Corregedoria investiga 6 PMs suspeitos de articularem Operação Tartaruga

Facebook/Reprodução

A Corregedoria da Polícia Militar está em busca dos principais articuladores de outra Operação Tartaruga. A corporação abriu inquérito contra pelo menos seis policiais: quatro praças e dois oficiais que, na visão do comando, incentivam a classe a aderir ao movimento. Imagens e montagens que incitam o atraso de ocorrências, por exemplo, circulam em grupos de WhatsApp de policiais. São investigados o sargento Lusimar Torres Arruda, o Jabá; o tenente Edson Ricardo Isaías, o Pato; o cabo Eliomar Rodrigues; o sargento Janio Farias Marques, o Guarda Jânio; a sargento Angélica Machado; e o coronel Néviton Pereira Júnior, exonerado em 23 de dezembro do cargo de diretor de Inativos, Pensionistas e Civis do Departamento de Gestão de Pessoal, seis dias depois de assembleia realizada na Praça do Relógio.

Todos se candidataram nas eleições de 2014 a deputado distrital ou federal, mas nenhum se elegeu. A maioria contou com apoio de policiais e aliados, o que reforça a força política dentro da Polícia Militar. Jabá disputou uma cadeira na Câmara Legislativa, mas só recebeu 1.114 votos, assim como Pato (3.697), cabo Eliomar (598) e Guarda Janio (14.939). Sargento Angélica e coronel Néviton tentaram vaga para federal. A primeira recebeu 2.973 votos, e o segundo, 5.040. O oficial Néviton foi administrador de Santa Maria no governo Agnelo Queiroz (PT), mas acabou exonerado em agosto de 2013 por suspeita de desvio de verbas para a contratação de artistas na 23º aniversário de Santa Maria.

Além de encabeçarem a mobilização que teria começado em dezembro, na tentativa de reduzir o tempo (interstício) de permanência dos militares em cada patente até a promoção, alguns dos policiais são os mesmos que estiveram na liderança da última Operação Tartaruga, em 2014 (leia Memória). Militares chegaram a ser presos por incitação, motim e crítica indevida. Pelo menos dois dos PMs que agora tentam fazer o ato engrenar estavam em posição de destaque há menos de dois anos: Jabá e Pato. O primeiro foi condenado a 2 anos e 7 meses de reclusão por incitação e crítica indevida. Ele recorreu e está em liberdade por ser réu primário, mas perdeu o porte de arma e hoje atua na seção de comunicação do 27º BPM (Recanto das Emas).

Também responderam pelo movimento em 2014 o presidente e o vice da Associação dos Praças (Aspra), João de Deus e sargento Manoel Sansão; o tenente Jorge Antônio Martins, o Poliglota; e o cabo Wellington Abranches, o Halk, que chegou a ser preso à época. O julgamento de Pato e Halk deve ocorrer em fevereiro. Poliglota foi absolvido em 2014 no Conselho de Justificação, por unanimidade, com três votos a favor. “Desta vez, não estou participando, até porque sou vice-presidente do Democratas no DF (DEM-DF). Preferi não me envolver, e outras pessoas estão cuidando disso. Tenho a minha opinião a respeito, mas prefiro não comentar”, disse.

João de Deus é ex-sargento da PM e acabou expulso da corporação por liderar operações, mas foi reintegrado pelo ex-governador Cristovam Buarque (então no PT). João sempre assumiu uma posição central nos movimentos e, hoje, é prefeito de Água Fria (GO). Foi deputado distrital em 1994 e 1998; por duas vezes, assumiu a Prefeitura de Água Fria, em 2008 e 2012, onde tem terras. O Correio entrou em contato com a prefeitura do município goiano, mas uma funcionária disse, por telefone, que ele viajou de férias para Maceió, em 4 de janeiro. A reportagem tentou ligar para o telefone dele, mas o celular estava na caixa postal. Ele não retornou a ligação até o fechamento desta edição.

“Militarismo”
Historicamente, militares que encabeçam movimentos internos acabam na política. Três anos depois de criar a Associação dos PMs e Bombeiros do DF (Aspol), o ex-deputado distrital cabo Patrício (Sidney da Silva Patrício) liderou o movimento de policiais, em dezembro de 2000. Reuniu mais de 7 mil PMs e bombeiros na Praça do Relógio. “Como o Código Penal Militar é muito duro, fui expulso da corporação em 5 de setembro de 2001 e fiquei preso durante 131 dias. Outros 400 receberam punições. Isso me deixou conhecido não apenas entre a categoria, mas com a população, afinal, ficar preso todo esse tempo, em época de democracia, é estranho”, recorda. “Nas ruas, agora, a insatisfação é outra.”

Por:  Isa Stacciarin – Jornal Correio Braziliense, publicado em 10/01/2016

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