Postos comunitários de segurança ganharão reforços ?

Já no final de 2008, ao escrever sobre os postos comunitários de segurança, apontava a necessidade de suspender a “inauguração” de novos pontos e colocar os existentes em funcionamento.

Quando se fala em posto comunitário  penetramos no imaginário coletivo do militar de muitas maneiras. POSTO pode significar imobilidade, lembra ABANDONO DE POSTO, dentre vários outros conceitos. É importante termos essa idéia para solucionarmos eventuais problemas.

É necessário termos um projeto piloto em pleno funcionamento para evitarmos gastos descenecessários com algo que pode não dar certo. Quando se fala em base comunitária de segurança não podemos esquecer da complementação, ou seja, viaturas, equipamentos de comunicação, bancos de dados ligados a internet para pesquisa de suspeitos, apoio da comunidade com a criação dos grupos comunitários de vigias de bairro (ou algo semelhante), implementação do termo circunstanciado, dentre outras ações…

É preciso positivar a “autorização” para atendimento de ocorrências nas imediações dos postos o que não é claro para o policial, devido as diversas ordens emanadas pelas autoridades.

É preciso normatizar o papel do gestor com suas competências e responsabilidades, sendo um primeiro passo para uma efetiva descentralização de comando e empoderamento daqueles que estão em contato direto com a comunidade.

Repensar o projeto já é um bom sinal.

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Postos comunitários de segurança ganharão reforços

Diante das queixas da população, governo promete anunciar hoje reforço na estrutura das 110 unidades do DF, que ganharão internet e telefone. Número de policiais aumentará visando dar mais efetividade ao projeto

Mariana Sacramento

Publicação: 11/06/2010 07:36

Sem estrutura e recursos humanos, os postos comunitários de segurança (PCs) do Distrito Federal ainda não conseguiram atingir o objetivo para o qual foram criados: aproximar a polícia da população. Prova disso é que, em algumas unidades falta de tudo, desde policiais e automóveis, passando por computadores, telefones e até mesmo papel higiênico. O projeto foi uma promessa de campanha do ex-governador José Roberto Arruda, que planejava construir 300 PCs. Ao custo de mais de R$ 215 milhões, no entanto, apenas 110 saíram do papel e outras 10 já foram licitadas. Mas as reclamações relativas à eficiência das unidades são muitas. O caso do militar da aeronáutica Anísio Lemos, 46 anos, ilustra bem o problema. Na madrugada de 15 de maio, antes de seguir até um posto de combustível da 214 Sul para pedir silêncio, ele pediu ajuda na unidade de segurança da 416 Sul. Os PMs, porém, não o atenderam, alegando que não poderiam deixar o local, que ficaria vazio. Anísio acabou sendo espancado por cinco jovens.
A unidade da 416 Sul servirá de modelo para as mudanças que serão implantadas em outros 50 postos  - (Kléber Lima/CB/D.A Press )
A unidade da 416 Sul servirá de modelo para as mudanças que serão implantadas em outros 50 postos

O episódio de selvageria que chocou a cidade trouxe à tona a discussão sobre a efetividade dos postos comunitários de segurança e forçou o poder público a rever o projeto. Desde ontem, o posto da 416 Sul já funciona com um maior efetivo e mais equipamentos, como telefone e computador com acesso à internet, artigos de luxo diante da realidade das demais unidades, mas considerados pelos policiais como ferramentas fundamentais para se adequarem à filosofia de segurança comunitária. Agora, seis policiais se revezam no atendimento aos cidadãos. Quatro ficam no posto, com apoio de um carro policial, enquanto outros dois saem de motocicleta para fazer a ronda entre as quadras comerciais e residenciais.

De acordo com o assessor de polícia comunitária do comando-geral da PM, coronel Walter Sobrinho, as melhorias implantadas no posto da 416 Sul serão levadas para outras 50 unidades do DF a partir da próxima semana. Segundo ele, a média de quatro policiais por unidade saltará para seis. “Porém, a plena funcionalidade de todos os postos depende do aumento do efetivo da PM”, admite. Para se enquadrar às novidades, os policias militares responsáveis pela gestão das unidades participaram durante uma semana do curso de Promotor de segurança comunitária, realizado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública,(Senasp), com a duração de uma semana.

Estudo
“Agora, os policiais vão poder fazer boletim de ocorrência eletrônico, sem precisar deslocar-se do posto”, adianta Sobrinho. Em casos mais graves, os policiais estão autorizados a trancar o PC e atender a ocorrência. Como a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal não dispõe de dados estatísticos específicos quanto à redução de criminalidade nas regiões onde as unidades foram instaladas, o governador Rogério Rosso solicitou à Polícia Militar um estudo para levantar esses dados.

Enquanto as mudanças não chegam, na prática, policiais e comunidade convivem com a precariedade da estrutura dos postos comunitários de segurança. O Correio visitou quatro deles, em diferentes pontos da cidade, e constatou que o medo de expor a opinião sobre o programa aflige ambos os lados. “A gente queria atender a população da melhor forma possível, mas em certas situações ficamos de mãos atadas”, destaca um policial que preferiu não se identificar.

Em um dos postos, os PMs contam com a ajuda da comunidade para comprar produtos de limpeza e até mesmo alimentos. O custo desses serviços fica a cargo dos soldados. “O telefone que usamos é o orelhão. Para atendermos uma ocorrência só se for a pé. Uma vez, a dona de um mercado que fica a 200 metros daqui veio relatar um assalto. Pegamos o carro dela emprestado para prender o assaltante em flagrante”, relata um outro PM.

Dos 120 postos licitados, 10 ainda não foram implantados, mesmo com as bases de fundação (serviço de urbanização e instalação de redes de água, luz e esgoto) do módulo, já instaladas. A construção de novas unidades está suspensa por ordem do governador Rogério Rosso, enquanto a PM não apresentar as medidas de melhoria das unidades atualmente em funcionamento. Dos 110 postos, 78 são simples e 32 são duplos. O custo total da implantação de um módulo simples é de R$ 176.654,58, enquanto o duplo sai por R$ 242.400,50. Quanto às unidades já pagas, oito são do modelo simples.

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Realidade

PCS 10 (416 Sul)
Considerada unidade modelo, foi a único dos postos visitados pelo Correio que dispunha de computador, de telefone, de viatura policial e de duas motos para realizar a patrulha nas ruas, realidade bem distinta dos outros postos. Quatro policias militares faziam plantão na unidade, enquanto outros dois faziam ronda pelas quadras residenciais e comerciais próximas.

PCS 99 (Parque da Cidade)
Apenas um PM estava no posto enquanto outros dois faziam ronda a pé. Não havia telefone nem carro.

PCS 72 (Ceilândia)
Unidade equipada com computador, mas sem acesso à internet. O telefone foi cortado há dois meses. A limpeza da estrutura fica por conta dos próprios policiais, que não contam com viatura.

PCS 63 (Guará II)
Tem computador, mas sem acesso à internet e o telefone da unidade nunca funcionou. A rede foi queimada quando atearam fogo no posto, antes mesmo da inauguração, em março de 2009. Os PMs não contam com um carro específico para o posto.

Palavra de especialista
Treinamento é essencial
 
“A iniciativa é interessante, só que carece de medidas para que ela possa funcionar. Além disso, é preciso pessoal devidamente treinado para essas tarefas, digamos novas, de policiamento comunitário. Há uma questão muito complicada que é a necessidade de regulamentação no DF do processo de abertura de termos circunstanciados (registro de crimes realizado de forma mais célere), porque há uma disputa entre a PM e a Polícia Civil sobre isso. A instalação dos postos é um passo, mas é preciso ter um planejamento, de fato, de uma política de segurança comunitária.”

Arthur Trindade, professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Núcleo de Estudo sobre Violência e Segurança

Fonte: Correio Braziliense
Saiba mais acessando meu trabalho:
Uma análise dos postos comunitários de segurança:
Saiba mais sobre como poderíamos utilizar o termo circunstanciado em nossa polícia:
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9 Comentários

Arquivado em polícia comunitária, policiamento comunitário, policiamento inteligente, reestruturação das polícias

9 Respostas para “Postos comunitários de segurança ganharão reforços ?

  1. Glauber Macedo

    Táí… Se vai haver mesmo alguma mudança eu não sei… Mas o fato de alguém estar com essa vontade de mudar já me anima… Não poder atender uma ocorrência é o fim da picada… O pior nem é isso… Se resolver atender, é abandono de posto, crime militar… Onde já se viu?
    Quem está com vontade de promover tais mudanças tem o total apoio de todos… Meu, da população, creio que da própria base da PM (os SD e CB)…

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  2. Oliveira

    Dr. Aderivaldo, já o admirava pela postura inconformista, mas, ao ler a introdução de sua monografia sobre policiamento comunitário, definitivamente tornei-me seu fã, ao verificar que você teve a coragem que poucos tem de revelar e tornar pública a sua fé em JESUS CRISTO(DEUS), a quem devemos tudo o que somos e temos!

    Continue assim e DEUS vai honrá-lo mais ainda!

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    • Aderivaldo Cardoso

      Obrigado meu irmão.

      Deus tem levado-me para lugares onde um nunca sonhei e me colocado em posições em que jamais imaginei.
      A sabedoria é algo quem vem somente Dele, pois ela é parte de sua essência. Sabendo disso, busco não a sabedoria, mas a essência Dele. A biblia diz em provérbios que quem busca a sabedoria será encontrado por ela. Espero ver um dia nossos amigos policiais buscando e sendo encontrados por esse ESSÊNCIA MARAVILHOSA.

      Ele já tem me honrado de tal forma que não me sinto merecedor. Vivo somente pela Graça, ou seja, pelo seu favor não merecido!

      abraços

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  3. Aderivaldo Cardoso

    Monitoramento eletrônico em Planaltina

    Cidades em 28/07/2010 às 09:15

    As Parcerias Público-Privadas parecem estar dando bons resultados. Após a construção da nova Rodoviária Interestadual de Brasília, que foi realizada por meio de tal parceria, agora foi a vez da segurança ser melhorada através dessa união. O Sindicato das Empresas de Segurança Privada do DF (SINDESP-DF), o Sindicato das Empresas de Segurança Eletrônica do DF (SIESE-DF) e a Polícia Militar do Distrito Federal se uniram a fim de lançar um projeto piloto para o Posto Policial de Planaltina, o que trará mais segurança para o bairro.

    O Posto Policial da área comercial Buritis, localizado entre as quadras 3 e 4, está recebendo monitoramento eletrônico há 5 semanas. As câmeras permitem que os policiais deixem seus postos para atender os chamados da sociedade ou fazer rondas pelo comércio e nas áreas residenciais. “Antes os policiais ficavam preocupados ao deixar o posto e os equipamentos sozinhos para atender alguma ocorrência. Hoje não há mais esse medo”, disse o Coronel Sant’anna.

    Isso é possível graças ao sistema utilizado. Sensores ligados às câmeras avisam à empresa contratada sobre a aproximação de pessoas. Sendo assim, caso haja algum problema, o alarme dispara e avisa à polícia para que uma viatura seja mandada ao local. O sistema também pode servir para avisar ao policial que um cidadão quer relatar algo.

    De fato, os PM’s nos postos serviam como base para que os bandidos cometessem crimes. Ao verificar a presença de um policial dentro do posto, o ladrão vê a oportunidade de agir, afinal, não será surpreendido com rapidez pelos militares. Agora, com as câmeras, as rondas tornaram-se mais frequentes, levando mais segurança aos moradores.

    Coronel Sant’anna ainda complementa que pretende potencializar o uso das novas ferramentas. Para ele, a comunidade ainda anseia em ser atendida de uma maneira melhor, pois ela buscava pouco o policial. “A comunidade de Planaltina é tradicionalista, é diferente de outras cidades satélites ou do Plano Piloto”, completa. Já é possível observar uma queda no número de ocorrências, porém, o 14° Batalhão da Polícia Militar ainda está preparando um documento para que os resultados possam ser apresentados com base no antes e depois da implantação do projeto.

    O projeto ainda visa a expansão para outros postos, além da contratação de vigilantes para as unidades. O custo de manter um vigilante e o sistema eletrônico é menor do que o de manter um policial dentro do posto. É, portanto, um modelo inteligente de policiamento, afinal, o posto não sana todos os problemas das pessoas tampouco é capaz de oferecer toda a segurança. O que garante isso é o policiamento nas ruas.

    Com Paulo Pimenta do Jornal Alô Brasília

    Fonte: http://www.liviodiaraujo.com.br/site.php?p=586

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  4. Aderivaldo Cardoso

    Atualizado em: Sexta-feira, 30/07/2010 às 08:25:50

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    A +A –

    Sistema de câmeras reforça a segurança em Planaltina

    Da Redação
    redacao@jornaldebrasilia.com.br

    Há 15 dias, três rapazes entraram na loja Sete Mares, na Vila Buritis de Planaltina, e começaram a experimentar algumas roupas. Fato normal, até que anunciaram assalto, causando pânico entre clientes e funcionários. Com produtos atrativos para a juventude, a loja de surf wear já sofreu outros assaltos e roubos. Dessa vez os ladrões levaram R$ 2 mil e várias sacolas recheadas de camisetas, bermudas e acessórios. Rapidamente saíram da loja e entraram em um carro com um motorista que os aguardava para a fuga.

    Acostumados com o fato de os policiais militares que atendem no Posto Comunitário de Segurança (PCS) 040, a duas quadras dali, não poderem perseguí-los, fugiram do local. Normalmente, os PMs não podem deixar o posto para resguardar a segurança dos equipamentos. Para azar dos assaltantes, naquele PCS foi instalado um novo sistema de segurança que permite aos policiais a saída. Em perseguição, a caminho do Paranoá, os quatro foram interceptados em flagrante pela equipe de plantão do 040.

    O que permitiu aos PMs atender imediatamente a ocorrência, foi a experiência piloto de instalação de câmeras externas ao posto para garantir a segurança do mesmo enquanto os policiais atendem ocorrências ou fazem ronda e patrulhamento fora.

    Leia mais na edição desta sexta-feira (30) do Jornal de Brasília.

    Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

    Fonte: http://www.clicabrasilia.com.br/site/noticia.php?id=291301&

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  5. Aderivaldo Cardoso

    PMs podem deixar postos e fazer ronda nas quadras de Planaltina
    Empresa de segurança particular cedeu alarme e câmera, o que garante a segurança do posto e possibilita a circulação dos policiais. De acordo com o comandante da PM, o projeto piloto tem dado certo.
    Os PMs finalmente começam a deixar os postos para circular nas quadras. Graças a um sistema de câmera que está sendo instalado nas unidades de segurança.

    A solução veio de uma parceria entre o Batalhão de Planaltina e uma empresa de segurança particular, que cedeu o alarme e a câmera. Assim, os policiais têm liberdade para sair do posto a qualquer momento. Se alguém tentar entrar ou depredar o local, será filmado e o alarme tocará.

    Os policiais têm ordens para circular. Eles não devem ficar mais do que meia hora dentro do posto. E se forem chamados por algum morador para atender ocorrências, eles estão autorizados a ir.

    De acordo com o comandante da PM de Planaltina, o projeto piloto tem dado certo. Entre abril e junho de 2010, o número de ocorrências na Vila Buritis, em Planaltina, diminuiu 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Agora, a PM vai analisar se fará o mesmo em outros postos.

    Rita Yoshimine

    Fonte: http://dftv.globo.com/Jornalismo/DFTV/0,,MUL1610194-10040,00-PMS+PODEM+DEIXAR+POSTOS+E+FAZER+RONDA+NAS+QUADRAS+DE+PLANALTINA.html

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  6. CRISTIANE

    Gostaria de saber como conseguimos colocar um posto comunitário na quadra 318 em Santa Maria, pois sabe-se que esta quadra é uma das mais perigosas de lá, na rua onde moro possui escola e morre sempre um a cada dia naquele local as vezes até uma criança é vitima de bala perdida, me ponho a disposição para pegar assinatura para conseguirmos um posto por ali, gostaria que me instruisse no que posso fazer para ajudar a todos que moram por ali e tem medo da segurança que nos falta de verdade. Nos ajudem a resolver o problema daquele local pois acreditamos demais na policia militar. Aguardo contato.

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  7. Pingback: Lançamento de bases comunitárias móveis no DF | Aderivaldo Cardoso

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