Regiões do DF com mais mortes têm menos policiais

A policia militar precisa de um aumento real de efetivo? Temos efetivo suficiente? Por que tanta diferença na distribuição do efetivo? Por que as cidades mais ricas possuem mais policiais? Por que temos menos policiais onde mais precisa (Ceilândia)?

Regiões do DF com mais mortes têm menos policiais, aponta levantamento. Com 115 homicídios em 2013, Ceilândia tem 1 policial para 900 habitantes. No Lago Sul, que teve um assassinato, média é de 1 para 279 moradores.

Ricardo MoreiraDo G1 DF

Cruzamento feito pelo G1 com base em relatórios da Secretaria de Segurança Pública mostra que as regiões mais violentas do Distrito Federal têm menos policiais e equipamentos de segurança do que áreas mais ricas e com menores índices de criminalidade.
VEJA PROPORÇÃO DE POLICIAIS POR HABITANTE NAS REGIÕES MAIS E MENOS VIOLENTAS DO DF
REGIÃO HOMICÍDIOS* POPULAÇÃO** NÚMERO DE POLICIAIS*** PROPORÇÃO POLICIAL/HABITANTE
Ceilândia 115 442.865 492 1 para cada 900
Planaltina 58 180.848 268 1 para cada 674
Samambaia 41 220.806 220 1 para cada 1.000
Cruzeiro 0 31.379 91 1 para cada 344
Lago Sul 1 30.175 108 1 para cada 279
Lago Norte 1 32.379 162 1 para cada 200
* De 1º de janeiro até o dia 7 de outubro
** Dados da Codeplan
*** Relatório trimestral de atividades policiais da Secetaria de Segurança Pública

A Secretaria de Segurança Pública questiona o cruzamento, baseado em dados da própria pasta. A Polícia Militar informou que os critérios de segurança não podem ser atribuídos apenas ao número de homicídios, mas também à mancha criminal da região, que envolve todos os crimes constantes nas estatísticas da secretaria.

Isso contribui para a impunidade e a sensação de insegurança da população”
Daniel Lorenz, especialista em segurança pública e comentarista da TV Globo

De acordo com o levantamento do G1,Ceilândia, região mais populosa e com o maior número de homicídios do DF, com 115 casos registrados até esta segunda-feira (7), tem 492 policiais, civis e militares, para atender 443 mil habitantes – ou 1 policial para cada 900 pessoas.

Situação semelhante ocorre em Planaltina, segunda região com mais assassinatos no DF neste ano – 58. Com uma população de 180.848 habitantes, Planaltina tem um efetivo de 268 policiais, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (1 para cada grupo de 674 moradores).

Em Samambaia, que possui a terceira maior taxa de homicídios do Distrito Federal em 2013 (41 casos), a relação policial-habitante é de 1 agente de segurança para cada mil habitantes.

Em contrapartida, regiões de classe média e com menores índices de violência da capital federal contam com efetivo maior de policiais proporcionalmente à população.

Nos lagos Sul e Norte, regiões nobres do DF, houve apenas um assassinato em cada área desde janeiro – menos de 1% do total registrado em Ceilândia neste ano. Com 30.175 moradores, o Lago Sul tem 1 policial para cada 279 habitantes. No Lago Norte, são 162 policiais para uma população de 32.379 pessoas – média de um agente de segurança para 200 moradores.

No Cruzeiro, há 91 policiais para atender 31.379 habitantes – 1 para cada 344 moradores da região, que não teve homicídios registrados entre 1º de janeiro e o último dia 8.

O número de policiais nessas três regiões se aproxima do que é considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) – 1 policial para cada 250 pessoas –, diz o especialista em segurança pública e comentarista da TV Globo Daniel Lorenz. De acordo com ele, os países com melhores resultados na área da segurança pública estão nessa média.

Lorenz afirma que investigações criminais em regiões mais violentas são prejudicadas quando não há efetivo suficiente. “Isso contribui para a impunidade e a sensação de insegurança da população.”

Outro lado
A Polícia Militar do DF informou que os critérios de segurança não podem ser atribuídos apenas ao número de homicídios e, sim, à mancha criminal da região, que envolve todos os crimes constantes nas estatísticas da SSP.

De acordo com a PM, a distribuição do efetivo obedece o planejamento de segurança de cada região, analisando a necessidade e demanda local. Informou ainda que está em andamento um concurso público para a contratação de mil policiais militares.

24ª DP em Ceilândia, região com maior número de homicídios do DF (Foto: Ricardo Moreira/G1)24ª DP em Ceilândia, região com maior número de
homicídios no Distrito Federal (Foto: Ricardo Moreira/G1)

A Secretaria de Segurança Pública informou ao G1 que o número de policiais atuando nas regiões com maior número de homicídios é maior que o informado na reportagem, mas não especificou o efetivo por área.

Os dados utilizados pela reportagem foram extraídos dos balanços trimestrais da área de segurança publicados pela própria pasta no Diário Oficial do DF.

Ocorrências em alta
As três regiões com maior número de homicídios no DF em 2013 apresentaram aumento no número de ocorrências policiais, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública.

Ao todo, as quatro delegacias de Ceilândia registraram, de abril a junho deste ano, 6.290 ocorrências policiais, 359 a mais que o verificado no mesmo período de 2012 – um aumento de 6%.

Planaltina também teve aumento nos índices de criminalidade. Foram 2.503 ocorrências de abril a junho deste ano; 96 a mais que o registrado no mesmo período de 2012. O aumento foi de 4%.

O mesmo aconteceu em Samambaia – no segundo trimestre deste ano, foram registrados 2.789 ocorrências, contra 2.640 no mesmo período de 2012, um aumento de 5,6%.

Nas três regiões com mais policiais, o número de ocorrências diminuiu no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. O Lago Sul teve 561 ocorrências policiais registradas, contra 576 no mesmo período de 2012 (queda de 2,6%).

Morador de Ceilândia defende mais policiais nas ruas no combate às drogas (Foto: Ricardo Moreira/G1)Morador de Ceilândia defende mais policiais nas ruas para
o combate às drogas (Foto: Ricardo Moreira/G1)

No Lago Norte, a redução foi ainda maior: 20,35%. O número de ocorrências registradas na delegacia da região caiu de 516 no segundo semestre do ano passado para 411 no mesmo período de 2013. No Cruzeiro, a queda foi de 8,9% na comparação entre os dois períodos (de 1.022 ocorrências para 931).

Medo
O aumento na violência e a falta de policiamento é uma preocupação nas regiões com maior incidência de crimes. O técnico em refrigeração Vinícius dos Santos Bezerra, de 36 anos e que há 30 mora em Ceilândia, diz que é comum ver bocas de fumo se instalando na região, sem nenhuma ação da polícia.

Casado e pai de três filhos, ele diz que o tráfico de drogas “é pesado” na QNO 20, quadra localizada na chamada Expansão do Setor O.

Bezerra disse que nunca denunciou o tráfico de drogas à Polícia Civil por medo. “Eu acho que ninguém tem garantia do sigilo, né? Às vezes o cara [criminoso] diz que te viu entrando na delegacia e aí fica difícil pra gente denunciar”.

Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2013/10/regioes-do-df-com-mais-mortes-tem-menos-policiais-aponta-levantamento.html

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2 Comentários

Arquivado em reestruturação das polícias

2 Respostas para “Regiões do DF com mais mortes têm menos policiais

  1. Aderivaldo, como eu sempre digo, só opino quando me parece conveniente, e esse é o caso.
    Uma das coisas que sempre me preocupam e espantam é a autoridade com que ditos “especialistas em segurança pública” fazem certas declarações.
    Antes de tudo, um pequeno adendo. O fato de um indivíduo ter sido policial durante toda a vida não faz dele um especialista em segurança pública como muitos querem crer. Especialista é o que assim se torna através do estudo e da pesquisa contínuos, seja ele policial ou não, fazendo disso sua área de aprofundamento intelectual. No caso dos policiais que se tornam especialistas pela via do estudo, isso se potencializa na medida em que ao seu processo de cognição soma-se todo um outro de mesma natureza, porém advindo de suas experiências empíricas.
    Bem, vamos ao caso do artigo jornalístico aqui apresentado, comentando apenas um único item que o “especialista” ousou afirmar, demonstrando nenhum ou muito pouco conhecimento da matéria.
    Primeiro, as Nações Unidas (ONU) nunca publicaram uma nota sequer a respeito de proporções ideais ou recomendadas de policiais em relação a habitantes.
    Essa falácia que tem sido vendida por todos os cantos é obra de desinformados, Mas onde está a origem disso? Bem, eu respondo: nos anos 90 o FBI publicou um boletim (e continua sendo regularmente publicado a partir de dados do UCR – Uniform Crime Report e outras estatísticas dos EUA) com as quantidades de policiais por habitantes em vários estados norte-americanos e constatou que a média era a seguinte: 1 policial para cada 250 habitantes em áreas urbanas e 1 policial para cada 500 habitantes em áreas rurais (média que persiste até hoje). Algum iluminado leu isso e entendeu que o FBI estava recomendando tais proporções. Outro iluminado provavelmente não satisfeito com a pouca amplitude da recomendação fruto de interpretação equivocada e decidiu que a partir de sua interpretação, era a ONU que estava recomendando e assim cresceu o mito.
    Agora, vamos lá! Não existe nenhuma proporção ideal como recomendação. Desafio qualquer um a demonstrar tal existência, a partir dos estudos originais.
    A razão para a não existência é simples: existem inúmeros fatores que devem ser considerados para se estabelecer uma fórmula que defina tal proporção. Fatores socioeconômicos, políticos, demográficos, culturais entre outros, teriam necessariamente que ser considerados numa formulação de tal natureza, o que torna tal aventura muito complexa e, por isso, ainda não realizada.
    O efetivo ideal de qualquer organização de segurança pública é aquele que, adequadamente bem gerido, produz os resultados finalísticos do trabalho policial: a redução do medo do crime, da sensação de insegurança e das taxas de crime, melhorando a qualidade de vida da população.
    Como cada sociedade ou comunidade, nessa conta, concorre em diferentes níveis ou com diferentes fatores dentre aqueles acima elencados, cada uma terá uma proporção ideal que a atenda. É por isso que vemos cidades ou comunidades com elevados números de policiais e com pífios resultados de prevenção (especialmente no Brasil) e outras com parca quantidade de policiais e produzindo taxas de redução de crime muito expressivas.
    Gostaria de finalizar meu extenso comentário com um aforismo emprestado de Gaston Bachelard:
    “O espírito científico nos proíbe de emitir opiniões a respeito de questões que não sabemos formular claramente.”
    Um abraço e até o próximo.

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  2. Paulo Silva

    Senão me engano, o efetivo do Lago Sul também é responsável pelo setor de embaixadas sul e norte e não somente o Lago. O efetivo do Lago Norte também é responsável pelo Varjão e o Grande Colorado e não somente o Lago Norte. Realmente essas pesquisas são puramente sensacionalistas.

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