nos olhos dizendo: morreu ontem… Não soube que dizer, ela seguia me olhando e perguntei como ele tinha morrido.
Ela me convidou a ir a sua casa, ao chegar ali me chamou para sentar na velha sala onde passei grande parte de minha vida, sempre brincávamos ali meu amigo e eu. Me sentei e ela começou a contar-me a triste historia. Faz 2 anos diagnosticaram uma rara enfermidade, e sua cura dependia de receber todo mês uma transfusão de sangue durante 3 meses, mas….Recorda que seu sangue era muito raro, Sim, eu sei, igual ao seu…
Estivemos buscando doadores e por fim encontramos a um senhor mendigo.
Teu amigo, como deves te lembrar, era muito cabeça dura, não quiz receber o sangue do mendigo. Ele dizia que da única pessoa que receberia sangue seria de ti, mas não quiz que te procurásse, ele dizia todas as noites: não o procurem, tenho certeza que amanhã ele virá… Assim passaram os meses, e todas as noites se sentava nessa mesma cadeira onde estás sentado e orava para que te lembrastes dele e viesse na manhã seguinte. Assim acabou sua vida e na última noite de sua vida, estava muito mal, e sorrindo me disse: mãe, eu sei que logo meu amigo virá, pergunta pra ele por que demorou tanto e entrega a ele esse bilhete que está na minha gaveta.
A senhora se levantou, regressou e me entregou o bilhete que dezia:
Meu amigo, sabia que viria, tardaste um pouco mas não importa, o importante é que vieste. Agora estou te esperando em outro lugar espero que demores a chegar aqui, mas enquanto isso quero dizer deste céu tem um amigo cuidando de ti meu querido e melhor amigo. Ah, por certo, te recordas porquê nós nos distanciamos? Sim, foi porque não quiz te emprestar minha bola nova, rsrs, que tempos… éramos insuportáveis, bom pois quero dizer que te dou ela de presente e espero que goste muito. Amo você: teu amigo para sempre

‘Não deixes que teu orgulho possa mais que teu coração…
A amizade é como o mar, se vê o princípio mas não o final’

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Arquivado em Aderivaldo, polícia militar