Arquivo do mês: julho 2012

Pai, polícia – Por Talita Virgínia

Durante anos, tive medo do meu pai. Usava minha mãe como intermediária para falar com ele, para pedir alguma coisa. O curioso é que meu pai é um sujeito tranquilo, gosta de bicho, de natureza e é muito religioso. O trabalho dele é que é violento. Por isso, o associei à farda, à arma. Eu tinha medo do meu pai fardado.

Talvez o jeito de ser dele e o seu temperamento expliquem por que depois de trinta anos de serviço na Polícia Militar, tenha se aposentado como um simples soldado. Meu pai não pôde estudar quando era moço. Como não se saía bem nos testes, e nunca teve uma rede de conhecidos dentro da polícia, não conseguiu promoções. Chegou a fazer parte da Rota, a tropa de choque, que dava prestígio e não dinheiro. Mas ficou pouco, não se adaptou. A Rota é violenta, e quem já está nela faz de tudo para que os aspirantes desistam. O filme Tropa de Elite retrata bem isso.

Violência me assusta, mas a morte não me impressiona. Ver gente morta não é nada de extraordinário nos bairros onde moramos, e o fato de meu pai ser da polícia teve pouco a ver com isso. O Parque Pirajussara, perto de Embu, onde minha família mora atualmente, é um lugar perigoso. Uma vez, assassinaram um homem bem na nossa porta. Estávamos em casa e escutamos tudo, os berros, a correria, os tiros. Um policial deve prestar socorro sempre, mesmo quando não está em serviço. E meu pai tentou acudir o baleado, chamou a ambulância, mas não deu tempo. O tiro pegou bem no meio do peito e o homem morreu ali na nossa calçada.

Violência com o meu pai só vi uma vez. Eu devia ter uns 6 anos. Entrei no banheiro, ele estava lá, segurando a barriga, e vi o sangue escorrendo por entre os dedos. Minha mãe me mandou ficar no quarto, quietinha, com o meu irmão Felipe, que tinha 2 anos. Meu pai estava à paisana quando tomou esse tiro. Como a ambulância demorava muito a chegar, ele foi para o pronto-socorro dirigindo, com a minha mãe. Nesse dia eu tive medo.

Já estive envolvida em tiroteio, mas, novamente, o fator determinante foi a geografia, e não a profissão do meu pai. Ele estava saindo de casa comigo no colo quando um homem, perseguido por outros três armados, aproveitou a porta aberta e correu para dentro da nossa casa. Os perseguidores vieram atrás atirando. E meu pai, que nunca anda desarmado, trocou tiros com eles para nos defender. Nessa época, morávamos no Jardim Macedônia, perto do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, outro bairro bastante violento.

Já fomos obrigados a mudar de casa, de madrugada, para escapar de ameaças. Houve uma briga em um bar perto de casa e meu pai teve de se envolver, e acabou acertando um bandido. Como todos do bairro sabiam onde nós morávamos, os bandidos prometeram matar a nossa família em represália. Durante o resto desse ano meu irmão e eu não voltamos para a escola.

Só depois de adulta, quando o PCC parou São Paulo, percebi o risco real que meu pai correu. Ele sempre quis ser policial, sempre trabalhou na rua, sempre soube dos riscos. E não se arrepende. Desde que se aposentou, todos os anos faz os 168 quilômetros até Aparecida do Norte a pé para pagar uma promessa. Ele pediu para conseguir se aposentar com todos da família vivos.

 

Extras:

Clique aqui para assistir ao curta metragem Pai, Polícia de Talita Virgínia

Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-49/portfolio/pai-policia

1 comentário

Arquivado em polícia militar

A polícia indefesa…

Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, “Contra um mundo melhor” (Ed. LeYa).

A polícia indefesa
LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP – 13/02/12

Qual o “produto” da polícia? Liberdade dentro da lei, segurança, enfim, a civilização

A POLÍCIA é uma das classes que sofrem maior injustiça por parte da sociedade. Lançamos sobre ela a suspeita de ser um parente próximo dos bandidos. Isso é tão errado quanto julgar negros inferiores pela cor ou gays doentes pela sua orientação sexual.
Não, não estou negando todo tipo de mazela que afeta a polícia nem fazendo apologia da repressão como pensará o caro inteligentinho de plantão. Aliás, proponho que hoje ele vá brincar no parque, leve preferivelmente um livro do fanático Foucault para a caixa de areia.
Partilho do mal-estar típico quando na presença de policiais devido ao monopólio legítimo da violência que eles possuem. Um sentimento de opressão marca nossa relação com a polícia. Mas aqui devemos ir além do senso comum.
Acompanhamos a agonia da Bahia e sua greve da Polícia Militar, que corre o risco de se alastrar por outros Estados. Sem dúvida, o governador da Bahia tem razão ao dizer que a liderança do movimento se excedeu. A polícia não pode agir dessa forma (fazer reféns, fechar o centro administrativo).
A lei diz que a PM é serviço público militar e, por isso, não pode fazer greve. O que está corretíssimo. Mas não vejo ninguém da “inteligência” ou dos setores organizados da sociedade civil se perguntar por que se reclama tanto dos maus salários dos professores (o que também é verdade) e não se reclama da mesma forma veemente dos maus salários da polícia. É como se tacitamente considerássemos a polícia menos “cidadã” do que nós outros.
Quando tem algum problema como esse da greve na Bahia, fala-se “mas o problema é que a polícia ganha mal”, mas não vejo nenhum movimento de “repúdio” ao descaso com o qual se trata a classe policial entre nós. Sempre tem alguém para defender drogados, bandidos e invasores da terra alheia, mas não aparece ninguém (nem os artistas da Bahia tampouco) para defender a polícia dos maus-tratos que recebe da sociedade.
A polícia é uma função tão nobre quanto médico e professor. Policial tem mulher, marido, filho, adoece como você e eu.
Não há sociedade civilizada sem a polícia. Ela guarda o sono, mantém a liberdade, assegura a Justiça dentro da lei, sustenta a democracia. Ignorante é todo aquele que pensa que a polícia seja inimiga da democracia.
Na realidade, ela pode ser mais amiga da democracia do que muita gente que diz amar a democracia, mas adora uma quebradeira e uma violência demagógica.
Sei bem que os inteligentinhos que não foram brincar no parque (são uns desobedientes) vão dizer que estou fazendo uma imagem idealizada da polícia.
Não estou. Estou apenas dando uma explicação da função social da polícia na manutenção da democracia e da civilização.
Pena que as ciências humanas não se ocupem da polícia como objeto do “bem”. Pelo contrário, reafirmam a ignorância e o preconceito que temos contra os policiais relacionando-a apenas com “aparelhos repressivos” e não com “aparelhos constitutivos” do convívio civilizado socialmente sustentável.
Há sim corrupção, mas a corrupção, além de ser um dado da natureza humana, é também fruto dos maus salários e do descaso social com relação à polícia, além da proximidade física e psicológica com o crime.
Se a polícia se corrompe (privatiza sua função de manutenção da ordem via “caixinhas”) e professores, não, não é porque professores são incorruptíveis, mas simplesmente porque o “produto” que a polícia entrega para a sociedade é mais concretamente e imediatamente urgente do que a educação.
Com isso não estou dizendo que a educação, minha área primeira de atuação, não seja urgente, mas a falta dela demora mais a ser sentida do que a da polícia, daí “paga-se caixinha para o policial”, do contrário roubam sua padaria, sua loja, sua casa, sua escola, seu filho, sua mulher, sua vida.
Qual o “produto” da polícia? De novo: liberdade dentro da lei, segurança, a possibilidade de você andar na rua, trabalhar, ir ao cinema, jantar fora, dormir, não ser morto, viver em democracia, enfim, a civilização.
Defendem-se drogado, bandido, criminoso. É hora de cuidarmos da nossa polícia.

7 Comentários

Arquivado em Reflexão

Nota do Deputado Federal Reguffe. Exemplo de parlamentar!

O Deputado Reguffe é uma das figuras públicas que eu mais admiro. Nunca esquecerei um discurso que eu fiz em nosso partido (PDT) sobre “valores e princípios” onde ele veio até a mim, batendo em meu meu ombro. olhando firmemente em meus olhos, e me disse: “É isso, valores e princípios, nunca se esqueça disso, independente de onde esteja!” Um dos poucos Deputados que responde suas ligações e emails. Um parlamentar fora do comum. Abaixo uma nota dele sobre alguns assuntos que o estão incomodando.

Desde que virei deputado distrital, vez por outra inventam coisas para tentar me atingir. Isso é mais uma prova que venho com coragem e correção cumprindo com a minha obrigação e com a minha responsabilidade com a sociedade, já que os interesses contrariados reagem.

Se não tivesse reação é que seria estranho. Já usaram blogs, sites, já imprimiram panfletos apócrifos, os bandidos tentam de tudo. Essa história, por exemplo, é maluca. Primeiro, porque atos secretos foram os que não foram publicados.

Todas as minhas nomeações, quando trabalhei no Congresso, foram publicadas no Diário. Segundo, sempre trabalhei de verdade, e muito. Tenho total consciência da minha responsabilidade. Além de folhas de ponto, tenho matérias de jornal da época que provam isso e me mostram trabalhando. Contra fatos, não há argumentos. Como deputado, agora, sou um dos poucos que tem 100% de presença no plenário, sem uma falta sequer.

Terceiro, porque ela nunca pensaria no meu nome para ministro, já que votei contra a DRU, contra a recriação da CPMF e assinei a CPI da corrupção. E todos sabem que votei na Marina para presidente. Portanto, essa história é absolutamente doida e mal intencionada. Pode estar por trás o fato de eu ter discursado e votado a favor da cassação da Jaqueline ou o fato de ter assinado aqui a CPI do 2º Tempo. Sinceramente, não sei. Só sei que eu venho honrando o meu compromisso com quem votou em mim e isso, pelo visto, desagrada algumas pessoas.

Posso ter mil defeitos, mas honesto eu sou.

E no meu mandato só o que fiz foi defender a população e o interesse público. Como sempre sonhei como cidadão. O chato é que isso desanima um pouco, mas tenho muito orgulho de tudo que tenho feito e de todas as brigas que comprei. Nenhuma para defender algo pessoalmente para mim, todas para defender a sociedade.

Um abraço forte,

Reguffe

Fonte: http://docafezinho.com.br/?p=15756

2 Comentários

Arquivado em Reflexão

O importante não é a velocidade, mas sim a direção. Precisamos ter foco!

Recentemente discorri sobre duas palestras que tive a oportunidade de comparecer. Alguns colegas afirmaram que tudo isso é bonito na teoria e que nossa instituição nunca chegará a excelência. Já que disse que acredito na mudança do micro para o macro, fiquei imaginando que eles estavam afirmando: “Eu nunca chegarei a excelência!” Precisamos avançar. Quebrar paradigmas. Salomão em Provérbios diz:

Quem zomba de tudo quer ser sábio e não consegue, mas quem tem juízo aprende com facilidade.

Afaste-se das pessoas sem juízo porque gente assim não tem nada para ensinar.

Quero me ater ao seguinte ponto:

1) DETERMINAR O OBJETIVO – DAR UM VALOR A ELE – DEFINIR A MISSÃO;

2) PLANEJAR A MISSÃO – ESTRATÉGIAS E TÁTICAS;

3) PREPARAR A EQUIPE – MOBILIZAR E CAPACITAR;

4) EXECUTAR O PLANO – DISCIPLINA E EXCELÊNCIA;

5) AVALIAR OS RESULTADOS.

Servem tanto para o MICRO quanto para o MACRO. Procuro aplicar tudo isso em minha vida nos últimos quatro anos e sei que é possível. Devemos focar em nosso crescimento pessoal criando agendas positivas. Exige dedicação e empenho. Sempre lembrando, que os Planos são nossos, mas sua realização não depende somente de nós. Posso dar como exemplo o planejamento que fiz para os próximos oito anos (fiz há 04 anos, totalizando 12 anos).

1) Tornar-me uma grande influência (liderança) dentro da Corporação. Ajudá-la a tornar-se uma grande Instituição;

2) Tornar-me uma grande referência em segurança pública, principalmente no que se refere a filosofia de polícia comunitária, no DF.

3) Tornar-me um grande orador, um grande comunicador;

4) Tornar-me um homem público respeitado e influente.

5) Organizar minhas finanças:

Líder é aquele que tem a habilidade de ver o “futuro”. Liderar é influenciar! É transformar o futuro em realidade!

Deixe um comentário

Arquivado em polícia militar

A liderança é importante para utilizá-la em tempos de caos!

É interessante observar os últimos acontecimentos em nossa Corporação e ver em que paradigma (visão de mundo) ainda estamos presos. Evoluímos muito nos últimos anos, mas recentemente temos regredido bastante. É perceptível um endurecimento e uma falta de diálogo, fato comum em “estados” autoritários.

Em minhas aulas de CHEFIA E LIDERANÇA explico aos meus alunos os conceitos de LÍDER FORMAL (Legitimado pelo Cargo) e LÍDER INFORMAL (Aquele que possui características que o legitimam junto aos liderados), discuto também sobre a Escola Tradicional da Administração, adotada pela Escola Superior de Guerra, forjada em temos de “chumbo”. Tal escola defende a ideia de que o COMANDANTE é um CONDUTOR DE TROPAS (Chefe Militar) e um CONDUTOR DE HOMENS (Líder Militar). O comandante é o “representante” legítimo da instituição, pois está legitimado pelo cargo. Não podendo de forma algum ser contrariado ou confrontado. Cabe a ele conduzir os “destinos” da “tropa”. Ele tem uma visão do todo, ou seja, uma visão periférica, enquanto a “tropa” enxerga apenas aquilo que está a sua frente. Ou aquilo que lhe é permitido ver…

O conceito acima torna-se bem mais interessante quando se discute também a escola positivista e a escola jusnaturalista, no campo do direito. Fico imaginando um comando que adote a visão da escola superior de guerra, aliada ao positivismo. Na escola “positivista” vale apenas o que está escrito. Um conceito interessante é o de justiça, adotado por esta escola: “Justiça é dar a cada um aquilo que lhe é merecido.” Compreendendo tais conceitos talvez facilite nossa compreensão sobre os últimos acontecimentos.

Compreender o conceito de liderança é importante para utilizá-lo em tempos de caos. A liderança em tempos de estabilidade é algo dispensável. Em época de tranquilidade, os bons administradores realizam os projetos dos problemas com segurança, porque as mudanças são lentas. Em momentos de turbulência, precisamos de pessoas de grande visão e capazes de criar sinergia entre as forças do grupo para que todos se unam em torno de um objetivo comum.

Os caos é um terreno maravilhoso para quem crescer. Do caos podem nascer as grandes conquistas. Na mitologia grega, Caos era o deus da nova ordem, era quem transformava a desordem num novo sistema, mais coerente…até o próximo ataque. Do encontro entre Caos e Afrodite, deusa do Amor e da Fertilidade, nasceu Eros, o deus do Amor.

Assim como na mitologia, esse movimento transformador gerado pelo Caos traz em seu âmago uma nova ordem que se impõe. Afrodite veio preencher o vazio do Caos e, junto com ele, formar uma nova ordem. Mais tarde, Eros se casa com Psiquê e gera uma filha, Volúpia, também chamada de Prazer, que representa a possibilidade de desfrutar de toda mudança que se engendrou. Todo momento caótico traz em si o nascimento da criatividade. Quando desfrutamos dessa nova ordem, construímos a possibilidade de amar e de ter muito sucesso em nossa carreira e empreendimento.

Talvez, neste exato momento, sua vida esteja um absoluto caos,  com tudo o que você planejou indo por água abaixo. Sem dúvida, não é o tipo de situação que se procura. Mas quero lhe dizer que,  com uma boa dose de paciência, outra boa dose de disponibilidade para mudar e uma grande capacidade de recomeçar, daqui a algum tempo sua vida vai estar muito melhor. E não se esqueça de uma dose de bom humor também. Como dizem os alemães: se você estiver passando por um grande problema, olhe bem para ele e dê uma boa gargalhada, porque, quando no futuro lembrar dele, vai sentir vontade de rir. Para que esperar tanto tempo para rir dessa situação? Aproveite e dê uma risada neste momento. Tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador…

Lembre-se: o caos é o melhor terreno para mudanças profundas. Os líderes sabem disso e se aproveitam desse tipo de situação para dar grandes saltos na vida!

Trechos do livro: Liderança para fazer acontecer – Faltam líderes no mercado. Você se candidata? – José Luiz Tejon. (Com adaptações).

1 comentário

Arquivado em Reflexão

Subtenente Delgado – Caveira 22 – O início de uma nova caminhada…

Em Eclesiastes de Salomão ensina-se que: “O bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. Nos ensina também que é melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos. Os vivos devem levar isso a sério! A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração. O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o do tolo, na casa da alegria.” O dia de hoje foi um grande ensinamento. Hoje no enterro do Subtenente Delgado (Caveira 22) tive a oportunidade de viver o “outro lado da moeda” e de reencontrar amigos que não via há algum tempo.

Há praticamente oito meses eu enterrava meu filho e vivia o que aquela família estava vivendo. Percebi claramente hoje a importância dos amigos,o orgulho de ser policial e ainda pude sentir a dor que eles sentiram em outrora ao me ver naquela situação.

Não há dúvidas de que o subtenente Delgado cultivou um bom nome e que o honrou até seu último suspiro. Uma lenda na polícia militar, um excelente profissional, mas acima de tudo um ser humano fora do comum. Naquele pequeno espaço pude notar pessoas de diferentes órgãos, inclusive de outros estados. Lá estavam familiares, amigos, aprendizes e admiradores.

A dor da perda é contagiante. É estranho conversar com as pessoas e ser contagiado por tamanha dor. Ao conversar com uma amiga que fazia dupla com ele no MP faltou-nos palavra para expressar tal sentimento. Cada um que passava silenciava-se e solitariamente remoia suas dores, seus medos, seu vazio pela ausência. Mas a maior dor foi ao conversar com o amigo que descrevia a impotência ao tentar socorrê-lo no momento dos disparos. O amigo narrou a triste conclusão de que não somos “super-homens”, que somos mortais e que todo sopro de vida pode se esvair em poucos segundos. Somos heróis de “brinquedo” com roupas frágeis tentando salvar o mundo.

Embalado pelo som da marcha fúnebre o caixão carregado pelos amigos a passos lentos despedia-se de nós. Os “caveiras” enfileirados, com seus rostos cobertos, empunhando suas armas davam os últimos tiros de despedida, possivelmente a última coisa que ele ouvira antes de partir. O helicóptero jogava sobre nós pétalas de flores, trazendo uma brisa intensa que nos envolvia enquanto os “homens das forças especiais” entoavam suas preces. Em posição de sentido rendíamos honras a quem sempre nos honrou. Naquele momento nossos corpos, mentes e espíritos entravam em harmonia fazendo transcender aquele momento, por meio do amor que sentimos por aquela pessoa que tanto nos inspirou. Toda barreira que existe entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos foi quebrada. Naquele momento vencíamos a morte e permanecíamos de pé conectados com sua essência, observando sua matéria que ao longe também estava partindo. Continuamos de pé prontos para continuar a caminha nos próximos dias! Aos poucos nos dispersamos refletindo sobre aquele fato.

No restaurante o silêncio, a reflexão, o vazio. A comida não tinha o mesmo gosto, descia engasgada. Encontro alguns amigos que já fizeram o mesmo curso e dúvidas me consomem. Infelizmente, o que acontece lá permanece lá.

Vai em Paz nobre “CAVEIRA”, como li em um comentário de amigos:

“A GRANDE FAMÍLIA PMDF CHORA A SUA AUSÊNCIA!”

27 Comentários

Arquivado em polícia militar

Luto…

NOTA DE FALECIMENTO

23/7/2012 12:19:00

Comunicação Social


É com pesar que a Polícia Militar do Distrito Federal informa o falecimento do Subtenente Francisco Delgado. O policial militar de 45 anos, sendo 25 dedicados à PMDF, faleceu na noite de ontem (22) durante instrução do Curso de Operações Especiais.

Posteriormente, serão divulgados os horários do velório e do sepultamento.

 

Fonte: http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=13581

1 comentário

Arquivado em polícia militar

NOTA DE ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO

Reportagem veiculada no CorreioWeb e Correio Braziliense na data 22/07/2012, produzida pelas jornalistas Thalita Lins e Mariana Niederauer, sob o título “Inquérito vai apurar PMs envolvidos na organização de Operação Tartaruga”, e que  dão conta do desencadeamento por parte de policiais e bombeiros militares da conhecida e nominada “OPERAÇÃO TARTARUGA” e “OPERAÇÃO PADRÃO”, bem como providências a serem desencadeadas pela Corregedoria e Comando da Polícia Militar inerente ao fato, alguns pontos devem ser esclarecidos à população do Distrito Federal, à Corregedoria e ao Comando da Polícia Militar para que não haja divergências nas informações a serem publicadas.
1 – As chamadas “OPERAÇÃO TARTARUGA” e OPERAÇÃO PADRÃO” não passam de nomenclaturas criadas nos idos dos anos 80 e adotada por milhares de organismos sindicais e aproveitado nos meios militares de todo país, que impedidos constitucionalmente de fazerem greves, encontraram nesse mecanismo uma forma de pressionar os governos a cumprirem suas promessas de campanha, sendo recentemente generalizadas como indicativo de greve ou até mesmo greve pelos meios de comunicação, que desconhecem o sistema operacional das corporações policiais-militares;
2 – Conforme preceitua a Constituição Federal, Capítulo II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo I – DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS, Art. 5º (Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes), Inciso XVI (todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente), grifo nosso. Portanto, o que foi realizado na Praça do Relógio no dia 20/07/2012 foi uma Reunião Geral de policiais e bombeiros, ordeira e pacífica, cumprindo todos os ritos necessários à sua realização para tratar de assuntos referentes às reivindicações das categorias junto ao GDF e assuntos gerais;
3 – O desencadeamento da “Operação Legalidade” (batizada pelas categorias), visa exclusivamente conscientizar o policial e bombeiro militar de sua competência institucional no exercício legal de sua profissão, não tendo nenhuma conotação política e muito menos qualquer incitação à paralisação ou interrupção dos serviços essenciais à população do Distrito Federal prestado pelos órgãos de segurança pública, em especial essas duas categorias de PMs e BMs;
4 – Todos os policiais e bombeiros militares saíram da reunião geral conscientes de suas obrigações institucionais, o que significa dizer que a “Operação Legalidade” objetiva conscientizar os militares a seguirem o explicitado na Constituição Federal, Capítulo III – DA SEGURANÇA PÚBLICA, no seu Art. 144, Inciso V, Parágrafo 5º, a saber:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
V – polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 5º – às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil., grifo nosso.
5 – Não foi determinado ao policial militar para que deixe de aplicar multas, mas orientado-o para que o faça dentro da legalidade, e que todas as solicitações de ocorrências, sejam elas as determinadas pelo CIADE ou as deparadas em patrulhamentos sejam atendidas como de praxe; em relação à velocidade a ser empregada nas vias públicas, cumprirão o estabelecido no Código de Trânsito Brasileiro que também se trata de uma LEI FEDERAL (LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997.), não havendo legislação contrária que arbitre aos representantes do Estado o descumprimento da determinada Lei.
6 – Ainda segundo a matéria, havia a presença de 600 policiais e bombeiros, informação improcedente já que estavam presentes cerca de 2.500 a 3.500 policiais e bombeiros militares, sendo que o número não foi maior haja vista o comando da corporação ter prorrogado o expediente nas unidades, que normalmente se encerram às 19:00 horas, prejudicando o comparecimento maciço dos militares;
7 – A informação das Secretarias de Segurança e Administração Pública de que tratam das reivindicações das categorias desde janeiro não procede, pois para que houvesse a abertura de um canal de negociações direto com o governo (que aconteceu somente após o dia 11/05 após a trégua de 30 dias proposta pelo próprio governo dois dias antes – 09/05), o antigo Movimento Unificado (grupo de associações que representavam as categorias) tiveram que forçar a interrupção de uma Operação Legalidade que já estava em andamento desde o início de março, sob a promessa de avanço nas negociações, ou seja, uma troca de favores; mesmo tendo as categorias atendido aos apelos do governo, as negociações não avançaram, sendo realizadas inúmeras reuniões, inclusive algumas sem a presença dos representantes, que não levaram a nenhum denominador comum, estando findando os prazos regimentais estabelecidos em Lei e nada que beneficie as categorias foi definido, correndo sério risco dos policiais e bombeiros não serem agraciados em nenhuma das reivindicações apresentadas na mesa de negociação por decurso de prazos;
8 – Cita ainda a reportagem declarações do Senhor Comandante Geral da PMDF, Suamy Santana, de que “INDIVÍDUOS” ligados a interesses políticos estão incitando esse movimento, o que repudiamos veementemente, pois nada mais buscamos além de dignidade, respeito e valorização das categorias, não havendo nenhum cunho político nas reuniões; na verdade, se existe alguém que incitou a insatisfação e desmotivação das categorias foi o atual governador e seu vice que, ainda quando candidatos, comprometeram-se com as categorias com 13 promessas assinadas e registradas, em troca de apoio; ao contrário do que afirma o comandante geral, não se trata de INDIVÍDUOS, mas sim de PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA que tem um compromisso com a instituição e, principalmente, com a população do Distrito Federal e que como cidadãos buscam seus direitos, que nada difere das demais categorias de trabalhadores desse país. O que percebemos é que há uma evidente intenção de jogar a opinião pública contra as categorias, calar as vozes dos policiais e bombeiros com ameaças, com o objetivo claro de desviar o foco e não demonstrar a incapacidade administrativa de condução da segurança pública na capital federal, o que mais uma vez repudiamos e esperamos que a sociedade e a imprensa compreendam e adotem uma postura sólida de defesa a esses que sempre foram os guardiões da sociedade brasiliense.
Respeitosamente,
NOVO MOVIMENTO UNIFICADO
Fonte: Blog do Tenente Poliglota

Deixe um comentário

Arquivado em Reflexão

Missão dada é missão cumprida! O Foco é na missão! Isonomia salarial é a missão!

Durante um ano tenho debatido sobre liderança. Uma vez por semana tomava café com o SGT  RONNER GAMA, aonde discutíamos e analisávamos os cenários que nos eram apresentados. A primeira fase foi cumprida por ele de forma espetacular. Garantimos um aumento de R$ 200, 00 (duzentos reais) improvável, na Etapa Alimentação. Mais ainda temos que cumprir os outros objetivos.   LIDERAR É INFLUENCIAR PESSOAS! Precisamos compreender isso em nosso meio para atingirmos nossos objetivos. Nosso objetivo é a ISONOMIA SALARIAL COM OS ÓRGÃOS DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA.

Todo policial torna-se um líder neste momento. Todo policial tem a obrigação moral de influenciar aqueles que estão a sua volta para atingirmos nosso objetivo. A mudança ocorre do MICRO (individual) para o MACRO (coletivo).

Vamos fazer uma breve retrospectiva de minhas falas durante o processo reivindicatório este ano. Espero que compreendam cada uma delas. O FOCO É A MISSÃO! TODOS SÃO IMPORTANTES NESTE MOMENTO, mas o mais importante é atingirmos o objetivo! O objetivo coletivo é mais importante que o individual!

O que eu disse em 26 DE FEVEREIRO DE 2012!

A diferença média em todos os postos e graduações para uma equiparação com a polícia civil é de três mil reais. Em minha opinião é com base neste valor que devemos negociar para uma equiparação, mesmo que seja até 2014, incluindo soldados e cabos, não somente a partir de sargentos como se tem ventilado. Devemos dividir esse valor em cinco pontos principais:

1) R$ 400,00 para a etapa alimentação;

2) R$ 400, 00 para um possível auxílio transporte;

3) Antecipação do risco de morte;

4) 20% dos reajustes do Fundo Constitucional nos últimos anos;

5) Dividir o restante para a equiparação em duas parcelas: Uma no primeiro semestre de 2014 e outra no segundo semestre.

Tudo isso aprovado no orçamento para o próximo ano! A questão de colocarmos o auxílio transporte e a etapa alimentação é o fortalecimento do discurso do menor impacto na folha…

https://aderivaldo23.wordpress.com/2012/02/26/uma-reflexao-sobre-o-nosso-movimento-reivindicatorio/

O que eu dizia em 03 de Março de 2012

Precisamos nos manter coesos, unidos em prol de nossos objetivos. Continuar mobilizados, mesmo que a luta dure um dia, um mês, um ano! Não podemos esquecer que a mobilização deve ser inteligente e coordenada. Não podemos cansar a tropa. Dia 15 de março foi um curto espaço de tempo. As próximas reuniões devem ser mais distantes umas das outras para não cansarmos os companheiros. Caso contrário poderemos esvaziar o movimento como já ocorrera em outrora.

https://aderivaldo23.wordpress.com/2012/03/03/uma-analise-da-assembleia-dos-policiais-militares-e-bombeiros-do-df-dia-02-de-marco-de-2012/

O que eu disse em 05 de Março de 2012!

Política salarial se faz de um ano para o outro. Estamos no caminho certo. Precisamos negociar com a bancada do DF. Precisamos dialogar com o Governo local e federal. Precisamos fazer lobby no MPOG (Ministério do Planejamento, Orcamento e Gestão), na Casa Civil e no Congresso Nacional. Quando entramos em um determinado emprego, normalmente, trabalhamos um mês para depois recebermos nosso salário. Movimento sindical é assim também. Não conhecemos essa lógica porque nunca fizemos isso. Por isso, temos dificuldade com o novo, com a mudança de paradigma. Sempre fomos imediatistas e ganhamos migalhas. Alguém já parou para pensar porque o Detran e a Polícia Civil sempre ganham aumentos de um ano para o outro? O segredo é que eles negociam nos bastidores antes. Fazem a política dos bastidores. Atualmente estamos aprendendo a fazer, mas isso leva tempo! Precisamos ter paciência e fé, pois a construção é diária. Fé é coragem com esperança. É a coragem de lutar e nunca desistir e a esperança de que iremos conquistar nosso objetivo.

Nosso movimento, apesar de ser inteligente, corre sérios riscos nos próximos dias. Existe um risco de nos desmobilizarmos devido ao tempo que iremos negociar. Creio que vá se arrastar até o segundo semestre. É um processo natural.

https://aderivaldo23.wordpress.com/2012/03/05/uma-analise-do-atual-movimento-inteligente-da-corporacao-e-o-risco-de-radicalizacao-nos-proximos-dias

O que eu disse ontem?

Uma representação interessante sobre o Movimento Unificado, que já não é mais “unificado”, é o de uma “CORRIDA DE REVEZAMENTO COM OBSTÁCULOS”, o foco não deve ser os “corredores”, mas sim o “título”, a “missão”. Em breve saberemos se o “bastão” foi passado e as atuais “lideranças” serão legitimadas.

Qual é a missão?

A redução das diferenças salariais entre os componentes do sistema de segurança pública e quiça a equiparação salarial.

Entramos em outra fase! Precisamos de novas lideranças! Temos um problema entre as POTENCIAIS lideranças da Corporação (futuro) E é preciso resolvê-lo:

Plano de ação para solucionar um problema:
1) Identifique com clareza o problema;
2) Entre em acordo para solucioná-lo;
3) Dê mostras que evidenciem a solução do problema;
4) Crie uma estrutura confiável, com cronograma e a delegação de responsabilidades;
5) Estabeleça um prazo para a realização do plano;
6) Ambas as partes devem se comprometer a fazer do problema coisa do passado, depois de resolvido.

RESPEITO NÃO SE EXIGE! RESPEITO SE CONQUISTA! VAMOS CONQUISTÁ-LO! SEPARADOS SOMOS FORTES, JUNTOS SOMOS IMBATÍVEIS! PENSEM NISSO!

Sobre poder é preciso compreender:

“Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é, propriamente falando, seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se sabe ao certo quem o detém, mas se sabe quem não o possui.” (Foucault)

13 Comentários

Arquivado em Reflexão

Quem legitima um movimento e suas lideranças são os liderados

O processo de  formação de lideranças e empoderamento em nossa coporação é lento, mas é interessantíssimo do ponto de vista sociológico. Fico analisando os “micro-grupos” lutando pelo poder. Os discursos se alteram de acordo com o momento e a conveniência, aqueles que andavam juntos agora andam separados.

Analisando de tal forma parece algo inconcebível, fala-se em traidores e traídos. Não existe isso. Existe a luta pelo poder. Precisamos ser realistas. É algo natural no processo de amadurecimento político. Esse ponto é importantíssimo no processo. Iremos compreendê-lo mais a frente.

O que importa é atingirmos o objetivo proposto: ISONOMIA SALARIAL com a polícia civil, por meio de cinco pontos: Aumento da etapa alimentação (conquistado), antecipação do risco de morte, aumento do auxílio moradia, garantia do aumento do próximo ano (no mímino 15%), até 31 de agosto de 2012, criação do valor referente ao auxílio transporte e outro valor que garanta a diferença entre as corporações que hoje chega a aproximadamente R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais).

Ontem na assembléia lembrei-me de uma definição interessante sobre o poder e lembrei-me dos ensinamentos sobre liderança. Ainda temos muito a aprender sobre como nos comportar em um “trio-elétrico”. Não são os gritos que irão convencer a tropa. São os argumentos. Existem critérios para um liderado legitimar uma liderança. São características essenciais aos líderes. Faltou isso, ontem. Mas ainda há tempo para se corrigir tais erros.

Quem legitima um movimento e suas lideranças são os liderados. Não é o governo, o comando ou qualquer outra autoridade. O sucesso da segunda fase do “gerenciamento de crises” dependerá do respaldo dado a tais lideranças. Independente de quem esteja a frente do processo a fase é outra. É a fase do time tático. Não pode haver erro, nem perder o “time”. Dia 31 de agosto é o prazo limite para garantirmos os percentuais do aumento do próximo ano. Depois não adianta chorar pelo leite derramado, pois ele apaga o fogo e ainda causa desperdício de gás!

Uma representação interessante sobre o Movimento Unificado, que já não é mais “unificado”, é o de uma “CORRIDA DE REVEZAMENTO COM OBSTÁCULOS”, o foco não deve ser os “corredores”, mas sim o “título”, a “missão”. Em breve saberemos se o “bastão” foi passado e as atuais “lideranças” serão legitimadas.

Qual é a missão?

A redução das diferenças salariais entre os componentes do sistema de segurança pública e quiça a equiparação salarial.

Não podemos esquecer que a primeira fase exigia silêncio. A segunda não, é auditiva e visual…

Sobre poder é preciso compreender:

“Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é, propriamente falando, seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se sabe ao certo quem o detém, mas se sabe quem não o possui.” (Foucault)

5 Comentários

Arquivado em Reflexão