Hoje faço 40 anos 

É tempo de reflexão e agradecimento. Hoje chego aos 40 anos. Sou um privilegiado por isso, estou chegando aonde a maioria igual a mim não costuma chegar. Garoto pobre, negro, morador de invasão e periferia que tornou-se policial. Duas categorias que lidam com a morte diariamente. 

Nasci em uma fazenda, sem médicos, com a ajuda de parteiras, morei em invasão, estudei, tornei -me autodidata muito cedo. Tenho vencido a dor, as perdas e o medo diariamente. 

Agradeço a Deus, meu Grande Criador, aquele que tudo arquitou. Agradeço meu pai e minha querida mãe Maria Alderi Dos Santos pela educação e ensinamentos que me deram. Agradeço a Deus por meus irmãos, Alderimar Martins Cardoso, Damares Martins, Cristina Cardoso e Fernanda Ferreira. Sou grato a Deus pelos meus tios e tias, primos e primas, sogra e cunhados. Em quarenta anos agradeço cada amigo que passou em minha vida, cada um levou um pouco de mim, mas também deixou um pouco de si. 

Agradeço a Deus a dádiva de ter sido pai de um anjo chamado Gabriel Brilhante, Agradeço a honra de ser pai de Giuliana Brilhante, nunca esqueci o dia que vi aquele ser pequeno e indefeso que logo no primeiro momento me fez ser tomado pelo amor. Agradeço a Deus pelo recomeço, por ser pai avô, pai aos 38 anos novamente, pai de Sophia, pai na idade adulta, pai na fase da maturidade. 

Agradeço a Deus por ter colocado em minha vida, em uma piscina do prédio, Adriana Lins, uma mulher abençoada que mudou minha vida. 

Agradeço a Deus por tudo que passei, de bom e de ruim, Agradeço a Deus por todas as perdas que tive, filhos, amigos, parentes. Agradeço a Deus todas as perseguições que sofri e sofro em minha profissão. São elas que me fortalecem. Agradeço cada derrota e cada Vitória nestes 40 anos. 

Aprendi que as pessoas passam em nossa vida o tempo necessário para aprender ou para ensinar algo. Que possamos continuar ensinando e aprendendo por muitos anos. 

Como diz Roberto Carlos: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”

Obrigado a todos que me seguem diariamente, seja por amor, por curiosidade ou até mesmo por inveja. 

Continuemos com fé, coragem e esperança a trilhar o caminho da justiça, da paz e da busca da perfeição. Estamos todos os dias em construção. Precisamos entender que a construção é diária e que o sucesso de amanhã começa hoje. Sucesso a todos e todas nesta jornada.

Deus é fiel. Ele é bom o tempo todo! 

#gratidao #obrigado

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Sempre agradecerei ao Prof. Arthur Trindade pela confiança e convite

Vale a pena continuar acreditando na profissão que escolhi, as perseguições acontecem, mas por outro lado, os elogios também. Aprendi muito neste período. Sempre agradeço a confiança e oportunidade que me foi confiada pelo professor e Mestre Arthur Trindade.

ELOGIO BCG 041 02/03/2017 QCG

Em reconhecimento ao trabalho de Assessor da Assessoria Especial do Gabinete, é com grata satisfação e por dever de justiça que consigno a presente referência elogiosa ao Sgt Aderivaldo, na oportunidade em que cumpre mais uma etapa da sua brilhante carreira. Desde 13 de Fevereiro de 2015, o ilustre Policial Militar demonstrou alto desempenho nas funções que exerceu no âmbito da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social. Dedicado, prestativo, leal e comprometido com o interesse público, não mediu esforços para subsidiar importantes decisões, seja com seus conhecimentos, seja com o emprego de todas as suas energias em benefício do serviço. Assim, as ações desse valoroso policial militar favoreceram de forma marcante o cumprimento das metas de coordenação, supervisão e planejamento das atividades do Sistema de Segurança Pública do Distrito Federal, seja em tempo de tranquilidade, seja em tempo de alta demanda. Vale ressaltar que, ao ser rigoroso no cumprimento de suas obrigações, o Sgt Aderivaldo conseguiu evidenciar o seu espírito de cooperação, o zelo pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico, bem como pelo trato urbano, cordial e educado para com os militares e civis, com reflexo direto na preservação da ordem pública e na segurança da comunidade brasiliense. Sendo assim, no momento em que retorna aos quadros da Polícia Militar do Distrito Federal, concito-o a continuar trilhando este caminho de sucesso, valorizando a ética e a honestidade, servindo de exemplo a ser seguido por seus companheiros de farda e servidores civis, oportunidade em que externo os mais sinceros agradecimentos, desejando-lhe paz e sabedoria nessa nova caminhada. Por isso tudo, rogo a Deus que ilumine os seus passos e o abençoe sempre. (INDIVIDUAL). Ofício nº 403 de 10MAR16 SSPDF.

NOMEAR ADERIVALDO MARTINS CARDOSO para exercer o Cargo de Natureza Especial, Símbolo CNE-06, de Assessor Especial, da Assessoria Especial, do Gabinete, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal.

NOMEAR o CB QPPMC ADERIVALDO MARTINS CARDOSO para exercer o Cargo de Natureza Especial, Símbolo CNE-06, de Assessor Especial, da Assessoria de Comunicação, do Gabinete, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal, em vaga decorrente da exoneração de Carlos Eduardo Gelio Carone, publicada no DODF nº 097, de 21 de maio de 2015.

Processo: 428.000.102/2015. Interessado: SECRETARIADE ESTADO DASEGURANÇAPÚBLICA E DA PAZ SOCIAL DO DISTRITO FEDERAL. Assunto: CESSÃO DE POLICIAIS MILITARES. 1. AUTORIZO, com base no art. 1º, inc. I, do Decreto Distrital nº 31.617, de 28/04/2010, a cessão dos seguintes policiais militares: MAJ QOPM HERCULES FREITAS, matrícula 50.374/6, 2º SGT QPPMC PAULO CÉSAR VIEIRA NEVES, matrícula 23.856/2, ST QPPME ADILSON ALVES GONTIJO, matrícula 21.168/0, CB QPPMC ADERIVALDO MARTINS CARDOSO, matrícula 23.152/5, CB QPPMC JOÃO ROBERTO ELISEU FILHO, matrícula 24.267/5, e o CB QPPMC ESDRAS CARDOSO MANCIO, matrícula 73.114/5, todos da Polícia Militar do Distrito Federal, à Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal, para exercerem os cargos da estrutura daquela pasta, considerados de natureza ou interesse policial militar, a contar de 28 de janeiro de 2015, nos termos do art. 21, § 1º, item 3, do Decreto Federal nº 88.777, de 30/09/1983 (R-200).

A construção é diária. Nunca devemos parar de nos aperfeiçoar. Mesmo fora da Secretaria de Segurança e da Paz Social o aperfeiçoamento continua. Agradeço a cada servidor da pasta pelo tratamento dispensado durante a estadia na SSP.

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Blog Policiamento Inteligente é pessoa jurídica

Para que não reste dúvidas para alguns: O Blog Policiamento Inteligente é pessoa jurídica (CNPJ 26.901.406/0001-39). E o Aderivaldo Cardoso (pessoa fisica) tem registro profissional de jornalista junto ao Ministério do Trabalho (RP nº 0011513/DF). Pessoa jurídica não comete crime militar e nem transgressão da disciplina. Discute-se aqui a liberdade de imprensa e não a liberdade de expressão, que para alguns é relativa.

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Também existe prefixo editoral : 912937 relativo a cadastro no Ministério da Cultura/Fundação Biblioteca Nacional, de 2011, que classifica e identifica Aderivaldo Martins Cardoso como escritor.

Que existe registro de direitos autorais, com certificado de averbação, do Escritório de Direitos Autorais, da Fundação Biblioteca Nacional, nº 534.587, livro 1016, Folha 221, que reconhece direito autoral do tema: Policiamento Inteligente. E que o classifica como Técnico Cientifico.

Sendo assim, também não se fala em direito de expressão “relativo”, mas sim de “direitos autorais”, desde 2011.

 

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Irregularidades no Mané Garrincha acontecem desde 2007

Da capacidade da arena ao modelo de licitação, a construção do Estádio Nacional Mané Garrincha foi alvo de dezenas de questionamentos nos últimos oito anos, desde que o governo resolveu construir o espaço para a Copa do Mundo de 2014. O Ministério Público de Contas e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios apontaram indícios de superfaturamento da obra, pediram suspensão de repasses ao consórcio responsável pela empreitada, recomendaram uma arena menor e mais modesta, mas o GDF venceu todas as batalhas na Justiça e no Tribunal de Contas do Distrito Federal. O resultado foi um gigante de concreto às margens do Eixo Monumental, ao custo de R$ 1,575 bilhão. Segundo a Polícia Federal, o sobrepreço pode chegar a R$ 900 milhões.

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Os primeiros questionamentos sobre a arena surgiram ainda em 2007, quando o Brasil ganhou o direito de sediar o evento. Naquele ano, o Ministério Público de Contas entrou com uma representação no TCDF, pedindo que os órgãos de fiscalização e controle se preparassem para o evento, com capacitação e contratação de pessoal. A ideia era evitar erros graves cometidos durante os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. As obras para o evento internacional no Rio, em 2007, foram orçadas em R$ 300 milhões, mas o custo final superou R$ 4 bilhões.

Dois anos depois, quando o governo lançou o edital de pré-qualificação para contratar empresa responsável pela reforma e ampliação do Mané, o MP de Contas questionou o modelo por entender “que a pré-qualificação nada mais é do que a antecipação da fase de habilitação em concorrência pública”. Além disso, faltavam informações para atrair interessados na disputa. O projeto de arquitetura ainda não havia sido concluído nem havia orçamento estimado em planilhas que detalhassem a composição e os custos unitários dos itens previstos para a obra.

Também não havia sido definido que serviços seriam passíveis de subcontratação. O edital de pré-qualificação chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas, mas, depois de correções realizadas no edital, a licitação foi liberada. O MP recorreu, a análise do recurso, no entanto, acabou sobrestada e o debate só foi retomado em 2016, quando o estádio estava pronto e o debate havia perdido o sentido.

Diante das regras estabelecidas na pré-qualificação, não houve concorrência: somente dois consórcios se apresentaram para a disputa e um deles, encabeçado pela Odebrecht, deu apenas um lance de cobertura, combinado com a Andrade Gutierrez e com a Via Engenharia — estas últimas vencedoras do certame. As delações da Odebrecht trouxeram à tona a verdade: a empresa simulou concorrência para ajudar a Andrade Gutierrez na licitação do Mané Garrincha. A real falta de competitividade é um dos motivos que explicam a sucessão de erros e de superfaturamento na empreitada.

A reforma da arena teve orçamento inicial estimado em R$ 696 milhões, no entanto, os aditivos contratuais mais do que dobraram o valor contratado inicialmente. Pela Lei de Licitações, o total de aditivos em uma reforma não poderia superar 50% do total do contrato. Em 2012, com um termo aditivo no acerto firmado com o consórcio, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) excluiu essa cláusula do contrato original.

Prejuízo

Em várias situações, o Ministério Público de Contas também pediu glosas, que são retenções de pagamentos às empresas. Em 2013, em um dos processos que tramitam no Tribunal de Contas do DF, o MP requisitou uma glosa de R$ 34 milhões referente a alguns aditivos feitos no contrato. No ano seguinte, procuradores apontaram que esse prejuízo já havia chegado a R$ 60 milhões. Houve pedido de vista e o processo só voltou a ser debatido este ano, quando não havia mais possibilidade de retenção de valores, pois as empresas já haviam recebido todos os recursos previstos. Na última manifestação registrada nesse processo, o MP de Contas lamentou a falta de glosas. “Tivessem sido implementadas no momento devido, não haveria o risco de vultosos recursos se perderem, como temos visto em diversos processos.” Até hoje, o TCDF não deliberou sobre esses pedidos.

Um dos contratos mais polêmicos do Estádio Nacional é a colocação da cobertura. O Ministério Público de Contas fez vários questionamentos com relação a essa obra, sobretudo no que diz respeito a material usado para cobrir a arena — uma membrana revestida de fibra de vidro que elevou em R$ 36 milhões o valor estimado. Depois de o MP questionar esses repasses duas vezes, o TCDF autorizou retenções de repasses ao consórcio e o contrato acabou repactuado.

No processo de compra do guarda-corpo, o Ministério Público de Contas apontou várias irregularidades, como o fato de serviços similares já estarem previstos no contrato principal da reforma do Mané Garrincha. Diante das constatações, a própria Novacap reconheceu a falha e refez os levantamentos de quantitativos. Com isso, o valor previsto na licitação caiu de R$ 10,4 milhões para R$ 3,4 milhões e o TCDF autorizou a continuidade do certame. Houve novos questionamentos do MP, que solicitou retenções de pagamento às empresas. Os autos ainda tramitam na Corte e estão em fase de análise de recurso. No processo de licitação do gramado, orçado em R$ 9 milhões, também houve questionamentos. O TCDF verificou a ocorrência de prejuízos no valor de R$ 4,8 milhões, mas, até hoje, não houve decisão final.

Fonte: Jornal Correio Braziliense

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Polícia Federal demonstra que o caminho da corrupção no DF é tortuoso

Há algum tempo escrevo neste espaço sobre a corrupção no DF. Por diversas vezes escrevi sobre fatos relacionados ao PT, respondi várias sindicâncias e IPM´s por isso, normalmente por “criticar o governo” ou “normas existentes”.

Alguns fatos ocorridos nesta semana estão comprovando algumas questões levantadas aqui ainda no ano de 2013, ou até há mais tempo, quando ainda falávamos sobre a “Caixa de Pandora”, no governo Arruda.

No dia 09 de outubro de 2013 escrevi um texto sob título: O caminho da corrupção no DF. Nele afirmo:

É impressionante! Enquanto alguns partidos e pessoas tentam botar em prática seus projetos políticos, o PT tenta colocar em prática seu projeto se poder. O que isso significa? Que vale tudo para se manter no poder. Até mesmo neutralizar toda e qualquer oposição. Mesmo com a possível continuidade da aliança entre PMDB e PT e a provável neutralização de Arruda e Roriz, já duvido da reeleiçao de Agnelo no DF

Neste mesmo post também explanei sobre algumas perseguições políticas que começaram a ocorrer a partir deste período:

Em decorrência disso fui “enquadrado” por alguns do meu “grupo político”  na tentativa de me silenciar. Graças a Deus nunca tive “rabo preso” com ninguém, ainda mais com o governo do PT. Nunca tive medo ou receio de falar o que penso. Como a maioria, ajudei a eleger o atual governo, mas não irei me calar ao ver algo que não concordo. Por ter ajudado a Elegê-lo é que tenho a responsabilidade de denunciar possíveis erros ou desvios de conduta.

Posteriormente, no dia 23 de dezembro de 2013 fiz um novo post com título: O caminho da corrupção no DF: Emendas parlamentares e cartas convites. Novamente, falo sobre ameaças e corrupção:

Durante minha temporada de dois anos nos bastidores do poder não compreendi algumas coisas: 1) A primeira é por que a maioria dos parlamentares ao invés de fazer política (buscar o bem comum), opta apenas em “fazer dinheiro” (busca apenas o bem individual); 2) A segunda é por que “todo mundo” sabe das taxas de “corretagem” para liberação de emendas (que variam de 10% a 30%) e ninguém faz nada, principalmente o MP; 3) A terceira, por que não se faz um cruzamento das emendas com as empresas que as executa e os beneficiários (donos das empresas e aqueles que recebem a propina), por meio da análise de vínculos e não se acaba com essa pouca vergonha, além é claro das “cartas convites”, que hoje são a maior “enganação” para beneficiar parentes e amigos donos de empresas. 4) A quarta, por que a maioria dos parlamentares abrem mão do bem mais importante de um parlamentar, ou seja, sua VOZ! Os deputados e senadores do DF estão calados, amordaçados, por quê? No próximo ano (2014) algumas investigações em curso poderão responder tais questionamentos! Parlamentares, assessores e empresários já estão preocupados.

Em uma das falas sou específico quanto a ameaça que ocorreu em um café no Shopping Pátio Brasil:

No dia 09 de outubro fizemos um outro texto sobre o tema, onde intitulamos: “O caminho da corrupção no DF”. Vários “poderosos” ficaram irritados. Nós do Blog Policiamento Inteligente, chegamos a ser convidados para tomar um café com um Secretário de Estado, um Deputado e um “operador dos bastidores”, onde nos fizeram ameaças veladas para nos calar. Mais uma vez apresentamos o tema, mas desta vez com uma “análise” mais clara do tema, para quem sabe ler um pingo é letra:

A corrupção está instalada no Brasil desde sua descoberta. Há anos o crime organizado está se especializando. Sabe-se que aquilo que o diferencia da quadrilha é a participação de servidores públicos, de carreira ou não. “O modus operandi” é sempre o mesmo: criam-se empresas de eventos, factory, construtoras, criam-se redes de relacionamento sistêmicas entre empresários e políticos de vários estados e Lava-se dinheiro. As conexões mais comuns hoje são entre “parceiros” de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Tocantins e Goiás. As investigações da Polícia Federal estão demonstrando tudo isso! Quem está devendo que pague! O MP conhece o caminho das pedras…

Com as prisões de dois ex-governadores, dois ex-vices governadores, dois senadores do DF e diversos empresários e ex-ocupantes de importantes cargos no governo, percebe-se que não é de hoje a corrupção no DF.

Há muito mais coisas a serem investigadas sobre os desvios e passa também pelas outras Secretarias de governo, Administrações regionais e pela Câmara Legislativa do DF. Deputados da base do governo daquela época precisam ser responsabilizados.

A reportagem da jornalista e amiga Isa Stacciarini do Jornal Correio Braziliense explica um pouco do que eu queria falar naquele período. Acredito que o tempo é o senhor da razão. Não é atoa que todos os IPM`s daquele período foram arquivados. Lendo-os hoje percebo o quanto foi feito e produzido naquele período. E porque tanta perseguição até os dias de hoje. Vale a pena ler a reportagem abaixo:

Responsável pelo inquérito que investiga a participação de ex-chefes do Executivo local em milionário esquema de corrupção durante a construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, a delegada da Polícia Federal Fernanda Costa de Oliveira detalhou que o recebimento do dinheiro ilícito pelos investigados ocorria de três formas: em dinheiro, via operadores; por meio de doações eleitorais; ou em pagamentos de eventos de parceiros políticos, como a compra de ingressos para a Copa do Mundo. Segundo a investigadora da Delegacia de Inquéritos Especiais da PF (Deleinque), “isso revela o retrato (da política) de Brasília”.

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 Fernanda recebeu o Correio na sala dela, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O inquérito da Operação Panatenaico estava sobre a mesa de trabalho, próximo a fotos da família e de uma máquina de café. “A cobrança de propina em Brasília foi sistêmica e passou de um governo para o outro”, afirma. Entre os acusados da participação no esquema que causou rombo de R$ 1,3 bilhão aos cofres da Terracap estão os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Eles e mais sete acusados foram presos temporariamente na terça-feira. Estima-se que o superfaturamento da arena tenha sido de R$ 900 milhões.

Segundo a delegada, os pagamentos aos políticos eram fracionados. “Como havia um acordo prévio, quando o dinheiro saía, havia o repasse do valor da propina. Não eram grandes valores; por isso, apreendemos listas de pagamentos com individualizações com datas e valores picotados”, explicou Fernanda.

Delegada há 10 anos, a investigadora está à frente de uma das áreas mais sensíveis da Polícia Federal. Antes da função de chefia, ela atuou como agente da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, no Paraná. Além disso, a paixão pela PF começou cedo. O pai de Fernanda é agente da corporação e um dos tios paternos também é delegado federal. “Nunca pensei em fazer outra coisa”, ressaltou. Confira abaixo entrevista com Fernanda Costa de Oliveira.
Como era o pagamento da propina?
O recebimento tinha três formatos: em cash, via operadores; por doações eleitorais; ou por pagamentos de eventos, por parte da Andrade Gutierrez, a parceiros políticos dos investigados. Exemplo: compra de ingressos da Copa do Mundo para atender algum tipo de grupo politicamente associado.

Como era usado esse dinheiro ilícito?
Tem o caixa 2, em formato de doação oficial, que estava atrelado à própria execução da obra (do Estádio Nacional Mané Garrincha). O dinheiro entregue em cash saía no formato fracionado. Normalmente, é apresentada a medição da execução da obra e, depois, feita a liquidação dos valores às empresas. Como havia um acordo prévio, quando o dinheiro (público) era direcionado à empreiteira, havia o repasse do valor da propina. Apreendemos listas de pagamento de propina. Nelas, há individualizações com datas e valores picotados. É possível ver que os pagamentos de propina casaram exatamente com a liberação do dinheiro ao consórcio.

Para que esse dinheiro era utilizado?
Não conseguimos fazer esse tipo de levantamento porque o fato se deu entre 2008 e 2014.

Além de realizarem os pagamentos de campanha, os políticos investigados enriqueciam ilicitamente?
Grande parte do dinheiro era espalhado entre parceiros políticos. Hoje, não posso falar de aquisição direta de um carro ou de um apartamento com o valor recebido em propina.

O que embasa a Operação Panatenaico, além das delações?
Temos laudos periciais do processo licitatório que apontam direcionamentos. A delação não se presta só a mostrar narrativas. Os delatores apresentam provas que corroboram a história. Esse é um inquérito diferenciado, que tem pontos negativos e positivos. Ponto positivo: começamos as investigações com muita materialidade. Ponto negativo: como as delações tiveram sigilos levantados, já se deu publicidade.

De que forma a PF desencadeou a Operação Panatenaico?
Essa operação é o perfeito retrato de algo que se inicia com uma hipótese criminal definida, trazida por termos de colaboração. É diferente de quando iniciamos um processo em que temos de criar uma hipótese do nada. Quando já vem com a narrativa, a gente só constitui o que já é trazido na queixa-crime de uma forma bastante objetiva e cirúrgica.

Há muito mais por vir?
Em relação ao Estádio Mané Garrincha, não posso apresentar um termômetro. Mas as delações são feitas em anexos, por temas. Esse inquérito trata do Estádio Nacional. Mas a Andrade Gutierrez trouxe outros assuntos que vão ensejar a instauração de vários inquéritos, os quais, possivelmente, envolverão os mesmos personagens, como o BRT.

O que dá para concluir a respeito do perfil dos investigados? 

São pessoas do primeiro escalão, como ex-governadores, ex-vice-governador, presidentes de órgãos públicos… Esse é o retrato de Brasília. É um grupo político que se estabeleceu há muitos anos. Tanto que a situação de cobrança de propina foi sistêmica e passou de um governo para o outro.

Há políticos da atual gestão envolvidos?

Não, porque os contratos referentes ao Mané Garrincha foram encerrados em 2014. Então, as tratativas estabelecidas no início do certame, em 2008, se encerraram e acabaram os repasses à Andrade Gutierrez. Então, não temos a referência de ilegalidades relativas ao Mané nesta gestão.

E quanto ao superfaturamento? É de R$ 900 milhões ou o valor pode ser mais alto?
Esse é o valor atualizado em 2017. O parâmetro foi trazido pelo Tribunal de Contas do DF. Estamos encerrando um laudo de superfaturamento feito pela própria Polícia Federal que vai corroborar a estimativa inicial. Como o relatório ainda não estava pronto e eu precisava executar a operação o quanto antes, devido à publicidade que se deu, peguei uma informação oficial, onde eles confirmam o superfaturamento. Mas ainda virá um laudo pericial.

Então, o rombo pode ser maior?
Pode ser maior ou menor, mas imagino que deve ser similar.

A senhora pediu a prisão preventiva, mas a Justiça optou pela temporária. O que houve?
Eu sempre fundamento tecnicamente as minhas peças, de um forma que eu possa defender dentro dos requisitos legais. Eu achei que havia os requisitos legais para a preventiva. O Ministério Público consignou que, como não havia possibilidade de apresentação de denúncia, naquele primeiro momento, se manifestaria pela temporária. Mas não há possíveis prejuízos a uma conversão em preventiva.

Por que foi importante prender os investigados?
São pessoas articuladas politicamente. Têm influência dentro dos cenários das instituições, mesmo que não estejam à frente dos órgãos do GDF. Existe uma articulação. O primeiro momento é o mais sensível de uma investigação. É o período em que você pode pegar as provas sem aviso. O pedido de prisão é sempre voltado ao favorecimento da instrução do inquérito a fim de garantir a materialidade.

Essas pessoas poderiam destruir provas?
Destruir provas ou atrapalhar a condução da investigação, considerando que nós vamos ouvir testemunhas nesses primeiros dias e outras medidas podem ser conduzidas. A liberdade dos investigados poderia causar danos irreparáveis.

Muitos dos presos temporariamente pediram a revogação das prisões… 
Acredito que não houve mudança de cenário entre a data do meu pedido e hoje. Então, seria uma congruência informar que, há 24 horas, existiam motivos e, agora, não. Faz sentido, na lógica de defesa, dizer que não existem mais razões para a reclusão. Eu defendo que ainda existem.

Quais são os crimes investigados?
Em um primeiro momento, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, quadrilha ou bando e fraude licitatória.

A senhora acredita que a operação vai interferir no cenário das próximas eleições?

Acho que essa atuação da Polícia Federal gera impactos e entra na casa do cidadão brasiliense.

Quando o inquérito será concluído?

Até o início do segundo semestre é possível. Estou destacada para apresentar um resultado o quanto antes.

Por  Isa Stacciarini – Correio Braziliense

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