Protesto contra a Copa termina em confronto com a polícia no DF

Em manifestações já estamos acostumados com xingamentos, cusparadas no rosto, pedradas, urina, sim, jogam urina em policiais, mas agora estamos sujeitos a flechadas? Como índio “não pode” ser preso, não deu nada. Em que pais estamos? Absurdo total!

Indígena atira flecha contra policial durante protesto em Brasília nesta terça-feira (27). (Foto: Lunae Parracho/Reuters)Grupo de índios que participou de protesto em Brasília cercou policiais militares que estavam a cavalo (Foto: Lunae Parracho/Reuters)

A 16 dias da abertura da Copa do Mundo, um protesto contra o mundial da Fifa terminou em confronto com a Polícia Militar na área central de Brasília, no fim da tarde e na noite desta terça-feira (27). Os manifestantes chegaram a fechar as seis faixas do Eixo Monumental, no sentido Torre de TV, o que gerou um grande congestionamento. Segundo a PM, cerca de 2,5 mil pessoas participaram da manifestação, entre as quais um grupo de 300 índios que desembarcou na capital federal para protestar contra mudanças nas regras de demarcação de terras indígenas.

Indígena mira flecha antes de acertar perna de policial durante protesto em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo)Indígena mira flecha antes de disparar em direção
a policiais (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em meio ao protesto, um PM do pelotão de cavalaria foi atingido por uma flecha disparada por um indígena. O policial foi atendido pela ambulância do Samu e passa bem, segundo a corporação.

Apesar de ter sido flagrado, o índio que disparou a flecha não foi preso, informou a  Polícia Militar.

Conforme a assessoria da Funai, desde 1988 os índios são responsáveis pelos seus atos e podem ser presos pela PM. A única restrição é com relação à prisão dentro de aldeia, que exige a presença da Polícia Federal, segundo a assessoria.

Imagem capta momento em que flecha atirada por indígena atinge perna de policial durante protesto em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo)Imagem capta momento em que flecha atirada por
indígena atinge perna de policial durante protesto
em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo)

De acordo com o Conselho Indigenista de Missionários, dois índios também ficaram feridos com bombas de gás lacrimogêneo disparadas pelo Batalhão de Choque.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública do DF, os policiais militares agiram “estritamente dentro do protocolo previsto em casos de manifestações”. A pasta disse que o ato foi contido no limite da área de visitação da Taça da Copa do Mundo e que preservou a integridade física dos participantes.

Ainda de acordo com a corporação, duas pessoas foram presas durante o tumulto: um homem por desacato à autoridade e outro por dano ao patrimônio.

Alvo dos manifestantes, o Estádio Nacional Mané Garrincha completou um ano no dia 18 de maio. A arena substituiu o antigo Mané Garrincha e vai receber sete partidas do Mundial, entre as quais o jogo entre Brasil e Camarões, no dia 23 de junho.

As obras do estádio, que custaram cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres do governo do Distrito Federal, estão sendo questionadas pelo Tribunal de Contas do DF por suspeitas de superfaturamento.

Marcha e conflito
O protesto contra a Copa em Brasília teve início por volta das 17h, quando integrantes de movimentos sociais se concentraram na Rodoviária do Plano Piloto para criticar os gastos públicos na Copa e reclamar de problemas nas áreas de habitação, saúde e educação.

O ato também reuniu familiares do auxiliar de serviços gerais Antônio de Araújo, que desapareceu no dia 27 de maio de 2013, após uma abordagem policial na cidade satélite de Planaltina, e os indígenas, que mais cedo haviamocupado a marquise do Congresso Nacional.

Moto da PM com flechas (Foto: Polícia Militar/Divulgação)Moto da PM com flechas. (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Após a concentração na Rodoviária do Plano Piloto, os manifestantes saíram em marcha pelo Eixo Monumental, uma das principais vias de Brasília, em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha. De acordo com a Polícia Militar, os manifestantes aproveitaram madeiras e pedras de restos de obras na Feira da Torre de TV, ponto turístico que fica próximo ao estádio, para tentar agredir os policiais.

Na tentativa de evitar que o grupo se aproximasse da arena, os 900 policiais mobilizados para o protesto passaram a disparar bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

O protesto ocorreu durante dia de visitação pública à Taça da Copa do Mundo, que encerra, em Brasília, um tour pelas cidades-sedes do evento da Fifa. O ex-jogador e tetracampeão mundial Bebeto participou da exposição no estacionamento do Estádio Mané Garrincha.

Alegando falta de segurança, a organização do evento fechou o acesso do público assim que os manifestantes começaram a entrar em confronto com a PM.

Responsável pela exposição no estádio, a Coca-Cola lamentou que o protesto tenha impedido que centenas de pessoas conseguissem visitar a taça da Copa do Mundo nesta terça-feira. Por meio de nota oficial, a empresa classificou as manifestações como parte do “processo democrático” e afirmou que a visitação desta quarta (28), que começa às 9h, está mantida.

Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/05/protesto-contra-copa-termina-em-confronto-com-policia-no-df.html

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1 comentário

Arquivado em Política

Uma resposta para “Protesto contra a Copa termina em confronto com a polícia no DF

  1. FILIPPI

    Opa! Chamem os antropólogos de esquerda do Complexo Pucusp!

    Eita! Estamos avançando! Já chegamos à era da guerra com arco e flecha em plena Praça dos Três Poderes, em Brasília. Vamos convocar os antropólogos de esquerda do Complexo Pucusp para analisar essa, como direi?, volta às raízes. E se a Praça dos Três Poderes fosse desapropriada e entregue aos índios, hein? Com raras exceções — algumas cabeças no Supremo e no Congresso —, poder-se-iam produzir coisas mais interessantes por lá. Também aceito reivindicações de quilombolas, de ETs, de povos estranhos de áreas ignotas… Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

    Um turista estrangeiro que desembarcou em Brasília e resolveu ver de perto a taça oficial da Copa do Mundo, exposta no Estádio Nacional nesta terça-feira, foi surpreendido com cenas de faroeste. Índios que realizavam um ato no Congresso Nacional pela demarcação de terras protegidas se juntaram a manifestantes que marchavam contra a realização da Copa e entraram em confronto com a Polícia Militar do Distrito Federal. Durante a confusão, imagens de emissoras de televisão mostraram índios disparando flechas contra policiais a cavalo – a assessoria da PM confirmou que um policial foi atingido na perna por uma flecha.

    Para proteger as instalações do estádio, a PM interditou o trânsito nas principais vias do Plano Piloto de Brasília e destacou 500 homens, incluindo a Tropa de Choque e o Batalhão da Cavalaria. Baderneiros atacaram dois carros da polícia e tentaram furar os bloqueios. A PM respondeu com bombas de efeito moral.

    A PM não informou se houve detidos até agora, mas imagens de televisão mostraram uma pessoa sendo conduzida para uma viatura.

    Retomo
    Ah, que pena que eu não estava lá! Começaria a declamar Gonçalves Dias. Índio com rima e ritmo é bacana! Cadê Gilberto Carvalho, o interlocutor do mundo indígena? Cadê Paulo Maldos, que é a pessoa destacada pelo ministro para organizar essas demandas?

    Escrevo com a pena da galhofa? Não é, não, leitor! É melancolia mesmo…

    Por Reinaldo Azevedo

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