Arquivo da categoria: policiamento comunitário

Câmeras de vigilância: são realmente importantes na segurança pública?

Confesso que hoje falaria de outro assunto. Iria falar sobre eficiência, eficácia e efetividade das ações policiais, tendo como base os anseios da comunidade. Iria discorrer, lógico que dentro do meu ponto de vista, do porquê a Polícia Militar do DF tem cada vez menos efetivo e tem “produzido” cada vez mais. Iria falar de um dos Princípios de Pareto, em que “menos é mais”.  Só que ao ler a manchete do Jornal Correio Braziliense de hoje: “O BBB ESTÁ MÍOPE“, reportagem da queridíssima Isa Stacciarini, mudei de ideia.

A página 19, do Caderno Cidades, do jornal do dia 09/01/2018 (terça-feira), trouxe o tema: “Câmeras que não veem“. A chamada afirma que “a capital que chegou a ser chamada de Big Brother Brasília, em 2014, graças a um moderno sistema de monitoramento eletrônico, hoje enfrenta o sucateamento e a falta de instalação de novos equipamentos.” No Correio Eletrônico leia a matéria com o título: “Das 453 Câmeras de vigilância no DF, apenas 70 estão funcionando.”

O tema é interessante porque no mesmo jornal datado de 06/01/2018 (sábado) o Secretário de Segurança fez o seguinte comentário: “Quando se trabalha o policiamento integrado e estratégico, com uso de tecnologias e estatísticas para direcionar as atividades, a criminalidade cai e paralelamente o bem-estar da população aumenta. É isso que vem acontecendo nos últimos anos.”

Ao ler as aspas do Secretário a primeira pergunta que veio a minha mente foi: quais tecnologias? Nosso sonho sempre foi a unificação de bancos de dados das polícias, o que realmente traria bons resultados, mas infelizmente perdemos a batalha. Fiz tal pergunta porque sei da capacidade do Prof. Marcelo Durante e sua equipe, no que diz respeito aos indicadores de segurança pública e das tabelas que constituem as estatísticas oficias, afinal fui seu aluno e conheço grande parte da equipe que atua na SSP, não mudou muito de quando estive lá.

Voltando as Câmeras, me lembro bem que no início de 2015, quando eu era Assessor Especial de Gabinete, e levamos um susto quando nos deparamos, na parte lateral do Detran, em um estacionamento aos fundos, com uma grande quantidade de caixas deteriorando com o passar do tempo. Para nossa surpresa tratava-se de várias câmeras  de vigilância que deveriam ser colocadas em funcionamento na época da copa do mundo. Além disso, existia uma grande pressão por parte da empresa responsável pela manutenção dos equipamentos, mas voltemos a reportagem…

A matéria nos mostra a memória de tal discussão, que remonta ao ano 2000 seu início. De lá para cá vários governos passaram. “As câmaras de vídeo e os equipamentos eletrônicos espalhados pelo DF deram o título de Big Brother Brasília à capital federal” era um dos títulos de uma matéria de 2004 que mostrava que, à época, era tanta vigilância que a Secretaria de Segurança Pública informou que não tinha estimativa de quantas câmeras existiam na capital federal. Fato que demonstra a veracidade da fala do Prof. George Felipe Dantas que afirmou que “parece que existem problemas de gestão que impendem que essa ferramenta importante seja de fato implementada.” Fato semelhante ocorreu com o projeto dos Postos Comunitários de Segurança Publica, que foi contemporâneo da evolução das câmeras no DF, tanto é que se dizia que cada posto teria uma câmera que iria monitorar uma parte da região ao seu redor. Infelizmente dinheiro do contribuinte sendo jogado no lixo.

Segundo o Correio “fevereiro de 2012, 37 câmeras começaram a funcionar no coração de Brasília. O projeto fazia parte de uma iniciativa maior do Governo do Distrito Federal, em parceria com o Governo Federal, que pretendia instalar 900 câmeras no prazo de quatro anos.” Ainda segundo a matéria “no primeiro momento, o investimento foi de R$ 790 mil, incluindo a instalação e a montagem da central de monitoramento. Todo o projeto ficou orçado em R$ 18 milhões.” Além do Plano Piloto, 17 regiões administrativas ficariam sob monitoramento, como Taguatinga, Ceilândia e Sobradinho. A expectativa era chegar em 2013, para a Copa das Confederações, com quase 100% das 900 câmeras instaladas. O que aconteceu? Alguém será responsabilizado? E o Ministério Público como fiscal do Estado?

O grande problema das políticas públicas, principalmente de segurança pública e saúde pública, é que elas não existem. Muita coisa é feita com base no achismo. Outras são de má fé mesmo, pois ao invés do responsável pelo projeto perguntar: como essa política vai beneficiar a população? A pergunta que se faz é: Como irei me beneficiar com essa compra? Quantos por cento irei ganhar? A corrupção e a omissão, que não deixa de ser um tipo de corrupção, não estão deixando nosso país andar. Os gestores que avalizam tais projetos deveriam ser responsabilizados e condenados a devolver o dinheiro público. Regras mais rígidas para o controle dos recursos públicos deveriam ser implementadas.

O lobby nas áreas de segurança pública e saúde pública são muito grandes. Empresas de tecnologia sobrevoam as secretarias como “urubus procurando carniça”. Quem esteve nos bastidores saberá bem do que estou falando. Não dá mais para ficarmos de olhos vendados vendo o “teatro” do “faz de conta” nos serviços públicos. Governos passam, as polícias permanecem e pagam um preço alto por causa de gafanhotos políticos (agentes transitórios) que destroem tudo por onde passam, comendo o dinheiro público e deixando os estragos para que os “agentes permanentes” paguem o preço da incompetência estatal. Não sou contra  a tecnologia na segurança pública, sou contra projetos mirabolantes que derramam pelo ralo o dinheiro público que poderiam, por exemplo, ser investido nos profissionais que sustentam o estado evitando que ele caia de uma vez.

Um prática que precisa ser banida da segurança pública é aquela em que empresas dão “amostra grátis” de seus produtos. Os governantes fazem propaganda como se estivessem lançando um grande pacote de bondades, mas depois não contratam as empresas, por diversos motivos, e tais “amostras” são retiradas de uma hora para outra. Vi isso acontecer várias vezes em vários níveis do serviço público e até mesmo em condomínios privados. Em setembro de 2013 fiz as mesmas indagações.  É algo que somente contribui para a proliferação da corrupção e para o péssimo serviço público em nosso país. Somos todos responsáveis pela melhoria da segurança pública.

cameras_seg_diversas

Por Aderivaldo Cardoso – Jornalista – Especialista em Segurança Pública e Cidadania – Pós graduado em Segurança Pública e Cidadania pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília. Autor do Livro: Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários de Segurança Pública e Cidadania –  Editora MG – 2011 – Ex-Assessor Especial de Gabinete da SSPDF e ex-Assessor Especial de Comunicação da Assessoria de Comunicação Social da SSPDF.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Aderivaldo, polícia comunitária, Política, policiamento comunitário, reestruturação das polícias, Reflexão, segurança pública

As estatísticas da Secretaria de Segurança pública do DF são confiáveis?

No dia 06/01/2018 (sexta-feira) publiquei um texto cujo título foi: Mortes violentas no Brasil: uma bomba atômica por ano. O interessante é que no Jornal Correio Braziliense de ontem, sábado (07/01), pág. 17, do caderno cidades, nos deparamos com uma matéria que dialoga com o que escrevemos: “Caem números de assassinatos no DF“, que também encontramos na página do Jornal Correio Braziliense na internet com o título: DF registra o menor número de assassinatos dos últimos 15 anos.  Ao ler a matéria alguns números chamaram minha atenção.

Um ponto que me ligou o botão de alerta foi a grande divergência entre os números apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e os dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social em seu site. Após isso uma dúvida surgiu em minha mente: podemos confiar nos números “oficiais” apresentados pela Secretaria de Segurança Pública do DF?

Mortes violentas intencionais 22Fonte: Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social

Não temos dúvidas de que as mortes no DF estão reduzindo, isso é fato, mas queremos compreender por que tamanha divergência nos dados oficiais apresentados, já que o próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública trabalha com dados das secretarias estaduais. Vejamos:

Mortes violentas intencionais 2

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

A matéria do Jornal Correio Braziliense diz ter obtido “dados” públicos “com exclusividade” do mais “recente balanço criminal da Secretaria de Segurança Pública do DF,” que ainda deve ser apresentado ao resto da imprensa e da população. Nos números apresentados tivemos em 2016: Um total de 591 homicídios, 44 latrocínios e 5 mortes em decorrência de lesão corporal, o que nos dá 640 mortes no DF, ou crimes violentos letais intencionais (CVLI). Pelos dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na tabela acima, foram 659 mortes violentas intencionais no ano de 2016, uma taxa de 22,1 mortes para cada 100 mil habitantes. Conforme o Correio, em sua reportagem, em  2017 tivemos: 498 homicídios, 36 latrocínios e 5 mortes resultantes de lesão corporal, o que totaliza 539 mortes resultantes de crimes violentos letais e intencionais no DF, nesse último caso, ainda não temos dados do FBSP para comparar. Não precisa ser estatístico para verificar as divergências dos números apresentados nas tabelas acima.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública em seu site: “Desde 2015, com a implantação da política de segurança pública do Viva Brasília – Nosso Pacto pela Vida, os índices criminais são divulgados exclusivamente pela SSP-DF, no site institucional, cumprindo o compromisso da prestação de contas à população. Os números são compilados em recorte mensal e anual, ficando disponíveis sempre no início de cada mês. Há também divulgações por meio de coletivas de imprensa que têm o intuito de levar a informação oficial ainda de forma mais clara à comunidade, não ocorrendo necessariamente todos meses.” Ao verificar o site percebemos que atualização dos dados estatísticos de 2017 foi feita apenas até o mês de Setembro,  o que dificulta uma melhor análise de nossa parte.

Ainda existem outros alertas  no site da SSPDF: “A coleta e a divulgação de um dado estatístico não são tão simples. Há sucessivas etapas de análise e qualificação que vão desde a identificação do crime, a notificação do fato às autoridades policiais, até o registro do boletim de ocorrência e o enquadramento do fato.”

Tendo como base as orientações contidas no site da Secretaria de Segurança pública do DF, e a responsabilidade que temos com a Segurança pública, em especial na divulgação de dados estatísticos, procuramos comparar com dados semelhantes e de idoneidade comprovada. Se observarmos detalhadamente, no final, todos os dados apresentados aqui têm como fonte primária a SSPDF.

“Utilizar números estatísticos requer análise e compreensão de quem os obtém, sendo assim, é preciso ter prudência já que ao utilizá-los de forma equivocada pode resultar até mesmo em um desserviço à população. Saber a diferença de um número absoluto para números relativos (índice por grupo de 100 mil pessoas) e a correta comparação de percentuais são algumas considerações a se fazer pela área estatística desta Secretaria para não haver a má interpretação dos indicadores criminais.”

Sobre as fonte de dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)  eles afirmam em seu site que: “Os apresentados aqui foram compilados a partir das edições dos Anuários do FBSP, que utiliza fontes oficiais dos órgãos públicos responsáveis. Para detalhes das fontes, consulte as tabelas de metadados na seção específica.”

Ainda sobre o FBSP encontramos a seguinte explanação: “A fonte para os números absolutos de ocorrências são aquelas coletadas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP).  O ABSP sempre utiliza fontes oficiais para os dados de ocorrência a partir da Secretaria de Estado responsável em cada UF, que pode ser a Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Defesa Social ou afim. Em alguns anos foram utilizados dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública – Sinesp, da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, com retificações por parte de alguns estados (2010, 2011 e 2012).”

O primeiro ponto importante a ser observado é que no Distrito Federal a preocupação é com o número de Homicídios, mero tipo penal, já discutimos o assunto aqui no blog, enquanto deveriam se preocupar com o número de mortes em decorrência de crimes violentos letais e intencionais. Sendo assim, o número de mortes será sempre maior em decorrência de incidências criminais do que o “puro homicídio”. No final, os percentuais não alteram muito, mas o foco preventivo sim.

Neste ponto, já nos deparamos com a primeira divergência nos números apresentados pela SSPDF. Enquanto a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social  está preocupada em demonstrar a redução de homicídios, a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública é mais ampla, conforme consta em seu site oficial:

Mortes violentas intencionais
Essa categoria visa a ser um indicador de mortes violentas intencionais que torne comparáveis os dados entre as diversas unidades da federação. A categoria agrega as ocorrências de homicídio doloso (número de vítimas), latrocínio, lesão corporal seguida de morte, vitimização policial e Mortes Decorrentes de Intervenção Policial. Todas as ocorrências que poderiam ser contadas dentro de homicídios foram desagregadas em cada UF e depois agregadas novamente segundo um mesmo critério, tornando os dados os mais estandardizados possível.

Diante da explanação, esperamos que a Secretaria de Segurança Púbica e da Paz Social reveja sua metodologia e passe a verificar e divulgar o número de mortes em decorrência da criminalidade como um todo e não somente o número de homicídios, que por diversos fatores tende a diminuir ainda mais, migrando para outros tipos penais de mortes.

Por Aderivaldo Cardoso – Jornalista – Especialista em Segurança Pública e Cidadania – Pós graduado em Segurança Pública e Cidadania pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília. Autor do Livro: Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários de Segurança Pública e Cidadania –  Editora MG – 2011 – Ex-Assessor Especial de Gabinete da SSPDF e ex-Assessor Especial de Comunicação da Assessoria de Comunicação Social da SSPDF.

1 comentário

Arquivado em Aderivaldo, Política, policiamento comunitário, segurança pública

Crimes de opinião versus crimes contra o cidadão nas corporações policiais

A relação entre as polícias e a comunidade tem sido objeto de debate nas sociedades democráticas. As instituições policiais, segundo Bayley (1975) – estudioso do tema, são aquelas organizações destinadas ao controle social com autorização para utilizar a força, caso necessário. Confesso que sempre tentei entender o tal do “monopólio do uso da força”, especialmente nos dias atuais.

Quando analisamos as polícias nos regimes democráticos, percebemos que a atividade policial requer um equilíbrio entre o uso da força e o respeito aos direitos individuais. Assim, podemos afirmar que a especificidade da atividade policial nos regimes democráticos é a necessidade de limitar e administrar o uso da força legal, sem abrir mão de suas prerrogativas de controle social. E quando ouço falar de “uso da força legal”, poderia ampliar para as “forças simbólicas internas”, inclusive nas questões de cunho administrativo. Por isso, em alguns casos, defendi o controle de constitucionalidade externo do Ministério Público nas sindicâncias nas polícias, sejam elas militares ou civis.

Nos últimos anos, diversos países têm enfrentado o desafio de limitar e controlar o uso da força legal. Basicamente, os esforços se concentraram, segundo trabalhos realizados pela minha ex-professora: Maria Stela Grossi Porto,  da Universidade de Brasília, em especial, sobre Condutas Policiais e Códigos de Deontologia, na criação de mecanismos institucionais de responsabilização e controle da atividade policial.

Entretanto, segunda Stela Grossi, a qualidade e eficácia desses mecanismos, que visam a inibir a violência policial, são questões ainda pouco problematizadas tanto no interior das próprias polícias quanto fora delas, pelos pesquisadores. Além de fatores internos à organização policial, a análise e a compreensão de tais questões passam, igualmente, pelas relações entre polícia e sociedade.

Neste sentido, alguns estudos internacionais buscaram entender os padrões de relacionamento entre a polícia e a sociedade (Bayley, 1994; Geller e Toch, 1996, Skolnick e Fyfe, 1993; Monjardet, 2003), e dois temas têm sido destacados: as formas de reforçar os vínculos entre a polícia e a comunidade e a necessidade de controlar a atividade das polícias.

Após ler alguns estudos, surgiu o interesse de minha parte em me aprofundar neles, quem sabe por meio de um mestrado, tenho refletido sobre minha própria experiência de “punições” por publicações aqui no Blog e em minha página pessoal no facebook, onde de forma muitas vezes arbitrárias tenho sido punido e recorrido a justiça.

Tais punições e estudos sobre a violência policial tem me instigado a investigar boletins internos e do comando para produzir um trabalho sobre o foco da corporação no controle de seus membros e a legitimação da violência institucional. Neste caso, o reforço institucional da violência, em procedimentos administrativos /IPM`s, assim como nas páginas da corporação do Ethos guerreiro, ao cultuar os grupos táticos e os perfis policiais de caráter mais “armamentistas”.

Tenho me aprofundado sobre a dosimetria das punições, em especial se ela existe, ou se ela é totalmente subjetiva, ao bel prazer dos julgadores. O interesse veio após ver artigos do RDE semelhantes com punições totalmente diferentes. Minha pretensão é comparar as punições de caráter político/ideológico, que chamo de “crimes de opinião” na corporação, com os crimes de violência policial contra o cidadão e chegar a uma conclusão.

A primeira que quero avaliar é se a violência é legitimada institucionalmente e a segunda é aferir até que ponto existe uma proporcionalidade entre as punições de “crimes” e “transgressões disciplinares” de atos violentos e os “crimes e transgressões” de opiniões de policiais. Avaliar se existe dosimetria da “pena” e quais punições seriam adequadas aos julgadores que ferirem princípios constitucionais como por exemplo o princípio da proporcionalidade e da impessoalidade.

Além disso, até que ponto tais punições não ferem direitos individuais e portanto ferem direitos humanos, convenções e tratados nacionais e internacionais, como já ocorreu no passado, e com tudo isso, a possibilidade de poder ser revertido em danos morais  aqueles que sofreram tais perseguições e ainda sofrem dentro da Corporação. O controle externo do Ministério Público e de órgãos internacionais é fundamental neste momento. As corporações policiais precisam mudar, em especial, na adequação ao Estado Democrático de Direito e suas regras.

Para compreender melhor o tema discutido aqui sugiro duas leituras: Condutas policiais e Códigos de Deontologia, dos meus ex-professores: Arthur Trindade Maranhão Costa e Maria Stela Grossi Porto e o Livro de outro amigo, o Advogado Dr Victor Minervino Quintiere, que inclusive me ajudou a ser absolvido em um IPM por publicação aqui no blog: Intimidade vs. Liberdade de expressão: Os critérios axiológicos na jurisdição constitucional brasileira.

Liberdade de expresão

Deixe um comentário

Arquivado em Aderivaldo, Perfil profissiográfico, Política, policiamento inteligente, Reflexão

Policiamento Inteligente, aparece no google trends, dez anos de discussão

Sempre acreditei que a mudança ocorre do micro para o macro e que ela é gradual. Faltam oito meses para completar dez anos que iniciei o projeto policiamento inteligente, uma “tese política” de mudança de mentalidade dentro das corporações policiais.  Confesso que em alguns momentos me questiono se valeu a pena.

Neste período, vivi várias oscilações, muitas delas impostas por perseguições e pela própria resistência institucional às mudanças e as discussões democráticas, mas tenho sobrevivido. A quebra de paradigma sempre foi o nosso foco.

Confesso também que em alguns momentos pensei em desistir. O tema polícia não é bem visto e os resultados são ínfimos. A mudança é muito lenta, às vezes parece até inexistente.

Só para relembrar, dividi o policiamento inteligente em três fases para atingir a eficiência, eficácia e efetividade das ações policiais, tendo como base os ansiosos da sociedade: a primeira é a fase ideológica, nela é preciso romper com os conceitos da escola superior de guerra, inserindo novos conceitos.

resumo-do-policiamento-inteligente

Sempre digo que é a quebra de preconceito (ou pré-conceito) por meio de novos conceitos, que irão gerar um novo conhecimento, que chamo de “mudança de mentalidade”, essa por vez irá gerar a “desmilitarização cultural”, ou seja, o fim das aberrações dentro de sistema de segurança pública. O que não é fácil, pois a cultura militar é muito arraigada em nosso meio, altamente consolidada nos últimos 200 anos.

mobilizac3a7c3a3o

O primeiro passo para qualquer mudança é a mobilização social. A população precisa ser inserida nas discussões e decisões. Os governantes precisam parar de fazer “teatro” e deve planejar de maneira mais efetiva, colocando em prática por meio de ações reais. É preciso trocar o “marketing político” pela “ação política”.

fase-metodolc3b3gica

Quando falamos em polícia, o assunto ainda é pouco discutido no mundo inteiro. Normalmente nos deparamos apenas com notícias mostrando os erros das forças policiais. A polícia sendo analisando academicamente praticamente inexiste, conforme nos mostra o google trands.

Quando analisamos as discussões voltadas para o termo “polícia militar” percebemos que o trânsito de informações ainda é muito limitado ao Brasil e a alguns países subdesenvolvidos ou desenvolvimento. Em sua maioria de colonização portuguesa.

Como vimos, falar de polícia no mundo ainda é muito limitado. Sobre polícia militar está praticamente restrito ao Brasil, nos últimos cinco anos, neste texto partimos do macro para o micro, pois as questões acabando sendo muito superficiais. O maior interesse sobre polícia militar nos mecanismos de buscas da internet é para o termo “concurso público”, depois que o candidato passa no concurso ele perde o interesse pelo assunto “polícia”.

Quando falamos em busca de eficiência, eficácia e efetividade, ou seja, de um policiamento inteligente, percebemos que somos uma gota no oceano. Após dez anos de discussão sobre o tema começamos a aparecer no mapa mundial do “google trands”, mas ainda limitado ao quadradinho chamado DF, o que pode ser considerado um grande feito. Isso nos dá vontade de continuar a tese política e quiçá um dia colocá-la em prática.

interesse policiamento inteligente brasil mapa

Nossas ideias ainda são um “gota no oceano”, mas já estão surtindo efeito. O termo começa a ganhar visibilidade no Brasil, mas ainda está 100% limitada ao DF, mas como afirmamos no início do texto, acredito que a mudança ocorrerá do micro para o macro. A mudança começa de nós, para nossa casa, nossa rua, nossa quadra, nossa cidade, nosso país e quiça no mundo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe um comentário

Arquivado em Política, policiamento inteligente

Idosa emociona policiais da Estrutural com presente de natal

sgto-750x577

Dois policiais militares da Estrutural foram surpreendidos, na manhã deste sábado (10/12), com um presente de natal pra lá de especial. Dona Arlinda, 69 anos, fez questão de entregar dois perfumes para os militares, que a ajudaram a pagar uma dívida.

A idosa faz o que pode para complementar a renda da família que reside na Estrutural. No entanto, na última semana, ela precisou recorrer à ajuda da Polícia Militar e tentou registrar uma ocorrência.

Isso porque uma das vizinhas deixou de pagar R$ 84 por mercadorias adquiridas. Sem saber a quem recorrer, a idosa, mesmo com problema nas pernas, atravessou a região para buscar apoio no posto policial. A ajuda que dona Arlinda esperava acabou chegando em dobro.

“A situação dela era complicada porque não podíamos fazer muita coisa no âmbito legal, mas ao mesmo tempo ficamos sensibilizados pela situação financeira e, principalmente pela força de vontade que ela tem”, explicou o sargento Aderivaldo Cardoso (foto em destaque).

Para tentar resolver o caso, o policial pegou o telefone da vizinha para tentar convencê-la a pagar a dívida. “Liguei, mas ninguém atendeu. No dia seguinte, eu e meu colega, o sargento Wailant, seguimos preocupados. A empresa que fornece os produtos para a revenda estava cobrando juros e, como o dinheiro não foi repassado, ela não pôde retirar as novas mercadorias”, ressaltou o policial.

Diante da situação, os policiais arrecadaram uma quantia em dinheiro e entregaram para a dona Arlinda. Agradecida, a idosa pagou a dívida e, com a quantia que sobrou, comprou dois perfumes para os sargentos. Presentes que ela fez questão de entregar em mãos. “Ela foi tão cuidadosa que, mesmo sem saber escrever, gravou nossos nomes e pediu para a neta fazer um cartão. Esse carinho nos deixou emocionados”, finalizou o PM.

natal

Fonte: Site Metrópoles (Veja a matéria clicando aqui)

Deixe um comentário

Arquivado em policiamento comunitário