A saga por uma vacina na rede pública de saúde!

Somente quando nos colocamos no lugar do outro, ou quando precisamos de algum serviço público é que podemos tirar nossas conclusões sobre determinados assuntos. No dia 18 de agosto (segunda-feira) minha filha foi tomar as primeiras vacinas. Fomos a um posto de Saúde na Ceilândia. O primeiro ponto que observei foi a falta de acesso (simbolicamente e na prática), pois não tem entrada asfaltada, o segundo as janelas quebradas, o que representa seu abandono, após isso, já dentro do posto um copo de açaí no chão, algodão e outras sujeiras, até gaze com sangue na porta de entrada, algo de se estranhar em um hospital. Saúde e sujeira não se mistura. Para completar a triste notícia, não tinha naquele posto de saúde vacinas BCG, nem vacina contra Hepatite.

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Foto ilustrativa de outro posto

Fomos para outro posto, lá chegando a falta de acesso também é visível, o interessante é que é bem próximo a administração regional. Lá dentro a triste constatação: a saúde pública no DF está falida. E digo, não é falta de dinheiro, é falta de gestão e de prioridade. Sabe por que digo isso? Porque no posto tinha a vacina, mas não tinha agulha, segundo a enfermeira há mais de três meses. Sabe quanto custa uma agulha? Cinquenta centavos (0,50). Eu queria comprar umas cem e doar, não aceitaram. Nos postos de saúde, UPA´s e Hospitais deveria ter uma CESTA BÁSICA DA SAÚDE. Existem coisas que não podem faltar em um hospital: médicos, agulhas, gazes, limpeza e medicação, isso incluí vacinas, é o mínimo! Espero que o atual governo melhore o quadro caótico em que se encontra a saúde no DF.

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Modelo de agulha que estava em falta. Dado por uma enfermeira

Hoje, dia 20 de agosto é o terceiro posto de saúde que visitamos na Ceilândia tentando dar uma vacina contra hepatite. Desta vez viemos ao Posto de Saúde nº 08. Chegamos as 10h25min. Para nossa surpresa o segurança nos mandou voltar, juntamente com outras mães, as 13h30min. Sabe o motivo?

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Posto numero 08 de Ceilândia as 10h25min

O posto estava cheio e existe um limite de atendimento pela manhã. A saúde primária não é levada a sério. O cidadão é tratado como “João Bobo”, aquele dos postos de gasolina, jogados de um lugar para outro. Precisamos apenas de uma vacina, fico imaginando se precisasse do pré-natal, do parto e de outros atendimentos. E quem não tem carro? Como iria para tantos postos? Como disse, chegamos lá por volta de 10h25min, por volta de 11h15min a sala já estava vazia, já haviam feito a limpeza do local e os profissionais de saúde já estavam saindo para o almoço. Às vezes não basta mudar apenas um secretário. É preciso mudar uma cultura no serviço público. É preciso mudar também os gestores que estão acomodados em suas funções. Quem sabe fazer um concurso específico para gestores públicos para diversas áreas do setor público, assim como é feito na área federal. Precisamos de uma solução que tire a saúde pública da UTI. 

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Foto do mesmo posto as 11h15min

A saúde pública está na UTI. Não é somente falta de dinheiro. Falta planejamento, gente qualificada, servidores comprometidos, gestores eficientes. Enquanto a saúde não se recuperar nenhuma festa deveria ser financiada com dinheiro público nesta cidade. Vergonha!

É impressionante como os Postos de Saúde estão abandonados nos últimos vinte anos. Estive refletindo sobre o fato. Será se o projeto “saúde em casa” contribui para o abandono dos postos? Durante dezessete anos fui atendido em posto de saúde pelo mesmo médico no Posto nº 07 da Asa Sul, lembro bem dele, Doutro Maurício, funciona bem. Atualmente, parece que os postos e a prevenção primária foi deixada de lado. Precisamos resgatar a prevenção. Cabe ao novo governo ressuscitar a saúde pública do DF. Irá conseguir? Somente o tempo dirá.

Depois de muito insistir e reclamar Sophia foi vacinada contra Hepatite e BCG. Não podemos deixar de nos indignar com as coisas erradas. Quem se cala diante do erro é cúmplice.

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