Não queremos ser oficiais – Por Pires da Rocha

Não queremos ser oficiaisNesta semana algumas propostas de reestruturação surgiram e foram devidamente publicadas em vários blogs policiais do Distrito Federal. Várias teorias surgiram, entre elas, a de que as propostas seriam apenas uma tentativa de salvação de mandatos eletivos de políticos que nada fizeram por nossa categoria profissional, POLICIAL MILITAR.

Após o surgimento destas propostas também surgiu uma suposta “carta resposta” da Associação dos Oficiais repudiando a tal proposta de reestruturação, repudiando a entrada única de policiais, sugerindo o curso de direito como pré-requisito para se tornar oficial da Policia Militar.

Acredito, entretanto, que Direito não seja o curso mais indicado para nossos gestores. Administração sim, seria o curso mais adequado para policiais que precisam gerir pessoas, verba e equipamentos. Direito poderia vir em segundo plano, poderia ser exigido para quem trabalha nas ruas, que precisam saber o que fazer com criminosos, mas não é esse o ponto principal desta postagem.

Porque me tornar oficial de policia? Porque deixaria de ser um técnico, um executor? Não existe nada de pejorativo em prender marginais, não é uma função pior do que qualquer outra, pelo contrário é algo diferente, apaixonante, que utiliza conhecimentos técnicos, legais, físicos e táticos. Não é algo para qualquer um, tem que gostar, tem que saber fazer (ou pelo menos tentar). E quando já estamos ficando melhores, mais experientes nos jogam em uma função de pseudo oficial (oficial administrativo). Um oficial que não pode agir plenamente como oficial, por exemplo não pode comandar uma companhia de um Batalhão, ficando na maioria das vezes relegado a um posto de logística/ reserva de armamento.

Achamos que somos únicos mas todas as profissões tem gestores e executores. Uma das mais nobres profissões, a de médico, que possui diretores de hospitais, burocratas que tem que desenrolar-se logisticamente para administrar salários, custos, estruturas, demandas e temos médicos que tem seus plantões, fazem atendimentos emergenciais (GTOPs, ROTAM, PATAMO), consultas (RPs), cirurgias (BOPE). Você não vê médicos se matando para se tornar diretor de hospital, é claro que alguns querem, aqueles que não são vocacionados para a medicina, mas não há esse desespero de todos se tornarem gestores, temos médicos de 30 anos de profissão que amam o que fazem e seria um desserviço retirá-los do atendimento, assim como existem médicos de 30 anos de idade que já dirigem hospitais e o fazem com grande competência. A grande diferença entre estes médicos e nós policiais é que médicos ganham bem o suficiente para não ficarem loucos para se tornarem gestores, e nós policiais militares queremos ser oficiais não pela função em si, mas pelo que ela remunera.

Quero ser um executor que tenha cursos a minha disposição, estandes para treinar, viaturas em condições e alojamentos idem, e para isso necessito da atividade meio e de gestores que estejam correndo atrás. Uma boa linha de frente, motivada, bem paga e equipada combate a criminalidade motivada e os louros dessa boa atuação refletem não apenas no combatente, mas em todos. Todos estão felizes com nossa idiotice de ficar brigando entre si. Outras corporações, o governo local, deputados, todos ficam rindo da nossa cara, achando bom esse nosso patético teatro. Eles sabem que se fossemos unidos e organizados seriamos a menina dos olhos da segurança pública, a meninas dos olhos dos governadores e principalmente da sociedade que validaria qualquer tentativa de aumento de salários de nossa tropa.

Não quero ser oficial nem salário de oficial, quero um salário digno e pronto. Continuar procurando marginais, foi para isso que me inscrevi no concurso de soldado policial militar, não foi para um dia sair major ou tenente coronel. Não tenho essa ambição, pelo contrario a cada dia que mais próximo fico da carreira de oficial Administrativo mais triste fico.

Por que não posso passar 30 anos sendo praça, correndo atrás de vagabundo, me divertindo no serviço operacional? É isso que quero, o que anseio, mas quero passar trinta anos praça ganhando bem, só isso. Um praça não tem que ganhar mal para um oficial ganhar bem, podem os dois ganharem bem e com isso todos ganham. Não tenho que me tornar oficial administrativo para ganhar bem. Que praças e oficiais entrem em acordo, pois uma policia fraca como estamos ficando não trás lucro para ninguém, oficiais ou praças.

Não quero desmerecer a função de oficial de policia, temos grandes oficiais policiais militares, e que exercem com maestria sua função, a de gestores, mas sou praça, adoro o que faço e não vejo nada de errado em continuar sendo um combatente. Desde que receba bem para isso!

Fonte: http://www.casernapapamike.com.br/nao-queremos-ser-oficiais/

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5 Comentários

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5 Respostas para “Não queremos ser oficiais – Por Pires da Rocha

  1. Elton Santana

    Excelente texto.
    Penso desta forma também por mim o quadro de oficial administrativo poderia acabar, sou praça e o que quero é ser bem remunerado, ter condições de desempenhar minha função de forma digna e eficiente.

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  2. FILIPPI

    Se tiver realmente uma reestruturação, quero ser promovido mais rápido e chegar ao topo da carreira de Praça com um salário digno nivelado com outras Instituições de nível superior. Se continuar do jeito que está, não tem como eu deixar de almejar o oficialato!
    Parabéns pelo texto Pires da Rocha, partilho de suas idéias também!

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  3. Coutinho

    Sou ST e penso igual a você, não tenho tesão nenhuma em ser oficial o que queria realmente era um salário digno de quem chegou ao topo da carreira que escolhi, a de praça da Polícia Militar do Distrito Federal.

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  4. Inteligencia

    Esse eh meu amigo, 03 do VI COR

    RESPOSTA DE UM POLICIAL, PRAÇA QPPMC, À CARTA DOS OFICIAIS QOPM.
    30 de setembro de 2013 Posted in Polícia, Política 2 comentários

    Inicialmente gostaria de “louvar” a iniciativa dos Oficiais e Cadetes, autores da carta que repudia a carreira única e a reestruturação das carreiras dos praças policiais militares, nesse documento se feriu diversos principios de chefia e liderança militar que tanto se imagina estudar na douta Academia de Policia Militar.

    Princípios como a lealdade com o subordinado, uma carta oculta para o Comandante Geral e para o Governador não tem a intenção de manter seus comandados bem informados de como se pretende guiar essa Instituição, esmaga a já comprometida motivação da tropa, revelando um completo desinteresse pelo bem estar de seus subordinados e, no momento político critico quando a PMDF precisa de união, põe abaixo a possibilidade de estimular a cooperação voluntária e a simpatia dos subordinados, abalando os alicerces da autoridade superior.

    Quanto a afirmação que não há estudos técnicos científicos sobre a adoção do modelo de carreira única ou entrada única e que esse modelo iria de encontro ao interesse público contrariando os principios da administração pública gerencial, cabe o seguinte questionamento: esse modelo de carreira que divide a Instituição em duas castas, herdado das Organizações que se preparam para a guerra, que tolhe a possibilidade de quem está na base de participar das decisões importantes da Instituição, que desestimula a maioria de seus integrantes a propor inovações e melhorias no serviço, já que os louros dessas iniciativas virão cobertos de estrelas, qual foi o estudo técnico cientifico que adotou o modelo vigente para a Policia Militar do DF?

    Segundo Cecília Bergamini,psicóloga, Mestre e Doutora em Administração, são fatores motivadores de uma carreira entre outros: realização, reconhecimento, o trabalho em si, progresso funcional,crescimento pessoal. Além dessa renomada estudiosa do comportamento nas organizações do serviço publico e privado poderia alongar esse texto citando Maslow, Herzberg, etc.. mas vou fazer uma humilde pergunta aqueles que estavam sedentos por estudos técnicos científicos, :vocês conseguem identificar algum desses fatores motivadores na carreiras do praças policiais militares? Creio que seja precipitado que os senhores façam ilações sobre a carreira das praças estando na carreira do oficialato.

    Do ponto de vista da Administração, de maneira simplória, já que o objetivo aqui não é discorrer sobre essa ciência, mas cativar os corações dos Oficiais e Cadetes autores daquela carta, tem-se como pilares das Organizações os recursos materiais, financeiros e humanos, quanto aos materiais e financeiros a PMDF vai muito bem obrigado, mas só um cego para não perceber que esse modelo de carreira está acabando com nossos recursos humanos, além da evasão,a desmotivação para trabalhar, as doenças relacionados com o serviço, a falta de comprometimento com os objetivos da Instituição, são problemas grave que a PMDF enfrenta que essa carta não ajuda a resolver.

    Assim, se algum autor dessa carta concordou que se deve encontrar um ponto de equilíbrio que possibilite um novo modelo de carreira para seus subordinados, vamos juntos elaborar uma nova carta para entrar para história das Policiais Militares como o dia que Oficiais e Praças enfim se uniram.

    Ricardo Ziegler

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  5. Ricardo Tobé

    Em lugar nenhum da Administração pública um servidor técnico translada para o CARGO de analista ou consultor.

    O praça é cargo técnico policial, deve-se remunerar bem dentro deste cargo.

    Sou praça, mas defendo: quer ser oficial? Faça o concurso universal!

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