Arquivo do mês: janeiro 2015

Desabafo de Um Coronel*Por Jorge Damasceno

Eu havia feito uma promessa de não escrever sobre esse assunto. Mas me perguntam tanto qual minha opinião? Resolvi quebrar a promessa e me manifestar. Então vamos lá. Não fico chocado com a morte de policiais. Pois isso, faz parte do trabalho e da profissão escolhida espontaneamente por nós.

Eu fico é chocado com a morte de 10 a 15 pessoas todo final de semana em Brasília. Mas somente daqueles que não possuem envolvimento com a criminalidade. Mas sim, aqueles que saem para se divertir e não voltam. Como por exemplo, a morte de cobradores e demais trabalhadores. Isso sim me choca.

Qual o problema para isto estar acontecendo no DF e quais as soluções possíveis? Em primeiro lugar é preciso entender, o porquê da criminalidade crescer tanto na nossa capital. Fatores como as drogas, falta de emprego e outros são uma das causas.

Mas o maior problema é que estamos na segunda ou terceira geração de criminosos. Raciocinem Brasília tem 54 anos. Os primeiros criminosos eram de lugares diferentes do país. Eles foram criados juntos e conhecem o local com a palma da mão. Portanto, são mais ousados, e o maior problema: a Policia Militar perdeu completamente, a capacidade de proteção à população.

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Deixamos de ser uma polícia preventiva para ser uma polícia de socorro. Não existem planejamentos de contenção da criminalidade. Os policiais militares estão envelhecidos com mais de 60% do efetivo acima dos 20 anos de serviço.

Operações, tais como a operação aeroporto, mini pontos de bloqueio, anel maior, anel menor não são mais executadas. A polícia deve ser hoje preventiva e repressiva ao mesmo tempo.

Não adianta somente saturar uma área com viaturas, pois, os bandidos irão assaltar na quadra ao lado. Ao contrário de que algumas pessoas falam, o serviço de Policia Militar é amparado em cinco base: inteligência, comunicações, recursos humanos, logística e informática.

 As autoridades de segurança pública devem com urgência providenciar um choque de gestão no planejamento operacional preventivo da PMDF. Refazer as linhas que dividem as áreas de responsabilidades das UPMS.

Utilizar o geoprocessamento diariamente para mapear a criminalidade, redistribuir recursos humanos e meios rodantes e acima de tudo chamar a tropa para conversar. Pois nenhuma empresa do mundo seja ela pública ou privada prospera sem que seu público interno esteja satisfeito.

Pronto falei!

*Jorge Damasceno é Coronel da reserva da Polícia Militar do DF (PMDF)

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Fonte: http://www.radiocorredor.com.br/2015/01/desabafo-de-um-coronel_31.html

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Os direitos humanos funcionam como o fiel da “balança” no Estado Democrático de direito

Os direitos humanos funcionam como o fiel da “balança” no Estado Democrático de direito, talvez por isso seja odiado por organizações policiais. É fato que o “poder de polícia” e o “poder discricionário” tornam-se instrumento perigoso nas mãos de maus policiais e agentes do Estado mal intencionados. Por isso, alguns já questionam se não é o caso de limitar o “poder discricionário das forças de segurança.

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Um exame superficial do treinamento e prática existentes na aplicação da lei revela que a atenção e os recursos são centralizados potencialmente nos infratores. É sabido também que as funções de aplicação da lei e a manutenção da ordem pública têm a tendência de concentrarem-se apenas nos infratores da lei ou “perturbadores” da ordem pública, preocupando-se pouco, ou nada, com a grande maioria das pessoas que respeitam a lei e não causam distúrbio. Costumo dizer que temos 99% de pessoas de bem e 1% de marginais. 100% é tratado como um “perigo” por causa de um por cento. Em alguns casos alguns dizem que “todos são bandidos até que se prove o contrário”. Não seria uma inversão de valores de nossa parte? O cidadão de bem está cada vez mais desprotegido, muitas vezes tornando-se refém dos bandidos, outras dos agentes despreparados do Estado.

A proteção concedida às vítimas de um crime é muito limitada, quando comparada ao número de instrumentos destinados à proteção dos direitos dos “suspeitos” e pessoas acusadas nas áreas de “captura”, “detenção”, “prevenção” e “detecção” do crime.

Quando analisamos os instrumentos internacionais que oferecem “orientação” aos Estados membros sobre a questão da “proteção e reparação” às vítimas da criminalidade e do abuso de poder, diga-se de passagem, violência policial, nos deparamos com a “declaração das nações unidas sobre os princípios fundamentais de justiça relativos às vítimas da criminalidade e do abuso de poder (Declaração das vítimas)”. Algo simples, que não chega a ser um tratado, portanto, não cria obrigações legais aos Estados. Mas mesmo assim, algumas iniciativas do parlamento Brasileiro, começam a demonstrar que atualmente existe uma tendência de adequação internacional nesta área de proteção às vítimas. Lembrando que o “vagabundo” também pode tornar-se uma vítima quando o policial trabalha fora dos parâmetros legais.

Podemos definir vítima de crime como sendo: “as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido danos, nomeadamente a sua integridade física ou mental, ou sofrimento de ordem emocional, ou perda material, ou grave atentado a seus direitos fundamentais, como consequência de atos ou omissões que violem as leis penais em vigor em um Estado membro, incluindo as que proíbem o abuso de poder.”

Podemos avançar a definição, especificamente sobre a violência policial, que deve ser cada vez mais combatida em nosso meio nós próximos anos,  definindo “vítimas do abuso de poder”: “as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido danos, nomeadamente a sua integridade física ou mental, ou sofrimento de ordem emocional, ou perda material, ou grave atentado aos seus direitos fundamentais, como consequência de atos ou omissões que, não constituindo ainda uma violação da legislação penal nacional, representam violações das normas internacionalmente reconhecidas em matéria de direitos humanos.”

O termo vítima inclui também a família próxima ou dependente da vítima, assim como as pessoas que tenham sofrido algum dano ao intervirem em nome da vítima. A polícia militar, como polícia preventiva, deveria mudar o foco de sua atuação em ocorrências, ou seja, focar mais na proteção da vítima, em ações e discursos, e menos no criminoso. Depois que o crime o ocorre é importante prender o criminoso, mas a proteção e cuidado à vítima deve ser prioridade.  Pois a lembrança “negativa” sobre a polícia irá sempre prevalecer sobre a “positiva”. Lembro-me que por diversas vezes, vítimas de roubo ou de outros crimes choravam desesperadas, algumas pedindo até para serem conduzidas a delegacia, mas eram orientadas a irem sozinhas para a DP da área, em alguns casos, colocávamos a vítima  na viatura apenas no intuito de tentar reconhecer os criminosos que ainda rondavam a vizinhança. Mudando o foco para proteção e cuidado a vítima não tenho dúvidas de que mudaremos a visão que a população tem da polícia e nos aproximaremos muito mais dela.

Por: Aderivaldo Cardoso

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Posto depredado na quadra 07 do Guará I

Hoje pela manhã recebemos as fotos abaixo de uma leitora do Blog. Ele queria saber como poderia denunciar o fato. Segundo ela o posto depredado fica no Guará na Quadra 07.

10389958_1050469338302862_5187361748062491265_nO governo do Distrito Federal precisa dar uma destinação para os postos, caso contrário o projeto será finalizado. Muitos postos já foram desativados pela polícia.

 

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Os três tipos de críticos do governo Rollemberg. Qual é o mais coerente?

O governador Rodrigo Rollemberg vem sofrendo várias críticas em menos de 1 mês de gestão. Os críticos podem estar exagerando? Depende de qual deles. Este blogueiro votou no governador, mas não o poupa quando enxerga que ele descumpriu uma de suas principais promessas de campanha, no caso as escolhas e os critérios para as administrações regionais, onde a população nem sequer foi consultada.

Imaturo e ignorante
Existem três tipos de críticos. O primeiro é o imaturo e ignorante. Para ele, Rollemberg deveria resolver todos os graves problemas do DF em apenas 1 mês de mandato. Este tipo de crítico não entende muito de política e nem tem noção real da herança maldita que o governador herdou de seu antecessor.

Partidário e “cego”
Este crítico não votou no governador, bem como torce pelo fracasso de seu governo, como se ele próprio não fosse sofrer na pele os impactos de mais uma gestão negativa na cidade. Para ele, quanto pior, melhor. É partidário e cego, ou só pensa em seus próprios interesses políticos, não no DF como um todo.

Responsável e fiscal
É o crítico que pode ter votado ou não em Rollemberg, mas fiscaliza sua gestão de forma responsável, elogiando quando deve e criticando quando necessário. Portanto, o crítico fiscal é o mais coerente, pois compreende que não se resolvem todos os problemas do DF em apenas 30 dias, bem como sabe que fazer oposição agressiva não contribuirá em nada para sanar os problemas crônicos da cidade. Todavia, se o governador descumprir uma promessa de campanha e fizer o inverso do que prometeu, deve sim ser criticado, mas de forma responsável.

Herdar herança maldita não significa que o governante estará imune a críticas por erros que vier a cometer.

Por Fred Lima

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Fonte: http://www.blogdofredlima.com.br/2015/01/28/os-tres-tipos-de-criticos-do-governo-rollemberg-qual-e-o-mais-coerente/

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As novas comissões da PMDF e os “corredores” do poder

Tenho recebido várias perguntas referentes a algumas comissões criadas na PMDF e visto a revolta nos grupos de policiais nas redes Telegram e “Zap”. Principalmente, sobre “o  programa de valorização e reconhecimento do policial militar por meio de um sistema de avaliação de desempenho técnico-profissional baseado em critérios objetivos”, alguns da “oposição insana” já pregam o terror, alegando que é para “arrochar o praça”, que é para “sacanear o praça”, que o praça, o praça, o praça…

Tenho analisado de outra forma. E como a maioria não possui visão estratégica vou mostrar um pouco do que tenho visto: na PMDF temos mais coronéis que o Estado de São Paulo, o número gira em torno de 70 (setenta), sendo que vagas reais (gratificadas) para coronéis giram em torno de “somente” 39 (trinta e nove). É preciso “enxugar” o último posto da PM, até para dar fluidez para eles. Como? Ninguém quer perder as gordas gratificações. Vejo que a estratégia foi colocar os mais antigos no “corredor”. São onze coronéis mais antigos nesta situação, “forçando-os” a “tocar o sino”. Comissão sempre foi vista como “corredor”, nunca trouxe efeitos práticos. Precisamos compreender isso. O praça precisa deixar a “teoria da conspiração” de lado e olhar de outra forma, por meio de uma visão mais estratégica. Existem mais “interesses” em jogo neste momento do que “sacanear o praça”.

Corredor na nossa linguagem quer dizer sem sala, sem função gratificada, sem carro, sem motorista. Passam a ser “assessores” do comandante, sem poder de decisão efetivo.  Política se faz com a “ocupação de espaços de poder”. O exercício do poder é feito por meio do “cargo”. Sem cargo dizemos que a pessoa foi “desempoderada”, ou seja, perdeu poder.

Por: Aderivaldo Cardoso

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