Julho 16, 2008...3:17 pm

A Crise de Identidade das Polícias Militares Brasileiras…

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Resolvi falar um pouco sobre a  crise de identidade das polícias militares, seguindo a orientação do amigo Jota, que indicou o artigo da Professora Jaqueline Muniz, pessoa super inteligente e conhecedora da realidade das polícias militares do país (tive a oportunidade de participar de um seminário onde ela deu uma excelente palestra), assunto que pode explicar um pouco do que está ocorrendo em nossas cidades brasileiras com a exposição de erros cotidianos de abordagens na mídia em decorrência da morte de “inocentes”! Mas quem são os inocentes? Quem são os culpados?

A professora Jaqueline Muniz inicia seu artigo afirmando que “há hoje no Brasil, um consenso quanto à necessidade de se promover mudanças susbstanciais no nosso atual sistema de segurança pública. Os políticos, independente de suas orientações político-partidárias, assim como os segmentos civis organizados, os formadores de opinião, os cidadãos  comuns e o próprios profissionais de polícia, são unânimes em reconhecer a imperiosa necessidade de se buscar adequar o sistema policial brasileiro às exigências do estado democrático de direito”.  Mas que mudanças? Que polícia?

Todas as vezes que sai na mídia fatos como os do Rio de Janeiro, onde morreu uma criança e em outra situação o jovem que estava sendo sequestrado foi baleado e morreu ou o ocorrido no Paraná, vários setores da sociedade pedem mudanças, mas depois se calam. Tudo fica no esquecimento!

Nossos policiais muitas vezes são vítimas do sistema desde sua formação, que é a base para toda a carreira, até o final dela, seja por aposentadoria, morte ou prisão. Pois estamos mais próximos dela do que muitos imaginam. Não fomos preparados para atuar em um estado democrático de direito que dá várias garantias individuais, mas não oferece ao policial instrumentos legais e intelectuais para execução do serviço de forma perfeita ou aceitável como muitos querem. Segundo a professora dentre as questões mais debatidas destaca-se o processo formativo dos policiais. Para ela, “salvo raras excessões, as principais críticas da população e dos segmentos civis organizados, identificam as práticas correntes de brutalidade policial, de uso excessivo da força e demais empregos arbitrários do poder de polícia, como um dos efeitos perversos do “despreparo” e da “baixa qualificação profissional” dos policiais militares”. Para a sociedade há um “descompasso” entre a “destinação das polícias de  ”servir e proteger” o cidadão”, pois os nossos “conhecimentos, técnicas e hábitos aprendidos refletem as doutrinas e mentalidades herdadas do nosso passado autoritário”.

Somos um HíBRIDO de polícia e militar, vivemos uma crise de identidade descumunal. Nâo somos totalmente polícia, nem totalmente militar, o que faz com que surjam discriminações do lado policial e do lado militar.

Para Jaqueline Muniz “as insatisfações dessa nova geração de policiais militares, sobretudo no que concerne a formação educacional recebida, são um dos aspectos mais visíveis da crise de identidade vivida pelas Polícias Militares brasileiras”.

Cabe a cada um de nós policiais exigir uma melhor capacitação profissional dentro de nossas instituições. Devemos também exigir uma reestruração do perfil profissiográfico de forma a melhorar o nível dos novos policiais: inteligência, persuasão, raciocínio rápido e vários outras qualidades devem ser imprescindíveis para nossa função,  para melhorarmos gradativamente as instituições ao longo do tempo… Por meio do perfil traçado pela instituição poderemos definir que tipo de policial nós queremos, o que irá refletir em que tipo de polícia nós teremos!

Temos que parar com as respostas vazias de que a polícia que nós temos reflete a sociedade. Já ouvi de vários colegas que somos violentos porque a sociedade é violenta. Se é assim, então vamos escolher para nossas polícias os melhores e menos violentos dessa sociedade, talvez essa seja uma saída, além, é claro, de qualificar os que já estão nela …

 

Em breve retornarei a esse assunto…

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