Arquivo do dia: agosto 16, 2008

Reflexões sobre segurança pública!

Entrevista ao BLOG TEMPOESIA – REFLEXÕES SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA.

 

Blog Tempoesia: Qual a sua opinião sobre os escândalos na polícia e na Segurança Pública em nosso país?

 Aderivaldo: A Segurança Pública no Brasil esteve abandonada durante muitos anos e somente agora estão começando a discuti-la, mais em decorrência dos erros policiais do que realmente por vontade política de discutir o assunto. Já a polícia sempre se viu como um órgão autônomo dentro do governo e nunca teve coragem de se posicionar como um órgão político dentro do Executivo. Seu efetivo sempre foi visto como elemento de execução e nunca quiseram proporcionar uma qualificação adequada para os policiais.

Blog Tempoesia: Então o Rio de Janeiro é um reflexo desse abandono? Brasília pode se tornar um Rio de Janeiro?

Aderivaldo: – Sim, o Rio é reflexo desse abandono. A população escrava quando foi liberta teve como opção o morro. O crime no Rio de Janeiro é também um grito de protesto contra o sistema que os excluiu. Brasília teve uma ocupação diferenciada. Aqui era o grande “El Dourado”. O sistema de criação de assentamentos não expulsou, mas sim, deu uma perspectiva de melhora para muitos.

Blog Tempoesia: E sobre a qualificação que você falou anteriormente, o que poderia ser feito para melhorar?

Aderivaldo: Aqui em Brasília foi dado um grande passo. Recentemente o governo local implementou o Projeto Policial do Futuro, em que financiará a faculdade para policiais que só têm o nível médio. Além disso, será exigido nível superior para ingresso na Corporação. Outra iniciativa é a disponibilização de vagas para pós-graduação em Segurança Pública, gestão de projetos e direitos humanos, entre várias outras especializações. O sucesso desses incentivos é tão grande que a Polícia do Goiás já está seguindo o nosso exemplo.

Blog Tempoesia: O que falta para a polícia mudar sua imagem, além dos projetos citados acima?

Aderivaldo: Nós policiais nos aproximarmos das comunidades onde moramos, pois a polícia não conhece a comunidade, tampouco a comunidade conhece a polícia. Talvez em alguns estados, isso seja um pouco mais difícil, mas em Brasília, carecemos ter apenas um pouco mais de boa vontade. A participação da sociedade nesse processo significa que todos juntos (polícia e comunidade) buscarão uma solução para os problemas da localidade.

Blog Tempoesia: E hoje, como está o policiamento comunitário no DF?

Aderivaldo: Ainda está em fase embrionária, pois vários policiais já fizeram o curso de policiamento comunitário e a filosofia está sendo absorvida. Alguns postos têm dado resultado e outros não. Para trabalhar nestes postos deveria ser exigido um perfil ou até mesmo ser realizada uma seleção, assim como é feito para entrar no PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas). Nesse ponto o militarismo deixa a desejar, pois faz prevalecer sempre a antigüidade. Mas, a polícia quer, precisa e vai mudar, a polícia está mudando!

Blog Tempoesia: E para encerrar, qual a principal mudança que você observa na polícia desde que ingressou na carreira?

Aderivaldo: A cultural. Essa mudança abrange vários fatores, sendo o principal dentre eles, a aproximação entre praças e oficiais. Costumo dizer que o fim do Rancho (onde a comida era separada por graduação) foi decisivo nesse processo. No restaurante da CABE (Caixa Beneficente da PMDF) todos sentam próximos uns dos outros e mesmo que o oficial não queira ele passa a ouvir as reclamações das praças, ainda que indiretamente. Assim, onde não havia o conflito, passa a existir. O conflito gera a crise e a crise gera a mudança. ■

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