Arquivo do mês: maio 2016

DF registra 2,5 mil carros furtados em quatro meses – Por Carlos Carone

Com 1,6 milhão de veículos emplacados, o Distrito Federal abriga a frota mais nova do país. A grande circulação de carros transformou os estacionamentos espalhados pela capital da República em terreno fértil para ladrões especializados no furto de veículos. Apenas entre janeiro e abril deste ano, 2,5 mil carros foram levados pelos criminosos, uma média de 20 por dia. O número é 13% maior do que os 2.199 veículos levados por bandidos no mesmo período do ano passado. O Metrópoles teve acesso a números exclusivos que deixaram de ser divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social desde março do ano passado.

furtos de carro

No mapa dos furtos, o Plano Piloto lidera o ranking das regiões quem mais atraem os criminosos. Nas asas Sul e Norte, 528 carros foram furtados entre janeiro e abril deste ano. Ceilândia, a maior cidade do DF, aparece em segundo lugar, com 370 registros de automóveis levados por ladrões. Taguatinga ocupa o terceiro lugar onde mais se furtam veículos, com 249 casos. A cidade de Samambaia ficou com a quarta colocação, com 200 ocorrências nos primeiros quatro meses deste ano.

De acordo com investigações conduzidas pela Polícia Civil, os carros roubados e furtados no DF costumam ter três destinos. São alvos de desmanche – as peças são retiradas e vendidas no mercado paralelo –; são clonados e transportados para outros estados, a exemplo de Goiás e da Bahia; ou acabam usados na prática de outros crimes, como roubos à comércio e até homicídios. No caso da última hipótese, são abandonados e, em seguida, localizados pela Polícia Militar.

Dia e hora para furtar
Segundo as apurações, além dos locais, as autoridades mapearam  o dia da semana e a hora em que mais carros são furtados no DF. Por conta do fluxo de veículos nas ruas durante às sextas-feiras, os criminosos aproveitam para levar os carros sem que os proprietários percebam. A faixa horária mais crítica é justamente das 6h às 18h, quando 287 carros foram furtados apenas no mês de abril.

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Os modelos dos carros preferidos pelos ladrões são os chamados “populares”, principalmente pela liquidez e procura exercida pelos criminosos que alimenta o mercado  paralelo de automóveis roubados e furtados (veja arte). No mês de abril, a lista é liderada pelo VW Gol, com 99 unidades. Em segundo lugar, aparece o Fiat Uno, 80 modelos levados pelos bandidos. O GM Corsa ficou em terceiro, com 35 casos de furtos.

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Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança informou que o furto de veículo não faz parte dos crimes contra o patrimônio monitorados de forma prioritária pelo Viva Brasília – Nosso Pacto pela Vida, motivo pelo qual não está no balanço mensal divulgado pela pasta. “Contudo, continuam acessíveis a qualquer cidadão que deseje ter acesso a eles. O mesmo ocorre com o roubo com restrição de liberdade”, explica a nota enviada pela secretaria.

A pasta ressaltou, ainda, que, com relação à divulgação de análises criminais, os documentos são elaborados para orientar o trabalho dos gestores da segurança pública, resultando em ações de combate à criminalidade. “Portanto, por questão de segurança, estas análises não são divulgadas, já que indicam dias, horários e locais de maior incidência dos crimes.”

Quanto ao combate ao furto de veículos, a Polícia Militar reforçou o policiamento ostensivo em todo o Distrito Federal, por meio da operação Redução dos Índices de Criminalidade (RIC), com 800 policiais remanejados das áreas administrativas para as ruas de todo o DF, seguindo as manchas criminais elaboradas a partir de levantamentos da Secretaria de Segurança. A PM também conta com as unidades especializadas para intensificar o patrulhamento e auxiliar nas operações.

Fonte: Site Metrópoles

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Arquivado em Ocorrências, segurança pública

PM PROCURA EMBAIXADA DOS EUA PARA RESOLVER SITUAÇÃO DOS COLETES E VIATURAS

A PM QUE FAZER ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA COM O INJ

Estados Unidos na sexta-feira (27) à tarde para tentar resolver a situação dos coletes balísticos vencidos da corporação e os problemas com as viaturas do modelo Pajero. A ação foi tomada porque a norma que regula os coletes é norte-americana, do Instituto Nacional de Justiça.

O Departamento de Defesa norte-americano foi acionado para que, junto com a PMDF, cheguem a um consenso. Segundo apurou o Diário do Poder, o Comando propôs fazer acordo de cooperação técnica com quem faz as normas.

“Hoje é praticamente impossível trabalhar como está. A norma brasileira está defasada há dez anos. Não podemos ficar aguardando as indústrias brasileiras”, informou uma fonte da PM.

A Polícia Militar quer seguir o modelo do Corpo de Bombeiros do DF, que adota a ténica alemã para veículos de incêndio. “Se o CBM fosse seguir as normas brasileiras, não teria nem metade disso”, informou o PM.

Se o acordo for aceito, o Comando da PM informou que os quase 14 mil policiais militares do DF terão melhor material de qualidade para usar, tanto em relação aos coletes balísticos vencidos, quanto às viaturas Pajero sem manutenção.

Coletes vencidos

Em 20 de maio, o Diário do Poder revelou que os coletes da PM venceram naquele mesmo dia em que a reportagem foi publicada e o Comando da PM não havia renovado. Por causa da situação, uma campanha rodou grupos de policiais com imagem do malote de colete comprado e a frase “Não sairemos para a rua com coletes vencidos”. Eles ameaçaram parar de trabalhar devido à gravidade do caso.

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À reportagem, o subcomandante da PM, coronel Sant’Anna explicou, à época, que a PM vem tentando adquirir desde julho de 2015 novos coletes, mas a empresa vencedora da licitação foi reprovada por apresentar equipamentos frágeis e reprovados nos testes. A licitação foi declarada como “fracassada”.

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“A PMDF não abre mão da segurança dos seus profissionais. Estamos preocupados em acelerar ao máximo o processo de aquisição, contudo não podemos descumprir prazos previstos nas leis licitatórias”, explicou o oficial.

Fonte: Diário do Poder – http://diariodopoder.com.br/noticia.php?i=56735403922

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Os cinco níveis da Liderança – Todo policial é um líder em potencial

Todo policial é um líder em potencial, pois tem poder autoridade e legitimidade para atuar

[1]Aderivaldo Martins Cardoso

Quem me conhece e me acompanha sabe que em 2009 tomei uma decisão em minha vida a partir de uma pergunta: “Como me vejo nos próximos cinco anos?”. Minha busca a partir daquele momento foi me tornar a “maior liderança que a PMDF já teve”, “uma referência em segurança pública no DF”, “um homem público respeitado e influente”, “um grande comunicador” e “o maior multiplicador da filosofia de policiamento comunitário no DF”. Acredito que me tornei neste período um pouco de cada desejo. Mas o que ainda me move e me inspira é falar de “liderança”.

Para me tornar a “maior liderança da PMDF”, acredito que hoje eu seja uma “liderança em potencial” tive que aprender muito sobre o que é liderança. Descobri que só aprendemos quando ensinamos. Durante um período dei aula de Chefia e Liderança para praças da PMDF. Nestas aulas eu afirmava e continuo afirmando que o nosso maior problema é a falta de lideranças em nosso meio. Algo forte, mas verdadeiro.

Nossa base teórica sobre liderança vem da Escola Superior de Guerra, que defende o “modelo tradicional de liderança”, ou seja, aquela baseada no cargo. Eu particularmente prefiro e defendo o modelo adotado pela a “Escola Behaviorista”, que defende que todos nós somos líderes em potencial, pois são as características de atuação que irão definir se somos líderes ou não. Outro grande inspirador sobre o tema é John Maxwell, autor de vários livros que sempre constam na lista dos best-sellers do New York Times e que já apresentei vários livros dele por aqui.

Em seu livro Os 5 Níveis da Liderança, Maxwell (2013) afirma que a verdadeira liderança não é questão de ter determinado cargo ou emprego, o que fortalece nossa tese. Na verdade, para ele, ser escolhido para uma posição é apenas o primeiro dos cinco níveis que todo líder eficaz alcança. Para tornar-se mais do que o “patrão” que as pessoas seguem só porque são obrigadas, você tem que dominar habilidades de investir nas pessoas e inspirá-las. Para crescer ainda mais em sua função, você tem de obter resultados e formar uma equipe que produza. Na verdade, você precisa ajudar as pessoas a desenvolver habilidades para tornarem-se líderes por si mesmas. E se você tiver a aptidão e a dedicação, poderá chegar ao pináculo da liderança, que é onde a experiência permitirá que você amplie sua influência além do seu alcance e tempo imediato para o benefício dos outros.

Para Maxwell (2013) a posição é o nível de liderança mais baixo, pois é o nível de entrada. Para ele, a única influência que o líder posicional tem é a que vem com o título do cargo de trabalho, ou seja, as pessoas seguem porque têm que seguir.

A liderança posicional baseia-se nos direitos ganhos pela posição e título. Não há nada de errado em ter uma posição de liderança. Mas tudo está errado em usar a posição para fazer as pessoas seguirem você. A posição é substituta ineficiente para a influência. (Maxwell, 2013: 17)

Muitas vezes percebemos o que Maxwell (2013) está falando em nosso meio na caserna. Para ele, “pessoas que chegam apenas ao nível 1 podem ser chefes, mas nunca líderes. Têm subordinados, não membros de equipe. Contam com regras, regulamentos, políticas e organogramas para controlar seus subordinados”. Ele vai além ao afirmar que: “as pessoas o seguem apenas dentro dos limites declarados da autoridade. E as pessoas farão apenas o que lhes é exigido”. Notamos isto em nosso meio, Maxwell (2013) afirma que: “quando os líderes posicionais pedem um esforço ou tempo extra, raramente são atendidos.

Recentemente temos percebido um conflito entre os policiais mais novos e algumas autoridades mais antigas, uma delas em formatura chegou a chama-los indiretamente de “mimados”, que faziam parte da geração “Toddynho”, ou seja, criados com “leite e chocolate”. Para Maxwell (2013):

Líderes posicionais geralmente têm dificuldade em trabalhar com voluntários, pessoas mais jovens e pessoas de alto nível de escolaridade. Por quê? Porque líderes posicionais não têm influência, e esse tipo de pessoa tende a ser mais independente. (Maxwell, 2013: 17)

Precisamos compreender que “a posição é o único nível que não requer habilidade e esforço para alcançar. Qualquer pessoa pode ser nomeada para uma posição” (Maxwell, 20013). Em contrapartida, o nível de liderança mais alto e mais difícil é o “pináculo”. Este nível exige não só esforço, habilidade e intencionalidade, mas também elevado nível de talento. Para Maxwell (2013) Apenas os líderes naturalmente talentosos chegam a esse nível mais elevado. Mas o que fazem os líderes que atingem o nível 5? Para John Maxwell, eles desenvolvem pessoas para tornarem-se líderes nível 4 e quiça para que cheguem até o nível 5 também.

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Segundo Maxwell (2013) se as pessoas são respeitosas, agradáveis e produtivas, podem estabelecer um grau de influência sobre outros e ganhar seguidores com relativa facilidade. Desenvolver seguidores para liderarem por conta própria é difícil. Este é o nosso objetivo neste espaço. Trazer a reflexão, para que nossos seguidores tragam soluções e respostas por conta própria. Para Maxwell:

Muitos líderes não conseguem, porque exige muito mais trabalho do que meramente liderar seguidores. No entanto, desenvolver outros líderes é a tarefa de liderança mais difícil para a maioria. Mas estes são os benefícios: líderes de nível 5 desenvolvem empresas de nível 5. Criam oportunidades que outros líderes não criam. Geram legados no que fazem. (Maxwell, 2013:20)

Recentemente o Tenente Poliglota em seu blog relembrou uma frase que escrevi sobre “legado”, sobre não sermos “imediatistas”, sobre “pensarmos a longo prazo” ao reivindicarmos algo para nossa categoria. Tenho aprendido que o segredo da vida é “ter paciência e fé”. Para encerrar, quando falamos neste tipo de liderança, estamos falando em “reputação positiva”. Para Maxwell (2013) líderes nível 5 muitas vezes transcendem sua posição, sua empresa e, por vezes, seu ramo de atividades. Encerro com uma frase de John Maxwell que ainda mexe comigo: “Líderes não trocam um nível por outro. Adicionam um nível ao anterior. É um processo de construção”. Como sempre digo: a construção da liderança é diária. Para Maxwell (2013) “Líderes que alcançam o nível 5 são reconhecidos por estar nesse nível por causa da reputação em vez de apenas por causa da interação pessoal”. Nunca podemos esquecer o básico da liderança: “liderar é influenciar pessoas”. Independentemente da posição que você ocupa hoje, torne-se um líder, afinal, todo policial é um líder em potencial, pois tem: poder, autoridade e legitimidade para atuar, basta apenas, em alguns casos, conquistar a confiança da comunidade.

Referência Bibliográfica:

Maxwell, John C. Os 5 Níveis da Liderança – CPAD, Rio de Janeiro – 2013. Tradução: Luís Aron de Macedo. Título Original: The 5 Levels of Leadership – Hachette Book Group, New York, EUA, 1ª Edição em Inglês – 2011.

Foto: Os 5 níveis da liderança retirada do Site: http://profissionaiscomproposito.com.br/artigos/os-5-niveis-da-lideranca  Acessado em 28/05/2016 as 14:42

Tenha acesso ao texto em PDF: Todo policial é um líder em potencial

[1] Cardoso, Aderivaldo Martins – É sargento da Polícia Militar do Distrito Federal, Especialista em Segurança Pública e Cidadania (UNB), Autor do Livro: Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários de Segurança Pública do Distrito Federal (2012).  Instrutor de Chefia e liderança, Ex-Assessor Especial de Gabinete e de Comunicação da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (2015/2016)

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BRASIL: O PAÍS DA DELAÇÃO? Por Bruno Espiñeira Lemos

A moda da delação premiada pegou no Brasil.

Sua gênese remonta ao período medievo, embora, desde que o mundo é mundo sempre houve um delator de plantão em todos os cantos e esquinas do planeta, mas ela ganhou relevo particular, em especial, nos crimes complexos dos dias atuais, na esfera econômica e financeira. É uma confissão de incapacidade do Estado de sozinho investigar e colher os elementos de prova necessários a uma efetiva persecução penal.

Utilizada em alguns países, com destaque para os Estados Unidos da América, com sua “plea bargaining”, bem como para a Itália das “mãos-limpas”, fonte inspiradora da república de Curitiba, no Brasil começa a se perpetuar com influência da Operação Lava-Jato para crimes e cenários os mais diversos. Dia desses um Promotor de uma cidade do Norte brasileiro propôs um acordo de delação a um “pé-de-chinelo” em delito de pouca relevância para que denunciasse seus dois comparsas de singela aventura no mundo do crime de bagatela ainda punido no Brasil.

Seria o Brasil um país de traidores, “dedos-duros”, alcaguetes, “Xnoves”, silvérios e outros sinônimos de entreguistas?

O instituto inicia-se em nossa legislação com a lei de crimes hediondos e ganhou força com a lei das organizações criminosas.

Acontece que a delação, “carinhosamente” denominada colaboração premiada, no Brasil é feita à brasileira e somente é aceita quando está pronta, após muitos rascunhos, com o teor desejado pelo órgão acusador e não necessariamente do “colaborador”, chegando-se mesmo ao requinte de criatividade pecaminosa dos delatores, de faltarem com a verdade, visando apenas as benesses da sua escolha traidora.

Ainda que pareça uma justa consequência para quem se dispõe a delatar outrem, aqui em nossas plagas, diariamente e contra legem, não se preserva nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais do delator, nem o direito de não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem de ser fotografado ou filmado, sem sua prévia autorização por escrito.

No Brasil, com a conivência do próprio “Estado punidor”, o delator tem seus dados e teor da delação divulgados no primeiro matutino de relevo ou não de plantão.

Será que Renan estava errado, quando em uma das gravações ilícitas que se perpetuam na República dos grampos, chantagens e gravações ilimitadas do salve-se quem puder, defendeu uma mudança na lei para impedir a delação de acusado preso?

O preso está com a sua vontade livre? Nas prisões da miséria ninguém é livre para absolutamente nada! Seja lá que raio de natureza jurídica detenha a delação, para que vá a efeito pressupõe-se a ausência de qualquer coação, inclusive a moral, advinda intrinsecamente de qualquer cárcere.

Na minha modesta opinião, todas as delações de acusados presos são ilícitas, todas as delações que possuam contradições e construções, desconstruções e reconstruções são igualmente írritas.

O parlamento (não esse desmoralizado e sem legitimidade) ainda deve ao país regras claras e garantidoras da segurança jurídica e da coerência para que a delação ou colaboração valha como instrumento de obtenção de dados.

Enquanto esse acerto de contas não chega seguem patinando as autoridades imberbes na condução das delações, com abusos e coações irresistíveis, tudo isso enquanto descarrilha o comboio do devido processo legal no Brasil.

Colunistas-BrunoLemos

Retirado do Site:  Canal Ciências Criminais

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Opinião de Hélio Doyle sobre as eleições para administrador no DF

Tenho acompanhado o debate sobre a “eleição para administradores” no Distrito Federal e a obrigatoriedade de ser filiado a um partido para concorrer. Todos sabemos que os partidos atualmente possuem donos e são fábricas de “negociatas”, fato que tem afastado as pessoas de bem da política. O descrédito com a maioria dos partidos é total. Em minha opinião, fazer eleição para 2018 é jogar o problema para o próximo governo, cumprir promessa de campanha assim é fácil. Também tenho acompanhado diariamente as publicações do “ex-nome forte do governo” o jornalista Hélio Doyle que fez as seguintes afirmações sobre o tema na publicação do Jornal de Brasília do dia 27/05/2016, pág. 10.

Deixem os partidos fora desta 

O governador Rodrigo Rollemberg e alguns porta-vozes do governo deveriam se informar melhor para não falar bobagem. No caso, a bobagem é dizer que exigir filiação partidária dos candidatos a administrador regional é importante para impedir que haja excesso de postulantes ao cargo. Os partidos, segundo eles, seriam o filtro para as candidaturas. Essa é uma posição atrasada, restritiva e incoerente com os dias de hoje, em que os partidos não têm representatividade e legitimidade, sendo rejeitados pela sociedade. Exigir que um cidadão com inserção na comunidade se submeta ao crivo de um partido político e de seus caciques, muitas vezes corruptos, para ser administrador é uma restrição inaceitável. Além de partidarizar o que não tem de ser partidarizado – pelo contrário.

É só consultar o Reguffe

A preocupação de Rollemberg e de seus desinformados assessores é fácil de ser resolvida. Eles poderiam, inclusive, consultar o senador José Antônio Reguffe, que apresentou uma proposta de emenda constitucional para que ninguém seja obrigado a ter filiação partidária nas eleições para o Executivo. A fórmula, proposta por Reguffe e em vigor em vários países, é simples: a candidatura é registrada se o postulante demonstrar ter o apoio de determinado número de eleitores, o que pode ser comprovado por uma lista com assinaturas.

No caso de haver mesmo eleição para administrador regional, esse apoio poderia ser manifestado também, por que não, por entidades representativas da comunidade. Ao se exigir que todos os candidatos apresentem os apoios mínimos de que dispõem, o número deles também estará sendo restringido. Mas não por um limite artificial como o partido, mas pela representatividade da postulação. Jeito, tem. Mas tem de sair da mesmice e buscar ideias novas e modernas.

Debate necessário

O governo deveria aproveitar a discussão sobre as eleições para administrador regional e colocar em pauta, para a sociedade, algumas questões que precedem a escolha do gestor. Eis algumas: qual é exatamente o papel de uma administração regional? Como ela deve se estruturar? Quais os limites orçamentários e financeiros das administrações? Como deve ser a relação do administrador com as secretarias, autarquias e empresas públicas?  A sociedade também deveria ser ouvida sobre a definição das áreas territoriais das administrações. São mesmo necessárias 31 administrações regionais? É razoável que Ceilândia e Candangolândia tenham uma administração cada? A renda deve ser critério para separar uma região administrativa de outra limítrofe, como Lago Norte e Varjão?

Tudo isso deveria ser discutido com a população, especialmente por intermédio de suas entidades. Se essas questões forem discutidas apenas com os deputados distritais, já sabemos o resultado: mais administrações, mais cargos comissionados e mais contratos.

Tempo de mudar

Brasília tem de sair do mesmo do mesmo. Romper com velhas estruturas e criar novos mecanismos de participação e gestão. Rollemberg dizia que não queria ser governador para fazer o mais do mesmo. Que iria mudar de verdade. Está passando da hora de mostrar isso e o debate sobre as administrações pode ser um bom caminho.

PARTIDOS-POLÍTICOS

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