Justificativas falaciosas!

Nunca escondi que sou um debatedor contumaz nas comunidades de policiais militares do DF e de alguns outros Estados da Federação. Um fato comum sempre me chamou a atenção. As expressões utilizadas pelos policiais, especialmente os fakes. Muitas dessas expressões serviram de “trampolim” para alguns policiais se tornarem políticos de carreira, fato que hoje talvez não surta mais efeito em decorrência das mudanças na sociedade em geral, mas que ainda permanece na mente de alguns policiais.

Ao ler o texto do Danillo Ferreira do Abordagem Policial sobre essas falácias percebi que não era o único a ver com estranheza essas desculpas. O texto do blogueiro foi perfeito em minha concepção, pois abordou de forma clara e objetiva um assunto que muitas vezes não damos importância, mas que pode ser essencial para nossa MUDANÇA CULTURAL dentro da organização.

Tomei a liberdade de colocar aqui no Blog Policiamento Inteligente algumas de suas argumentações sobre essas “falácias”. Para maiores detalhes visite o Blog Abordagem Policial e confira o texto na íntegra.

 

“Bandido bom é bandido morto”

Trata-se duma assertiva que expressa o superpoder que alguns policiais acham que têm. Dizer que o infrator da lei não possui direito à vida é intitular-se legislador, policial e juiz a um só tempo. Esse entendimento supõe uma sociedade boa (tendo o “pai de família” como um dos seus símbolos) versus os “marginais”, ou “vagabundos”, traçando uma linha intransponível entre esses dois extremos. Ou seja, o potencial descumprimento da lei é tido como algo intrínseco ao homem – uma visão eminentemente lombrosiana.


“Fulano não entende nada de polícia, nunca sentou num banco de viatura”

Se a pura prática da ação policial fosse suficiente para gerar um bom entendimento de polícia, não teríamos muitos dos problemas que atualmente enfrentamos. O empirismo puro não leva à excelência. Imaginemos que os críticos do Presidente da República precisassem eleger-se ao cargo para depois criticá-lo; seria absurdo. Geralmente o argumento é usado para esconder nosso despreparo, ou mesmo para rebater críticas infundadas, mas através dum raciocínio torto.


“Os Direitos Humanos só protegem os bandidos”

Muitos policiais ainda não sabem o que são os Direitos Humanos. Comumente se confunde os Direitos Humanos com as organizações que se propõem a defender os Direitos Humanos, organizações estas que às vezes são injustificadamente incendiárias, e possuem participantes com objetivos políticos questionáveis. Mas é natural que os abusos cometidos por policiais, representantes do Estado, sejam ressaltados frente aos realizados pelos demais membros da sociedade. Se os policiais se dedicarem ao estudo e à internalização dos Direitos Humanos, terão mais argumentos e embasamento para refutara as teses de organizações mal-intencionadas.


“No Judiciário, no Ministério Público e entre os políticos há muitos corruptos, e não são condenados como nós, policiais”

Essa é uma assertiva que deve ser parcialmente considerada. Não se duvida que existam corruptos no judiciário, no Ministério Público e no “meio político” brasileiro – em verdade, todas as instâncias estatais estão sujeitas a esta doença. O problema está em tentar justificar o erro nosso com o desacerto de outrem. O policial que se ancora na doença alheia certamente o faria se fosse juiz, promotor, professor, etc.

“O policial administrativo é preguiçoso, o operacional é arbitrário”

Entendendo o policial “administrativo” como aquele que trabalha em atividades burocráticas, e o “operacional” sendo aquele que trabalha na rua, seria incorreto determinar estereótipos para ambos. A técnica operacional não está desvencilhada da do respeito às leis e garantias fundamentais, ao contrário, a técnica é um dos instrumentos a ser utilizado para alcançar esses ideais. Da mesma forma, o fato do policial administrativo não ser acometido pelo stress comum à atividade, não o torna um preguiçoso (“macetoso”, no jargão militar). Há mesmo aqueles que chegam a ultrapassar sua carga-horária de trabalho em prol da execução de suas missões. Chega a ser irracional essa dualidade de modelos, já que a rotatividade de funções é um fato na maioria das organizações policiais.

 

 

É uma pena não termos mais espaços para divulgarmos essa abordagem feita pelo Danillo Ferreira, pois compreendê-la é de fundamental importância para nosso crescimento. É lamentável também a falta de interesse dos colegas por assuntos tão importantes como esse. Prendemos-nos apenas a questão salarial, deixando todo outro arcabouço necessário para a nossa evolução dentro da sociedade de lado!

Anúncios

1 comentário

Arquivado em reestruturação das polícias

Uma resposta para “Justificativas falaciosas!

  1. Aderivaldo… obrigado pela divulgação! Realmente, o que mais atrapalha nosso desenvolvimento como profissionais é a cultura organizacional a que estamos submetidos – expressa por um conjunto de teorias e afirmações falaciosas, algumas das quais elenquei nesse texto. Com a consciência de que precisamos de novas fundamentações para atuar, mostraremos à sociedade o quanto somos importantes, e aí a dívida que atualmente parece ser da polícia para c0m a sociedade inverterá os pólos. Abraço!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s