Uma análise da Operação tartaruga sobre a lógica dos escritos históricos de comando – Major Souza Júnior

“Jesus Cristo é o Senhor”
Uma análise da Operação tartaruga sobre a lógica dos escritos históricos de comando

Como Oficial da Polícia Militar do Distrito Federal, bacharel em Direito, especialista em Direito Penal, Direito Militar, Segurança Pública e Cidadania, Especialista em Gestão de Projetos no Serviço Público, de ter sido soldado por quatro anos, mas antes de tudo cidadão brasiliense quando não estou em atividade laborativa, tenho presenciado e vivenciado o presente contexto histórico policial na Capital de nosso país.

Ao analisar as Escrituras Sagradas, trago a existência o texto que foi alvo da preleção de Abrahan Lincoln ao relatar os perigos de ter a maior nação do mundo dividida. Então vamos aqui fazer um benchmarking, ou seja, imitar ou tomar como exemplo o que dar certo. Senhores, ao dividirmos, Sociedade, Governo, Oficiais e Praças estamos diante de um exemplo claro da citação de Mateus, 12:25, que reza “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”.

Ao falar que “uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer” o político estava se referindo à divisão da nação norte-americana em estados libertários e escravocratas. Oito anos antes deste discurso, durante o debate no Senado sobre o Compromisso de 1850, Sam Houston já havia proclamado: “Uma nação não pode ficar dividida contra si mesma”.

Sabiamente, o grande general Chinês Sun Tzu, cita: “A guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império: é preciso manejá-la bem”. Atualizando para Segurança Pública “dentro de um Estado Democrático de Direito” é vital para o Estado, é assunto de vida ou de morte como temos visto, e é preciso conhecimento e sabedoria para gerenciá-la com excelência.
Não refletir seriamente sobre tudo o que vem acontecendo e quais vão ser seus efeitos imediatos, principalmente para a sociedade, a médio e longo prazo, pode ser uma demonstração clara de dolo genérico e de descomprometimento com nossa sociedade, sob pena do sacrifício de nossos familiares ou bens por parte de criminosos; e esta reflexão deve ser obrigatória para o governo, para o comando da Corporação e para cada um de seus componentes.

Sun Tzu traz à baila cinco fatores fundamentais que tratarei por analogia e que determinam o resultado da guerra, são eles: Doutrina, Tempo, Terreno, o Mando e a Disciplina. A doutrina, para Sun Tzu é aquilo que faz com que o povo esteja em harmonia com seu governante, de modo que o siga onde esse for, sem temer por suas vidas, nem de correr qualquer perigo. No atual contexto, verificamos que foram vários os governos, e não somente um, que trataram a Polícia Militar como a força mais relevante na hora do emprego, muitas vezes contra o próprio povo, porém, na hora da recompensa é tratada de forma diferenciada dos outros filhos da mesma casa. Obs. Não que os outros filhos não mereçam o seu devido reconhecimento e recompensas, mas a diferença nesta balança, pesam dentro da instituição em desfavor de uma gerência de excelência por parte de seus líderes, chefes e gestores.

O tempo, por analogia é o indicador de nosso clima motivacional, poderia ser tratado como o dia a dia de cada colaborador ou facilitador. Há tempo que cada policial sonhava em que a sociedade entendesse o quanto é importante na preservação na lei e da ordem, que tivesse a noção da importância de cada um de seus membros ao patrulhar nos locais mais inóspitos, ao adentrar nos ambientes mais perigosos arriscando a própria vida por pessoas que ele nem sequer conhece. É neste momento que cada policial verifica o quanto se ama a sociedade. É esse fazer a mais que por muitas vezes, causa um dos principais gargalos que motivam a operação em pauta. É a falta deste reconhecimento que gera uma evasão de talentos para outras instituições que o paguem mais apropriadamente e melhorem as condições de suas famílias, pois policial também é filho, é pai, é esposo.

É necessário esclarecer a natureza formal do serviço policial, no caso da Polícia Administrativa a que pertence a instituição, é de preventividade, uma vez cometido o crime cessa-se as ações, cabendo seguir sua investigação, às Polícias de caráter Judiciário. O que implica em mais tempo, e menos armas apreendidas de imediato, bem como, criminosos presos logo após o delito, o que refreia o crime com convicção, daí, o referido “Plus” citado nas pautas de negociações, o ir além das ações policiais são legitimadas, nem sempre basiladas por normas. E este ir além é subjetivo, como a própria motivação humana, depende de cada um, não há como regular em lei e se for motivado de forma coercitiva pode ter efeitos contrários aos desígnios Institucionais.

O terreno, implica as distâncias, novamente por analogia e sem macular a obra perfeita do Grande general Sun Tzu, faz referência onde é fácil ou difícil deslocar-se. Por ter sido soldado e ser hoje Oficial superior da Polícia Militar posso fazer colocações com propriedade sobre as facilidades e as dificuldades deste terreno. Infelizmente, ao lembrar de Mateus, Capitulo 12, versículo 25, temos, como na maioria das empresas, públicas ou privadas, uma divisão clara, o que no caso do combate ao crime nem sempre é salutar, pois há desproporcionalidade latente, quando o risco é a própria vida, e é absurda até ao homem de compreensão mediana. É necessário, motivar a excelência de gestão ao máximo, capacitar e formar homens que entendam as nuances da missão e que o “ombreamento”, lado a lado, não é escolha, mas sim obrigação de cada um, seja oficial, seja praça. O Estado Democrático de Direito faz parte deste terreno num sentido amplo e fazer uma separação latente do policial “ser humano”, com qualquer outro cidadão é afrontar o artigo 5º,Caput “Princípio da Igualdade” de nossa Carta Magna de 1988 de forma violenta e desleal.

A busca por igualdade de tratamento com os demais filhos da Capital Federal, dentro da área dos órgãos que fazem segurança pública, é uma das manifestações mais espetaculares da Democracia, pois, qualquer instituição só pode proporcionar aquilo que ela própria tem, ou seja, garantia de direitos e cidadania. Como tratar com respeito o cidadão que almeja por seus direitos, frente ao Congresso Nacional de Brasília, se o próprio “garante”, Policial Militar, não se sinta amparados por direitos? Como aplicar os princípios de polícia comunitária ou de direitos humanos sem se sentir cidadão ou pelo menos humanos? Basta a mídia descompromissada com a Democracia que faça separações. Aos governantes, líderes, juristas e intelectuais, cabe a análise justa dos direitos de igualdade e de cidadania.

Para o General Sun Tzu o mando há de ter como qualidades: a sabedoria, a sinceridade, a benevolência, a coragem e a disciplina. Cabe a cada um, Governo, Policial por Policial como um todo, do Senhor Comandante Geral ao Soldado mais novo da Corporação avaliar-se e ver o seu grau de compromisso, de entusiasmo em servir a uma sociedade, já tão sofrida por mazelas atuais e históricas. Sociedade que merece ser vista, considerada e respeitada, sendo que cada membro da corporação também o é e merece tal respeito recíproco por ela e pelo Governo a que por tantas vezes se serviu da forças policiais, para quem juramos a vida e derramamos nosso sangue. Quantos foram os policiais militares que ficaram ausentes de suas famílias em prontidões, sofreram lesões e sagraram frente ao congresso nacional? Verdadeiros heróis e que não merecem ser negligenciados por nós e por nossas gerações futuras.
Quanto à disciplina, há de ser compreendida como a organização da Instituição de combate ao crime, suas graduações e as classes entre os oficiais, o caminho a seguir e a provisão de material militar necessário ao cumprimento da missão. Quando há lógica no sistema de Gestão, de ornamentos, de compreensão do momento histórico vivenciado e das dinâmicas, num envolvimento holístico dos fatores que o compõem, haverá o fortalecimento da teoria Y de McGregor e por consequência o fortalecimento da Organização policial e do Soberano como citaria Maquiavel.

Para Sun Tzu estes cinco fatores fundamentais hão de ser conhecidos por cada general, por cada combatente, “aquele que os domina, vence; aquele que não, sai derrotado, o general que siga meu conselho, é certo que vencerá. Esse general há de ser mantido na liderança. Aquele que ignorar meus conselhos, certamente será derrotado. E deve ser destituído. Além de prestar atenção a meus conselhos e planos, o general deve criar uma situação que contribua com seu cumprimento. Por situação quero dizer que deve levar em consideração a situação do campo, e atuar de acordo com o que lhe for vantajoso”. E o mais proveitoso neste momento é a situação de ganha-ganha, aonde sociedade, governo e polícia saiam vitoriosos.

E o que é vantajoso neste momento para a nossa casa “O Distrito Federal” como um todo? O engajamento de todos para evitar que o crime seja fortalecido. É necessário a credibilidade da palavra, o pensar e o repensar, o analisar mesmo com o sacrifício do próprio cargo, da própria gratificação, se for o caso, do próprio futuro político em prol da vida, o que é concretizado com gestos de Gestão as vezes simples, como abrir um canal de negociação, rever as diferenças entre os filhos da mesma casa, valorizar, liderar, agregar valores e responsabilidades à gestão de segurança pública.

A sociedade do DF não pode padecer pelo interesses dos mesmos grupos a quem ela mesma legitima a representá-la e lhe prestar segurança com o emprego da força necessária. Quem realmente perde por não ceder, ou todos perdemos? Qual a compreensão sociológica que será gerada se o estabelecimento deste conflito não for positivo como falaria Georg Simmel? Cabe a nós gestores, todos, decidir.

Major QOPM José Gabriel de Souza Júnior

Folha-Dirigida

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1 comentário

Arquivado em Reflexão

Uma resposta para “Uma análise da Operação tartaruga sobre a lógica dos escritos históricos de comando – Major Souza Júnior

  1. Son goku

    Muito interessante a sabedoria do major. Fico triste em saber que muitos oficiais não refletem sobre a importância da importância do policial de rua. Sempre quando estou na rua, falo da importância dos policiais de ponta e dos policiais que nos dão suporte, principalmente dos nossos oficiais. Procuro encurtar esta divisão. Um dia conversando com um oficial: falei que se somos importantes na linha de ponta, é porque temos excelentes instrutores oficiais. Precisamos encurtar estas distância. Se isso fosse feito antes, seríamos uma poderosa instituição. e não uma com estrutura frágil. Isto é culpa dos nosso gestores.

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