Arquivo do mês: outubro 2012

É aceitável tais mortes? Policiais mortos em São Paulo

Dezessete policiais paulistas mortos para cada policial norte-americano igualmente tombado: uma realidade triste, chocante e inexplicável de não ser amplamente divulgada e conhecida…

George Felipe de Lima Dantas — 29 de outubro de 2012

Na última semana de outubro de 2012 a mídia brasileira deu ampla repercussão ao número de policiais militares mortos criminosamente no Estado de São Paulo. Foram 80 deles apenas nos dez primeiros meses de 2012 (em média, oito a cada mês). Mantida essa média de oito policias mortos em São Paulo a cada mês de 2012, é possível projetar em 96 o número dessas mesmas mortes até o final do ano. Não existem estatísticas nacionais, sejam elas oficiais ou não-governamentais, para mortes de policiais brasileiros. É possível fazer apenas estimativas, parciais ou locais, longe de serem números agregados das 54 polícias estaduais brasileiras (polícias civis e militares) e das duas polícias federais do país (Departamento de Polícia Federal — DPF e Polícia Rodoviária Federal — PRF).

Considerando que a população de São Paulo (dados do IBGE, Censo 2010) foi de 41.262.199 habitantes em 2010 e utilizando esse mesmo número como base demográfica, bem como a projeção de 96 policiais mortos em 2012 em São Paulo, chega-se a uma relação de um policial morto para cerca de 430 mil habitantes (429.814,57 mais precisamente). Sem ter acesso aos números de policiais mortos das demais polícias (civis e militares e polícias federais), é possível comparar São Paulo apenas com outros países. Por estranho que isso possa parecer…

Os Estados Unidos da América (EUA) produzem estatísticas confiáveis sobre mortes de policiais de todas as polícias norte-americanas desde 1920. Assim, é possível comparar as mortes de policiais de São Paulo, em 2012, com as ocorridas nos EUA no mesmo período.

Memorial ao soldado desconhecido – EUA

As estatísticas parciais de policiais mortos nos EUA (até 28 de outubro de 2012) apontam uma cifra de 103 dessas mortes em 2012 e 136 no ano inteiro de 2011. Mantida a proporção corrente de cerca de 10 policiais mortos nos EUA a cada mês de 2012 (10,3 mais precisamente), é possível projetar a cifra de 124 (123,6 mais precisamente) dessas mortes até o final do ano de 2012. Considerando que a população dos EUA (dados do “Bureau do Censo” de 2010) foi de 308.745. 538 habitantes em 2010 e utilizando esse número como “base demográfica”, bem como a projeção de 124 policiais mortos em 2012 nos EUA, chega-se a uma relação de um policial norte-americano morto para cerca de 2,5 milhões (2.497.941,2 mais precisamente) de habitantes. Comparando os números projetados de mortes de policiais por habitantes, nos EUA e em São Paulo: em 2012 irão morrer seis policiais paulistas para cada policial norte-americano morto (em números exatos: 5,81), cifra resultante da divisão de 2.497.941,2 por 429.814,57).

A situação de São Paulo também parece bem diferente da norte-americana se for considerado que, enquanto já morreram 80 policiais naquela única unidade federativa do Brasil, a maior cifra estadual parcial de mortes de policiais norte-americanos em 2012 corresponde (até 28 de outubro), a oito policiais mortos no Texas. Em tal perspectiva, morrem dez policiais paulistas para cada policial texano também falecido (80 dividido por oito – em números reais e não os estimados). Ou seja, o número de mortes de policiais paulistas é proporcionalmente seis vezes maior que o de policias norte-americanos em geral, e dez vezes maior do que dos texanos especificamente. Note-se que o Texas é o estado dos EUA em que ocorrem mais dessas mortes em 2012. Isso em uma primeira abordagem geral, aproximada e sem equivalência específica. Procedendo um outro tipo de abordagem a situação brasileira/paulista fica ainda mais sombria.

Note-se que as 103 mortes de policiais norte-americanos em 2012 (até 28 de outubro) não são todas elas resultantes de homicídios, como parece ser o caso em São Paulo. Apenas 36 resultaram do uso de arma de fogo por criminosos, 45 ficaram por conta de acidentes de trânsito e 22 “por outras causas”. Levando isso em conta, o número de 80 mortes de policiais em São Paulo (até o mês de outubro de 2012) pode ser comparado com 36 e não com 103 (total geral dos EUA até outubro de 2012). Se for assim considerado,  e utilizando uma projeção sobre os 36 policiais norte-americanos mortos criminosamente nos primeiros dez meses de 2012, terão morrido 43 (43,2 mais precisamente)  deles até o final de 2012. Indexando 43,2 pela mesma respectiva população utilizada nos outros cálculos (308.745. 538), tem-se um índice de um policial norte-americano morto criminosamente para cada 7,1 milhões de habitantes (7.146.887,45 mais precisamente). Disso resulta o cotejo de um policial paulista morto para cerca de 430 mil habitantes (429.814,57 mais precisamente) e um policial norte-americano para cada 7,1 milhões de habitantes (7.146.538,45). A relação passa a ser de 17 paulistas mortos (16,62 mais precisamente) para cada norte-americano.

O leitor, nesse ponto, deve estar confuso e cansado de tantos exercícios aritméticos e algébricos para chegar a tão tristes conclusões… Conclusões tristes para o país, para São Paulo, para a PMESP e, sobretudo, para as 80 famílias de policiais tombados, na circunstância que for, mas primordialmente, “por serem ou terem sido policiais”. As famílias, pior ainda, estarão perplexas diante da busca da determinação, surrealista, se a morte “ocorreu em serviço ou não”. Isso quando muitas dessas 80 mortes se devem, simplesmente, ao fato do assassinado ser policial, ter sido (já na inatividade), estando ou não escalado para o chamado “serviço ordinário”.

É digno de nota que não haja uma contagem precisa e rigorosa dos policiais brasileiros mortos. Isso acontece em que pese, inclusive, outro material do gênero deste, produzido pelo mesmo autor, datado de dez anos atrás, cotejando a mesma situação (Brasil e EUA) no não tão longínquo ano de 2002. De tudo isso, é possível concluir a falta de prioridade do tema, considerando desde os órgãos policiais classistas ou interinstitucionais (federações, sindicatos, associações, conselhos, etc.), até as secretarias estaduais e organizações congêneres do governo federal. – Que outra “prioridade política” pode ser maior do que honrar e prevenir mortes daqueles que tombam em nome do interesse coletivo, da nação, enfim do Brasil?

Uma realidade triste, chocante e inexplicável de não ser amplamente divulgada e conhecida…

3 Comentários

Arquivado em Reflexão

A importância de agradecer em nossa formação

Ontem tive a oportunidade de levar minha filha, jogadora de vôlei, para assistir uma palestra do técnico da seleção brasileira de vôlei, José Roberto. Era uma palestra sobre liderança. Ela ficou fascinada e eu também, mas algo me chamou a atenção e me fez refletir: o quanto aquele homem teve uma vida difícil e o quanto ele é grato. Uma pessoa agradecida que descobriu o segredo revelado por Salomão em provérbios e Eclesiastes. Ele descobriu como a maioria das pessoas de sucesso que o segredo da vida é: “fazer o bem”, “respeitar o criador” e “agradecer as dádivas da vida”.

Ao refletir sobre isso não pude deixar de lembrar-me de minha conversa, na hora do almoço, com meu amigo sargento Alexandre. Falávamos sobre a importância da oração, da fé e principalmente sobre a importância de agradecer.

Sou um apaixonado pela bíblia e cada texto que leio tento ao máximo aplicá-lo em minha vida. Quando leio a história do povo hebreu não posso deixar de nos comparar a eles. Era um povo escravo no Egito que teve a oportunidade de ser liberto, mas que não sabia agradecer, apenas reclamava e murmurava, muitas vezes querendo retornar a terra da escravidão, por isso, permaneceram quarenta anos no deserto e a grande maioria não viu a terra prometida.

No Egito esse povo era humilhado, no deserto era testado constantemente. No deserto aprenderam sobre mobilização, sobre liderança, lá o lema era líder de 01 (um), líder de 10 (dez), líder de 100 (cem), líder de 1000 (mil), líder de 10.000 (dez mil). Reclamavam de tudo: do frio, do calor, da comida, da falta d´água, olhavam mais para o passado do que para o futuro. Muito semelhante ao que vejo nos blogs e nos quartéis.

Também já fui assim, até o dia que aprendi que o deserto dura em nossas vidas o tempo necessário para nos tornar uma pessoa melhor, até que o nosso coração reconheça quem é o “Criador” em nossas vidas. Se continuarmos focando no que não temos e não olharmos para nossas conquistas permaneceremos muito tempo no deserto.

Precisamos aprender a focar no que temos e não no que perdemos ou deixamos de ganhar. Precisamos aprender a agradecer as pequenas melhorias, as pequenas conquistas, pois um dia elas irão tornar-se grandes! Ser grato é o primeiro passo para atingir o sucesso!

4 Comentários

Arquivado em Reflexão

A “desinteligência” policial e o “monitoramento” dos movimentos sociais

Falar de “inteligência policial” nos remete a imaginar algo eficiente, eficaz e efetivo dentro do sistema de segurança pública, mas ao olhar mais a fundo percebemos que estamos distantes dessa realidade.

Ao falar de “inteligência policial” lembro-me das aulas sobre “polícia e estado”, na especialização em segurança pública e cidadania, na Universidade de Brasília, onde o professor Artur Costa nos falava sobre a “inteligência dos Estados Unidos” e o “11 de Setembro”, quando as torres gêmeas foram derrubadas por dois aviões tomados por “terroristas”. Ele nos explicava como a “inteligência” de Estado e a “inteligência policial” estavam “presas” ao acompanhar o movimento negro que ocorrera no país nos anos sessenta. Ainda viam os negros como uma grande ameaça e não se atentaram para ameaça externa. Não é por acaso que após tudo isso um negro tornou-se presidente dos EUA.

No Brasil não é diferente. Grande parte da nossa “inteligência policial” e de Estado esteve “presa” a monitorar os “movimentos sociais” no país. Em Brasília isso tudo é muito evidente, mudando o “foco” há muito pouco tempo, mas ainda de maneira muito discreta com a distinção básica entre serviço de “inteligência” e serviço “velado”, mas ambos, em sua maioria, ainda muito voltados para o monitoramento de movimentos sociais e de seus próprios quadros de servidores. Ainda não nos especializamos efetivamente em “monitorar” a “criminalidade”, gerando informações “confiáveis” para reduzi-la.

Sempre achei estranho, até porque sou oriundo dos movimentos sociais, pois atuei no movimento estudantil, no movimento comunitário e em movimentos partidários, ser “escalado” para “acompanhar” manifestações e ao chegar nos locais destinados encontrar “agentes infiltrados” de várias agências da PMDF, da “inteligência” do exército, da secretaria de segurança pública e de outros órgãos até então desconhecidos. O mais estranho não era encontrá-los, o mais estranho era ver que nenhuma agência se comunicava. Nenhuma delas produzia conhecimento “aproveitável”. Eram apenas “dados” momentâneos.

Outro ponto estranho é saber o quanto do nosso efetivo é destinado a acompanhar os membros “nocivos” à instituição, dentre eles, nós blogueiros. Fico surpreso cada vez que vejo que minhas primeiras (100) cem entradas, do dia, são das agências que monitoram esse espaço. Sejam elas das Polícias Militares, Polícia Civil, Polícia Federal e da Própria Força Nacional. Como seria se tal efetivo estivesse voltado para a proteção da sociedade? Monitorando criminosos e seu comportamento?

Recentemente fui chamado para uma conversa com um comandante em decorrência de tal monitoramento. Fiz uma postagem sobre o “O processo de infantilização na PMDF” e uma das agências foi de imediato levar ao comando da unidade responsável. Fiquei chateado em um primeiro momento, mas depois vi que a vantagem é que a maioria dos comandantes passam a conhecer o blog policiamento inteligente. Podemos ver o copo meio cheio ou meio vazio. Procuro vê-lo sempre meio cheio!

1 comentário

Arquivado em Reflexão

O sistema de “inteligência policial” no Brasil

Comparando o Brasil com países de “Primeiro Mundo”: há investimentos concretos por parte do poder público para o aperfeiçoamento do serviço de inteligência policial no país?

George Felipe de Lima Dantas

27 de outubro de 2012

 Primeiramente, é necessário compreender de maneira básica e sucinta o que vem a ser o “serviço de inteligência policial do país”. Obviamente que a prática e utilização das técnicas da inteligência policial (entre outras, interceptação, vigilância, infiltração, etc.) “de fato”, já é bastante antiga no Brasil e no restante do mundo. Ainda assim, a formalização da atividade de Inteligência de Segurança Pública (ISP), da qual a inteligência policial é parte integrante, é algo, todavia recente no “contexto oficial” da segurança pública brasileira. Prova disso, apenas em 2009 foi consolidada e passou a existir oficialmente a chamada “Doutrina Nacional de Segurança Pública” (DNISP). Ela, portanto, é relativamente recente, tal qual também o é a própria institucionalização formal da “Inteligência de Estado” (ABIN) e do “Sistema Brasileiro de Inteligência” (SISBIN) [do qual o “Sistema de Inteligência de Segurança Pública (SISP) é parte integrante]. Tanto o SISBIN quanto a ABIN foram estabelecidos legalmente em norma que data de dezembro de 1999 (Lei 9.883 de 7 de dezembro de 2000). Tudo isso constitui, portanto, algo relativamente novo no Brasil. Parte essencial da atividade de ISP, especificamente na área de “Análise de Inteligência Policial” (cujo “Ciclo de Produção de Conhecimento” abrange as fases de “Coleta e Processamento de Dados”), impõe a necessidade de existência, manutenção intensiva e utilização permanente de bases de dados correspondentes a grandes séries históricas de registros de crime. As bases de dados locais, estaduais e nacionais de registros de crime são a “matéria prima” sobre a qual a atividade de inteligência policial realiza, em primeira medida, análises investigativas táticas ou ordinárias (envolvendo “casos”), análises de operações (incluindo avaliações da oferta e demanda de serviços policiais), bem como as análises de inteligência envolvendo organizações criminosas, criminosos extremistas, corrupção, narcotráfico, tráfico de seres humanos, pedofilia e terrorismo, entre outras modalidades de criminalidade complexa perpetradas sob o manto do secretismo, simulação e dissimulação. Comparar a estrutura brasileira acima descrita com suas congêneres de outros países, caso dos Estados Unidos da América, Reino Unido e Canadá, implica levar em conta uma grande disparidade em termos da maturidade sistêmica brasileira, pela própria pouca tradição, fruto da pouca idade da instituição formal da atividade de inteligência policial no caso brasileiro. No marco histórico deste ano de 2012, um grande esforço vem sendo empreendido [tanto em nível federal (SEGE e SENASP) quanto local (secretarias de segurança dos entes federativos)], no sentido de tornar a inteligência policial a mais efetiva possível, louvada nas melhores práticas mundiais e nivelada com a inteligência policial do chamado “Primeiro Mundo.” Enquanto isso, a realização de grandes eventos internacionais pelo Brasil faz com que a segurança pública fique em segundo lugar apenas para a infra-estrutura de suporte direto dos respectivos certames (estádios, vilas olímpicas, aeroportos, transportes públicos, rede hoteleira, etc.). Ou seja, “há investimentos concretos por parte do poder público para o aperfeiçoamento do serviço de inteligência policial no país”. Resta saber se a “cultura policial” será capaz, o mais rapidamente possível, absorver e traduzir tais investimentos em resultados tangíveis na prestação de serviços de segurança pública, não só durante os grandes eventos que estão próximos (2014 e 2016), como também em tempos normais e mais adiante, fazendo desses investimentos um legado para o futuro. Cabe aos gestores da segurança, no mais alto nível da gestão, liderar esse processo e fazer com que seus resultados possam ser colimados a curto e longo prazo.

2 Comentários

Arquivado em Tira dúvidas

Unificação e desmilitarização no Brasil

As mudanças na sociedade sempre ocorreram “lentamente”, não é por acaso que o pensamento vigente em nosso mundo atual, ainda é o pensamento  dos séculos XVIII e XIX. Devido a velocidade em que as informações chegam atualmente o processo de mudança também está sendo acelerado. O que era inadmissível nos anos noventa está tornando-se algo normal em 2012, mesmo que muitas vezes contrarie a legislação vigente.

Sobre legislação precisamos compreender que é a cultura e o pensamento vigente que muda a norma, pois ela é criada para que a minoria resistente ao “pensamento” da época passe a incorporá-lo. No Brasil, é notório que as leis que foram criadas para mudar a “cultura” comportamental simplesmente não “pegaram”, ou seja, não são aceitas pela maioria. Precisamos compreender que qualquer luta política passa primeiro pelo processo de conscientização das “massas”. Depois pela conscientização da “elite dominante” (por meio do lobby), isso é clássico na política.

O discurso da “unificação” e da “desmilitarização” nunca ganhou força, desde que iniciou nos anos sessenta, pois nunca houve a conscientização das massas e da elite dominante, essa, “militarizada”, sempre abafou o discurso. Os atuais políticos são filhos dessa elite. E mantém o pensamento do passado. Os discursos da unificação sempre foram vazios, pois sempre focaram na “unificação salarial”, algo utópico em nosso país. Já o discurso da desmilitarização sempre fora feito sem explicar o como, ainda mais vazio!

Uma luta política é iniciada com a conscientização, depois precisa de um método, que passa pelo planejamento, pela mobilização e pelas ações efetivas. O mais difícil não é pensar, não é planejar, o mais difícil é encontrar pessoas dispostas a lutar, pessoas dispostas a abandonar a zona de conforto, pessoas dispostas a pagar o preço pela liberdade. Antes de falarmos em unificação e desmilitarização temos que discutir qual seria o modelo que substituiria o atual. Temos que falar em municipalização da segurança pública, temos que convencer as elites a discutir o tema, precisamos nos desmilitarizar culturalmente, além é claro de também nos “unificarmos” culturalmente com as outras corporações…

Não tenho dúvidas de que a polícia precisa mudar, de que a polícia está mudando e de que a polícia vai mudar. A construção é diária. Palavras geram pensamentos, pensamentos geram sentimentos, sentimentos geram ações, ações geram resultados! Acredito no poder da Palavra semeada aqui todos os dias! Separados somos fortes, juntos somos imbatíveis!

3 Comentários

Arquivado em Reflexão

A Cauterização da mente ou simplesmente Lavagem Cerebral

A Cauterização ou a Lavagem Cerebral tem o objetivo de afetar o pensamento e comportamento do indivíduo. São métodos e estratégias utilizadas por Chefes Militares, Políticos, Religiosos e Grandes Empresas que buscam justificar a necessidade dessas execuções na mente das pessoas para obter lucros ou resultados.
A Cauterização ou a Lavagem Cerebral, como o nome indica, é uma queimadura, de intensidade e profundidade controladas na mente das pessoas, que tem por objetivo destruir o tecido envolvido do cérebro para que você não conheça, não perceba, não pense, não faça segundo o que for estabelecido pelos doutrinadores. Você só passa a obedecer a doutrina que for semeada. Este controle, é uma forma de conseguir que outros sigam suas ordens e satisfaçam seus interesses.
O psiquiatra americano Robert P. Lifton, professor de universidades como Harvard e Yale, analisou esse processo, que ele chama de Reforma de Pensamento, e descreveu suas principais características.
Lavagem em 8 passos
1- Controle de pensamento: Na doutrina da lavagem cerebral ,não é permitido ler material ou falar com pessoas que tenham ideias contrárias às do grupo. Em alguns casos, a vítima é geograficamente isolada da família e dos amigos.
2 – Hierarquia rígida: São criados modos uniformizados de agir, pensar e vestir, desenvolvidos para parecer espontâneos. A vítima é convencida da autoridade absoluta e do caráter especial – às vezes, sobrenatural – de um líder.
3- Mundo dividido: O mundo é dividido entre “bons” (o grupo) e “maus” (todo o resto). Não existe meio termo. É preciso se policiar para agir de acordo com o padrão de comportamento “ideal”.
4 – Delação premiada: Qualquer atitude errada, ainda que cometida em pensamento, deve ser reportada ao líder. Também se deve delatar os erros alheios. Isso acaba com o senso de privacidade e fortalece o líder.
5 – Verdade verdadeira: O grupo explica o mundo com regras próprias, vistas como cientificamente verdadeiras e inquestionáveis. A vítima acredita que sua doutrina é a única que oferece repostas válidas.
6 – Código secreto: O grupo cria termos próprios para se referir à realidade, muitas vezes incompreensíveis para as pessoas de fora. Uma linguagem muito específica ajuda a controlar os pensamentos e as ideias.
7 – Meu mundo e nada mais: O grupo passa a ser a coisa mais importante – se bobear, a única. Nenhum compromisso, plano ou sonho fora daquele ambiente é justificável.
8 – Ninguém sai: A vítima se sente presa, pois não pode imaginar uma vida completa e feliz fora do grupo perde muitas vezes a capacidade de discernir, ou seja, passam a imaginar que somente eles estão certos.
Depois da mente controlada ou cauterizada buscam levar a seus membros a sensação de que, se eles saírem do grupo, coisas terríveis vão acontecer. Para quem está observando de fora, parece que essas pessoas estão felizes. Acontece que, na verdade, elas foram adestradas e orientadas a sorrir o tempo todo demonstram sempre satisfação de realização mas na realidade vivem uma ilusão e um grande conflito interior. São ensinadas a imaginar que não é uma experiência positiva perder seu livre-arbítrio, apagar sua identidade, desvalorizar seus prevês, viver com medo e com culpa.
Uma mente cauterizada é aquela que perdeu sua função, ou seja, a capacidade de raciocinar, tem dificuldade de filtrar informações, ou seja, perdem a sensibilidade, sejam elas de caráter visual, auditivo ou sensitivo.
O poder da mente é um campo muito explorado pelos cursos militares, publicidade, pelas religiões, músicas, tudo para provocar sensações externas que posteriormente resultam em atitudes internas.
É o que podemos também chamar de “Zelo excessivo” uma superexposição a um “suposto sagrado” são substancias químicas artificiais e negativas que não contribuem de forma positiva para a possessão dos seres humanos. Pelo contrário, destroem a liberdade tornando-os incautos e fazendo-os perder a sensibilidade e a liberdade de ver, ouvir e pensar.

Deixe um comentário

Arquivado em desmilitarização das polícias, Reflexão

Policiamento inteligente: para recebermos coisas novas, precisamos fazer coisa novas!

Para aqueles que ainda não compreenderam a proposta do Policiamento Inteligente irei fazer mais uma explanação. O policiamento inteligente está divido em três fases. A primeira delas é a fase da conscientização, nessa fase trabalhamos uma ideologia e uma filosofia. Aqui o objetivo é a seleção de voluntários para o projeto, pessoas que acreditam que é possível. A segunda fase é a metodológica, nela planejamos a curto, médio e longo prazo. Posteriormente desenvolvemos métodos de mobilização interna e externa, fazendo lobby onde for necessário, objetivando no futuro a implementação das ações, para posteriormente começarmos a desenvolver planejamentos orientados para o problema, criando ações individuais, qualificação profissional, e coletivas, a última por meio de políticas públicas, voltadas para sanar determinados problemas que já foram identificados na segunda fase. Tudo isso quebrando pré-conceitos por meio de conceitos, o que em nossa concepção irá gerar um novo conhecimento, ou seja, um novo paradigma dentro do sistema de segurança pública, consequentemente a mudança cultural em nosso meio.

Por isso, o trabalho é feito de forma sistematizada e lenta. A visão está contida em três grandes pilares, administrativo, educacional e policial. Em nossa visão a Administração deve migrar do hibrido que temos hoje (patrimonialista/burocrático) para o modelo gerencial, o que está dentro do conceito de gestão pública contemporânea, que busca a eficiência, eficácia e efetividade da polícia, já o modelo educacional, que hoje é o modelo tradicional, adotado pela escola superior de guerra, em nossa concepção, deve ser substituído por um modelo mais crítico, adequado a uma sociedade crítica, ou seja, fundamentado na pedagogia da libertação, e por  último, na questão de polícia, sugerimos uma migração do modelo francês, para um modelo brasileiro de polícia, alicerçado na filosofia de polícia comunitária, mais próximo do modelo inglês.

Para tal, necessitamos compreender como a cultura é formada. Precisamos entender a visão de nossa corporação, em sua gênese, nossas metas, nossas crenças, nossos valores e nossas suposições pessoais sobre como as coisas devem ser. A cultura pode ser pensada como a aprendizagem acumulada e compartilhada por determinado grupo, cobrindo os elementos comportamentais, emocionais e cognitivos do funcionamento psicológico de seus membros. Dada tal estabilidade e histórico compartilhado, a necessidade humana por estabilidade, consistência e significado levará os vários elementos compartilhados a formar padrões que, finalmente, podem-se denominar cultura.

Precisamos compreender que a cultura de um grupo pode ser definida como um padrão de suposições básicas compartilhadas, que foi aprendido por um grupo à medida que solucionava seus problemas de adaptação externa e de integração interna. Fico imaginando a viagem feita por nossos antecessores do Rio de Janeiro para a nova capital, quantos problemas tiveram que ser solucionados? O quanto precisaram se adaptar? Só isso já tornou a nossa polícia completamente diferente de nossa genitora. Esse padrão de comportamento tem funcionado bem o suficiente para ser considerado válido e, por conseguinte, para ser ensinado aos novos membros como o modo correto de perceber, pensar e sentir-se em relação a esses problemas.

Tenho criando muitos incômodos mentais, pois tenho agido diretamente nas crenças, nos valores e nas suposições de um grupo. É preciso compreender que, a cultura de um grupo é o resultado de sua aprendizagem acumulada, sendo assim, como descrever e catalogar o conteúdo dessa aprendizagem? Para Edgar Schein, no livro: Cultura Organizacional e Liderança:

“Quaisquer grupos e teorias organizacionais distinguem importantes conjuntos de problemas com que todos os grupos, não importam seus tamanhos, devem lidar:

1)    Sobrevivência, crescimento e adaptação em seu ambiente;

2)    Interação interna, que permite o funcionamento diário e a capacidade de adaptar-se e aprender.”

Para ele, ambas as áreas de funcionamento do grupo refletirão o contexto cultural mais amplo em que o grupo existe, e do qual são derivadas suposições básicas mais amplas e profundas sobre a natureza da realidade, tempo, espaço, natureza humana e relacionamentos humanos.

Quando um grupo forma sua cultura, os elementos dessa cultura serão transmitidos às novas gerações de membros do grupo. Estudar o que se ensina aos novos membros de um grupo é uma forma de descobrir alguns elementos de uma cultura, entretanto, por esse meio, podem-se aprender apenas superficialmente os aspectos dessa cultura, é fato, que muito do que representa o âmago de uma cultura não será revelado nas regras de comportamento ensinadas aos novatos, talvez por isso, ao sair da academia os mais antigos tendem a nos dizer que a prática é bem diferente da “teoria”. Essas regras serão reveladas a esses membros à medida que ganharem status permanente e receberem permissão de entrar nos círculos mais íntimos do grupo onde os segredos são compartilhados. São nesses círculos onde estão os níveis mais profundos de uma instituição. Para se atingir esses níveis mais profundos, deve-se tentar entender as percepções e sentimentos que surgem em situações críticas e observar e entrevistar os membros regulares ou os “veteranos” para obter um senso correto das suposições compartilhadas de nível mais profundo. Talvez isso explique porque as associações são representadas pelos mais “antigos” e “experientes”, o que faz com que o pensamento “predominante” seja perpetuado em nosso meio. Como disse uma vez, aqueles que mais pregam a “desmilitarização” ou “unificação” são aqueles que mais perpetuam o status quo em nosso meio, pois sempre usam a mesma “lógica” dentro do sistema, precisamos aprender que para recebermos coisas novas, devemos necessariamente fazer coisas novas!

3 Comentários

Arquivado em Reflexão

A estagnação é pior do que a negação!

Como disse ontem, é sempre muito interessante observar as reações dos colegas de Corporação, após meus textos. Volto a afirmar que são apenas reflexões “psicanalíticas” que não interferem em nada no sistema. Sou apenas um “soldado que ousou pensar um dia” e que hoje é incompreendido por muitas praças e muitos oficiais. Minha visão é futurista, diria que sou um “líder” visionário. Faço “comparações” entre a polícia do passado, a polícia do presente e a polícia do futuro, aquela que podemos construir juntos. Acredito que o sucesso de amanhã começa hoje. A polícia de amanhã começa a ser construída hoje. Trabalho como um médico que faz um diagnóstico, ou seja, descobre a doença, e depois faz um “prognóstico”, após receitar a medicação. Alguns profissionais cobram caro por esse serviço, eles são chamados de “consultores”. Meu objetivo não é ser compreendido ou amado pela maioria. Meu objetivo é apenas “falar” e ser respeitado por minhas colocações. É apenas expressar meus sentimentos e minhas percepções sobre nosso meio. E quiçá ver algumas sementes plantadas brotar.

Após os vários debates provocados nas redes sociais, inclusive no “Orkut”, nem sabia que ainda existia tal rede de relacionamento, foi até uma surpresa quando fui informado do debate sobre meu texto, que estava ocorrendo lá, percebi a grande diversidade “cultural” em nosso meio. Naquele espaço alguns policiais justificam a “infantilidade” como “proteção” contra o sistema. Se assumiam na condição de “infantilizados” e de “dominados”. Outros se colocavam na condição mais baixa da pirâmide de Maslow, alegando que suas necessidades são apenas primárias, ou seja, ainda buscam apenas saciar as necessidades fisiológicas e de segurança, acreditam que a motivação é externa e que ainda surgirá um “salvador da pátria” para libertá-los. Ou como uma “criança”, que “papai” ou “mamãe” ainda irá “alimentá-los” ou “trocar as fraldas”. O líder ou chefe paternalista é amado pelos “infantilizados”. Estão muito distantes da busca pela realização pessoal e criticam veementemente aqueles que atingiram tal nível. Não compreendem porque aqueles que atingiram tal nível não se deixam abater pelo meio. Não sabem que tais pessoas buscam a motivação interior. O meio não as controla, não as domina. O meio é simplesmente um meio, que pode ser modificado a qualquer momento, pois cada um o vê da maneira que deseja.

É interessante como alguns agem “como crianças”, depressivas, que não conseguem assumir suas responsabilidades. Os sentimentos são sempre negativos, e o pessimismo é contagiante. Os sentimentos negativos são dispersos e projetados em um “mau líder”. A culpa de todos os problemas é sempre do outro. Qualquer assunto é motivo para “brigas” ou discussões que não levam a lugar algum. Não debatem ideias, debatem pessoas, focam em ataques pessoais, sempre tentando desqualificar o “adversário”, nunca conseguem contra-argumentar de maneira lógica e objetiva. O tempo que gastam fazendo críticas as pessoas poderia ser utilizado para o aprimoramento pessoal ou do grupo. A busca pela realização pessoal, ou seja, descobrir quais são os sonhos ou o propósito na vida de cada um seria o primeiro passo. O sucesso depende apenas de nossa força de vontade e persistência!

Meu muito obrigado a todos os companheiros que tiveram a coragem de me defender nos vários debates, quando deixou de ser um debate de ideias e passou a ser pessoal.

2 Comentários

Arquivado em Reflexão

A negação é o primeiro estágio para esconder o óbvio!

Os últimos textos sobre as “deficiências” de nossa formação acabaram gerando fatos interessantíssimos, que merecem uma análise, algo normal dentro do processo de mudança cultural.

Os “líderes” criam e inserem a cultura à medida que as organizações se formam e crescem. A nossa, por exemplo, é secular. Entretanto, a cultura é também criada nas interações com outras pessoas em nossa vida diária, e o melhor meio de desmistificar o conceito de cultura é, acima de tudo, estar consciente de nossa experiência cultural, perceber como algo vem a ser compartilhado, assumido como verdadeiro, e observar isso particularmente nos novos grupos em que entramos e dos quais passamos a fazer parte. Trazemos a cultura de nossa experiência anterior, mas estamos constantemente reforçando ou construindo novos elementos à medida que encontramos novas pessoas e novas experiências. É possível que os “círculos hierárquicos” tenham sido criados para evitar a troca de experiências, adiando assim as possíveis mudanças. E que as redes sociais estejam acelerando tal processo!

A força e estabilidade da cultura derivam do fato de ela estar baseada no grupo, de que o indivíduo assumirá certas suposições básicas para ratificar sua filiação ao grupo. É possível que por isso seja dada tamanha importância aos ritos de passagem em nosso meio. Se alguém nos pede para mudar o modo de pensar ou perceber, e esse modo está baseado no que aprendemos em um grupo ao qual pertencemos, resistiremos à mudança porque não desejamos nos desviar de nosso grupo, mesmo se particularmente acharmos que o grupo está errado. Tal fato é muito facilmente identificado em nosso meio. Esse processo de tentar ser aceito por grupos de filiação ou de referência é inconsciente e, em virtude desse fato, muito poderoso. Meus textos em particular, são textos com uma carga “psicanalítica” muito forte, além de forte carga sociológica e antropológica, talvez por isso mexa tanto com a mente dos opressores e oprimidos.

Os dois textos provocaram muitas discussões nos grupos “fechados” nos quartéis e nas redes de relacionamento, mas alguns pontos se repetiram. A raiva foi um sentimento comum no meio dos “opressores”, a negação dos fatos também, entre os “oprimidos” uma sensação de “alívio” e “vingança” inundou o interior de cada um. Alguns buscaram compreender minhas palavras e partiram em minha defesa, outros leram cuidadosamente meus textos para achar uma “brecha” para me punir e aqueles que “traíram” o grupo. É interessante, como em determinados grupos tentam provar que não tenho “legitimidade” para abordar o tema, pois nunca fui “cadete”, como se a lógica não se repetisse, em outros casos, no caso do Curso de Formação de praças tentam justificar que isso ocorreu há muito tempo e que não é mais assim. O mais interessante é que forçam aqueles que passaram pelo “rito da academia” a firmarem o “pacto do silêncio”, seja por meio da coerção moral ou por meio da “coerção legal”. Fatos semelhantes ocorrem em outros grupos, em outros cursos, o maior exemplo é o Curso de Operações Especiais.

 

A mudança é lenta, mas a construção é diária!

Deixe um comentário

Arquivado em Reflexão

A infantilização, o “cantinho da disciplina” e a avaliação do comportamento em nossa instituição

Quando paro para refletir sobre o sistema onde atuo não consigo desvencilhá-lo de minha época de “Ensino Fundamental”, especialmente o período compreendido entre 1985 e 1990, a educação no país ainda estava bem atrelada a militarização do estado. Nessa época entrávamos em “fila” todas as manhãs para cantarmos o hino nacional. Meu momento preferido era a “hora cívica”, meu sonho era hastear a bandeira nacional.

Sempre procurei ser um bom aluno, mas sempre estive atento as “recompensas” e “punições” dentro do sistema. Estudei na Escola Classe 416 sul (no final da Asa Sul). Todas as salas possuíam um espaço, semelhante a uma “solitária” (um beco isolado), que eventualmente tornava-se o “cantinho da disciplina” para aqueles que cometiam “desvio de conduta”. Lá a professora tinha um caderninho onde avaliava o “comportamento” de cada aluno. Tínhamos alunos no “bom comportamento” e alunos no “mau comportamento”. Quando fazíamos o que ela mandava “direitinho” ela nos dava uma “estrelinha”, o que depois descobri que era um tal de F.O Positivo. Lembro-me também que recebíamos certificados de honra ao mérito, recebi dois com muito orgulho, um na 3ª série e outro na 4ª série. Ainda os guardo com carinho. Parei para analisa-los e achei os “dizeres” contidos neles muito semelhantes a alguns elogios que recebi na corporação e resolvi compartilhar com os leitores.

DIPLOMA DE MÉRITO ESCOLAR

A ESCOLA CLASSE 416 SUL confere ao aluno (a) ADERIVALDO MARTINS CARDOSO, matriculado (a) na 4ª Série, Turma A, DIPLOMA DE MÉRITO ESCOLAR, pela sua dedicação aos estudos, durante o ano letivo de 1988, sendo um exemplo digno de ser seguido pelos colegas.

Brasília – DF, 09 de dezembro de 1988

Antes que alguns se levantem contra tal texto, quero afirmar que é um texto meramente nostálgico de um tempo que eu gostava muito. Ao ingressar na PMDF em 01 de outubro de 1999 tive a mesma sensação do primeiro dia de aula no “pré-escolar”. Perdido, muitos correndo, outros chorando, gritaria para todo lado, dentre outras observações que prefiro não comentar. Na sala de aula levantávamos quando o professor entrava, semelhante a uma antiga novela mexicana chamada “Carrossel”, semelhante a novela, a diretora também era muito temida. Lembro-me também que durante o curso havia a “hora cívica” e que também ficávamos em fila, mas agora diziam que eu estava em “forma”, com as mãos para trás, olhando para a nuca do companheiro da frente, ou simplesmente olhando para o horizonte, ouvindo atentamente o que alguém falava ao longe.

Em minha nova “escola” também havia o “cantinho da disciplina”, tinha algo chamado FO (fato observado), um caderninho que oficiais andavam anotando tudo. Lembro-me que como a professora do jardim de infância eles também observam meu cabelo, minhas unhas, minha roupa, que lá chamávamos de farda. Também davam certificados e elogios ao final do curso.Quando viam algo de errado éramos proibidos de ir para casa. As punições iam desde catar folhinhas, limpar banheiros, fazer faxina em todo quartel, até corrermos feito doidos para ficarmos exaustos e darmos menos trabalho. Cansando o corpo a mente “desacelerava”.

Ainda hoje, treze anos após terminar o “curso de formação” meu comportamento ainda continua sendo avaliado, atualmente consideram meu comportamento excepcional. Como na escola continuo observador com relação as recompensas e punições. Durante meu curso, assim como no ensino fundamental, nunca fui punido. Nunca fui para o “cantinho da disciplina”. Em alguns casos a professora me chamava e me repreendia, assim como ainda tentam fazer comigo, pois sempre respeito as regras “impostas” a mim, apenas falo o que penso, mas sempre com muito respeito e educação, pois foi assim que aprendi com meus pais e minhas queridas professoras do jardim de infância.

Ultimamente tentam me impedir até mesmo de escrever um texto “inocente” e “nostálgico” como esse. Recentemente escrevi um texto sobre “a infantilização na PMDF” e causei o maior alvoroço nos bastidores da Corporação. Acredito que uma instituição de pessoas sérias ao invés de procurar culpados por nossa infantilização, ou querer punir quem expôs o problema, deveria focar na SOLUÇÃO DA PROBLEMATIZAÇÃO LEVANTADA. Precisamos assumir nossas falhas e a partir disso crescer! Assim, somente demonstramos o que todos já sabemos…

É interessante conhecermos “A pedagogia da libertação” contida no livro: “Pedagogia do oprimido”. Faz a diferença para quem acredita em mudanças em nosso meio.

“O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno, mantendo-se assim o status quo, pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado.”

17 Comentários

Arquivado em polícia militar, Reflexão