Pimenta nos olhos da tropa: sobra dinheiro para bombas de gás mas falta para coletes, viaturas e estrutura básica

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Precisamos de uma reforma policial em nosso país…

Realidade de grande parte das polícias em nosso país. Ambientes precários!
Precisamos discutir uma reforma policial urgente!

Enquanto o Governo do Estado gasta mais de R$ 1,5 milhão para compra emergencial de gás lacrimogêneo e munição não letal para conter as manifestações que têm sido realizadas em vários bairros e municípios, policiais civis e militares enfrentam problemas para realizar suas respectivas funções em diversas cidades do Estado do Rio de Janeiro. De coletes vencidos a viaturas quebradas, passando por batalhões e delegacias sem qualquer estrutura – mesmo pertencendo ao programa Delegacia Legal.

Em Campos, Macaé, São Fidélis, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, as viaturas da Polícia Civil estão sem abastecimento. Policiais da 134ª DP (Campos dos Goytacazes) e da 146ª DP (Guarus) estão com as viaturas paradas porque não conseguem abastecê-las devido a problema nas bombas de combustível – que também atinge a 141ª DP (São Fidélis), a 145ª DP (São João da Barra) e a 147ª DP (São Francisco de Itabapoana), que não possuem postos e abastecem em Campos.

Na mesma região, PMs do 8º BPM (Campos) estão com os coletes vencidos e sendo obrigados a ir para a rua sem a proteção. Os que se recusam a sair sem colete balístico têm que assinar um termo de responsabilidade para usar o equipamento. O mesmo ocorre em pelo menos outros cinco batalhões: no 12º BPM (Niterói), no 15º BPM (Duque de Caxias), no 20º BPM (Mesquita), no 21º BPM (São João de Meriti) e no 32º BPM (Macaé).

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“Além de coletes fora de validade e viaturas quebradas, na Baixada existem vários armamentos ruins e extintores de incêndio todos vencidos”, desabafou um cabo lotado no 15º BPM, que pediu para não ter a identidade revelada por medo de sofrer represálias.

No último dia 27 de julho, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) trocavam tiros com criminosos na entrada da Favela do Muquiço, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, quando o fuzil que usavam travou. Os PMs não foram feridos. A viatura ficou com marcas de tiros que atingiram a lataria.

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Policiais militares também denunciam o estado das cabines blindadas do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE). Localizadas ao longo da Avenida Brasil e nas linhas Vermelha e Amarela, elas estão sem água e sem energia elétrica.

“De que adianta trabalharmos em uma cabine blindada se temos que sair dela para fazer nossas necessidades? Isso nos torna alvos fáceis da bandidagem. Somos obrigados a fazer nossas necessidadas em garrafas pet para que o mau cheiro não tome conta da cabine”, reclamou um PM.

No 12º BPM, além do problema de coletes vencidos, os policiais militares sequer têm condições de descansar de forma satisfatória: o alojamento não possui colchões e eles são obrigados a deitar sob pedaços de madeira ou no chão coberto com jornais.

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Os problemas não ficam restritos ao interior, às vias expressas, a Niterói ou à Baixada Fluminense: na Zona Norte do Rio, policiais civis têm que fazer vaquinha para comprar peças e pneus.

“Contamos com a boa vontade de borracheiros que nos cedem pneus já carecas”, desabafou um inspetor.

Localizada na Zona Sul do Rio, a 10ª DP (Botafogo) possui apenas cinco viaturas: nenhuma caracterizada.

“Imagine ter que realizar uma abordagem. Como a pessoa vai saber que o veículo é uma viatura da Polícia e não criminosos fazendo uma falsa blitz? É inclusive perigoso para nós mesmos”, ressaltou outro policial.

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Em outubro de 2010 a unidade recebeu a implantação do programa Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão (Dedic). Na época, havia 13 viaturas disponíveis: 10 descaracterizadas e 3 caracterizadas. Nos últimos dois anos, cinco das descaracterizadas foram remanejadas pela Chefia de Polícia Civil para outras unidades. As únicas três caracterizadas foram baixadas por falta de condições de uso.

O objetivo da Dedic é permitir que vítimas de crimes possam registrar a ocorrência sem precisar ir até a delegacia: elas entram em contato por telefone com a unidade ou fazem um pré-registro no site da Polícia Civil solicitando a visita de agentes, entre os horários de 8h e 0h.

“Só se eu pegar o metrô ou ir de ônibus, porque viatura pra isso nós não temos”, lamentou o policial.

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Os agentes lotados na 10ª DP têm que enfrentar a dificuldade para conseguir trabalhar na rua e também a falta de condições para exercer sua função dentro da própria unidade: no dias de chuva, é preciso espalhar baldes para que a delegacia não fique submersa.

Em Cambuci, policiais da 142ª DP têm à disposição apenas três coletes à prova de balas – dois estão vencidos e um está emprestado ao vereador Davi Ramiro Ney por ordem do Ministério Público.

“As viaturas só andam porque a gente consegue as peças e a gasolina só conseguimos quando tem no Corpo de Bombeiros de São Fidélis. Mais de 80% dos aparelhos de ar condicionado não funcionam e durante o verão nós, além de vítimas que nos procuram, sentimos como se estivéssemos no inferno”, revelou um agente lotado na delegacia, que durante três meses ficou sem delegado.

No período, o titular da 136ª DP (Santo Antônio de Pádua) teve que ficar respondendo pela unidade, mesmo sem nunca ter ido até lá pessoalmente.

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Através de nota, a assessoria de comunicação da PMERJ declarou que, em relação aos coletes balísticos fora de validade, não significa que um colete vencido esteja inválido, apenas que devem ser gradativamente substituídos. Segundo a corporação, há policiais militares que preferem utilizá-lo mesmo assim, e que por isso o comando pede que eles assinem um termo de responsabilidade.

Ainda de acordo com a PMERJ, foi publicada no boletim interno nº 134 de 24 de julho, a aquisição de 8.541 unidades de coletes com proteção a disparos de calibre 762. As empresas vencedoras da licitação foram CBC e Gladio.

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Em relação à denúncia relativa às cabines do BPVE, o comandante geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, garantiu que vai mandar que seja verificada.

De acordo com publicação que saiu no Diário Oficial do dia 1º de julho, o Estado investiu R$ 91,2 mil na compra de 3.800 projéteis para armas não letais – 1.900 de tinta e 1.900 de pimenta. A compra foi realizada sem licitação, porque, segundo a assessoria de imprensa da corporação, só existe uma empresa no país que vende este material para todas as polícias do Brasil.

No mesmo dia também saiu o repasse da PM para a empresa Condor Indústria Química no valor de R$ 1,568 milhão. O dinheiro foi usado para aquisição de 27 mil bombas de gás lacrimogêneo, cujos preços unitários variam entre R$ 17 e R$ 205.

Fonte: http://robertatrindade.com.br/?p=14198

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