Arquivo do mês: janeiro 2009

Força Nacional: já querem o seu fim…

A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), criada em 2004, é um programa de cooperação de Segurança Pública brasileiro, coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça (MJ). É um órgão que foi criado durante a gestão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, idealizado pelo Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Particularmente vejo com bons olhos a criação de força e o seu trabalho realizado até hoje. Nosso país, devido sua extenção e particularidade, necessitava de uma força que pudesse ser deslocada com “facilidade” para qualquer parte do país. Mas como sempre tudo que está dando certo ACABA CONTRARIANDO interesses, sempre surge um para tentar atrapalhar o “bom andamento” do serviço. Dessa vez o exemplo vem de Belém…

MPF no Pará quer a extinção da Força Nacional de Segurança BELÉM (PA) – A extinção da Força Nacional (FSN) de Segurança foi pedida pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA). De acordo com o procurador da República, Fernando Aguiar, a FSN foi criado por decreto presidencial sem amparo na Constituição. Para o procurador, isso põe em risco o Estado Democrático de Direito. No entendimento de Fernando Aguiar, um órgão policial tem que ser criado por meio de proposta de emenda Constituição (PEC), com a participação do Congresso Nacional, e não por decreto do presidente da República. Na ação civil pública que ajuizou na Justiça federal, o procurador argumenta ainda que o dinheiro destinado Força Nacional poderia ser aplicado no patrulhamento das fronteiras, que, segundo ele, é um dos maiores problemas de segurança do país, sendo que o Exército não consegue exercer seu poder de polícia nas fronteiras, tal como determina a Lei complementar 97 justamente por falta de recursos. Hoje (30), a juíza da 2ª Vara Federal de Belém, Hind Ghassan Kayath, deu um prazo de 72 horas para que a União se manifeste sobre ação, para só depois tomar uma decisão sobre se aceita ou não o pedido do Ministério Público Federal no Pará. (AE)

Vejo a preocupação do Procurador até louvável, se o que estiver por trás de tudo isso for simplismente a preocupação com a preservação da constituição. Acredito também que nossos juristas e entendidos do direito deveriam deixar de ser tão POSITIVISTAS, no sentido de olhar de forma limitada, e passar a olhar de forma mais ampla para a situação da segurança pública. O decreto pode até ter sido o meio errado, mas se analisarmos o período em que a Força Nacional foi criada, foi a maneira mais acertada, pois não teríamos tempo para aguardar o tempo necessário para se tramitar uma PEC no congresso! A SEGURANÇA PÚBLICA ESTÁ NA UTI, NÃO TEMOS TEMPO A PERDER!!

Fonte: http://ee.diariodopara.com.br/

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Policial desaparecido!!

Para aqueles que ainda não viram o site da PM…

28/1/2009 18:49:00

 

POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL

ESTADO MAIOR

COMUNICAÇÃO SOCIAL

 

DESAPARECIDO

Tenente Reginaldo de Jesus

O 1º TENENTE QOPMA REGINALDO DE JESUS, DE 44 ANOS, ESTÁ DESAPARECIDO DESDE DOMINGO (25 DE JANEIRO DE 2009). O POLICIAL MILITAR FOI VISTO PELA ÚLTIMA VEZ NA CIDADE DE VALPARAÍSO-GO.

 

QUALQUER INFORMAÇÃO A RESPEITO DO MILITAR PODE SER PASSADA PELOS TELEFONES: (61) 34452198; (61) 96480759 OU PELO NÚMERO DE EMERGÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL: 190

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Policiamento comunitário, teoria e prática no Distrito Federal!

Esse mês dei início ao meu trabalho monográfico sobre o tema Policiamento comunitário, onde utilizei como base principal o projeto de postos policiais no Distrito Federal, conhecido como: Postos Comunitários de Segurança (PCS).

Vejo esse projeto como uma das ações dentro da filosofia de policiamento comunitário viáveis a serem implementadas, mas ainda falta muito para atingirmos o nível satisfatório de atendimento.

Um importante papel desses postos dentro da segurança pública é a ocupação territorial pelo ESTADO proporcionado por eles. Lugares onde o estado não se fazia presente e agora se faz.

Levantei alguns questionamentos para a elaboração desse trabalho e gostaria que os leitores contribuissem com seus valiosos comentários.

1) O policial que atua nos postos conhece a filosofia do policiamento comunitário?

2) A filosofia, quando conhecida produz resultados satisfatórios? Quais resultados?

3) A polícia contribui para a aplicação da filosofia do policiamento comunitário nas proximidades dos PCS? Existe a descentralização de poder?

4) Se não contribui, o policial de serviço nesses PCS se esforça para a aplicação dos princípios e fundamentos dessa filosofia, independentemente da corporação?

5) Como a corporação (chefia) entende o afastamento do policial do PCS para atendimento de ocorrências próximas aos postos?

6) Como o policial, na base, lida com a figura do “abandono de posto”, típica das instituições militares e desculpa frequente para o não atendimento de ocorrências nas proximidades dos postos?

7) A estrutura existente nos PCS atende a expectativa da comunidade?

8) A estrutura existente nos PCS atende as necessidades dos policiais? Quais seriam essas necessidades?

9) A polícia militar exige algum perfil específico para se atuar nos PCS? Ocorre a exigência de algum curso sobre policiamento comunitário?

10) Qual o papel dos Conselhos Comunitários de Segurança nesse processo?

11) Como sair do atendimento reativo para o pró-ativo nessa nova estrutura? Existe essa possibilidade?

Creio que essas onze perguntas podem nos ajudar a nortear nossas ações sobre o tema…

Espero respondê-las e chegar a uma conclusão sobre o tema!

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Concurso para Soldado PMDF: Inscrições adiadas!

Em decorrência de alterações no edital as inscrições para o concurso para soldado PMDF foram adiadas para o dia 26/01 (segunda-feira).

A partir de agora as inscrições serão do dia 26/01 ao dia 10/02.

Uma dúvida surgiu com a publicação do novo decreto que regulamenta a exigência de curso superior para ingresso na PMDF. Ela é referente a cursos de tecnólogos. Se esses cursos seriam aceitos ou não.

Como a PMDF está capacitando seus policiais em cursos de tecnólogos em segurança pública seria uma incoerência não aceitar tais cursos.

Os cursos de tecnólogos são equivalentes aos demais cursos de graduação, mas com características especiais.

Não poderiam ser aceitos caso fosse exigido um tipo específico de graduação, do tipo: bacharel ou licenciatura.

Boa sorte aos candidatos!

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Como anda o concurso para médicos?

Tenho observado uma grande participação de candidatos ao concurso para o EAO aqui no blog, o que me deixa muito honrado e feliz.

Agradeço cada comentário e elogios ao blog. Por isso, resolvi deixá-los a par do andamento do concurso para tranquilizá-los, já que muitos moram em outros estados e não têm disponibilidade para se deslocarem constantemente a diretoria de pessoal.

O PROCESSO DE NOMEAÇÃO já se encontra na CASA MILITAR para a elaboração do decreto, o que segundo informações pode levar de dois a cinco dias, caso não seja encaminhado a procuradoria, em sendo, levará de dez a vinte dias.

Portanto, é necessário que fiquem atentos ao DODF para não serem pegos de surpresa. É bom lembrá-los que de posse do decreto (nomeação) já será possível a descompatibilização de outra função pública que o médico exerça, pois o edital prevê que não será permitida acumulação de cargo público, conforme orientação da PROPES.

Segundo informações, as atividades da Acadêmia se iniciarão no dia 06 de fevereiro, o que não impede dos candidatos serem convocados antes, ou seja, a INDEFINIÇÃO E ANGÚSTIA CONTINUA, pois muitos já sairam de seus estados e estão aqui só aguardando a nomeação…

Mais uma vez obrigado pela participação no blog e boa sorte a todos os candidatos (quase tenentes médicos e dentistas)…

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Os problemas continuam…

Após a minha indignação com o “bico” na polícia, caiu como uma luva o texto da revista abaixo. Achei muito interessante a reportagem da Veja, retirada do site da FENAPEF, sobre o perfil do PM. Se não fossem alguns detalhes, como salário ou fatos históricos, não perceberíamos que ela foi escrita há mais de dez anos.

Algumas coisas mudaram para melhor na realidade da Polícia Militar do DF, outras se mantiveram no mesmo nível. No que se refere ao Brasil como um todo não vi muitas mudanças, a não ser, a maior RIGIDEZ nos crimes de abuso de autoridade e uma maior participação dos defensores de direitos humanos (que sou a favor) nos excessos cometidos pelo ESTADO!

O texto é longo, mas nos leva a uma grande reflexão…

Mais uma vez só tenho a agradecer ao Geraldo que sempre contribui com o Blog Policiamento Inteligente e com os seus leitores…

Perfil do PM

O fardo da farda »

Sem dinheiro e com baixa escolaridade, os PMs são a cara do brasileiro médio, mas vivem rotina de morte

Por: Joaquim de Carvalho e Manoel Fernandes, do Recife

A farda é um símbolo tão fundamental para os militares quanto a batina para o clero — indica a camaradagem entre iguais e a diferença em relação aos outros. Os movimentos grevistas que contaminaram as polícias militares de vários Estados, no entanto, mostraram que a farda se reduziu a apenas aquilo que é: uma roupa. Os 360.000 PMs que existem em todo o país assistiram à mais ampla mobilização da corporação desde a época do império e deflagraram os mais duros questionamentos à política de enxugamento da máquina administrativa do presidente Fernando Henrique Cardoso. Deixaram claro que estão iguais demais ao brasileiro médio. Ganham como ele, acreditam nas mesmas coisas, são tão escolarizados quanto. Não é difícil entender, por isso, por que se consideram no direito de fazer greve: os sem-farda também podem. Em pesquisas realizadas pelas PMs de diferentes Estados, como São Paulo e Pernambuco, constatou-se que a escolaridade média do soldado da PM é baixa (1º grau), e é crescente o número de praças que se convertem à religião evangélica. Em Minas Gerais, os policiais das religiões protestantes, pentecostais e não pentecostais, chegam a 20% da tropa. Em Pernambuco, esse índice é de 15%. Nos quartéis, o alcoolismo é um problema tão sério quanto nas residências de boa parte dos paisanos. Mas o que mais aproxima os homens de farda do cidadão comum é o salário. Os vencimentos variam muito de Estado para Estado, mas nas regiões onde ganham mais, como Brasília, o salário bruto dos soldados não chega a 800 reais.

“Como um cão” — Comparado com o de outras categorias do serviço público, como professores primários, não é dos piores. Com uma diferença essencial. Quando um soldado se despede da família para ir trabalhar, o risco de que não retorne vivo é 100% maior que o de uma enfermeira ou qualquer outro funcionário público civil, com índice de baixa em serviço praticamente nulo. Em Pernambuco, onde na sexta-feira da semana passada os policiais militares completaram dez dias de greve, a morte foi um item da pauta de negociações com o governo de Miguel Arraes, do PSB. No ano passado, morreram 44 policiais, quatro deles defendendo agências bancárias. “Exigimos do governo coletes melhores que os atuais, que não resistem a balas de pistola automática”, diz o soldado Moisés Florêncio de Oliveira, um dos líderes da paralisação. Moisés recebe 300 reais por mês — 40 reais a mais que o salário médio dos praças. Em quinze anos de carreira militar, coleciona feitos gloriosos. Salvou uma moça de estupro ao atirar contra seu agressor, prendeu ladrões de lojas e, no ano passado, quando fazia a ronda dos bancos, evitou que a agência do Banco do Brasil no centro da cidade fosse assaltada, afugentando os ladrões a bala.

Um tal currículo de heroísmo, no entanto, não salva praças como Moisés da suprema humilhação. Os mesmos homens que arriscam a vida para proteger o patrimônio dos bancos são impedidos pela maior parte das agências no Recife de usar a cozinha para almoçar. É o banco que paga a alimentação, servida em marmitex, mas o policial tem de se virar na rua para encontrar um lugar onde possa comer sossegado. “Uso os estacionamentos”, conta o policial. “Alimento-me como um cão, no meio-fio.” Mas não foi esse tipo de tratamento que levou Moisés a se transformar, em setembro do ano passado, num dos fundadores da Associação dos Cabos e Soldados, entidade com declarado objetivo sindical que reivindica salários melhores, mais segurança e mudanças no regime disciplinar dos quartéis. Um de seus melhores amigos, o soldado Ivo Alves da Silva, com 33 anos, morreu porque morava num casebre vizinho ao do assaltante. “O ladrão o matou porque foi reconhecido”, afirma. Ivo deixou para sua família uma pensão mensal de 74 reais, o valor do seu salário-base, o chamado soldo, e nada mais.

   
   

Nas manifestações que os policiais militares promoveram pelas ruas de algumas das principais capitais, paisanos gritaram slogans contra os governos estaduais, jogaram papel picado sobre os grevistas, saudaram as tropas amotinadas, confraternizaram-se com elas. É uma reação inesperada, depois de episódios como a tortura e a morte na favela Naval, de Diadema, e a chacina de meninos de rua na Igreja da Candelária, no Rio.

A explicação para a solidariedade está na geografia social do país — onde o PM é a última franja do Estado, e muitas vezes ali deixa uma marca que é difícil esquecer. São atos como o do soldado Vítor Loredo de Oliveira, de 31 anos. Há dois anos, ele estava em um ônibus de Porto Alegre quando três ladrões se levantaram de seus lugares apontando armas para o motorista e os passageiros. Oliveira, mesmo fora de seu horário de serviço, sacou rápido o revólver Rossi, calibre 38, e atirou. Saldo da ação: um ladrão morto, outro tetraplégico e o terceiro ferido. Promovido a cabo por ato de bravura, Oliveira foi chamado de herói pelo governador do Estado, Antônio Britto, do PMDB, e pelos jornais locais. Mas pouco lhe valeu. O herói Oliveira recebe 480 reais por mês e não consegue pagar todas as suas contas. A do armazém está um mês atrasada.

Delinqüência, deserção e quebra de hierarquia, contudo, seriam problemas contornáveis com salários decentes e punições exemplares. A PM do Paraná, por exemplo, cujos vencimentos médios somam 668 reais, a terceira melhor remuneração do país, tem de se haver com um desafio dos bons. No último concurso de admissão no Paraná, realizado em maio deste ano para preencher 175 vagas nos batalhões de polícia rodoviária e de trânsito, houve 9.728 candidatos — uma relação de quase 56 interessados por vaga. A dúvida foi escolher os excelentes dentre um universo grande de bons e ótimos. O paranaense José Fernando Zanicoski, 27 anos, largou o curso de engenharia civil na PUC de Curitiba para prestar concurso e virar soldado. Hoje, como soldado-aluno, a patente mais baixa na hierarquia da PM, ele recebe salário bruto de 668 reais. A fase de aprendizado dura seis meses. Ao final dela, Zanicoski ganhará soldo de 735 reais, terá direito a assistência jurídica, médica e odontológica. Seu objetivo é prestar concurso para a academia de formação de oficiais, cujo inicial é de 2054 reais. “Não me arrependo de ter largado a engenharia. A concorrência nesse setor é muito grande e os salários, baixos. Além disso, teria de gastar todo mês, até me formar, os 550 reais da mensalidade escolar.”

Há mais um monte de benefícios. Num país com criminalidade alta, a carteira de policial é um passaporte valioso para clubes, estádios de futebol, parques de exposição e shows. Quando sua presença se torna constante em estabelecimentos comerciais, os proprietários, agradecidos, não cobram a pizza nem o café. “É preciso não confundir esses favores com a corrupção, mas que a carteirada existe existe”, diz o tenente-coronel Antônio Neto, da PM de Pernambuco.

Há outras vantagens de ser PM, algumas modestas, como poder circular em ônibus de graça, e outras nem tanto. Num sistema de saúde cheio de buracos, os policiais possuem nos hospitais militares uma opção a anos-luz do SUS. Outros aspectos positivos são a possibilidade de carreira dentro da corporação e a estabilidade. Talvez sejam essas as razões pelas quais, embora reclamem que os salários estejam baixos, o número de pedidos de desligamento da Polícia Militar é dez vezes menor do que em qualquer organização da iniciativa privada. E isso em qualquer uma das PMs.

Com exceção de Minas Gerais, as PMs do Brasil nasceram por decreto de dom João VI, a partir de 1808, quando ele se instalou no Brasil com a família. Ou seja, tanto quanto o Jardim Botânico, o Banco do Brasil e a imprensa, a PM nasceu como uma conquista da civilidade. Sua estrutura era enxuta e a função básica era policiar as ruas. Hoje, o policial mais valorizado não é aquele que garante a ordem pública, mas o que se especializou em abrir portas para autoridades em palácio. São os chamados oficiais-maçaneta, os grandes marajás da corporação, que chegam a embolsar até 30.000 reais por mês, têm aposentadorias de milionário americano que mora em Miami só por causa do calor e ainda gozam o direito de deixar uma polpuda pensão para a patroa e as filhas solteiras. Em São Paulo, coronéis que trabalharam apenas um dia no palácio do governo, na Assembléia ou em um tribunal acumulam tantas gratificações que elevam para 11.000 reais o salário médio da patente. Oficiais que levam a vida dura da carreira ganham metade disso. É o caso do tenente-coronel José Ferreira de Nóbrega, de 46 anos, comandante do 22º Batalhão da capital. Comandante dos policiais da Zona Sul, onde estão os bairros mais violentos de São Paulo, Nóbrega arrisca um palpite sobre uma das causas de os policiais estarem se rebelando. “Outros oficiais sabem falar várias línguas, fizeram curso no exterior, mas nunca se sentaram no banco de uma viatura”, diz. Em palavras mais simples, os oficiais perderam a noção da realidade dos policiais, em que a rotina é de morte e o salário também.

Como fica a vida sem polícia

A greve da PM pernambucana, a primeira nos 172 anos da instituição, foi a senha para que punguistas, assaltantes e ladrões se movimentassem com toda a tranqüilidade pelo Recife. Também instaurou uma espécie de toque de recolher na capital pernambucana. Sem policiamento, aumentou a criminalidade, e a população, impotente, padeceu. A situação ruim, é certo, ainda assim esteve longe do caos alardeado pelos empresários que vendem serviços de segurança privada. Não houve a carnificina que chegou a ser noticiada em telejornais. Nos três primeiros dias da greve, quando os 1 000 homens do Exército ainda não estavam nas ruas, registraram-se quinze homicídios na região metropolitana do Recife. A média dos fins de semana é catorze. Os braços cruzados dos policiais pesaram mesmo na área que a polícia chama de crimes contra o patrimônio — assaltos, roubos e furtos de veículo. Esses delitos somaram 118 nos cinco primeiros dias da paralisação, um aumento de 40% em relação a períodos normais. A conseqüência da insegurança foi que praticamente nenhuma loja se aventurou a abrir as portas depois das 5 da tarde. E mesmo os shoppings, que sempre têm seu serviço de guardas particulares, tiveram de fechar duas horas mais cedo. Faltou clientela. Os lojistas amargaram queda de até 40% nas vendas. As ruas ficaram desertas e os bares, vazios. Nem as aulas nas escolas públicas, que deveriam ter-se iniciado na semana passada, aconteceram. Os professores não deram as caras por medo da bandidagem sem repressão.

Como a Polícia Civil também aderiu à greve, o governo teve de pedir a duas casas funerárias que fizessem o recolhimento dos corpos no lugar dos funcionários do Instituto Médico-Legal. Nos hospitais da Restauração e Getúlio Vargas, as necrópsias eram feitas por apenas três médicos. O Detran alterou o tráfego em dez vias do centro da capital e, numa atitude inédita, convocou quarenta funcionários das companhias de saneamento, água e luz para multar os motoristas que ficaram ainda mais abusados com a ausência dos 400 patrulheiros que monitoram as ruas. A maior empresa de ônibus da cidade, a Borborema, transportou 160 000 passageiros durante a greve — seu movimento normal é de 220 000. Também sofreu com os assaltos. Em épocas normais, a média é de um a cada dois dias. Entre sexta-feira e domingo da semana passada houve 21. Os supermercados reforçaram a segurança privada, mas até sexta-feira não havia sido registrado nenhum assalto ou saque, apenas duas tentativas frustradas. “Os policiais não têm o direito de nos deixar nesse estado de nervos”, reclamava o desesperado presidente da associação de supermercados, Geraldo José da Silva.

Sem condições — Foi a festa das empresas de segurança privada. No bairro de Rio Doce, em Olinda, a padaria Globo, que fica a 10 metros de um batalhão da PM, foi assaltada na tarde de terça-feira passada. O dono foi pedir ajuda aos soldados que guardavam o quartel. Ouviu apenas uma sugestão para que contratasse algum dos presentes como segurança. “Infelizmente não tivemos condições de atender a todos os pedidos”, diz Isnar de Castro e Silva, diretor da Transval, uma das grandes empresas de vigilância da cidade. A Nordeste, a maior delas, fazia as vezes da polícia, com seus agentes portando escopetas calibre 12 em ações de intimidação.

No interior do Estado, alarmadas com o noticiário da capital, algumas cidades armaram barricadas para impedir os assaltantes de ultrapassar seus limites. Quem quisesse, na semana passada, entrar no município de Brejo da Madre de Deus, a 201 quilômetros do Recife, tinha de mostrar documentos, submeter-se a revista e dar explicações a grupos de moradores armados, a postos nas seis principais vias de acesso à cidade. Barricadas de areia também foram colocadas em frente dos bancos e homens armados — civis, todos –, selecionados pela prefeitura, vigiavam os principais prédios.

 

Ricardo Novelino

Com reportagem de Andréa Barros e Ricardo Balthazar, de São Paulo,

Franco Iacomini, de Curitiba e

José Edward, de Belo Horizonte

Fonte: Revista Veja

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O bico na PM denigre a todo mundo!!

Nunca falei nem contra, nem a favor do “bico” nesse blog, mas hoje passei por uma situação que me revoltou…

Por ironia do destino após ler os comentários do Danillo Ferreira no Blog Abordagem Policial, sobre a diferença salarial entre as polícias do DF e dos estados, tive o desprazer de ouvir um comentário sobre “bicos” feitos por policiais!

Vamos a história…

Hoje pela manhã, enquanto eu aguardava ser chamado para pagar uma conta, ouvi um comentário de um “vigilante do banco” que me deixou muito irritado…

O “vigilante” comentava que os “PM´s” estão passando fome, pois estão tirando  a vaga dele, de segurança, em eventos…

Enquanto ele cobra R$ 80,00 (oitenta reais) por serviço, haviam “PM´s” cobrando R$ 50,00 (cinquenta reais) e ainda acrescentou dizendo que só quem está passando fome trabalharia por isso…

Não aguentei, foi tomado por uma ira, algo que foi subindo e me incomodou. Quando pensei em levantar para tirar uma satisfação minha senha é chamada. Paguei a conta e fui em busca do tal vigilante.

Chamei-o no canto e paguei-lhe um “sapo”… Nâo admito que me comparem com esse tipo de policial. E acredito que ninguém deva ficar calado ao ser ofendido e “sacaneado” dessa forma. Disse a ele pra evitar generalizações, para ele citar nomes da próxima vez ao invés de citar “profissões”… além de outras palavrinhas…

No final ele ficou todo humilde me pedindo desculpas… Espero que ele tenha aprendido a lição.

Quanto ao “bico”, creio  que podemos procurar “bicos” que paguem bem mais que isso… Só nosso voluntário equivale a R$ 130,00 (cento e trinta reais) por serviço!

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Cabo é expulso da PM do Rio!

 Creio que os defensores dos direitos humanos e os blogs “especializados” em defender esses direitos estejam comemorando a expulsão do cabo da PM envolvido na morte da criança no Rio de Janeiro…
Não sou hipócrita como a maior parte da sociedade e mantenho minha posição de que NESSE CASO o cabo foi injustiçado…
Gostaria que essas pessoas que queriam ver o cabo preso trabalhassem por menos de mil reais por mês arriscando suas vidas, sem equipamentos de proteção, sem legislação que os respalde na rua, totalmente abandonados pelo Estado e pela Corporação que darão suas vidas…
Meus sentimentos a família do ex-cabo da PM, mas eterno companheiro de farda, pois ELE A PERDEU CUMPRINDO SEU DEVER, diferentemente de muitos que se acovardam diante da situação ou se corrompem diante de várias outras…
Espero que o policial em tela não se torne mais um sem opção que entra pro mundo do crime…
Que Deus o guarde e proteja desse destino…

 

Agência Estado

Publicação: 12/01/2009                           18:45

Atualização: 12/01/2009                           19:09

 Conteúdo Relacionado:

O cabo William de Paula, um dos policiais envolvidos na morte do menino João Roberto, foi expulso da Polícia Militar. A decisão unânime da comissão que atuou no processo administrativo disciplinar foi publicada no boletim da corporação na última sexta-feira. O advogado do cabo vai recorrer.

João Roberto, de 4 anos, estava no carro da mãe, quando policiais confundiram o veículo com o de assaltantes e fizeram disparos, em 6 de julho do ano passado. Um dos tiros atingiu a criança na nuca. De Paula foi julgado no mês passado e absolvido pelo 2º Tribunal do Júri. Durante o julgamento, o cabo reconheceu que confundiu o carro dos criminosos com o veículo em que estava João Roberto.

Ele foi absolvido porque os jurados entenderam que o PM não tinha a intenção de matar a criança. Como os jurados só decidem a respeito de crimes contra a vida, o juiz Paulo Lanzellotti condenou o PM a dois anos de prisão pelo crime de lesão corporal sofrido pela mãe do menino, Alessandra Soares. O Ministério Público recorreu da absolvição.

O advogado José Maurício Neville, que defende De Paula, pretende ingressar ainda hoje com uma ação declaratória de nulidade absoluta de ato administrativo, na Vara de Fazenda Pública. De acordo com o advogado, a legislação determina que, para ser expulso da corporação, um policial tenha sido condenado a mais de quatro anos de prisão.

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Ser mulher no militarismo…

Nesse blog   já foi publicado um texto relatando a dificuldade em ser mulher em meio ao militarismo, hoje, mais uma vez retorno ao tema.

Lembro-me de ver um documentário sobre a importância da bicicleta, como fator de independência feminina, além de encurtar distâncias e “aproximá-las” dos homens.

Muitos devem ser perguntar o porquê dessa discussão… vou explicar…

Hoje seriam incorporados 20 (vinte) médicos na corporação e 02 (dois) capelães, mas devido nossa legislação ARCAÍCA tudo mudou…

Um homem tem mais conhecimento que uma mulher?

Um homem passa mais tempo na faculdade que uma mulher?

Nas instituições militares parece que sim,  pois nosso efetivo não pode ultrapassar 10% de mulheres.

Muito me estranha a Procuradoria do DF emitir um parecer favorável a inclusão das médicas e no dia da posse mudar de posição.

Hoje 06 (seis) vagas não serão preenchidas por decisão da Procuradoria do DF. Deveremos aguardar  o trânsito e julgado… Assim, temos seis candidatas prejudicadas e nós policiais também, pois continuaremos sem ENDOCRINOLOGISTA, NEUROPEDIATRA, RADIOLOGISTA, ODONTÓLOGOS, ODONTOPEDIATRA, ESPECIALISTA EM PRÓTESE…

Para que o leitor entenda melhor vou explicar mais detalhado, pois acho que não fui muito claro…

O Edital para o concurso de médicos da polícia militar foi publicado oferecendo vagas apenas para os candidatos do sexo masculino em decorrência do efetivo feminino previsto para o quadro estar completo, nos termos do art. 4º da lei 9.713, de 25 de novembro de 1998, que estabelece o percentual de 10% de policiais femininas em cada quadro.

Após isso a PMDF foi obrigada, em cumprimento a determinação judicial, a reabrir o período de incrições e permitir que os candidatos do sexo feminino participassem do certame.

Até semana passada o referido concurso encontrava-se pendente da publicação do resultado final, mas após consulta realizada a Procuradoria surgiram várias “orientações”, umas “recomendando” não chamar nenhum  candidato, outra mandando chamar todos (incluindo as mulheres) e a última para chamar somente os homens…

Percebemos assim que cada cabeça é uma sentença…

Dependendo da visão da pessoa que analisa esse processo, a mulher tem direitos iguais aos homens  ou não…

Eita vida difícil é a de mulher no militarismo…

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O poder do bafômetro…

Essa madrugada pude ver claramente o poder do bafômetro com a “lei seca” em nosso país, durante um ponto de bloqueio no Riacho Fundo.

Após “quase ser atropelado” por um motociclista, percebi um “leve odor” no condutor. Feita abordagem de praxe, perguntei se ele havia ingerido bebida alcoólica, onde ele respondeu ter bebido uma cerveja.

Por falta de sorte do condutor havia no local um bafômetro do BPTran, onde foi feito o teste e constatada a embriagues. Após isso,  o conduzimos  a delegacia da área para apresentá-lo ao xadrez.

Até aí tudo bem, minha surpresa foi ver o valor da fiança que ele deveria pagar as duas da manhã…

Setecentos reais (fiança mínima), apreensão da carteira, além de uma multa superior a novecentos reais…

Eita cerveja cara!

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