Reforma policial: “O Brasil tem que acabar com as PMs”

Precisamos debater a REFORMA POLICIAL no Brasil. O modelo atual está entrando em colapso. Precisamos discutir um modelo brasileiro de polícia, que deve passar por um modelo civil de polícia e pelo ciclo completo de policiamento!  

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PESQUISA “A massa policial está insatisfeita. Mais de 70% das polícias consideram o modelo atual equivocado”, diz ele
Doutor em antropologia, filosofia e ciências políticas, além de professor e autor de 20 livros, Luiz Eduardo Soares é conhecido, mesmo, por duas obras: “A Elite da Tropa 1 e 2”, que inspiraram dois dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional: “Tropa de Elite 1 e 2”. Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em segurança, Soares, 59 anos, travou polêmicas em suas experiências na administração pública. Foi coordenador estadual de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000, no governo Antony Garotinho, e Secretário Nacional de Segurança do governo Lula, em 2003. Bateu de frente com os dois e foi demitido. Nos últimos 15 anos, dedicou-se, junto com outros cientistas sociais, à elaboração de um projeto para modificar a arquitetura institucional da segurança pública brasileira, que, no entender do professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), passa necessariamente pela desmilitarização das polícias e o fim da PM – como gritam manifestantes em passeatas. O trabalho virou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51, apresentada no Congresso Nacional pelo senador Lindbergh Faria (PT-RJ).
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“A PM vê o manifestante como inimigo. Para a grande massa, a polícia tem um comportamento abusivo, violador, racista, brutal”
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“A resistência de Geraldo Alckmin em enfrentar a brutalidade letal da polícia está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC”
Por que o sr. defende a desmilitarização da polícia? 

LUIZ EDUARDO SOARES –

Porque já passou da hora de estender a transição democrática à segurança pública. A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia. A polícia é uma instituição central para a democracia. E é preciso que haja um projeto democrático de reforma das polícias comprometido com o novo Brasil, com a nova etapa que a sociedade está vivendo. O Brasil tem que acabar com as PMs.
ISTOÉ – 

Deixar de ser militar torna a polícia mais democrática?
LUIZ EDUARDO SOARES –

A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional. O novo modelo de polícia tem que defender a cidadania e garantir direitos, impedindo que haja violações às leis. Ao atender à cidadania, a polícia se torna democrática.
ISTOÉ – 

Mas o comportamento da polícia seria diferente nas manifestações se a polícia não fosse militar?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Se a concepção policial não fosse a guerra, teríamos mais chances. Assim como a PM vê o manifestante como inimigo, a população vê o braço policial do Estado que lhe é mais próximo, porque está na esquina da sua casa, como grande fonte de ameaça. Então, esse colapso da representação política nas ruas não tem a ver apenas com corrupção política nem com incompetência política ou falta de compromisso dos políticos e autoridades com as grandes causas sociais. Tem a ver também com o cinismo que impera lá na base da relação do Estado com a sociedade, que se dá pelo policial uniformizado na esquina. É a face mais tangível do Estado para a grande massa da população e, em geral, tem um comportamento abusivo, violador, racista, preconceituoso, brutal.
ISTOÉ – 

Mas no confronto com traficantes, por exemplo, o policial se vê no meio de uma guerra, não é?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Correto. Mas esses combates bélicos correspondem a 1% das ações policiais no Brasil. Não se pode organizar 99% de atividades para atender a 1% das ações.
ISTOÉ – 

Como desmilitarizar uma instituição de 200 anos, como a PM do Rio?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Setenta por cento dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo. Entre os oficiais, o placar é mais apertado: 54%. Mas a desmilitarização não é instantânea. Precisa de um prazo que vai de cinco a seis anos e que depois pode se estender. É um processo muito longo, que exige muita cautela, evitando precipitações e preservando direitos.
ISTOÉ – 

Como poderia ser organizada uma nova polícia?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Os Estados é que vão decidir que tipos de polícia vão formar. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51 define dois critérios de organização: territorial e de tipo criminal. Isso porque a realidade do Brasil é muito diversa. O melhor modelo policial para o Amazonas não precisa ser o do Rio. São realidades demográficas, sociológicas, topográficas e geográficas distintas.
ISTOÉ – 

Como funcionaria o modelo territorial?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Seriam corporações com circunscrição dentro dos municípios, regiões metropolitanas, distritos e o próprio Estado. Poderíamos ter polícia municipal ou na capital, o Estado é que definirá. São Paulo, por exemplo, tem tantas regiões distintas, com características diversas, que poderia ter várias polícias. Essa seria uma possibilidade. Muitos países têm polícias pequenas a partir de certas circunscrições. Então poderíamos ter desde uma polícia só, porque a unificação das polícias é possível, até várias dentro do mesmo Estado.
ISTOÉ – 

E o tipo criminal?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Teríamos uma polícia só para crime organizado, outra só para delitos de pequeno potencial ofensivo. Mas todas são polícias de ciclo completo, fazem investigação e trabalho ostensivo. Poderia ter polícia esta-dual unificada para delitos mais graves, que não envolvam crime organizado. E pode ter uma polícia pequena só para crime organizado, como se fosse uma Polícia Federal do Estado. São muitas possibilidades.
ISTOÉ – 

Como fica a União?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Poderia ter atuação destacada na educação policial. No Rio, para ingressar na UPP o policial é treinado em um mês. Em outros Estados, são oito meses. O Brasil é uma babel. Tem algo errado. Tem que ter regras básicas universais. Na polícia, a bagunça, a desordem e a irresponsabilidade nacional, consagradas nesse modelo, são de tal ordem que formamos policiais em um mês, que têm o mesmo título de outro profissional formado em um ano. É necessário que haja um Conselho Federal de Educação Policial, como existe Conselho Federal de Educação. E o Conselho tinha que estar subordinado ao Ministério da Educação, não no da Justiça.
ISTOÉ – 

Os policiais foram consultados sobre esses novos modelos?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Fiz uma pesquisa sobre opinião policial, junto com os cientistas sociais Silvia Ramos e Marcos Rolim. Ouvimos 64.120 profissionais da segurança pública no Brasil todo. Policiais, guardas municipais, agentes penitenciários. A massa policial está insatisfeita, se sente alvo de discriminação, de preconceito, recebe salários indignos, se sente abusada, sente os direitos humanos desrespeitados. Mais de 70% de todas as polícias consideram esse modelo policial completamente equivocado, um obstáculo à eficiência. E os militares se sentem agredidos, humilhados, maltratados pelos oficiais. Acham que os regimentos disciplinares são inconstitucionais. Pode-se prender sem que haja direito à defesa, até por um coturno sujo!
ISTOÉ – 

Mas isso não ajuda a manter a disciplina?
LUIZ EDUARDO SOARES –

De jeito nenhum. Mesmo com toda essa arbitrariedade não se evita a corrupção e a brutalidade. Estamos no pior dos mundos: policiais maltratados, mal pagos, se sentindo desrespeitados, não funcionando bem. E a população se sentindo mal com essa problemática toda. E os números são absurdos: 50 mil homicídios dolosos por ano e, desses, em média, apenas 8% de casos desvendados com sucesso. Ou seja: 92% dos crimes mais graves não são nem sequer investigados.
ISTOÉ – 

É o país da impunidade?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Somente em relação ao homicídio doloso. Estamos longe de ser o país da impunidade. O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. Temos 550 mil presos, eram 140 mil em 1995.
ISTOÉ – 

O que mais é necessário para democratizar a segurança pública?
LUIZ EDUARDO SOARES –

Precisamos de uma polícia de ciclo completo, que faça o patrulhamento ostensivo e o trabalho investigativo. Hoje temos duas polícias (civil e militar), e cada uma faz metade do serviço. Nosso modelo policial é uma invenção brasileira que não deu certo. Até porque quando você vai à rua só para prender no flagrante, talvez esteja perdendo o mais importante. Pega o peixe pequeno e perde o tubarão. Tem que ter integração. O policiamento ostensivo e a investigação se complementam.
ISTOÉ – 

O que mais é importante?
LUIZ EDUARDO SOARES –

 É fundamental o estabelecimento de carreira única. Em qualquer polícia do mundo, se você entra na porteira pode vir a comandar a instituição, menos no Brasil. Hoje temos nas instituições estaduais quatro polícias de verdade. Na PM são os praças e oficiais. Na civil, delegados e agentes. São mundos à parte. Você nunca vai ascender, mesmo que faça o melhor trabalho do mundo, sendo praça. Mas para quem entra na Escola de Oficiais, o céu é o limite. Isso gera animosidades internas. Isso separa, gera hostilidade. E esse modelo tem que acabar na polícia. Isso é o pleito da massa policial.

ISTOÉ 

O sr. foi secretário de Segurança e não fez as reformas. Por quê? 

LUIZ EDUARDO SOARES -Por causa da camisa de força constitucional. Não podíamos mudar as polícias. Mas dentro dos arranjos possíveis fizemos o projeto das Delegacias Legais, que é uma das únicas políticas públicas do Brasil a atravessar governos de adversários políticos. São 15 anos desse projeto, apesar da resistência monstruosa que enfrentei. Fui demitido pelo (Anthony) Garotinho porque entrei em confronto com a banda podre da polícia. Após minha queda, policiais festejavam e o novo chefe de polícia dizia: agora estamos livres para trabalhar. Foi uma explosão de autos de resistência.

ISTOÉ

O crescimento do PCC se deve ao modelo policial vigente? 

LUIZ EDUARDO SOARES -Acho que a resistência do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em enfrentar a brutalidade letal da polícia, sua dificuldade em enfrentar a banda podre, de confrontar a máquina de morte, com a bênção de setores da Justiça e do Ministério Público, está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC. Durante os primeiros anos, o PCC foi um instrumento de defesa dos presos, de organização que falava em nome da legalidade que era desrespeitada pelo Estado. Depois se dissociou das finalidades iniciais. Como já existia como máquina, poderia servir a outros propósitos, inclusive criminais. E foi o que começou a acontecer. O PCC deixou de ser instrumento de defesa para ser de ataque. Aí eles começaram a funcionar como uma organização criminosa.

Fonte: Revista ISTO É.

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6 Comentários

Arquivado em reestruturação das polícias

6 Respostas para “Reforma policial: “O Brasil tem que acabar com as PMs”

  1. Recruta Hunter

    Quer dizer que só desmilitarizar a polícia pode deixá-la mais amável? Este senhor nunca viu como as polícias europeias, não militarizadas, reprimem manifestações?
    Este senhor perdeu uma ótima chance de ficar quieto. Existe a proporcionalidade na reação. Os manifestantes não são policiais militares, no entanto, quebram, incendeiam e vandalizam,
    A polícia precisa rever o modelo de seleção de seus integrantes.Poderia se fazer tal qual se faz nos USA.Outra, a polícia precisa de melhores salários e carreira digna.

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  2. AMX

    Polícia “racista”?
    Essa foi boa.
    As PMs Brasil afora são altamente heterogêneas no que diz respeito à sua composição racial. E o uso frequente dessa palavra já é uma tentativa de acirrar os ânimos da população para algo que antes praticamente inexistia no nosso país: ódio racial.
    Não é “desmilitarizando” a polícia que se resolverá o problema da segurança pública.
    O modelo de Polícia Militar segue o modelo francês com a sua Gendarmerie. Se a causa para existir tanta violência fosse unicamente isso, a França teria problemas de segurança pública no mínimo iguais aos nossos. No mínimo.
    Todos reclamam da polícia e acham que é dela a responsabilidade de mitigar a violência. Nunca percebem que se ela vai a algum lugar, é porque mandaram ela ir. E se dito lugar tem problemas, é porque antes faltaram as outras expressões do poder público como Secretaritas/Ministérios da Saúde, Educação, Serviço/Assistência Social e todo e qualquer serviço que alguém precisa para viver dignamente (acesso a transporte, saneamento, água encanada, etc). Isso seja o bairro, favela, cidade, estado, praça, etc.
    Não é culpa da PM se o seu chefe (governo estadual ou federal ou qualquer outra autoridade) é corrupto.

    A PM tem métodos (erroneamente chamados de) “violentos” porque essa é a natureza dela. A sua existência é para lidar com situações que exijam o uso da força. Por isso é que ela é polícia, porque pertence ao Estado (não confundir com ‘governo estadual’), ela é que tem, por lei, o monopólio do uso da força, em nome do Estado. Senão, vira bagunça.
    Reclamar disso é tão estúpido e sem sentido quanto reclamar porque os médicos do SUS não combateram o incêndio no supermercado ao lado. Ou, de reclamar porque os professores do estado/município não estão trabalhando na reforma da rodovia.

    Também não se deve esquecer que os policiais vêm do mesmo lugar de onde vêm os políticos, professores, cientistas, jogadores de futebol, servidores públicos, empresários, operários e qualquer outro ser humano que nasça no Brasil: vêm do povo brasileiro.
    Se a polícia ou qualquer outra instituição é boa ou ruim, é porque a sua “matéria-prima” é boa ou ruim.

    Além do mais, não é nem um pouco difícil perceber que essa celeuma em torno da “oh… desmilitarização das polícias” é mais uma artimanha do PT para acabar com toda e qualquer possível oposição aos seus planos nada secretos de tomar o poder e nele permanecer.
    Basta ver a roubalheira descarada e este assunto vêm à tona apenas para desviar a atenção da gente, nos fazendo crer que esta famigerada “desmilitarização” é um passo para a felicidade.

    Pelo amor de Deus…

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  3. AMX

    Puxa vida.
    Quem sou eu pra desdizer alguém com um curriculum igual ao deste senhor?
    Também não sou nem nunca fui militar, policial e nem parente de algum.
    Mas mesmo assim, acho que merece algumas considerações.

    1-
    “Porque já passou da hora de estender a transição democrática à segurança pública. A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia.”

    Herança da ditadura? A instituição “Polícia Militar”, no Brasil, tem mais de 100 anos!
    Herança da ditadura é o Sarney, ACM (que bom que já morreu), José Dirceu, José Genoíno e até mesmo o Collor!
    Como pode alguém dizer que a desmilitarização da PM trará mais democracia? Não há correlação nenhuma entre uma coisa e outra.
    E que “nova etapa” é esta “que a sociedade está vivendo”? A abertura foi há mais de 20 anos! E a corrupção só aumenta! Todos somos levados a crer que urnas eletrônicas são um orgulho ao Brasil dada a agilidade na apuração, quando na verdade não passam de manipulação de votos! E ainda quer dizer que falta democracia no Brasil porque a Polícia é Militar??

    2-
    “A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional.”

    Ah é? Problemática?
    Então explica porque até mesmo a PF, que não é Militar, faz uso do militarismo? Explica porque filhos de militares têm pendência às Ciências Exatas, que são o que fazem a diferença no desenvolvimento de qualquer país do mundo.
    Claro, óbvio que o povo não deve ser “militar”. Mas nem por isso a Polícia é ruim porque ela é Militar.
    E não é preciso ser PM pra perceber que sim, eles travam uma guerra sim. PM é PM, e não Serviço Social. Deve-se é reclamar por que armas pesadas chegam nas mãos de traficantes. E aí já puxa outra idiotice, que é “desarmar a população”. Quanta enganação…

    3-
    “Setenta por cento dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo. Entre os oficiais, o placar é mais apertado: 54%.”
    “Fiz uma pesquisa sobre opinião policial, junto com os cientistas sociais Silvia Ramos e Marcos Rolim. Ouvimos 64.120 profissionais da segurança pública no Brasil todo. Policiais, guardas municipais, agentes penitenciários. A massa policial está insatisfeita, se sente alvo de discriminação, de preconceito, recebe salários indignos, se sente abusada, sente os direitos humanos desrespeitados. Mais de 70% de todas as polícias consideram esse modelo policial completamente equivocado, um obstáculo à eficiência”.

    Mostra então de onde vêm esses números. Se são verdadeiros, não haverá problema nenhum em mostrá-los e comprová-los.

    “Acham que os regimentos disciplinares são inconstitucionais. Pode-se prender sem que haja direito à defesa, até por um coturno sujo!”

    Óbvio que reclamações sempre haverá e óbvio que há sacanagens e abusos entre seus integrantes. E óbvio que podem ser presos por várias coisas, afinal, são militares oras! É preciso manter a disciplina sim. Ninguém está lá pra servir de mordomo, está numa Organização Militar!
    Deve-se coibir a coisa certa: o comportamento inadequado e indigno de superiores, e não o regulamento que lembra a todos uma virtude que o brasileiro não tem e que adora confundir com arrogância: Disciplina.

    4-
    “Os Estados é que vão decidir que tipos de polícia vão formar.”
    “Seriam corporações com circunscrição dentro dos municípios, regiões metropolitanas, distritos e o próprio Estado. Poderíamos ter polícia municipal ou na capital, o Estado é que definirá”
    “Teríamos uma polícia só para crime organizado, outra só para delitos de pequeno potencial ofensivo”

    Minha nossa…
    Tanto se critica o fato de existirem duas polícias e justamente um especialista vem sugerir que podem existir inúmeras… Isso seria o CAOS!! Além de um gigantesco cabide de empregos!
    Veja-se o caso do México: exceto pelo início do século XX, nunca teve um governo militar, mas o mesmo partido político governou por 70 anos, por meio de eleições. Uma “democracia”, em termos de definição.
    Lá, cada cidade e estado tem sua polícia e mesmo o governo federal tem mais de uma corporação policial, pendendo para um e outro fim específico. Exatamente como sugerido no texto.
    É simplesmente uma bagunça, com sobreposição de funções, retrabalho, e uma ineficiência gritante. Cada jurisdição é praticamente um feudo, com a corrupção policial grassando naquele país. E em conflitos com traficantes, até mesmo a PF e o Exército mexicanos já trocaram tiros entre si.
    Realmente, é uma inifnidade de possiblidades. Possibilidades para corrupção.

    5-
    “O melhor modelo policial para o Amazonas não precisa ser o do Rio. São realidades demográficas, sociológicas, topográficas e geográficas distintas.”

    Do jeito escrito, parece que os modelos são iguais por obrigação. Ele esquece que cada estado tem autonomia e soberania para adaptar suas polícias às suas características. NÃO está escrito em nenhum lugar que o “modelo policial” de um DEVE ser seguido por outro.

    6-
    “Poderia ter atuação destacada na educação policial. No Rio, para ingressar na UPP o policial é treinado em um mês. Em outros Estados, são oito meses. O Brasil é uma babel. Tem algo errado. Tem que ter regras básicas universais”

    É verdade. Hoje é uma babel. E a criação de mais Polícias só viria a ajudar. Cada estado poderia ter quantas Polícias quisesse. Seria super organizado e eficientíssimo! A coordenação hoje não existe, mas havendo infinitas possiblidades de criação de polícias isso se resolveria!!Uhum. Com certeza!!

    “É necessário que haja um Conselho Federal de Educação Policial, como existe Conselho Federal de Educação.”

    Pode até não ser a mesma coisa, mas ele esqueceu de mencionar a Academia Nacional de Polícia. Instituição que existe há DÉCADAS.

    “E o Conselho tinha que estar subordinado ao Ministério da Educação, não no da Justiça.”

    O quê uma coisa tem a ver com a outra?
    Ele está, propositalmente, confundindo o leitor. Educação é diferente de Treinamento. A princípio podem ser iguais. Mas em se tratando de Segurança Pública, são sim bem diferentes. Treinamento inclui doutrinas e técnicas. É diferente de academicismos.
    Policial não treina para ser alfabetizado, aprender as quatro operações básicas, biologia e geografia. Treina para desempenhar sua função. Estuda as Leis para saber seus limites e até onde pode ir ao exercer suas obrigações. E ainda que a atividade policial possa e deva ser objeto de estudo acadêmico, nem por isso deve ser da alçada do Ministério da Educação ocupar-se da Polícia, seja qual for. Mesmo porque, ministro muda a cada governo e isso é, reconhecidamente, um mal.

    7-
    “O policiamento ostensivo e a investigação se complementam.”
    Tanto é assim que existem duas polícias.
    Policiamento ostensivo é sim necessário. Presença faz diferença. Se falta presença, é porque falta recurso.

    8-
    “Você nunca vai ascender, mesmo que faça o melhor trabalho do mundo, sendo praça. Mas para quem entra na Escola de Oficiais, o céu é o limite. Isso gera animosidades internas. Isso separa, gera hostilidade. E esse modelo tem que acabar na polícia. Isso é o pleito da massa policial.”

    Essa é a característica de uma Organização Militar. Oficiais cursam escola de oficiais. Praças cursam escolas a eles destinadas. Uma coisa é o oficial ser arrogante e prepotente. A outra é atribuir seu comportamento tão somente ao fato de ter cursado dita escola. Bem coisa de onda do “politicamente correto” que se está vivendo: oh, o oficial é o arrogante e o praça é o explorado.
    Se há este comportamento, cabe sim aos superiores combatê-lo, de forma exemplar.

    8-
    “Acho que a resistência do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em enfrentar a brutalidade letal da polícia, sua dificuldade em enfrentar a banda podre, de confrontar a máquina de morte, com a bênção de setores da Justiça e do Ministério Público, está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC. ”

    Não duvido que seja verdade. No entanto, bem poderia mencionar também que muitos políticos e principalmente seus lacaios é que impedem dita ascensão e sobretudo lucram com isso. Ou seja: pra ser policial hoje e manter-se honesto e correto envolto a tudo isso, realmente tem que ser louco. Porque com todo mundo roubando, principalmente o chefe (governador e Poderes estaduais).
    Portanto, não dá pra simplesmente culpar a “banda podre da polícia”. Pois certamente ela tb foi cooptada e coagida a assim ser.
    Não, não é coitadinha nem vítima. Mas já que se ver as causas em volta também.

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  4. Bom dia amados. Sou policial militar há 27 anos e durante toda essa minha vida profissional verificamos que nada mudou em relação a procedimento. Senão vejamos: abra na parte policial um jornal dos anos 60, 70, 80, etc. e verificamos que o crime só fez aumentar, conclusão: estamos enxugando gelo a muitas décadas. Na minha opinião concordo em parte sobre o assunto, pois realmente me pergunto: Porque o policiamento ostensivo deve usar “coturnos”, um exemplo somente. Refletiu? Somos preparados e pagos para proteger a população e não para ir para uma guerra. Deve-se separar o joio do trigo, certo. O problema de Segurança Pública pode ser resolvido com políticas públicas inteligentes. Temos hoje a SENASP que derrama muito recursos financeiros aos Estados, mas não temos um Banco de Dados Integrados, ou seja, cada Estado tem o seu, por exemplo, Codificação de Ocorrências, então como analisar de forma padronizada o teatro de operações se cada Estado tem suas peculiaridades. Não podemos realizar Segurança Pública sem dados, pois contra os dados não existe argumento. Devemos sim, é ser profissional em que fazemos, pois somos concursados para ficar no mínimo 30 anos de nossas vidas e jurando o seguinte: “mesmo com o risco da própria vida”. Assumimos que poderemos morrer por qualquer pessoas, não é mesmo. O aumento da violência e criminalidade tem muito haver com a FAMÍLIA que hoje está fragmentada e tem sérios resultados nas escolas como a violência entre alunos e aos professores. Somos todos culpados. A função de qualquer POLÍCIA no mundo é: “Controlar e Reduzir o Crime”. Então, em qualquer lugar do mundo sempre irá existir crime, desde quando Caim matou Abel. Devemos também não deixar de relatar que o marginal é inteligente e ele precisa de três coisas para nos assaltar: oportunidade, baixo risco e alto lucro, pois crime é negócio. Devemos hoje é lutar para que as Secretarias de Seguranças Públicas deixem de ser subordinadas ao Poder Executivo e passe para o Poder Judiciário, pois o Executivo apenas nos coloca no serviço público e fica contaminando a Segurança Pública, visto que os cargos são de “CONFIANÇA” para Secretário de Estado, Comandante da PM, etc…e com isso está fazendo que o Sistema de Segurança (PC-PM-BM-DETRAN) a cada década fique inoperante com relação a sua função constitucional. Política e Polícia começam com “P” mas é totalmente diferente. O político fica 4 anos ou mais se for reeleito e nós, policiais ficamos no mínimo 30 anos. Gostaria de discutir mais este e outros assuntos porque não sou político, sou policial militar. Não tenho partido, mas jogo em qualquer time se for para ajudar a melhorar a Segurança Pública. Já comandei várias UPM Operacionais e hoje trabalho com Análise Criminal, pois não podemos fazer Segurança Pública sem Tecnologia de Informação e respeito a dignidade humana que são os nossos policiais que estão diuturnamente combatendo a criminalidade nas ruas, bem como sabemos que se não ocuparmos o nosso terreno vem outro e toma posse, não é?. Fico feliz em saber que ainda existem profissionais como você e que pensa com um todo, pois o todo, “é mais do que a soma das parte”. Muito obrigado.

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