Há mais de um ano venho acompanhando as reuniões do conselho comunitário de segurança na cidade do Riacho Fundo no DF e a cada dia me surpreendo.
Em alguns momentos começo a acreditar que está dando certo, mas em outros vejo a inércia tomando conta. São sempre as mesmas pessoas participando e sempre as mesmas coisas sendo discutidas!
Segundo a Diretriz de segurança comunitária, portaria nº 30, de 28 de fervereiro de 2005, conselho comunitário significa:
CONSELHOS COMUNITÁRIOS DE SEGURANÇA: grupo de pessoas representantes da comunidade e dos órgãos que compõem o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social e do Departamento de Trânsito, com o fim específico de discutirem problemas afetos à Segurança Pública e apresentarem soluções.
A parte mais importante é a solução do problema, algo óbvio, mas ela só ocorre depois da discussão!
O que tenho observado é um monólogo dos órgãos de segurança como se estivessem fazendo uma prestação de contas de quantos prenderam e quantas ocorrências foram registradas. Quando são questionados efetivamente se indignam achando que a população não tem o direito de criticar a instituição, mas tudo isso ocorre de forma muito sutil!
Ontem me surpreendeu o comentário de um oficial subcomandante de uma unidade que questionou um grupo de jovens participativos da comunidade que fizeram um jornal e colocaram uma charge da polícia do Rio de Janeiro. O oficial recebeu o jornal na última reunião e disse que foi atrás dos jovens e não os alcançou e que se tivesse alcançado chamaria a atenção deles, pois se sentiu ofendido de receber aquele material!
Esse grupo eu conheço e sei que eles sabem bastante de segurança pública. Foram meus alunos do proerd e todos participam dos fóruns e conferências sobre o assunto, além de terem lido e discutido o meu livro!
Diante desse fato deixo essas perguntas aos leitores:
Nós estamos preparados para ouvir a verdade nas reuniões dos conselhos de segurança?
Existe a possibilidade da autoridade do discurso superar o discurso da autoridade?
Ah, resolvi colocar a charge aqui no blog! Ela não me ofendeu!!!
Para nossa reflexão:
Além de suas tarefas tradicionais, os policiais do patrulhamento devem ser capazes de organizar grupos comunitários, sugerir soluções para os problemas do bairro, ouvir comentários críticos sem perder a calma, registrar a cooperação das pessoas que estiverem amedrontadas ou ressentidas, participarem de maneira inteligente nas conferências do comando e falar com equilíbrio nos encontros com o público. Tais deveres requerem novas atitudes. Os policiais devem ter capacidade de pensar por si só e de traduzir as ordens gerais em palavras e ações apropriadas. É necessária uma nova espécie de policial, bem como um novo tipo de comando. O policiamento comunitário transforma as responsabilidades em todos os níveis: no nível dos subordinados aumenta à autogestão; no dos superiores, encorajam-se as iniciativas disciplinadas, ao mesmo tempo em que se desenvolvem planos coerentes que correspondam às condições locais. (Pág.34, o grifo nosso)