É preciso “quebrar ovos” para se mexer em estruturas conversadoras e ultrapassadas.

No “Pacto pela Vida” no DF existe um “colegiado”, chamado de “Comitê Gestor do Pacto Pela Vida”. Ele é presidido pelo governador do DF e coordenado pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social. A ideia é interessante, pois existem esferas anteriores que “filtram” os problemas deixando apenas os não “solúveis” para que seja resolvido pelo colegiado, por ordem do governador.

Após a apresentação dos índices de criminalidade, onde foi verificado o aumento de alguns crimes, estiveram reunidos os integrantes do colegiado. Nele ficou definido que combater os roubos a residências, ao comércio e a pedestres — que tiveram aumento no acumulado do ano em relação a 2015 — deverá ser prioridade. “Precisamos atuar nessas três frentes, esse é o desafio que está colocado para a segurança pública”, desta o governador. A ordem é focar em áreas mapeadas de acordo com os índices criminais e a sensação de insegurança da população. Se formos ter como referência o último “indicador” faltará policiais para proteger os locais onde a população se sente insegura, o medo está presente de norte a sul, de leste a oeste.

O mapeamento dessas áreas foi delineado com informações obtidas por meio da Pesquisa Distrital de Segurança, iniciada no ano passado e que faz parte das ações do Pacto pela Vida. Ao registrar os dados coletados em cada região, os pesquisadores usaram a técnica de georreferenciamento para associar as informações ao local das ocorrências.

A iniciativa é louvável, e se implementada poderá trazer grandes resultados. O problema é a “ordem” do governador ser cumprida e os crimes reduzirem. São vários os fatores externos que contribuem para o aumento da criminalidade. No ano passado ordens semelhantes já foram dadas para reduzir os roubos em transporte coletivo, já publicamos aqui no Blog Policiamento Inteligente diversos artigos sobre o tema, mas os resultados foram muito pequenos. Os problemas de segurança pública no DF vão muito além dos “problemas sociais” e da “sazonalidade” dos crimes. É preciso coragem para mudar certas estruturas, é preciso coragem para reestruturar o sistema de segurança pública no Brasil e no DF, é preciso “quebrar ovos” para se fazer uma boa omelete, assim como é preciso “quebrar ovos” para se mexer em estruturas conversadoras e ultrapassadas.

pacto pela vida

Aderivaldo Cardoso –  Especialista em Segurança Pública e Cidadania, Autor do Livro Policiamento Inteligente – Uma análise dos Postos Comunitários no DF, ex-Assessor Especial de Gabinete da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social.

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