PMs ocupam entrada do Congresso contra prisão de 12 policiais

Um grupo de policiais militares ocupou a entrada da Câmara dos Deputados, emBrasília, no início da tarde desta quarta-feira (26), em ato contra a prisão de 12 PMs envolvidos na operação tartaruga e contra a proposta de reajuste de benefícios do governo.

Os policiais marcharam pelo Eixo Monumental desde o Palácio do Buriti. O ato acontece no mesmo dia em que uma comissão de PMs e bombeiros se reuniram com o governador em exercício do DF, Tadeu Filippelli, para discutir a reestruturação da carreira.

Segundo os PMs que participam do protesto, a comissão não representa a categoria. Na reunião ficou decidido que o GDF tem até o dia 2 de julho para enviar uma proposta de reestruturação.

De acordo com o movimento, cerca de 500 pessoas participam do ato. Durante o ato, os manifestantes chegaram a gritar palavras de ordem como “abaixo a ditadura”, “eu existo” e “liberdade”.

Reajuste
No último dia 18, uma assembleia marcada por oficiais, realizada no Clube de Oficiais da PM, decidiu aceitar a proposta de reajuste feita pelo governo do DF à categoria. Na manhã da mesma data, outra reunião em frente ao Palácio do Buriti havia rejeitado o plano de reajuste e reestruturação da categoria.

Policiais militares ocupam entrada da Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)
Policiais militares ocupam entrada da Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)

O GDF ofereceu aos policiais militares reajuste de 22% nos salários escalonado em três anos, para aproximar os salários da PM com os da Polícia Civil. No caso dos benefícios, os reajustes variam entre R$ 560, para praças, e R$ 1,2 mil, para oficiais. Pela proposta, o pagamento será feito com recursos do governo local, por meio de decreto.

Governador em exercício do DF, Tadeu Fillipeli, se reúne com comissão de PMs e bombeiros (Foto: Isabella Formiga/G1)
Governador em exercício do DF, Tadeu Filipelli, se reúne com comissão de PMs e bombeiros
(Foto: Isabella Formiga/G1)

Operação tartaruga
Policiais militares entraram em operação tartaruga em outubro do ano passado para reivindicar reajuste salarial, reestruturação da carreira e pagamento de benefícios a PMs em atividade e policiais reformados. O governador Agnelo Queiroz afirmou que o movimento tinha caráter político.

Por participação no movimento, doze policiais militares foram presos entre a última quinta e sexta (20 e 21). Os policiais presos são suspeitos de vários crimes militares, incluindo incitação à desobediência, incitação à violência e publicações indevidas. O primeiro deles, preso na noite de quinta, é um soldado suspeito de desacatar ordens de superiores.

PM faz cordão de proteção na entrada da Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Felipe Neri/G1)
PM faz cordão de proteção na entrada da Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Felipe Neri/G1)

Segundo o corregedor-geral da PM, Civaldo Florêncio, os policiais divulgaram postagens em redes sociais e espalharam e-mails sobre a operação tartaruga. “Não se tratam de bandidos ou marginais. Essas medidas visam reestabelecer a ordem e a hierarquia dentro da PM”, disse.

A previsão é que os policiais fiquem presos por 30 dias, período que pode ser estendido até o fim do inquérito. Foram abertos processos administrativos contra os policiais presos nesta sexta. Os processos podem originar de advertência até a expulsão da corporação, explicou o corregedor. Além disso, os policiais podem pegar até dois anos de prisão caso sejam condenados.

Policiais militares tentam entrar na Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)
Policiais militares tentam entrar na Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)

A categoria ficou dividida depois que o GDF encerrou as negociações sobre reajustes salariais publicando, na quarta, dois decretos. Os líderes das associações decidiram em reunião não se posicionar contra a medida, mas anunciaram que vão enviar carta de repúdio a Agnelo Queiroz.

Em um e-mail divulgado na noite de quarta, havia orientações para que a categoria boicote as atividades. Entre elas, está até mesmo dar informações incorretas a turistas estrangeiros durante a Copa do Mundo, orientando-os a ir a lugares a mais de 40 quilômetros do centro de Brasília, onde ocorrerão os jogos.

“[Sobre] informações aos turistas estrangeiros: oriento-os de maneira incorreta (mande-os para o Sol Nascente, Águas Lindas, Planaltina, Vale do Amanhecer etc.), e só os ajudem, claro, de forma incorreta, se ele (estrangeiro) souber falar português (mesmo que o policial saiba falar outra língua)”, diz o e-mail que circula entre os PMs. O texto não é assinado.

Diminuição de atividade policial
Com a operação tartaruga, o DF registrou queda na atividade policial em dezembro. O secretário de Segurança, Sandro Avelar, afirmou que houve redução de 40% no número de armas apreendidas no período, em relação às médias anteriores. Foram recolhidos 80 equipamentos, contra os cerca de 130 objetos geralmente apreendidos antes. Além disso, a um dia do fim do mês de janeiro, o número de homicídios no DF subiu mais de 40% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/02/pms-ocupam-entrada-do-congresso-em-ato-contra-proposta-do-gdf.html

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