Houve algum “boicote” a gestão do então secretário de segurança Arthur Trindade?

O dia de hoje (17/11) foi marcado pelo “Balanço da segurança” durante uma coletiva na Secretaria de Segurança Pública e Paz social. Nela foram apresentadas “as principais ações da segurança pública no DF. Os números chamam a atenção, alguns deles negativamente. Uma análise que poderia ser feita após uma breve olhada nos números é: até que ponto a relação estremecida entre a polícia militar e a secretaria de segurança pode ter influenciado no aumento da criminalidade no DF nos últimos meses? Houve algum “boicote” a gestão do então secretário Arthur Trindade?

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Até julho de 2015, o crime de roubo a coletivos chamou a atenção, As regiões de Ceilândia, Samambaia, Santa Maria e Recanto das Emas tiveram o equivalente a 62% dos registros do crime neste ano. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, à época, foram registradas 1.082 ocorrências de roubos em transporte coletivo na primeira metade do ano. Abril tinha sido o mês com maior índice de ocorrências: foram 251 casos, até o mês de outubro, que chegou a impressionante marca 314 casos, contra 193 casos de outubro do ano passado, um aumento de 62,7% no crime de roubo a coletivo. O que gerou tamanho aumento nesta modalidade de crime?

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 À época o governador, Rodrigo Rollemberg, anunciou uma série de medidas para evitar assaltos a passageiros de ônibus, conforme várias reportagens a época, incluindo o monitoramento da iluminação e de mato alto nas paradas de ônibus, além da determinação para que as empresas de transporte coletivo forneçam obrigatoriamente imagens internas dos veículos na ocorrência de crimes. As estratégias fazem parte do programa “Pacto pela Vida” ou “Viva Brasília”, que visa reduzir a criminalidade do DF. De acordo com o governo, as administrações regionais deveriam acompanhar os estados dos equipamentos públicos e avisar a CEB e a Novacap sobre os problemas. As determinações do Governador foram cumpridas? Rollemberg afirmou que seriam levantadas as paradas de ônibus com maior registro de assaltos. Em entrevista ao site G1, do dia 27 de julho de 2015, o governador afirmou que:

“Neste momento, a prioridade é de buscar entender como acontecem roubos em coletivos para que possamos ter ações integradas das forças de segurança no DF, percebendo quais são as cidades onde os crimes são mais comuns e tendo acesso da polícia ao local”

O crime tem dia, local e horário para ocorrer. Crimes como roubo a coletivo e roubo a transeunte também, a análise criminal serve para compreender a dinâmica do crime, incluindo o “modus operandi” do criminoso. Um dos pontos principais da segurança pública é a redução do espaço de atuação do criminoso. Está sendo feito? A informação só passa a ter alguma utilidade se o policiamento for colocado no lugar certo, na hora certa e no dia certo. A integração entre as forças precisa deixar de ser apenas “jogo de cena” para ser uma integração de fato, caso contrário, assim como o “projeto de postos policiais”, não passará de um grande “teatro”. Ainda há tempo para colocar o projeto nos trilhos. Qualquer “boicote” ao principal projeto do governo atualmente é um “boicote” ao próprio governo. Ter posição não significa ser oposição!

pacto pela vida

3 Comentários

Arquivado em Política, policiamento inteligente

3 Respostas para “Houve algum “boicote” a gestão do então secretário de segurança Arthur Trindade?

  1. Parabéns pela sobriedade e a maneira didática da escrita diante de um conteúdo complexo (seg. Publica) e um momento político delicado!
    Abraços !

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  2. Pingback: Uma reflexão sobre roubos em coletivos no DF | Aderivaldo Cardoso

  3. Pingback: É preciso “quebrar ovos” para se mexer em estruturas conversadoras e ultrapassadas. | Aderivaldo Cardoso

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