Segurança Pública no DF: Postos a caminho do fim

Consideradas ineficientes por especialistas, unidades comunitárias de segurança ociosas devem ser cedidas para órgãos de trânsito e de saúde, além de conselhos de segurança!
No Módulo 1 do Mestre D%u2019Armas, em Planaltina, um Posto Comunitário de Segurança teve o vidro quebrado e as paredes pichadas no último sábado: segundo os militares, o crime ocorreu enquanto eles atendiam uma ocorrência

Os Postos Comunitários de Segurança (PCS), da Polícia Militar, parecem não ter mesmo caído nas graças do Governo do Distrito Federal (GDF), que estuda agora ceder algumas unidades para outros órgãos. Ativos desde 2008, os PCSs são constantemente alvos de vândalos. As unidades raramente recebem manutenção e estão longe de serem consideradas eficientes por especialistas. Criminosos aproveitam o descaso e atacam os postos sem intimidação. No fim de semana, mais dois foram depredados.  …

Durante uma reunião entre representantes da cúpula do GDF, ontem, a situação dos PCSs entrou na mesa de discussões. Os resultados insatisfatórios de alguns deles devem levar o governo a ceder unidades para outros órgãos, de trânsito e de saúde, e ainda para conselhos de segurança, segundo autoridades ouvidas pelo Correio. O objetivo é que os espaços sejam utilizados de alguma forma, já que alguns estão fechados com correntes e não são ocupados por policiais militares há meses. Hoje, o DF tem 120 PCSs, segundo a PM.

Na semana passada, o Correio percorreu várias cidades e encontrou postos sucateados e fechados. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, “o fato de o posto policial estar fechado não significa inexistência de policiamento, pois a corporação aplica, eventualmente, o policial do posto em outros tipos de patrulhamento, como as rondas de viatura, motopatrulhamento e até mesmo o policiamento a pé, demonstrando maior ostensividade e abrangendo uma área mais ampla”.

Contrário à implantação dos PCSs, o coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, foi informado sobre o projeto pelo ex-governador do DF José Roberto Arruda e disse que, na época, falou que se tratava de um plano equivocado. “Não há polícia no mundo que seja fixa. Numa cidade grande como o DF, onde em mais de 80% da área pouco ou nada acontece, não há justificativa para ter 120 postos. São policiais que estão perdidos”, criticou o ex-secretário.

No mesmo dia, o PCS da CR 80, no Vale do Amanhecer, também foi alvo de vândalos: ataque também teria ocorrido na ausência dos PMs e, ontem, os estilhaços ainda estavam espalhados pelo local

Para José Vicente, não há outra alternativa senão desativar todos os pontos. “São inúteis e estão só desperdiçando recurso público. Não dá para ficar insistindo no erro e sustentando promessa de governo passado”. O coronel ressaltou ainda que o DF precisa é realocar o efetivo e atender melhor a sociedade. “O que a população quer é menos crime. É preciso tirar esses policiais dos postos e colocá-los em viaturas. A polícia tem que andar e estar onde há mais necessidade”, complementou.

A sensação da ineficiência dos PCSs também é percebida pelo consultor em segurança pública George Felipe Dantas. Para ele, tal política é inviável e afeta o quadro de policiais que estarão, efetivamente, nas ruas. “Se você imaginar que eles (os PMs) trabalham em uma escala e se revezam, cada posto consome vários policiais. Essa política é inviável e está em declínio. Fechando esses postos, você teria mais viaturas e policiais nas ruas”, disse. O especialista frisou ainda que as unidades não intimidam vândalos e criminosos. “Se alguém é capaz de depredar um posto onde ficam policiais, é sinal que não há respeito nem mesmo com a polícia. E, dependendo do local, até os militares se tornam alvos”, afirmou.

Mais depredações
Na edição de ontem, o Correio mostrou que pelo menos quatro postos foram depredados até sexta-feira. No último sábado, mais duas unidades, ambas em Planaltina, acabaram alvos de vandalismo (veja mapa). Até o fechamento desta edição, os autores dos estragos não haviam sido identificados.

Uma das unidades depredadas, na CR 80 do Vale do Amanhecer, teve um dos vidros quebrados. Segundo os militares, o crime ocorreu durante patrulhamento. Ontem, os estilhaços do vidro ainda estavam espalhados pelo local.

Comerciante da região, Sara Rúbia Cabral, 40 anos, disse que a presença da polícia não intimida os criminosos. “A insegurança é geral. Já pensei em fechar meu comércio por conta disso. Nunca fui assaltada, mas já vi outros locais serem roubados”, desabafou.

No mesmo dia em que o posto da CR 80 foi depredado, a unidade do Módulo 1 do Mestre D’Armas também teve o vidro quebrado e as paredes pichadas. De acordo com um policial lotado no posto, o crime também teria ocorrido durante a ausência dos colegas de profissão, que atendiam um chamado.

Na Vila Vicentina, outro posto teve dois vidros laterais perfurados por tiros, há cerca de quatro meses. Os materiais não foram trocados até hoje. A PM definiu as depredações como “retaliações em virtude da forte ação da Polícia Militar em prisões e apreensões na região” e garantiu ainda que, “mesmo diante desses fatos, a PMDF continuará atuando com efetividade nessas áreas e que providências estão sendo tomadas para identificação e prisão dos autores.”

Eu acho…

“Não adianta nada ter esses postos comunitários. Se, antes desse estrago, já não havia policiais dentro, imagine agora. Acredito que só quebraram o vidro porque o local estava vazio. Não sei quem pode ter feito isso, mas tem cara de vandalismo. Só demonstra ainda mais que a segurança daqui é péssima. É a segunda vez que esse mesmo posto é danificado. Na outra ocasião, há uns três meses, colocaram fogo em um monte de pneus, em um mato que fica embaixo da unidade, e ela ficou incendiada. Eu me sinto refém da violência em Mestre D’Armas. Tenho medo até de andar pelas ruas.”

José Ribamar Alves Rodrigo, 47 anos, vendedor e morador do Mestre D’Armas, em Planaltina

Fonte: (http://www.edsonsombra.com.br/post/postos-a-caminho-do-fim)

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1 comentário

Arquivado em polícia comunitária

Uma resposta para “Segurança Pública no DF: Postos a caminho do fim

  1. Sergio Santos

    DECISÃO EQUIVOCA
    É uma pena ver a política de Segurança Pública sem rumo por falta de uma gestão e compromisso com a sociedade, e principalmente com a falta de continuidade dos programas nesta área; Espanta-me muito a opinião dos especialistas citados na reportagem sobre os postos, esses foram criados para facilitar a aproximação entre a sociedade e a polícia como acontece em todo mundo, claro que há diversas falhas como o número excessivo de postos em detrimento do número de policiais, suas localizações e como foram construídos, porém eles são necessários na filosofia de Policiamento Comunitário para que a polícia esteja presente e capilarizada em toda sociedade, eles são sim uma ferramenta de descentralização e aproximação de uma nova forma de pensar e fazer Segurança Pública, pois se constitui de um espaço aberto capaz de promover e quebrar inúmeros paradigmas em relação à polícia inclusive a de humanizar suas ações tanto cobradas no Estado Democrático de Direito.
    Na realidade vejo que a sociedade assim como muitos gestores não sabem o que é realmente Segurança Pública, e nem a finalidade real dos Postos Comunitários, sempre que há uma crise querem fazer Política de Segurança Pública (mais policiais, mais armamentos, mais viaturas, leis mais duras) e não conseguem enxergar que Segurança Pública não é somente Polícia na rua, são necessárias Políticas Públicas de Segurança (mais escolas, mais empregos, leis mais eficientes), essas sim farão a diferença na sociedade, precisamos trabalhar as causas e não as consequências e isso faz parte da filosofia da Polícia Comunitária implantadas nos PCs.
    Claro que o Policiamento Comunitário pode ser feito de outras formas, mas os PCs é uma ferramenta e uma estratégia que se bem consolidada faz a diferença onde estiver estalado, pois a Polícia deixa de ser somente um número frio (190) para ter um rosto (o policial que esteja trabalhando com a filosofia de PC) e com isso a há uma transformação naquela comunidade, pois enfatiza um dos valores fundamentais das Policias modernas – “A Polícia é a Comunidade, e a Comunidade é a Polícia”.
    Somente como ideia, poderia os PCs serem passados para diversas organizações não governamentais dentro da própria comunidade onde estão estalados, isso não romperia com os laços já criados em alguns PCs, pois teríamos uma gestão compartilhada do lugar, mantendo viva essa aliança que é de suma importância para o desenvolvimento de uma sociedade que vive em busca de paz e harmonia.
    A realidade é que os Pcs devem passar por uma reavaliação de construção, de localização, mas acabar com todos os Postos Comunitários de Segurança é uma decisão equivocada, é andar para trás na Segurança Pública e na relação entre a Polícia e a Comunidade; Voltarmos a termos somente uma Polícia em uma concepção “viaturista” é continuar pensando Segurança Pública somente como números (estatísticas, índices criminais), quando deveríamos pensar Segurança Pública com mais Humanidade, (contato com a sociedade); Então faríamos a diferença na busca de uma Segurança Pública mais eficiente, mais eficaz, passando não só a sensação de segurança, mas assegurando uma segurança mais completa através de uma efetividade maior para a sociedade.
    (Sergio Santos – Policial militar, Graduado em Pedagogia, Tecnólogo em Segurança Pública, pós-graduado em Segurança Pública, Polícia Comunitária, Análise Criminal, possuidor de inúmeros cursos na área de Polícia Comunitária e Segurança Pública).

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