Mortes violentas no Brasil: uma bomba atômica por ano

Durante praticamente dois anos me silenciei aqui no Blog, me tornei “indiferente” aos problemas da Polícia Militar do DF e busquei melhorar a mim mesmo, outros objetivos surgiram ao longo do tempo, o foco na família foi um deles. Foram várias as perseguições, pois verdades “políticas” não podem ser ditas, na prática “policiais” não podem “discutir política”, por isso estamos chegando ao fundo do posso, como no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e outros Estados, afinal, quem não discute política é dominado por quem discute, mas hoje senti vontade de escrever novamente. Afinal, estudei muito para me tornar “especialista em segurança pública” e não posso simplesmente me calar. Gosto de exercer o privilégio de “pensar segurança pública”.

No Brasil, nós policiais, ainda lutamos por direitos civis básicos, estamos bem longe da luta dos negros americanos por direitos civis (cidadania plena), nos anos sessenta, nos Estados Unidos, mas como dizem: “o amor é cego”. Para algumas autoridades: policiais ainda devem trabalhar de graça. Temos milhões de bombeiros e policiais militares e civis tapando o sol com a peneira, alguns pagando para trabalhar, outros fingindo que estão trabalhando enquanto o governo finge que os paga.  Em algum momento isso explode, como está ocorrendo Rio Grande do Norte e já ocorreu em outros Estados da Federação, inclusive no DF, com a conhecida “Operação tartaruga”. Pena que tudo isso seja sazonal. No final, apenas alguns ganham e outros são punidos. A mudança que deveria ocorrer está longe e quiçá nunca ocorrerá, pois o status quo interessa a muita gente.

Como cansei de discutir “instituições”, que por acaso são feitas por homens e mulheres, sendo assim, elas (instituições) somente mudam quando seus integrantes mudam,  e a maioria não deseja mudança alguma, decidi falar dos “problemas que envolvem” a segurança pública no geral, mesmo que  eles perpassem pelas “falidas” instituições. Diga-se de passagem que a “falência” está na visão e no comportamento de seus integrantes. Prédios não pensam, não punem, viaturas não andam sozinhas…

Analisando os estudos apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, recentemente, em especial a 11ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública , voltei a me interessar pelo debate.

Os estudos sobre as mortes violentas intencionais ainda são muito recentes. Os dados ainda são tímidos, mas já podemos ter uma noção geral sobre como anda nosso país e o nosso Distrito Federal. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública o Brasil teve 7 pessoas assassinadas por hora em 2016 totalizando 61.283  mortes violentas intencionais, o maior número já registrado no Brasil. Um crescimento de 4% em relação a 2015. As maiores taxas estão em Sergipe, 64 mortes por 100 mil habitantes, Rio Grande do Norte, 56,9 mortes por 100 mil habitantes e Alagoas, 55,9 mortes por 100 mil habitantes. A média no Brasil é de 29,7 mortes por cada 100 mil habitantes. O DF, por mais que pareça inseguro, esteve com uma média de 22,1 mortes para cada 100 mil habitantes, com tendência de redução nos próximos anos.

Mortes violentas intencionais

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

O DF vem baixando suas taxas gradualmente. É interessante analisar posteriormente o impacto do Estatuto do desarmamento na redução de homicídios. Outro ponto é o aumento de mortes por arma branca. Ainda merece atenção para estudos futuros: o “medo”. Por que os índices de mortes violentas intencionais vem caindo no Distrito Federal, mas tem-se a impressão de que a insegurança está aumentando? Por que as corporações não estudam o medo e como minimizá-lo? Qual a relação entre “produtividade” da PM e redução de homicídios e até mesmo da “criminalidade”? É possível a polícia preventiva atuar efetivamente em tais ocorrências? São reflexões que julgo importante.

Mortes violentas intencionais 2

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Vejo poucos estudos sobre homicídios nas Polícias Militares, confesso que não é meu tema preferido, mas deveria ser nosso maior foco: “preservação da vida”. O Foco das Polícias Militares em geral é apreensão de armas e de drogas, isso quando tem algum foco, não especificamente a redução do homicídio, ela pode ser um “efeito colateral” do tal  “foco principal”. É um tema que pretendo estudar mais a fundo, pois segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública os mais de 61,2 mil assassinatos cometidos em 2016 no Brasil equivalem, em números, às mortes provocadas pela explosão da Bomba Nuclear que dizimou a cidade de Nagasak, em 1945, no Japão.

Por Aderivaldo Cardoso – Jornalista – Especialista em Segurança Pública e Cidadania – Pós graduado em Segurança Pública e Cidadania pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília. Autor do Livro: Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários de Segurança Pública e Cidadania –  Editora MG – 2011 – Ex-Assessor Especial de Gabinete da SSPDF e ex-Assessor Especial de Comunicação da Assessoria de Comunicação Social da SSPDF.

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Arquivado em Política, Reflexão, segurança pública

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