Justiça seja feita!

Hoje gostaria de retomar a um assunto onde um garoto morreu durante uma abordagem policial. Cometei o fato aqui no Blog Policiamento Inteligente e vi vários comentários nos demais blogs especializados.

Naquele momento vi um pai (cidadão) desabafando sobre o despreparo da polícia. Percebi ali uma grande possibilidade de uma revolução na segurança pública desse país.

Sou legalista, pois acredito na lei e na justiça. A justiça é cega e deve ser feita. Justiça num conceito simples é dar a cada um aquilo que ele merece. Hoje vi a justiça ser feita em nosso país ao ler os noticiários.

DEVEMOS COMBATER A VIOLÊNCIA POLICIAL EM NOSSO PAÍS, mas devemos perceber que todos nós estamos passíveis de cometermos erros em nossa profissão. São vários os exemplos de como alguns segundos podem fazer a diferença em nossas vidas. São inúmeras as vezes em que um erro de um profissional, seja ele médico ou policial, mudou o destino de pessoas, acabando com a vida ou matando sonhos.

Tanto o médico como o policial salvam vidas diariamente, mas quando ERRAM podem levá-las para sempre. E NÓS SERES HUMANOS NÃO SOMOS PERFEITOS, SOMOS PASSÍVEIS DE ERROS A QUALQUER MOMENTO.

Quando disse que vi fazer justiça em nosso país, é porque o POLICIAL QUE ERROU foi ABSOLVIDO, porque ninguém mata uma criança ou um ser humano porque quer, quando se está trabalhando, cumprindo um DEVER LEGAL, mas não somente por isso, pois vi uma família sendo INDENIZADA POR UM ERRO DO ESTADO. Sei que uma indenização não trará a criança de volta, nem a prisão dos policiais, mas com certeza ela foi merecida pra essa família.

Os policiais foram julgados e condenados antecipadamente pela mídia de nosso país e do mundo, inclusive por nós policiais, mas graças a Deus a justiça é imparcial (pelo menos foi dessa vez) e absolveu aquele que CUMPRIA SEU DEVER. 

Deixo para nossa reflexão o comentário retirado de um site sobre o depoimento do policial durante a audiência:  “O policial, que está há 11 anos na corporação, contou que não passa por curso de reciclagem há três anos. Ele também nunca cursou técnicas de abordagem”.

Volto a cobrar as NORMAS DE ABORDAGEM, CÓDIGOS DE DEONTOLOGIA E CÓDIGOS DE CONDUTA POLICIAL para diminuirmos esse tipo de erro, mas é lógico que os CÓDIGOS SEM TREINAMENTO NÃO VALEM DE NADA!!

Aproveitando esse fato, espero que em Brasília a justiça também possa ser feita no caso do Sgt que baleou o jovem TORCEDOR que acabou de falecer!

Agencia Estado – 11/12/2008 9:41

PM é absolvido da acusação de matar João Roberto

O policial militar William de Paula foi absolvido na noite de ontem da acusação pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, em julho deste ano, durante uma perseguição a um veículo suspeito. Ele foi condenado a 7 meses de prestação de serviços comunitários pelo crime de lesão corporal leve à mãe do garoto, Alessandra, e ao irmão de João Roberto, Vinicius. Da acusação de homicídio doloso, ele foi absolvido. A família do garoto protestou na saída do julgamento e afirmou que vai recorrer. Alessandra Soares disse que estava “chocada” com a absolvição. O outro policial envolvido no caso, Elias Gonçalves, está preso, mas entrou com recurso e seu julgamento ainda não foi marcado.

Apesar de reconhecer ter confundido os veículos, o PM disse acreditar que o tiro que matou João Roberto tenha partido dos criminosos. Ele contou que na noite em que abordou o carro de Alessandra na Tijuca, zona norte da cidade, havia pouca iluminação. Ao se aproximar do veículo, fez três disparos – um de um de advertência, outro que atingiu um carro parado na rua, e um terceiro, que furou o pneu do carro da vítima. “Infelizmente, eu passei a acreditar que era o carro dos meliantes”, disse ao juiz. De Paula disse que não percebeu que a bolsa que Alessandra havia jogado para fora do carro, a fim de alertar os policiais de que havia crianças no veículo, era uma sacola de bebê. Ele lamentou o ocorrido e disse que ficou traumatizado. Ao juiz, disse que a cena foi tão chocante que não teve condições de retirar João Roberto do carro. O policial, que está há 11 anos na corporação, contou que não passa por curso de reciclagem há três anos. Ele também nunca cursou técnicas de abordagem. Disse apenas que recebeu instruções sobre como abordar carro e perseguir automóvel em fuga. “Infelizmente, naquele momento ali era o meio que eu pude usar”, comentou.

 

O promotor de Justiça era Paulo Rangel e os advogados Nilo Batista e João Tancredo foram assistentes de acusação. A defesa do réu foi feita pelo advogado José Maurício Neville. Alessandra e os filhos, João Roberto e Vinicius (na época com 9 meses) estavam em um Fiat Pálio prata e os homens que estavam sendo perseguidos, em um Fiat Stilo preto. João Roberto foi atingido por um tiro na cabeça e morreu. O cabo foi julgado no 2.º Tribunal do Júri da Capital, presidido pelo juiz Paulo Baldez.

 

Indenização

 

Em setembro, a família do menino ganhou na Justiça o direito de receber indenização para tratamento médico, bem como pensão por seis meses do Estado. Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, deve receber R$ 4.150 por mês e familiares receberão R$ 1.245. Após a decisão, o Estado do Rio chegou a recorrer, mas o governador Sérgio Cabral determinou que os procuradores não apresentassem mais nenhum recurso.

Notícia retirada do site: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=15843274

4 Comentários

Arquivado em polícia militar

4 Respostas para “Justiça seja feita!

  1. Pingback: Global Voices em Português » Brasil: Polícia brasileira mata e escapa impunemente

  2. Sufatinha

    Quanta hipocrisia!! Quanta falta de sensibilidade, em nome de um corporativismo grosseiro!! Queria saber da sua opnião se, naquele carro, estivessem seus filhos. O carro foi metralhado pelo seu colega, meu camarada! Médicos irresponsáveis também vão preso. Ou vc acha que um cirurgião negligente e sem pericia também não é julgado?!Sua comparação foi a mais ridicula que eu já vi!

    Tenha um pingo de vergonha e descencia!

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  3. Aderivaldo Cardoso

    Se fosse vc naquela situação (como policial) como agiria?
    Em um Estado que os policiais não podem proteger a si mesmos, com salários extremamente baixos como vc se comportaria?
    Se fossem meus filhos eu saberia que o policial é passível de erro…
    Ninguém sai pra rua com a intenção de matar e perder seu emprego…
    Ridículo é COMPARAR TODO POLICIAL QUE ERRA A UM BANDIDO!!
    O médico é julgado eu sei, o POLICIAL FOI JULGADO e absolvido POR UM JURI POPULAR…
    Não foram policiais que absolveram o cabo, mas sim a sociedade!
    Eu fui um dos que o condenou no dia, se quiser pode ler meu post na data do fato!!
    Quando digo que a justiça foi feita significa que a sociedade deu a cada um o que achou que era justo!
    Essa definição é uma definição simplista, mas é uma definição positivista do direito, ou seja, baseada no que está escrito!
    Se um policial tem bons antecedentes e uma boa ficha profissional nada mais justo que ele seja absolvido…
    Eu condenaria o ESTADO a proporcionar os meios necessários para a prestação de bom serviço a sociedade e nisso devemos incluir a formação e capacitação policial!!

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  4. Eduardo

    Claro , você tem razão quanto ao despreparo. A policia militar é violenta e despreparada,sempre digo isto. O principal motivo ,ao meu entender e esta hierarquia militar medieval, Po
    rque esta diferença tão grande entre o salário de um soldado,que realmente arrisca a vida,e de um oficial que ganha bem em relação ao cidadão comum, aposenta-se cedo ,tem ensino gratuído e quase não se arrisca.Acho que a resposta esta nesta militarização desnecessária e cara para os cidadões.

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